Texto Filosófico
Pensar, tarefa difícil.
É atribuído a Aristóteles a frase: " O sábio nunca diz tudo que pensa, mas pensa sempre tudo o que diz."
Apesar de parecer uma frase hoje totalmente clichê, tal ação na prática, exige muita inovação e sabedoria, pois vivemos em um mundo, no qual somos bombardeados de informações diversas e, através destas informações, construímos nossas ideias e solidificamos ou não, alguns conceitos.
Em um mundo de replicadores de ideias alheias, pensar é um artigo de luxo. Pois o pensar é algo inovador, criativo e por vezes, libertador e perigoso.
Se fizermos uma reflexão e começarmos a analisar os nossos conceitos, sentiremos que alguns deles nos incomodarão, isso acontece porque a sociedade que nos cerca é dinâmica, e o nosso pensamento também. Porém, embora o pensamento seja algo dinâmico, o processar deste pensamento não é feito na mesma velocidade gerando muitas vezes, conflitos.
Hipoteticamente, imagine uma geração que cresça em um ambiente no qual comer açúcar é um absurdo. Ora, para essas pessoas, o pensamento uno, fortalece a coesão e a aceitação de que o açúcar, poderá lhe fazer mal. Mas, em determinado momento, começam a aparecer movimentos dizendo que comer açúcar é bom. Ora, no início haverá choques e conflitos, podendo este caminhar ou para o fim da ideia, ou para o surgimento de uma nova ideia e comportamento. Mas, lembre-se que toda vez que uma pessoa abraça uma bandeira, sempre haverá simpáticos a esta. Com a ideia de que o açúcar é bom, e ganhando simpatizantes de peso, a ideia se implantará e será com o tempo, natural que várias pessoas, comecem a comer açúcar. Ora, o que era abominação, passou a ser tolerável e posteriormente aceitável. Ou seja, houve uma mudança comportamental, tendo início no pensar de alguém.
E essas mudanças permeiam nossa história de vida, bem como o comportamento individual ante o social. Muitos hábitos e costumes sociais foram considerados naturais em determinadas épocas e execradas em outras. Como exemplo posso citar o trabalho escravo que foi algo comum a muitos povos e que hoje é combatido com veemência. Modinhas sociais como fazer uma tatuagem, era a algum tempo em nosso país, algo tido como símbolo da marginalidade, hoje é somente uma expressão, apesar de terem pessoas que adoram se expressar.
Mas, toda mudança de comportamento exige uma ideia em ação. E essa ideia, é criada, copiada e disseminada a seu tempo.
Enquanto isso, a sociedade, campo aonde essas ideias se fertilizarão, estará se adaptando as mudanças.
Essas mudanças sempre irão gerar conflitos, principalmente naquelas pessoas que não conseguem sentir os ventos das mudanças e, navegar por elas.
Não quero dizer que temos que a tudo aceitar, ao contrário, temos que a tudo questionar.
Mas, para questionarmos algo, temos que ter uma justificativa plausível na qual possamos nos apoiar. Essa justificativa, obrigará você a pensar. E pensando, você será capaz de abraçar ou levantar uma nova bandeira.
Buda diz que: "Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo".
Agora reflita, se somos o que pensamos, mas apenas replicamos, logo não somos nada. Se tudo surge com nossos pensamentos, mas, vivemos sob o julgo dos pensamentos alheios, logo, vivemos uma vida que é mais do outro, do que nossa, ou seja, uma vida sem personalidade própria. Se com nossos pensamentos fazemos o mundo, mas, não pensamos, não criamos e a tudo copiamos, logo, não contribuímos e muito menos criamos um mundo novo e quiçá melhor.
Pense nisso.
Paz e bem.
Boa reflexão.
Ore a sua oração.
Seja luz.
Massako
EXISTÊNCIA DA ALMA NO ORGANISMO HUMANO
CONTEXTO:
De acordo com Aristóteles, a Alma é o que dá animação ou movimento ao Corpo e, segundo Paulo de Tarso, no Organismo Humano existe Alma.
OBJETIVO GERAL:
Explicar a razão de se poder afirmar que no Organismo Humano existe Alma.
PROBLEMA:
Porquê se pode afirmar que no Organismo Humano existe Alma?
HIPÓTESE GERAL:
No Organismo Humano existe Alma porque há movimento do Corpo ante estímulo.
HIPÓTESE E ARGUMENTAÇÃO OPERACIONAL BÁSICA:
Se existe Alma no Corpo Humano que tem sinais de Respiração, então há movimento reativo do Corpo no momento em que se dá algum estímulo.
Ora, não houve nenhum movimento reativo do Corpo no momento em que se deu o estímulo.
Então, não existe Alma no Corpo Humano que tem sinais de Respiração.
Se existir Alma num Corpo Humano que tenha sinais de Respiração, então haverá movimento reativo do Corpo no momento em que se der algum estímulo.
Ora, existe Alma num Corpo Humano que tem sinais de Respiração.
Então, haverá algum movimento reativo do Corpo no momento em que se der um estímulo.
CONCLUSÃO OPERACIONAL:
No Organismo Humano existe Alma, visto que no momento em que se deu o estímulo verificou-se o movimento reativo do Corpo.
CONCLUSÃO GERAL:
Portanto, pode-se afirmar que no Organismo Humano existe Alma porque se verifica algum movimento reativo do Corpo no momento em que se dá um estímulo.
(...) uma acrimônia no vazio é tão perigosa quanto a outra e isto lhe cola ao âmago; e quando estiver na sua frente ela ficará totalmente tomada, sobretudo com a sexualidade, a coisa vai rápido - se quiser terminar essa história, talvez seja possível sem desastre, mas não sem barulho e será preciso muita dureza: diminuir lentamente a paixão nas cartas e dar um adeus frio.
Se a mulher foi, muitas vezes, comparada à água, é entre outros motivos porque é o espelho em que o Narciso macho se contempla; debruça-se sobre ela de boa ou de má-fé. Mas o que, em todo caso, ele lhe pede é que seja fora dele tudo o que não pode apreender em si, pois a interioridade do existente não passa de nada e, para se atingir, ele precisa projetar-se em um objeto. A mulher é para ele a suprema recompensa porque é sob uma forma exterior que ele pode possuir, em sua carne, sua própria apoteose
Tesouro, presa, jogo e risco, musa, guia, juiz, mediadora, espelho, a mulher é o Outro em que o sujeito se supera sem ser limitado, que a ele se opõe sem o negar. Ela é o Outro que se deixa anexar sem deixar de ser o Outro. E, desse modo, ela é tão necessária à alegria do homem e a seu triunfo, que se pode dizer que, se ela não existisse, os homens a teriam inventado.
“Julguei que seria resolvido com muita facilidade: é possível conciliar fidelidade e liberdade? E se for, a que preço? (…) Se os dois aliados permitem-se apenas ligações sexuais passageiras, não há dificuldade, mas isso também significa que a liberdade que se permitem não merece o nome que tem. Sartre e eu fomos ambiciosos; foi nosso desejo experimentar amores contingentes. Mas, há uma pergunta que evitamos deliberadamente: como a terceira pessoa se sentiria em relação ao acerto?”
O Socorro Contra as Nossas Perdas
O verdadeiro bem — a sabedoria e a virtude — é seguro e eterno; é este bem, aliás, a única coisa imortal que é concedida aos mortais. Estes, porém, são tão falhos, tão esquecidos do caminho que seguem, do termo para que cada dia os vai arrastando que se admiram quando perdem alguma coisa — eles que, mais tarde ou mais cedo, hão-de perder tudo! Tudo aquilo de que és considerado dono está à tua mão, mas sem ser verdadeiramente teu; um ser instável nada possui de estável, um ser efémero nada possui de eterno e indestrutível. Perder é tão inevitável como morrer; se bem a entendermos, esta verdade é uma consolação para nós. Perde, pois, imperturbavelmente: tudo um dia morrerá. Que socorro podemos conseguir contra todas as nossas perdas? Apenas isto: guardemos na memória as coisas que perdemos sem deixar que o proveito que delas tiramos desapareça também com elas. Podemos ser privados de as possuir, nunca de as ter possuído. É extremamente ingrato quem pensa que já nada deve porque perdeu o empréstimo! O acaso privou-nos do objecto, mas deixou em nós o uso e proveito que dele tiramos, e que nós deixamos esquecer pelo perverso desejo de continuar a possuí-lo!
A coragem não é a ausência do medo, mas sim o controle sobre ele.
Você nunca fará nada neste mundo sem coragem. Ela é a maior qualidade da mente ao lado da honra.
A coragem é a primeira das qualidades humanas porque é a qualidade que garante todas as outras.
"Os homens corajosos agem por honra.
Sentenças filosóficas de Epicuro
- As almas pequenas na sorte se desenvolvem, nas adversidades regridem.
- O homem sereno busca serenidade para si e para os outros.
- A morte não é nada para nós. Quando nos dissolvemos não temos mais sensibilidade e sem sensibilidade não nos resta nada.
- A vida do justo não é perturbada pelas inquietações, mas a vida do injusto é cheia delas.
- Toda amizade tem por base o proveito próprio.
- As pessoas terminam sua vida como se tivessem acabado de nascer.
- Não faça nada que teu vizinho não possa saber.
- Não devemos pedir aos deuses o que podemos realizar.
- O melhor da auto-suficiência é a liberdade.
- A morte não significa nada para nós pois quando nós somos ela não é e quando ela é, nós não somos.
- Nada é suficiente para quem considera o suficiente pouco.
- O prazer é o principal bem, ele é a ausência de dor no corpo e de inquietações na alma.
“Vocês sabem porque as maiores mentes que o mundo já viu, como Sócrates, Galileu, Aristóteles, Newton, não se julgavam inteligentes? Porque se fizessem isso, passariam a serem tomados por uma certeza que não existe em vida, e cedo ou tarde passariam a serem tomados pelos sentimentos de glória, arrogância e egoísmo, e por consequência se tornariam pessoas medíocres e presunçosas. Se isso ocorresse, jamais eles seriam de fato grandes mentes. As verdadeiras grandes mentes não se julgam seres inteligentes, pelo contrário, se julgam burros, e é isso que os mantêm ativos na busca do conhecimento vivo e genuíno de purezas, vindo das mais altas plenitudes celestiais.”
Contra o Arrependimento
O pensador vê seus atos como tentativas e questões para obter explicações acerca de algo: sucesso e fracasso, para ele, são antes de tudo ‘respostas’. Irritar-se ou mesmo sentir arrependimento, porque alguma coisa deu errado — isso ele deixa para aqueles que agem por terem recebido ordens, e que podem esperar uma surra, caso o seu senhor não se satisfaça com o resultado.
TODO FILHO PRECISA DE UM PAI QUE ORA
De acordo com Platão, “não deverão gerar filhos aqueles que não querem dar-se ao trabalho de criá-los e educá-los”. Nesse sentido, todo filho necessita de um pai que lhe ofereça direção e proteção. A figura paterna exerce papel fundamental não apenas como provedor material, mas também como guia espiritual e moral. Ao se colocar em oração, o pai fortalece a própria fé e intercede pelo futuro de seus filhos. Essa prática representa uma ação de grande importância na vida de pai e filho, mesmo quando a história é marcada por experiências difíceis.
Em primeiro lugar, é necessário reconhecer que a presença paterna exerce influência direta na formação integral do filho. Mais do que prover recursos materiais, o pai que se coloca como guia transmite valores éticos e espirituais que moldam o caráter e fortalecem a identidade da criança. Essa orientação contribui para que o filho compreenda seu papel no mundo e desenvolva confiança diante dos desafios da vida. Assim, a figura paterna vai exercendo o papel de referência de responsabilidade e amor, fornecendo elementos indispensáveis para o crescimento saudável.
Além disso, a oração paterna representa uma prática concreta que reforça esse papel de guia e protetor. Ao interceder pelo futuro dos filhos, o pai demonstra que sua missão ultrapassa os limites do cuidado físico, alcançando a dimensão espiritual e emocional. Essa atitude evidencia que cada filho é portador de valor inestimável, digno de amor e atenção, mesmo quando sua história é marcada por dificuldades. Por exemplo, quando um pai ora pela saúde de um filho enfermo, pela sabedoria em suas escolhas acadêmicas ou pela proteção diante das influências negativas da sociedade, ele reafirma sua responsabilidade e amor. Dessa forma, a oração se torna expressão de hombridade e compromisso, fortalecendo os laços familiares e reafirmando a dignidade da pessoa.
Assim, também, “não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca” (Mt 18:14). Portanto, compreender o papel do pai como guia e intercessor é reconhecer que cada filho carrega dignidade e valor inalienável.
Valorizar essa prática é reafirmar a importância da família como espaço de proteção e crescimento, onde o amor e a responsabilidade se transformam em pilares de esperança. Autor: @R_drigos
Dessa forma, a oração paterna se revela como uma poderosa expressão de compromisso e fé, contribuindo decisivamente para a vida e o futuro dos filhos.
Autor: @R_drigos
Platão tratou o amor como um banquete
Você me mostrou ele como migalhas
Ao te oferecer presentes, mostrou que tem preço.
Ao te oferecer palavras de afirmação, seu ego entrou em ação.
Ao te oferecer tempo de qualidade, mostrou que só se importa de verdade com coisas que enaltecem sua vaidade.
Ao te oferecer toque físico, optou pelo distanciamento.
Ao te oferecer atos de serviço, quis ser auto suficiente.
Um só
Platão dizia que éramos um só
Que estávamos juntos
Em um só corpo
Uma só vida
Uma só existência
Éramos um só
Em um só estar
Em um só ser
Em um só
Uma saudade sinto
Inexplicável
Com gosto de absinto
Agora estou condenado
A eternamente procurar
Minha outra parte
Pois só ela pode me completar
Na alienação dos nossos pensamentos..
Caverna de Platão nunca foi tão real,
Abriu se mundo da nova carvena,
A carvena era um buraco na parede com uma fogueira algumas pessoas em volta alguém alimenta o fogo e outro conta histórias.
E outros caçam comida que era pouco e também levam alguns peixes e cascas de arvore e raízes. Esta comida seria suficiente? A uma pirâmide de sobrevivência? Alienação de sair da fogueira será obstáculo intelectual? Para liberdade moral?
Hoje em dia Caverna está cabeça de cada um de nós celulares e computadores são as verbais visuais histórias contadas pelo xamã o que somos diante da pirâmide ancestral.
A escravidão daqueles dias continuam os escravocratas são mesmos donos da sua vida ate que seja substituido...
ENTRE PLATÃO, LULA E A JUSTIÇA
Tenho pensado muito sobre política. Mas, quanto mais penso nela, mais percebo que talvez esteja pensando sobre mim mesmo.
Minha leitura de A República, de Platão, colocou diante de mim uma pergunta aparentemente simples: o que é justiça?
Parece uma pergunta distante do Brasil.
Não é.
Porque Platão não se contenta em perguntar se determinado governante é bom ou ruim. Ele amplia a questão. Pergunta que tipo de cidade estamos construindo, que ordem existe dentro dela e que espécie de seres humanos essa cidade produz.
E foi exatamente aí que, enquanto lia Platão, comecei a pensar em Lula.
Não porque Lula seja um personagem platônico. Não é.
Não porque o lulismo seja uma realização da cidade imaginada por Platão. Também não é.
A ligação que me interessa é outra.
Quero colocar Lula diante da pergunta de Platão.
E quero colocar minhas próprias convicções diante dela também.
Quando Lula chegou à Presidência vindo de uma trajetória sindical e falando historicamente aos trabalhadores e aos pobres, uma questão antiga ganhou uma forma brasileira muito concreta:
o que uma sociedade deve àqueles que estão na parte mais baixa de sua estrutura?
Essa pergunta me interessa mais do que simplesmente perguntar se alguém é de esquerda ou de direita.
Porque posso discutir Lula durante horas.
Posso discutir o PT.
Posso discutir capitalismo, socialismo, mercado, Estado, Bolsa Família, salário mínimo, empresários, bancos, sindicatos, pobres e ricos.
Mas Platão parece interromper toda essa discussão e perguntar:
“Muito bem. Mas onde está a justiça nisso tudo?”
É aí que o lulismo se torna filosoficamente interessante para mim.
Uma das interpretações mais conhecidas do lulismo vê nele uma tentativa de produzir mudanças sociais de maneira gradual, elevando as condições materiais dos mais pobres sem realizar uma ruptura completa com a ordem econômica existente.
E então nasce uma pergunta extraordinariamente difícil:
melhorar a vida do pobre dentro de uma estrutura desigual é fazer justiça ou apenas administrar melhor a desigualdade?
Essa pergunta não é contra Lula.
Também não é a favor de Lula.
É uma pergunta sobre Lula.
E, principalmente, é uma pergunta sobre nós.
Porque existe uma tensão muito interessante entre Platão e o fenômeno político que Lula representa.
Platão nos obriga a pensar na organização da cidade como um todo.
Lula nos obriga a olhar para dentro da cidade brasileira e enxergar pessoas concretas que historicamente estiveram na parte de baixo dela.
O pobre.
O trabalhador.
O retirante.
A empregada doméstica.
O homem que acorda antes do sol.
A mulher que cria filhos com muito pouco.
A família que sabe exatamente quanto custa um quilo de arroz porque alguns reais fazem diferença no final do mês.
Quando essas pessoas melhoram de vida, aconteceu apenas um fenômeno econômico?
Ou aconteceu alguma coisa relacionada à justiça?
Essa é uma pergunta que eu não quero responder depressa.
Porque Platão também me impede de cometer outro erro: imaginar que justiça seja simplesmente dar a alguém aquilo que eu, politicamente, considero correto.
Justiça precisa ser examinada.
E aqui surge minha inquietação com o lulismo.
Se uma política tira milhões de pessoas de determinadas condições de pobreza, aumenta renda, amplia consumo ou cria oportunidades, existe ali uma questão moral que não pode ser ignorada simplesmente porque alguém não gosta de Lula.
Mas o contrário também é verdadeiro.
Se permanecem estruturas profundas de desigualdade, concentração de riqueza, privilégios, corrupção, dependências políticas ou injustiças institucionais, não posso ignorá-las simplesmente porque gosto de Lula.
É nesse ponto que Platão se torna incômodo.
Porque ele não permite que minha preferência política seja minha definição de justiça.
E talvez seja exatamente disso que o Brasil esteja precisando: separar justiça de torcida.
Eu posso admirar Lula e interrogá-lo.
Posso discordar de Lula e reconhecer realizações de seus governos.
Posso considerar determinadas políticas sociais importantes sem transformar quem as executou em santo.
E posso reconhecer erros graves sem concluir que tudo aquilo que foi realizado perdeu automaticamente seu valor.
Platão me força a perguntar:
se fosse meu adversário político fazendo exatamente a mesma coisa, eu julgaria da mesma maneira?
Essa pergunta me incomoda.
Porque revela alguma coisa sobre mim.
Talvez minha maior dificuldade política não seja descobrir se Lula está certo ou errado.
Talvez seja descobrir se eu consigo reconhecer justiça quando ela vem das mãos de alguém de quem discordo e reconhecer injustiça quando ela vem das mãos de alguém que admiro.
Aí a discussão deixa de ser apenas sobre Lula.
Ela passa a ser sobre minha própria alma.
E isso é profundamente platônico.
Porque a cidade e o indivíduo começam a se encontrar.
A desordem política que condenamos lá fora pode também existir dentro de nós.
Desejo.
Paixão.
Medo.
Ressentimento.
Interesse.
Vontade de vencer.
Necessidade de pertencer a um grupo.
E nossa extraordinária capacidade de chamar de “verdade” aquilo que simplesmente gostaríamos que fosse verdade.
Por isso comecei a perceber que colocar Platão e Lula na mesma conversa não significa comparar dois homens separados por mais de dois mil anos.
Significa colocar uma experiência política brasileira diante de uma pergunta filosófica antiga.
O lulismo propõe, em uma de suas interpretações, mudança sem ruptura completa.
Então pergunto:
a justiça pode nascer da conciliação?
É possível colocar trabalhadores, empresários, bancos, sindicatos, movimentos sociais, pobres e ricos dentro da mesma estrutura e produzir progressivamente uma sociedade mais justa?
Ou chega um momento em que conciliar interesses incompatíveis significa preservar a própria injustiça?
Eu não sei.
E talvez uma das coisas mais honestas que eu possa escrever sobre política seja justamente:
eu não sei.
Estou procurando.
Porque não quero uma filosofia que simplesmente confirme meu voto.
Quero uma filosofia capaz de julgar meu voto.
Não quero Platão para provar que Lula está certo.
Também não quero Platão para provar que Lula está errado.
Quero Platão fazendo perguntas a Lula.
Quero Lula obrigando minhas leituras de Platão a saírem da Grécia antiga e caminharem pelas ruas do Brasil.
Quero os dois me obrigando a olhar para uma criança com fome e perguntar:
isso é apenas pobreza ou é injustiça?
Quero olhar para uma fortuna gigantesca ao lado da miséria e perguntar:
desigualdade é necessariamente injustiça? E, se não for sempre, em que momento passa a ser?
Quero olhar para o Estado e perguntar:
até onde ele deve ir para corrigir desigualdades?
Quero olhar para o mercado e perguntar:
quanta liberdade econômica uma sociedade pode preservar sem abandonar aqueles que ficaram para trás?
Quero olhar para Lula e perguntar:
quanto da desigualdade brasileira foi realmente transformado e quanto apenas foi administrado?
Mas quero olhar também para mim e fazer uma pergunta ainda mais difícil:
quanto da minha opinião sobre Lula nasce da justiça e quanto nasce da minha vontade?
Aí está o ponto.
Minha vontade importa.
Minha história importa.
Minhas experiências importam.
Minhas escolhas políticas importam.
Mas nenhuma delas deveria ser maior do que a verdade.
Talvez amadurecer politicamente seja justamente adquirir coragem para dizer:
se meu adversário estiver certo, reconhecerei.
Se meu lado estiver errado, criticarei.
Se os fatos destruírem uma opinião que carreguei durante anos, prefiro perder a opinião a perder meu compromisso com a verdade.
Por isso minha reflexão sobre Lula já não termina em Lula.
Ela passa por ele e chega a uma pergunta muito maior:
que Brasil poderia ser chamado de justo?
Um Brasil onde ninguém passa fome?
Um Brasil onde todos tenham oportunidades?
Um Brasil onde exista liberdade?
Um Brasil onde riqueza possa existir, mas miséria não?
Um Brasil onde o Estado seja suficientemente forte para proteger o vulnerável, mas não tão poderoso que sufoque a liberdade?
Talvez nossas divergências políticas comecem justamente porque respondemos de maneiras diferentes a essas perguntas.
E talvez possamos discutir essas respostas sem transformar uns aos outros em inimigos.
Por isso, quando alguém me perguntar de que lado estou, minha resposta hoje é mais complicada do que já foi.
Tenho minhas preferências.
Tenho minhas esperanças.
Tenho minhas críticas.
Mas quero permanecer diante da pergunta.
Quem tem poder?
Quem não tem?
Quem está comendo?
Quem está com fome?
Quem participa da riqueza produzida pelo país?
Quem ficou de fora?
Quem governa?
Para quem governa?
E, acima de tudo:
a cidade que estamos construindo pode ser chamada de justa?
Não sei o que Platão diria sobre Lula.
Não sei o que Lula responderia a Platão.
Mas sei qual conversa eu gostaria de assistir.
Platão perguntaria:
“Luiz Inácio, que cidade você considera justa?”
E depois de ouvir a resposta, provavelmente continuaria perguntando.
Talvez sobre riqueza.
Talvez sobre pobreza.
Talvez sobre poder.
Talvez sobre conciliação.
Talvez sobre os governantes.
Talvez sobre os governados.
Mas, quando terminasse de interrogar Lula, eu pediria a Platão:
“Agora pergunte a mim.”
Porque seria muito fácil usar a filosofia para colocar o governante no banco dos réus e deixar minha própria consciência confortavelmente sentada na plateia.
Não quero isso.
Quero que a mesma pergunta alcance os dois.
Lula:
o poder que você exerce produz justiça?
E eu:
a política que você deseja nasce realmente da justiça ou apenas daquilo que favorece suas próprias convicções?
Talvez seja aí que Platão, Lula e eu finalmente nos encontremos.
Não numa resposta.
Mas diante da mesma pergunta.
O que é uma sociedade justa e o que cada um de nós está disposto a sacrificar para construí-la?
Vamos repensar?
Platão — “A ignorância é a raiz de todos os males.”
“A ignorância não é apenas não saber; é acreditar que já sabe. O maior prisioneiro da caverna não é aquele que nunca viu a luz, mas aquele que viu apenas sombras e passou a defendê-las como verdade.”
Carlos Eduardo Balcarse
desvirtuando cérebros virtuais
na era digital, a caverna de platão
foi projetada na sua mão.
Todos só vem sombras, resquicios da realidade
todos são amos e prisioneiros
pescadores de likes
Desabafo em grupo de desconhecido
por que você ja não tem o ombro
dos seus amigos,que hoje são mais
instagram e facebook, são mais fotos
do que os momentos que realmente
vocês curtem
é o jogo das aparencias,
mesmo tando em decadencia
transperecer alguma alegria
e na sua bolha se alimenta inveja
ódio,depressão
quer competir, trampa sem descanso
só pra poder consumir
enquanto o sol se põe, e o céu fica vermelho
tu prefere ser narciso no espelho
os passaros cantam e voam com o vento
cê no seu apartamento, perdendo o tempo
sagrado dado pelo pai
pra tu conhecer a beleza
do que vem e o que vai
tudo é eterno em constante mudança
de estado, se unindo e dividindo
pra ocupar espaço, dimensões presentes
no mesmo lugar, só sente quem se rende
a se conectar, desapegar do eu
montante de ilusão,sei que existe um eu
pra cada campo de visão
então o que é real? Ja não sei
a verdade não vi, mas senti
e por isso sou grato, sou filho teu
peço afago no coração afogado
em frustração, por que o mundo ta assim
seus filhos sofrendo estão, de milhares, de milhão
enquanto os que plantaram sangue maldade
continuam com os titulos de majestades, banqueiros
industriais, fazendeiros, destroem o planeta e a humanidade
convoco internevenção natural nesse desastre
de desigualdade, a a flora e a fauna me apoiia
nesse ato ó pai, mãe terra pediu pra dizer que ta foda.
ou desce o entendimento, a consciencia
ou manda outro diluvio agora, essa é a hora
daqui a pouco o declinio ja não volta...
Um soneto à Platão
Se conheço a mim mesma,
deveras que és por ti Platão
que fizeste - me a razão d'alma,
meu ímpeto e minha emoção!
Não fujo ao que me faz sabia,
se em tudo há racionalidade
do que argumenta a filosofia,
em mim um resto de vaidade...
porque se conheces o que tu és
reconhecerei em mim o que sou
ás margem da razão que me fez!
Só assim a liberdade de que falou,
em mim apraz - me ser sem revez,
pois, de ti, fiz de mim o que sou!
Platão foi um filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental.
Das Formas de Platão ao conceito de alma do Cristianismo, a sabedoria tradicional nos disse que tudo tem sua própria essência única. Quando exploramos a mais ínfima das mais ínfimas escalas, no entanto, parece que a sabedoria tradicional ficou completamente errada nessa frente. A única maneira de distinguir qualquer coisa de qualquer outra coisa no mundo quântico é através de qualidades como carga, massa e spin; e a única maneira de adquirir essas qualidades é através de interações com campos onipresentes. A diferença entre você e tudo que você já viu reduz-se à dança caótica de campos e forças. Você, sua família e amigos, aquele idiota que te cortou na estrada, aquela aranha que você matou no chuveiro, as bactérias que residem em seu intestino, o pedaço de tecnologia que você está usando para ler isso, o ar exalando fora do seu pulmões, a luz do sol sustentando sua sobrevivência, o cosmos conhecido em sua totalidade - tudo e todas as suas diferenças podem resumir-se a nada mais do que infinitesimal de dois passos, nervosismo evanescente. Embora isso também não seja totalmente preciso, já que esses rótulos são meras metáforas do que realmente está acontecendo. No universo difuso e dinâmico dos quanta, o conceito de rótulos quebra completamente. Ficamos apenas com abstrações matemáticas e probabilidades. Não importa como você o faça, a identidade desaparece como um conceito coerente no universo dentro de nós.
Alguns acham isso inaceitável, até mesmo assustador. Para mim, é um aspecto romântico e inspirador da realidade. Ela satisfaz muitos dos desejos da "nova era" de interconectividade, sem apelar para a pseudociência, e fala sobre a composição homogênea e ilimitada de nossos seres. Apesar disso, o mundo quântico é freqüentemente considerado irrelevante, uma vez que não tem consequências sobre nossas experiências percebidas. Como eu me preocupo com o que está acontecendo em uma escala tão pequena se isso não tem nada a ver com a realidade do meu dia-a-dia? Sustentar essa opinião é negar a importância da busca da verdade, pois a escala quântica, embora muito distante de nossas percepções, é fundamental para a realidade, fundamental para a verdade. Tentar captar o funcionamento interno do cosmos é uma busca nobre por si só, mas também é um caminho rápido para enriquecer nossa vida cotidiana. Ele oferece uma olhada no quão sortudos nós somos por estarmos vivos e, particularmente, em ter consciência. As cosmologias tradicionais explicam a consciência como algo que nos é concedido do alto ou como existente em sua essência para sempre e sempre; A cosmologia quântica, por outro lado, fala de quão afortunados nós somos que a natureza foi capaz de transcender sua singularidade, seu estado de completa uniformidade sem identidade, e dar origem às experiências únicas de personalidade, emoção, criatividade, amor - em curto, identidade. Quão maravilhosamente privilegiados todos nós somos para obter uma fatia preciosa do espaço-tempo para colher esses dons da evolução cósmica.
