Poemas Góticos de Amor
Eu me sinto um lixo
sempre escolho atalhos
pra não encarar o erro.
Gosto do silêncio,
porque eu falhei no barulho das relações.
Quando a dor aperta,
eu me escondo em comprimidos.
Se aperta demais,
eu penso em ir embora de vez.
Me saboto
sou meu inimigo íntimo,
que só quer me deixar sem saída.
E penso:
se eu sumir, talvez seja um alívio.
Pra mim.
Pra eles.
Pra todo mundo que ainda se importa
(mais do que eu mereço).
Quando a Vida Ensina em Silêncio
Há lugares que nos ensinam mais sobre a vida do que qualquer livro. Um deles é o leito de um quarto, onde alguém trava sua última batalha com o tempo.
Ali, entre o som dos aparelhos, o olhar cansado e os gestos silenciosos, a vida se revela em sua forma mais crua e verdadeira.
É no leito que a gente entende o quanto tudo passa rápido. O quanto somos passageiros. O quanto gastamos energia com mágoas tolas, disputas de ego, silêncios que nunca deveriam ter existido e orgulhos que hoje parecem ridículos.
É ali que percebemos que um abraço atrasado faz falta. Que um pedido de desculpas nunca deveria ter sido adiado. Que o “depois eu ligo”, o “na próxima eu vou”, o “um dia eu falo” talvez não tenham mais espaço.
No leito as prioridades mudam. O que antes parecia problema vira detalhe. O que antes parecia pequeno ; como um sorriso, uma mão segurando a outra, uma palavra de carinho vira o que realmente importa.
A injustiça social também dá sinais ali, quando se percebe que nem todos têm o mesmo direito ao cuidado e à dignidade.
E é no leito que se aprende, de forma definitiva: que no final, o que fica é o amor dado e recebido. As presenças, não as posses. Os afetos, não os feitos. Os gestos simples, não os discursos bonitos.
A vida é agora.
E quem a gente tem por perto… é o que faz tudo valer a pena.
AetA 🙏🏽
Quando a Última Luz se Apaga
No silêncio que resta após a voz,
Ouço apenas o eco do que fui.
A saudade não fala — ela dói,
Como o peso de um mundo sem rui.
O tempo, esse traidor sem rosto,
Levou tudo o que me fazia viver.
E deixou um coração exposto
A lembrar sem poder esquecer.
Os risos morreram nos cantos da casa,
E os quadros, sem cor, me acusam em vão.
Cada passo é um corte que atrasa
A cura de tanta desilusão.
Eu amei com a força de um naufrago,
Gritei teu nome ao vento surdo.
Mas a vida, com seu verbo frágil,
Sussurrou: "você chegou tarde, é o absurdo".
Já não sei o que sou — sombra, poeira,
Ou só alguém que o mundo esqueceu.
Só sei que tudo que era bandeira
Hoje é trapo que o tempo comeu.
E quando a última luz se apagar,
Que não chorem, que não digam meu nome.
Pois quem morre sem mais esperar
Já morreu bem antes da fome.
Inumano, silêncio indecifrável,
Tempo calado, minuto medonho e mudo,
Penso no que restou desse estado inabitável,
Nada mais que um imoto corpo quieto,
Defunto, frio, mais uma vez vazio,
(reversos p.17)
hoje minha pele é só silêncio e deserto
nenhuma poesia dela
escapa ou brota
transpira ou chora
nenhuma poesia em mim é espontânea
nem as alegrias
nem as tristezas
Flávia Menegaz
Uma hora a gente não aguenta
mais e fala, desabafa.
Chega do silêncio.
Mas algo sempre fica guardado
com a gente.
Sempre.
Porque uma parte de nós é aquilo
que sentimos.
Eu me sentia realmente triste.
Nada no mundo me consolaria.
Não era coração partido.
Saudade de alguém ou
falta de alguma coisa.
Eu estava triste pelo simples e
maior motivo do mundo.
Eu estava só.
"Perdoa se eu não ficar.
Desculpa se não me demorar.
É que o desejo sincero de um silêncio
só brotaassim que eu voltar a confiar."
DOR
Se o vento soprar silêncio
E me perguntar o que é a dor
Direi no vão momento
Que é ausência de amor.
Mas, se insistir o que é tristeza
Causa de nos magoar
Direi então é a beleza
De sorrir para não chorar
Que são fagulhas de espinhos
Que penetram minh´alma
É a distância do carinho
Do tudo que fez-se em nada
Posso dizer sentida
Que a dor é pranto que cai
Que é todo o mal que fica
Quando todo bem se vai.
No silêncio da noite,
O grito de dor se ergue,
A vítima agoniza,
Enquanto a justiça dorme.
Os espectadores assistem o horror,
Permanecem em silêncio, sem se importar.
Eles se escondem atrás da indiferença,
E deixam a vítima sangrar.
A justiça é cega,
A justiça é surda,
A justiça é falha,
A negligência é uma ferida aberta,
Que sangra e dói sem cessar,
E a injustiça é uma sombra escura,
Que paira sobre o mundo sem parar.
Medita o bardo em silêncio profundo...
Na tarde cinza dum dia sem cor,
a alma chora seu revés sem rancor
mas, o coração se afoga em lago imundo!
Descem lágrimas em pingos de dor...
Cada suspiro é lamento rotundo
e, só a tristeza habita o seu mundo
desprovido da alegria do amor!
Sua alma é noite escura de agonia...
Porém, no fundo, uma luz a brilhar,
traz promessa de novo porvir, pois
a tristeza, embora possa durar,
é passageira como a ventania
que destrói, mas traz beleza depois!
O silêncio, a ausência,
a demora, a desculpa,
a falta de tempo,o tanto faz
e o pouco caso são respostas, são sinais que, às vezes,
não queremos perceber.
Um homem que pensa demais é prisioneiro de sua mente,
percebe no silêncio os detalhes que a vida esconde,
realidades duras, cortantes, como lâminas invisíveis.
A dor se faz constante, uma sombra que nunca parte.
Sinto-me incapaz de iluminar o caminho de outro,
como se minha luz fosse fraca, apagada pelo vento.
A solidão é minha companheira fiel,
na escuridão da noite, ela sussurra verdades amargas.
O peso da vida repousa em meus ombros,
e a tristeza, minha eterna conselheira,
me lembra que o tempo passa, mas o tormento permanece.
Anos se esvaíram, levados por pensamentos desgovernados,
e me pergunto, no fundo desse abismo interno:
será que faço diferença? Será que alguém realmente vê?
Mas, mesmo no caos, há um eco,
uma possibilidade de que o amanhã traga outro tom.
Gritei em silêncio
Gritei por dentro
Deixei as águas salgadas do meu mar particular rolarem para fora da minha canoa devagar
Se não
Se não iria afundar
Meus olhos?
Meus olhos ardiam
meu peito?
Meu peito apertado cada
vez mais
Cada vez mais frio
Dói duas vezes
Descrever a dor.
A face
A face do abismo me beijou docemente, meu vazio logo se apaixonou, o silêncio embalou este romance triste, que até o coração comovido parou para observar.
🌹
"A gente nunca se despediu.
Foi o silêncio que passou a
ter entre nós que disse adeus.
Mas não foi apenas um adeus.
Foi metade de mim indo embora".
🌹
Recomeçar
Após anos em silêncio, após tudo que vivi, retomei várias coisas, mas faltava uma ainda! Após o incentivo de um novo amigo (resultado de um dos meus recomeços) resolvi retomar, recomecei a escrever. Estou me sentindo enferrujada, parece que as ideias já não vêm tão naturalmente! Mas vamos lá, retomar, recomeçar, reescrever minha história!
O que é recomeço? É voltar no tempo, retomar os sentimentos, reviver as lembranças, relembrar a esperança de tudo que é novo e do que ainda não se viveu!
Recomeçar é sentir um frio no estômago, seria o medo do que há por vir? É o riso solto, vindo do âmago, mesmo com o coração envolto numa casca grossa, tentando se defender para não mais se machucar! É sentir alegria de viver, tristeza do outro ser que enfrenta tanto perder quanto ganhar sem saber! É voltar à estaca zero, é pensar que não vai dar conta, que não vai conseguir seguir. É seguir rumo ao desconhecido, destemido, com amigos, ou apenas só! É um laço sem nó. É seguir com medo de tudo, com medo do mundo, mas com coragem suficiente para não retroceder! É seguir em frente, sem olhar para trás, sem no entanto perder o encanto e a experiência de toda a carga do passado! Finito, acabado, passado é passado, mas não há presente nem futuro sem o saber do passado! Começar é apenas uma vez, mas recomeçar pode ser por incansáveis, indeterminadas, diversas vezes; recomeçar a cada dia, a cada novo amanhecer. E por que não ao entardecer? Não há hora nem lugar para recomeçar, basta tentar!
Então, que tal? Vamos recomeçar? O que você quer recomeçar hoje? E para você, o que é o recomeço?
Recomeço, meço, apreço, aprecio, retomo, me arrependo, retorno, ao ponto exato, o ponto do recomeço, sem retrocesso, e só paro com uma condição: alcançar o SUCESSO!
(Viviane Dona da Silva)
24 de julho de 2014
Dois de novembro
No silêncio íntimo que invade o Dia de Finados, a saudade se debruça. Ela não tem pressa, é senhora do seu próprio compasso. É o dia em que a ausência brinca de ser presença, quando os que partiram voltam, não em carne, mas em sopro, como se sempre estivessem apenas a um afago de distância.
Os túmulos não mentem. São declarações sem palavras de que o que foi vivido realmente existiu, confessando com a solidez do mármore que a vida é frágil e que o tempo é um rascunho rabiscado à pressa. Cada nome entalhado ascende, não como uma mera inscrição, mas como um feitiço sussurrado entre as frestas do esquecimento.
Nem toda ausência é tratada pelo tempo. O tempo não se compromete com permanências. Passa por nós sem desculpas, sem aviso, sem oferecer alívio. Quando alguém que amamos morre, morre também uma versão nossa. Deixamos de existir daquele jeito. É como ter sua casa assaltada por uma ausência. Por isso, não se deve apressar a dor de ninguém. No luto, não se questiona o amor por quem partiu. No luto, deixamos de nos amar, e voltar ao amor próprio demora. Deixe a pessoa doer.
O luto não passa; somos nós que passamos por ele. É um caminho de fragilidades. Não há como sair de uma dor caminhando. Precisamos engatinhar até voltar a firmar os pés novamente. E demora até que essa dor vire saudade. Demora até que essa saudade vire gratidão. A dor é solitária, e você tem todo o direito ao seu luto, mesmo depois da licença do outro acabar. Cada um tem seu tempo de digestão.
No murmúrio de uma prece, na chama vacilante de uma vela, reside a certeza de que, do outro lado do mistério, alguém sorri — os eternos hóspedes da eternidade. Hoje, flores são depositadas por mãos trêmulas de emoção. Mas não é o frescor das pétalas que importa, e sim o gesto. É flor de ir embora. É uma homenagem ao laço que nem a morte é capaz de desfazer.
🖤
O silêncio é refúgio da alma. Em silêncio nos aproximamos do sagrado. Nele, nos abrigamos no abraço de Deus.
O SILÊNCIO DO NOSSO ADEUS
Há despedidas que não se pronunciam. Elas não se fazem em voz alta, nem se escrevem com gestos dramáticos. Instalam-se na alma como um inverno interior, lento e definitivo.
O silêncio do nosso adeus não foi ausência de palavras. Foi excesso de consciência. Quando dois espíritos compreendem que o caminho já não é o mesmo, o ruído torna-se indigno. Falar seria profanar aquilo que já estava consumado no íntimo.
Há algo de antigo e solene em certas separações. Como nos ritos arcaicos em que o fogo se apaga sem espetáculo, apenas com a dignidade de quem cumpriu sua função. O amor, quando verdadeiro, não se degrada em escândalo. Ele recolhe-se.
O mais doloroso não é partir. É permanecer por instantes no limiar, sentindo que o que foi intenso agora se converte em memória. E a memória não abraça. Ela apenas ecoa.
Nosso adeus foi assim. Um entendimento tácito. Um acordo silencioso entre duas consciências que se respeitam. Não houve acusações, nem dramatizações, apenas a gravidade de quem reconhece o fim de um ciclo.
O silêncio, nesses casos, não é fraqueza. É maturidade. É a forma mais elevada de respeito. Porque quando se ama de modo honrado, até a despedida preserva a dignidade do que existiu.
E assim seguimos. Não como estranhos, mas como capítulos encerrados com sobriedade. Pois há histórias que não terminam em ruínas, terminam em silêncio. E esse silêncio, embora doa, é a prova de que um dia houve verdade.
Paixão é acertar com a pessoa errada e ver ela ir embora;
Amar é errar com a pessoa certa e mesmo assim, ver ela ficar.
Pois é preciso amar o homem e não o seu erro. O homem é obra de Deus, o erro é obra do homem. Ama a obra de Deus e purifica as obras do homem.
