Eliel Souza
O amor foi mais forte
Hoje entendo Orfeu
Que após conhecer seu verdadeiro amor
Tudo fez para com ele estar
E não resistiu a ficar sem para ele olhar
Porque depois que te conheci
Tudo eu entendi
A vida enfim
Fez sentido para mim
Igual a ele, eu me nego
A sem Você ficar
E por tua palavra
Estou disposto a tudo largar
Ao Deus Desconhecido
Olhei para esquerda e não te encontrei
Olhei para direita e tampouco me achei
Olhei para baixo e quase me afoguei
Olhei para cima e cego fiquei
Somente após perdido, sem ar e cego ficar
Pude a tua glória contemplar
Esta glória que ilumina meu caminhar
Esta glória que me faz andar mesmo sem enxergar
E mesmo sem enxergar
Tenho certeza que não estou só no meu caminhar
Por isso sigo a peregrinar
Sabendo que o Deus Desconhecido está a me esperar
Alegre-se
“Alegre-se”, eu ouvi
“Alegre-se”, eu tentei sentir
“Alegre-se”, “alegre-se, “alegre-se”
Eu não parava de repetir
Queria acabar com a dor dentro de mim
Substituindo por uma alegria que eu não sabia sentir
“Alegre-se”, voltei a repetir
Mas desta vez foi diferente
Podia ouvir passos se aproximando de mim
Com uma voz doce
Um homem me disse assim
“Tuas lágrimas irei enxugar
E outra vez terá alegria em teu falar”
Olhei para Ele
Mas sua luz não me permitia o enxergar
Ainda assim soube que era o Filho do Homem a me consolar
Pois havia paz em seu falar
Algo estava acontecendo
Eu não sabia explicar
Pela primeira vez senti a alegria transbordar
Ao lado dEle para sempre decidi ficar
O preço do amor
Em meio a dor
Descobri o que é o amor
E percebi que sem ele nada sou
Ele vale mais que todas as riquezas
Que todos os dons e conhecimentos
Mais que respirar é o preço de amar
Quando estava no abismo
Ele me resgatou
E carregou em si toda a minha dor
O que é o amor?
Vinícius de Moraes o definiu como a memória que o tempo não mata
Filósofos acreditam ser a palavra que nos liberta de todo o peso e da dor
Músicos o classificaram como o pensar além do bem e do mal
Já a bíblia diz Deus é amor e isto basta
Onde tudo começou
Com ela aprendi o que é amor
Sacrifício e dor
Em meio a simplicidade
Eu via sinceridade
Nunca serei capaz de recompensar
Os anos que a mim
Ela dedicou
Mas enquanto eu viver
Irei falar sobre o seu amor
Acalento
Cazuza dizia
Que só as mães são felizes
Eu discordo
Os filhos também são
Eu sempre a olho
Com olhar de gratidão
Pois ela sempre me estendeu a mão
Não me desamparou
Desde o primeiro dia me amou
Sua vida dedicou
Seus filhos jamais deixou
Por isso esses versos
A ela eu declamo
E com todo amor
Eu a amo
Um só
Platão dizia que éramos um só
Que estávamos juntos
Em um só corpo
Uma só vida
Uma só existência
Éramos um só
Em um só estar
Em um só ser
Em um só
Uma saudade sinto
Inexplicável
Com gosto de absinto
Agora estou condenado
A eternamente procurar
Minha outra parte
Pois só ela pode me completar
Silêncio
O amedrontador som do nada
A ausência do falar
Por vezes representa paz
Mas às vezes solidão
Silêncio
Tão confortável
Mas tão desconfortável
Para uns é o melhor presente
Para outros é como um beijo imprudente
Que machuca sem precedentes
Silêncio
O eterno saber do desconhecer
De quem um dia pensou entender
Por isso eu te peço
Apenas me dê…silêncio
Mas eu te suplico, só não me dê…silêncio
Palavras Vazias
Para amores não vividos
Encontros não realizados
Sonhos não alcançados
Palavras em um presente já passado
Tão bonitas e vazias palavras
Perdem o valor em um papel amassado
Talvez eu devesse apenas te endereçar
De uma vez por todas me livrar
De todas as palavras que ouvi de teu olhar
Se uma carta você receber
Não a abra
Deixe cada palavra agonizada morrer
Luto
Lembro com nitidez
Do dia que te vi partir
Do dia que pela primeira vez
Eu te vi longe de mim
Eu demorei a aceitar
Meus olhos não queriam chorar
Minha vontade era correr
Pra um lugar onde eu pudesse te enxergar
Pra um lugar onde não existisse esse sofrer
Não existisse a ausência de você
Adeus
Vamos deixar
Seguir em frente
Indiferente a dor que se sente
Te ver partir
Deixou marcas em mim
Não foi fácil dizer adeus
Me neguei a te deixar
Não conseguia suportar
A dor de o luto abraçar
Mas pela última vez
Decidi para trás olhar
E naquele momento
Vi o seu sorriso se eternizar
Um jogo de azar
Entre um copo e outro
De uma bebida qualquer
Suas lágrimas escorrem…
Sozinhas se secam
Através da água
Encara a dura ausência
De quem devia estar com ela
Seu corpo cai no abismo da escuridão
Sem conseguir aceitar ajuda
Pois só sabia dizer “não, não, não"
Uma pressão forte em seu braço
A puxa para realidade
Ela percebe enfim
Sua traição consigo mesma
Já não tinha mais tempo
Sabia que era uma aposta perdida
Um jogo de azar que não podia ganhar
Entre um gole e outro
Pensava em seu lance final
Mas despedidas não eram seu forte
E este era um jogo
Que ela gostaria de nunca ter jogado
O brilho da noite
Em dias bons
Em dias maus
Lá está ela a brilhar
Trazendo a mensagem
Que esta fase também irá passar
Eu olho pra ela sobre mar
E vejo a beleza em seu olhar
Às vezes novo
Renovado
Às vezes crescente
Animado
Às vezes cheio
Extasiado
Às vezes cabisbaixo
Desanimado
Mas nunca
Nunca
Sem deixar de brilhar
