Pensamentos Mais Recentes

Descanse no SENHOR e aguarde por ele com paciência; não se aborreça quando outros obtêm sucesso em seus caminhos, quando eles maquinam o mal.
Salmo 37:7

Rogo a Deus para que me mostre o intolerante, o preconceituoso, o autoritário e o opressor que habitam em mim.

Se este mundo também é projeção daquilo que carregamos em nosso interior, que eu tenha coragem de olhar para tudo o que ainda existe em mim e levar amor a cada uma dessas sombras.

Porque onde há amor, há possibilidade de cura. E talvez a cura do mundo comece justamente em mim.

Não quero trabalhar kkkkkk

A boca pode ensaiar o roteiro que quiser, mas os olhos sempre serão o detector de mentiras do coração.

NÃO VOTE errado, VOTE DIREITO!
EM QUEM?
Claro que você já sabe.
VOTE NELA!…
Não votar, anular é votar errado. Por que errado? pq o voto vai pra quem quer te ver abaixo da linha da pobreza, dependendo da bolsa, do gás, e vivendo enrolado.
QUAL O FEMININO DE DIREITO?

Há uma ironia tão evidente que quase ninguém vê: se um homem vender uma arma a um criminoso, chamam-lhe crime. Mas, se um país vender milhares de armas a um ditador que mata inocentes, chamam isso de comércio internacional.

Inserida por rosariobissueque

“Cada ser em si possui uma maneira de amar totalmente singular, muitas vezes pouco compreendida…
O deixar-se ser amado por sua vez precisa ser natural, expontâneo e livre!”

Fale com os olhos quando a voz decidir silenciar por amor.

" Você só tem uma vida e não vai fazer aquilo que deseja?.. então não viveu bem..."

O Perfume da Tentação

Ela nunca chega com o rosto do medo.
Vem vestida de encanto,
com os melhores perfumes,
as mais belas roupas,
e um sorriso capaz de silenciar qualquer prudência.

Ela conhece os caminhos da alma,
bate à porta sem fazer ruído,
entra pelos olhos,
permanece no pensamento,
e faz do desejo um lugar confortável.

Sussurra que tudo é permitido,
que o perigo é apenas exagero,
que a felicidade mora no instante
em que deixamos a consciência adormecer.

Ela promete um novo começo,
uma liberdade sem limites,
um prazer sem consequências,
como quem oferece flores
escondendo espinhos nas próprias mãos.

Seu perfume embriaga.
Seu olhar aprisiona.
Sua voz convence.
E quando percebemos,
já não caminhamos por vontade,
mas pelas correntes invisíveis do fascínio.

Ela nunca parece inimiga.
Sempre se apresenta como oportunidade.
Nunca veste o horror;
prefere a beleza.
Nunca grita;
seduz.

E é justamente por isso
que tantos a seguem sorrindo,
sem notar que cada passo
os afasta da luz.

Porque o mal raramente mostra a própria face.
Ele aprende a vestir elegância,
a falar com delicadeza,
a perfumar a mentira,
para que a queda pareça um voo.

E quando o perfume se dissipa,
resta apenas o silêncio,
as feridas,
e a dolorosa descoberta
de que nem toda beleza conduz à vida.

Há perfumes que encantam o corpo,
mas há fragrâncias que adormecem a alma.
E é preciso discernimento,
pois nem tudo o que brilha é esperança,
e nem toda voz suave
vem de um coração que deseja salvar.

A tentação nunca precisou ter a cara do diabo.
Basta-lhe parecer exatamente
aquilo que mais desejávamos encontrar.

2914 📜 Não sou o Autor e lá não citam Autoria, mas trouxe porque gostei e cumprimento quem criou esse algo mais ou menos assim: 'Mulher Pobre não admite que é Pobre. Ela simplesmente diz que está com o Cara Errado!'
-
Visto em:
As entrevistas mais sinceras do dia! 😂😂 #KwaiComedia #humor #Comédia
_

Confissões de uma Caneta- Versão original

Existe uma verdade que carrego dentro de mim há muito tempo.

Eu não me considero o autor das palavras mais bonitas que escrevo.

Sempre que termino uma poesia, uma crônica ou uma reflexão,
sinto que aquelas palavras não nasceram apenas da minha inteligência.
Elas chegaram até mim como uma brisa silenciosa.
Vieram prontas, tocaram meu coração e pediram apenas que eu lhes desse voz.

Por isso, gosto de pensar que não sou o escritor.

Sou apenas a caneta.

A caneta não escolhe as palavras.

Não cria as histórias.

Não conhece o destino daquilo que escreve.

Ela apenas se deixa conduzir pela mão de quem a segura.

É assim que me sinto diante de Deus.

Muitas vezes, enquanto escrevo, percebo que Ele coloca pensamentos na minha mente,
desperta sentimentos no meu coração e me conduz por caminhos que sozinho jamais encontraria.
Há momentos em que leio aquilo que escrevi e me pergunto de onde veio tanta beleza.
Então compreendo que não veio de mim.

Veio d’Ele.

Mas existe uma inquietação que nunca deixa de me visitar.

Se Deus inspira tantas sementes através das minhas palavras,
por que tantas delas ainda não floresceram dentro de mim?

Por que consigo falar sobre o perdão e, tantas vezes, ainda luto para perdoar?

Por que escrevo sobre a paz e continuo travando guerras dentro da minha própria alma?

Por que falo da confiança em Deus,
mas ainda corro para Ele apenas quando a tempestade destrói o jardim da minha vida?

Às vezes sinto-me como um jardineiro que conhece todas as flores pelo nome, mas ainda não aprendeu a cuidar do próprio canteiro.

Basta que as dificuldades apareçam, que alguém invada minha paz ou que os ventos derrubem aquilo que plantei, e então corro para Deus.

Procuro o Grande Agricultor.

Aquele que sabe reconstruir o que foi destruído, replantar o que morreu e devolver vida ao que parecia perdido.

E Ele nunca falha.

Nunca chega atrasado.

Nunca me abandona.

Sempre encontra uma maneira de transformar a terra seca em esperança.

Talvez seja por isso que continuo escrevendo.

Não porque me considere um homem santo.

Mas porque sou um homem profundamente necessitado do amor de Deus.

Quando falo d’Ele, sinto-me forte.

Quando escrevo sobre Ele, meu coração encontra paz.

Quando medito sobre Sua presença, tenho a certeza de que Ele habita dentro de mim,
ainda que minhas atitudes nem sempre revelem essa realidade.

Lembro-me das palavras de Santo Agostinho: “Deus estava dentro de mim enquanto eu O procurava do lado de fora.”

Talvez essa seja também a minha história.

Passei muito tempo procurando sinais extraordinários, quando o maior milagre sempre aconteceu no silêncio da minha própria alma.

Deus nunca deixou de falar comigo.

Falava através das inspirações.

Das pessoas que colocou em meu caminho.

Das portas que abriu.

Dos livramentos que só compreendi muitos anos depois.

Das palavras que surgiam quando eu me sentava para escrever.

Hoje entendo que não sou a fonte.

Sou apenas o instrumento.

Como um pequeno receptor que capta um sinal invisível e o transforma em algo que outras pessoas conseguem ouvir.

A mensagem nunca pertence ao receptor.

Ela vem de muito mais longe.

Talvez minha missão seja exatamente essa.

Receber.

Guardar.

Escrever.

E repartir.

Mas existe um desejo que ainda apresento a Deus em minhas orações.

Não quero ser apenas a caneta que escreve belas palavras para os outros.

Quero ser também o papel onde essas mesmas palavras fiquem gravadas.

Quero que cada frase inspirada transforme primeiro a minha própria vida.

Quero que o jardim floresça dentro de mim antes de perfumar o caminho de quem passa ao meu lado.

Porque, no fim, não desejo ser lembrado pelas palavras que escrevi.

Desejo apenas que, ao olhar para minha vida, as pessoas consigam perceber que Deus realmente segurou esta caneta.

E que, enquanto escrevia através dela, também escrevia, pacientemente, dentro do coração de quem a carregava.

"Crer em Deus e não ter confiança nEle é como se afogar no raso enquanto espera por uma boia."

Quem me inspira e a minha mãe e o meu pai que sempre esta do meu lado todo dia e sempre brigando com migo mas eles sabem que eu amo eles mesmo sendo bravos eu amo muito ele

"Se Deus prendesse os anjos no céu e o diabo prendesse os demônios no inferno, viveríamos em paz!?"

Às vezes, penso tanto no futuro que esqueço de viver o presente. Imagino como será minha vida daqui a alguns anos, quem ainda estará ao meu lado, quem vai permanecer e quem, aos poucos, vai se tornar apenas uma lembrança. E, no meio de tantos pensamentos, acabo me perguntando se as pessoas com quem tanto me importo também imaginam um futuro onde eu ainda esteja presente.
É estranho se preocupar tanto com alguém e perceber que essa preocupação talvez não seja recíproca. Penso se estão bem, se precisam de alguma coisa, se lembraram de mim durante o dia, enquanto muitas dessas pessoas sequer parecem sentir minha falta. Às vezes tenho vontade de mandar uma mensagem, perguntar como estão e tentar me aproximar, mas me cansa sentir que, quando eu paro de procurar, o silêncio simplesmente permanece.
Talvez o mais doloroso seja aceitar que algumas pessoas podem significar muito para nós sem que sejamos igualmente importantes para elas. Mesmo assim, continuo desejando que estejam bem, mesmo quando não perguntam se eu estou. E talvez eu precise aprender a parar de esperar por quem nunca percebeu que eu estava esperando, porque não quero passar o meu presente inteiro pensando em pessoas que talvez nem façam questão de estar no meu futuro.

O Que Te Faz Ser Você?

O que te faz ser você?
Não estou perguntando o seu nome.
Seu nome foi escolhido por alguém antes mesmo que você pudesse escolher qualquer coisa.

Também não estou perguntando sua profissão, sua idade, onde nasceu ou aquilo que conseguiu conquistar.
Estou perguntando algo mais difícil:
quando retiramos tudo aquilo que pode ser retirado de uma pessoa, o que permanece?
Talvez você responda:
“Minhas lembranças.”

Pode ser.

Somos profundamente feitos de memória.
Existe em nós a criança que fomos, mesmo quando ninguém mais consegue enxergá-la.
Ela ainda aparece em alguns medos inexplicáveis, em certas alegrias repentinas,
no cheiro de alguma comida, numa música antiga, numa fotografia esquecida dentro de uma gaveta.
O tempo envelhece o corpo, mas existem lugares dentro de nós onde o relógio nunca conseguiu entrar.

Talvez você seja também as pessoas que amou.

Porque ninguém passa verdadeiramente pela nossa vida sem deixar alguma coisa.
Há pessoas que nos ensinaram a amar.
Outras nos ensinaram a desconfiar.
Algumas nos mostraram a beleza da permanência.
Outras nos ensinaram, dolorosamente, o significado da ausência.
E assim vamos sendo construídos.
Um pouco pelas mãos que nos acariciaram.
Um pouco pelas mãos que nos feriram.
Um pouco pelos abraços que recebemos.
E muito pelos abraços que esperamos e nunca chegaram.

Mas ainda não é suficiente.

Porque, se fôssemos apenas aquilo que aconteceu conosco, seríamos prisioneiros da nossa história.

E não somos.

Existe alguma coisa extraordinária no ser humano:

podemos escolher o que fazer com aquilo que fizeram de nós.

Talvez seja aí que comece verdadeiramente aquilo que somos.

Você não escolheu todas as suas feridas.

Mas escolhe, todos os dias, se permitirá que elas firam outras pessoas.

Não escolheu todas as despedidas.

Mas pode escolher continuar amando mesmo depois de conhecer a dor da ausência.

Não escolheu todas as quedas.

Mas pode decidir se permanecerá no chão ou se transformará a cicatriz em aprendizado.

Por isso não somos apenas consequência.

Também somos escolha.

Somos aquilo que aconteceu conosco e aquilo que decidimos fazer depois.

Somos a resposta que demos à vida.

Talvez você seja suas contradições também.

A coragem que convive com o medo.

A fé que algumas vezes conversa com a dúvida.

A força que certas noites precisa chorar escondida.

A esperança que já pensou em desistir, mas amanheceu novamente.

Porque ser você não significa ser uma criatura perfeitamente coerente.

Significa carregar muitos mundos dentro do mesmo peito e, ainda assim,
continuar procurando um caminho entre eles.

Você também é aquilo que ama quando ninguém manda amar.

Aquilo que defende quando não existe recompensa.

Aquilo que faz quando ninguém está olhando.

As pequenas escolhas silenciosas dizem muito mais sobre uma pessoa do que os grandes discursos feitos diante de uma multidão.

Talvez caráter seja justamente aquilo que permanece quando desaparece a plateia.

Mas existe algo ainda mais profundo.

Você também é aquilo que procura.

Há pessoas que passam a vida procurando dinheiro.

Outras procuram reconhecimento.

Algumas procuram poder.

Outras procuram paz.

Há quem procure respostas.

Há quem procure perdão.

Há quem passe uma existência inteira procurando uma casa que talvez não seja feita de paredes,
mas de alguém diante de quem finalmente possa dizer:

“Aqui eu posso ser eu.”

Aquilo que procuramos revela muito sobre aquilo que somos.

Porque nossos desejos são espécies de bússolas secretas.

Eles apontam para lugares que nossos discursos nem sempre conseguem confessar.

E você também é suas perguntas.

Talvez até mais do que suas respostas.

As respostas envelhecem.

As certezas mudam.

As convicções amadurecem.

Mas existem perguntas que atravessam uma vida inteira:

Quem sou?

Por que estou aqui?

O que realmente importa?

A quem amei?

Quem amou melhor porque me conheceu?

O que deixarei quando partir?

Talvez viver seja passar anos tentando responder essas perguntas e descobrir, perto do final,
que o importante nunca foi terminar o questionário.

O importante foi a pessoa em que nos transformamos enquanto procurávamos as respostas.

Por isso, quando pergunto:

O que te faz ser você?

Não me diga apenas onde nasceu.

Conte-me onde renasceu.

Não me fale somente das suas vitórias.

Conte-me sobre a derrota que mudou sua maneira de enxergar o mundo.

Não me mostre apenas suas fotografias sorrindo.

Conte-me sobre a noite em que chorou sozinho e, mesmo assim, levantou-se na manhã seguinte.

Não me diga somente quem você ama.

Conte-me como você ama.

Não me fale apenas da sua fé.

Conte-me sobre as dúvidas que precisou atravessar para chegar até ela.

Não me mostre apenas suas cicatrizes.

Conte-me o que elas ensinaram.

Porque talvez você não seja uma coisa.

Talvez você seja uma travessia.

Uma obra que nunca fica completamente pronta.

Uma história que continua sendo escrita mesmo quando acredita ter chegado ao último capítulo.

Você é um pouco de ontem.

Um pouco de hoje.

E também alguma coisa que ainda não existe, mas silenciosamente está tentando nascer.

Talvez por isso seja impossível responder definitivamente à pergunta:

“Quem sou eu?”

Porque enquanto houver vida, haverá transformação.

E enquanto houver transformação, haverá alguma parte de nós ainda desconhecida esperando ser encontrada.

No fim, talvez aquilo que faça você ser você não seja apenas o que recebeu da vida.

Nem somente aquilo que perdeu.

Nem seus acertos.

Nem seus erros.

É a maneira como juntou todos esses pedaços e decidiu continuar.

Você é aquilo que a vida escreveu em você.

Mas é também aquilo que, apesar de tudo, você decidiu escrever de volta na vida.

“O Sangue que Ainda Corre”

Há momentos em que a vida deixa de pedir explicações.
Ela apenas nos coloca diante do espelho.
E talvez seja justamente diante dele que começam as confissões mais difíceis: quando já não podemos culpar o tempo, os outros, as circunstâncias ou os caminhos que escolheram por nós.
Eu também jurei verdades que eram mentiras.
Prometi permanências quando dentro de mim já existiam despedidas. Defendi certezas nas quais eu mesmo já não acreditava. Rompi acordos, abandonei caminhos, traí algumas versões de mim e carreguei durante anos a estranha sensação de que havia deixado pedaços da minha alma espalhados pelos lugares por onde passei.

Talvez viver seja também isso:
uma longa coleção de fidelidades e traições contra nós mesmos.
Existem ventos que chegam tarde.
Existem ventos que sopram com toda a força e, ainda assim, não conseguem mover aquilo que dentro de nós já deixou de girar.
Foi assim que descobri que nem todo vento é capaz de mover um moinho.
Há coisas que simplesmente param.
Amores.
Sonhos.
Convicções.
Amizades.
E até algumas partes de nós.
Mas o coração possui uma teimosia quase incompreensível: mesmo cercado pelos escombros daquilo que perdeu, continua batendo.
Carrego comigo os meus mortos.
E não falo apenas daqueles que a terra recebeu.
Existem mortos que continuam caminhando conosco.
São pessoas que partiram, amores que terminaram, cidades que abandonamos, juventudes que não voltam, abraços que ficaram presos na memória e versões de nós mesmos que jamais encontraremos novamente.

Somos um pouco cemitério.

Mas somos também nascimento.

Porque dentro do mesmo homem que enterra seus mortos existe outro tentando nascer todas as manhãs.

Eu venho de caminhos tortos.
Nunca consegui acreditar muito nas estradas perfeitamente desenhadas. Talvez porque minha própria existência tenha sido feita de desvios, quedas, retornos e perguntas.

Minha história não foi escrita com régua.
Foi escrita com cicatrizes.
Há sangue correndo dentro de mim que nasceu muito antes de mim.
Sangue de gente que amou, sofreu, atravessou oceanos, enterrou sonhos, criou filhos, perdeu pessoas, rezou em silêncio e continuou caminhando mesmo quando não havia nenhuma certeza esperando na próxima esquina.

Carregamos nossos antepassados sem perceber.
Talvez por isso algumas saudades não tenham nome.
Talvez certas dores sejam antigas demais para sabermos exatamente onde começaram.
Existe dentro de cada homem uma pátria invisível.
Uma terra que ele carrega mesmo quando vive longe dela.
Uma língua que continua morando dentro da boca.
Uma música que desperta lembranças.
Um cheiro que abre uma porta esquecida.
Uma palavra que, de repente, nos devolve à infância.

Podemos atravessar fronteiras, trocar de endereço, aprender outras línguas e envelhecer sob outros céus.
Mas há raízes que viajam conosco.
E talvez o verdadeiro exílio não seja viver distante da terra onde nascemos.
Talvez seja viver distante de quem realmente somos.

Durante muito tempo tentei obedecer aos ritos.
Depois rompi alguns deles.
Quebrei minhas próprias lanças.
Questionei minhas certezas.
Gritei contra aquilo que me prendia.
E percebi que existem gritos que não são revolta.
São nascimento.
Às vezes um homem precisa gritar para finalmente ouvir a própria voz.
Porque chega um momento em que já não importa parecer perfeito.

Importa permanecer inteiro.
Não importa quantas vezes a vida tenha nos derrubado.
Não importa quantos tratados tenhamos rompido com nossos sonhos.
Não importa quantos caminhos tortos existam atrás de nossos passos.

Existe uma diferença enorme entre estar ferido e estar vencido.
Feridas sangram.
Cicatrizes permanecem.
Lágrimas caem.
Mas nenhuma dessas coisas significa derrota.
A verdadeira derrota talvez aconteça somente quando entregamos a alguém ou ao medo, à culpa, ao passado o direito de decidir quem ainda podemos ser.
Por isso continuo.
Com meus mortos.
Com minhas lembranças.
Com minhas contradições.
Com meus caminhos tortos.
Com tudo aquilo que perdi e tudo aquilo que ainda espero encontrar.
Minha alma talvez tenha conhecido muitas prisões.
Mas meu sangue ainda corre.
E enquanto houver sangue correndo, haverá alguma coisa dentro de mim dizendo que a história ainda não terminou.

Talvez seja apenas um gemido.
Talvez seja um grito.
Talvez seja uma oração.
Não sei.
Sei apenas que ainda estou aqui.
E às vezes, depois de tudo o que atravessamos, permanecer de pé já é uma das formas mais bonitas de liberdade.

“A Sabedoria de Ajustar as Velas”

“Não podemos escolher a direção do vento, mas sempre é possível ajustar as velas.”

Durante muito tempo, talvez eu tenha confundido maturidade com controle.
Imaginava que amadurecer significava aprender a organizar a vida de tal maneira que quase nada pudesse sair do lugar.
Como se a experiência nos concedesse, pouco a pouco, algum poder secreto sobre o amanhã.

Mas a vida não funciona assim.

Podemos escolher a embarcação. Podemos estudar os mapas. Podemos calcular distâncias,
observar o horizonte e até decidir o porto para onde desejamos seguir.

Mas não escolhemos o vento.

E talvez uma das maiores dores humanas nasça justamente dessa dificuldade: queremos controlar aquilo que apenas podemos atravessar.
Há ventos que chegam fortes..

Uma perda.
Uma despedida.
Uma decepção.
Uma porta que se fecha quando tínhamos certeza de que se abriria.
Um amor que muda.
Um sonho que demora.
Uma notícia inesperada.
De repente, todo o mapa cuidadosamente desenhado já não parece servir para muita coisa.
É nesse momento que descobrimos a diferença entre controlar a vida e aprender a vivê-la.

O imaturo olha para a tempestade e pergunta:

“Por que o vento não sopra para onde eu quero?”

O homem amadurecido começa a fazer outra pergunta:

“Já que não posso mudar o vento, o que posso fazer com as minhas velas?”

Essa pequena mudança de pergunta pode transformar uma existência inteira.
Porque maturidade não significa ausência de medo. Não significa nunca sofrer, nunca hesitar ou possuir respostas para tudo.
Maturidade é compreender onde termina o nosso poder e onde começa a nossa capacidade de adaptação.
Existem coisas que dependem de nós.
Outras, simplesmente, não.

Não controlamos o comportamento das pessoas.
Não controlamos todas as despedidas.
Não controlamos o tempo.
Não controlamos completamente o corpo.
Não controlamos o passado.
E, por mais que façamos planos, jamais teremos domínio absoluto sobre o futuro.

Entretanto, existe uma pequena região sobre a qual ainda podemos exercer alguma autoridade:
a maneira como respondemos ao que nos acontece.

É ali que ficam as velas.

A vida pode mudar o vento, mas ainda podemos mudar nossa posição diante dele.

Podemos recolher uma vela durante a tempestade.
Podemos diminuir a velocidade.
Podemos mudar temporariamente a rota.
Podemos esperar.
Podemos recomeçar.
E, algumas vezes, podemos até descobrir um destino que jamais teríamos conhecido se o vento tivesse obedecido aos nossos planos.

Talvez por isso algumas das maiores transformações da nossa vida tenham começado justamente quando alguma coisa deu errado.
O caminho interrompido nos obrigou a procurar outra estrada.
A perda nos ensinou o valor da presença.
O fracasso nos apresentou à humildade.
A solidão nos colocou diante de nós mesmos.
A queda revelou forças que desconhecíamos possuir.

E aquilo que chamávamos de desvio talvez estivesse apenas nos ensinando outra maneira de navegar.
Há uma arrogância silenciosa na necessidade de controlar tudo.

Queremos que pessoas, acontecimentos, tempo e destino se comportem de acordo com os mapas que desenhamos.
Quando isso não acontece, sentimos que a vida nos traiu.
Mas talvez a vida nunca tenha prometido obedecer aos nossos mapas.
Ela apenas nos entregou um barco.
Algumas velas.
Um horizonte.
E a liberdade de aprender.
Maturidade, portanto, não é tornar-se senhor dos ventos.
É tornar-se marinheiro.
É olhar para o céu escurecendo e, mesmo sentindo medo, saber que ainda existem decisões possíveis.
É reconhecer que mudar a rota não significa necessariamente abandonar o destino.
Às vezes, para chegar ao mesmo porto, precisamos navegar por águas que jamais imaginávamos conhecer.
Outras vezes, precisamos ter coragem suficiente para admitir que aquele porto já não é mais o nosso.
Talvez seja essa uma das lições mais difíceis da existência:

nem toda mudança de direção é uma derrota.

Existem desvios que nos salvam.
Existem atrasos que nos protegem.
Existem tempestades que nos despertam.
Existem ventos contrários que fortalecem braços que haviam se acostumado demais à tranquilidade.
E existem caminhos que somente aparecem quando perdemos aquele que acreditávamos ser o único.

Hoje compreendo que viver não é possuir um mapa perfeito.

É aprender a ler o céu.
É perceber quando avançar, quando esperar, quando insistir e quando mudar.
É saber que algumas tempestades precisam ser enfrentadas e outras simplesmente atravessadas.
No fim, talvez ninguém chegue exatamente ao porto que imaginou quando começou a viagem.

Carregamos cicatrizes das tempestades, lembranças das águas tranquilas, saudades de quem navegou conosco e histórias de lugares onde jamais planejávamos estar.

Mas existe uma espécie de paz quando finalmente compreendemos que não precisamos controlar o oceano para continuar navegando.
O vento continuará mudando.
A vida continuará surpreendendo.
Algumas manhãs serão tranquilas. Outras chegarão carregadas de tempestades.
E nós continuaremos ali, pequenos diante da imensidão.
Mas enquanto ainda houver uma vela que possa ser ajustada, haverá também uma escolha possível.
Talvez amadurecer seja exatamente isso:

parar de exigir que o vento mude de direção e começar a aprender o que fazer com o vento que chegou.

Porque não é o mar tranquilo que revela o marinheiro.
É a maneira como ele ajusta as velas quando percebe que já não controla o caminho.

“Contos da Cidade Dourada”

Diziam que existia uma cidade onde o ouro crescia como mato.

Não era apenas uma metáfora. Para os olhos dos conquistadores, a América inteira parecia um jardim onde o ouro brotava do chão, a prata escorria das montanhas e a riqueza esperava, silenciosa, por mãos estrangeiras.

Chamaram-na de cidade dourada.
Uns lhe deram o nome de El Dorado. Outros a procuraram nas montanhas dos Andes, nos vales dos povos originários ou nas minas que pareciam não ter fim. Mas talvez a verdadeira cidade dourada nunca tenha sido um lugar. Talvez tenha sido uma maneira de olhar.

O ouro não era riqueza.
Era cobiça.
E a cobiça transforma qualquer paisagem em mercadoria.
Eduardo Galeano escreveu que a América Latina nasceu com as veias abertas.
É uma imagem impossível de esquecer.
Veias abertas não apenas porque lhe arrancaram o ouro, a prata, o açúcar, o café, a borracha e tantas outras riquezas. Mas porque também lhe roubaram o tempo. Roubaram a possibilidade de crescer no próprio ritmo. Roubaram histórias, línguas, culturas e até o direito de muitos povos contarem a própria versão do passado.

Quando um povo perde a memória, torna-se mais fácil convencê-lo de que nunca foi rico.
As montanhas de prata desapareceram.
As minas foram esvaziadas.
Os navios atravessaram o oceano carregados de tesouros.
Tudo aconteceu à luz do dia.

Sem máscaras.
Sem vergonha.

O assalto mais grandioso da história não precisou da escuridão da noite. Foi realizado sob o brilho do sol, registrado por cronistas, celebrado por impérios e justificado por discursos de civilização.
Há ladrões que escondem o rosto.
Há impérios que escondem a consciência.
A cidade dourada foi desaparecendo aos poucos.
Não porque o ouro acabou.
Mas porque quem o arrancava deixava para trás apenas o vazio.
Existe uma estranha lógica na ganância.
Ela nunca aprende a contemplar.
Sabe apenas possuir.
Tudo aquilo que toca perde o significado e ganha um preço.
Uma floresta deixa de ser floresta para se tornar madeira.

Um rio deixa de ser vida para se transformar em rota comercial.
Uma montanha deixa de ser sagrada para virar minério.
E um ser humano deixa de ser pessoa para tornar-se força de trabalho.
Talvez seja essa a maior pobreza da história.
Não a falta de ouro.
Mas a incapacidade de enxergar valor onde não existe lucro.

O mais inquietante é perceber que essa história ainda ecoa.
Mudaram os navios.
Mudaram as bandeiras.
Mudaram os discursos.

Mas a pergunta permanece a mesma: quem enriquece quando uma terra empobrece?

As veias de um continente não sangram apenas quando lhe retiram os metais preciosos.
Sangram também quando sua inteligência é desprezada, quando sua cultura é tratada como inferior, quando seus filhos acreditam que tudo o que vem de fora vale mais do que aquilo que nasceu em casa.

A cidade dourada continua existindo.
Não nas lendas.
Nem nas minas.
Ela vive escondida na dignidade de um povo que, apesar de séculos de exploração, continua produzindo arte, poesia, fé, música e esperança.

Porque há uma riqueza que nenhum conquistador conseguiu embarcar em seus navios.
A capacidade de recomeçar.
Talvez esse seja o verdadeiro ouro da América Latina.
Um ouro que não pode ser fundido, vendido ou roubado.
Um ouro que corre, silenciosamente, nas veias de quem ainda acredita que a história não termina com o saque, mas com a coragem de reconstruir aquilo que parecia perdido.
E talvez seja por isso que a cidade dourada nunca tenha sido encontrada.
Ela nunca esteve enterrada debaixo da terra.
Sempre esteve pulsando dentro das pessoas.
Dentro de cada um de nós; Latino Americano.

Tem dias em que parece que alguma coisa dentro de mim simplesmente se apagou. Eu continuo vivendo, conversando, sorrindo e fazendo aquilo que preciso fazer, mas existe uma parte de mim que permanece em silêncio, tentando entender por que tudo parece tão difícil.
É estranho sentir tanta coisa e, ao mesmo tempo, não conseguir identificar exatamente o que está acontecendo. Às vezes penso que estou bem, até perceber que estou apenas tentando me convencer disso. Outras vezes, sinto uma tristeza que não consigo explicar e uma vontade enorme de desaparecer por algumas horas, apenas para não precisar lidar comigo mesma.
Tenho guardado sentimentos demais. Coisas que nunca falei, dores que tentei esquecer e pensamentos que prefiro esconder. Talvez eu tenha me acostumado tanto a fingir que estou bem que já nem sei mais diferenciar quando realmente estou.
O pior acontece quando fico sozinha. Minha cabeça se torna um lugar difícil de permanecer. Pensamentos antigos retornam, inseguranças aparecem e tudo aquilo que durante o dia consigo ignorar parece ganhar voz.

“Eu quero saber de você: o que te faz ser você?” abre uma pergunta enorme
talvez uma das mais difíceis que podemos fazer a alguém. Fiz a crônica como um diálogo com a própria existência, filosófico e poético.


O Que Te Faz Ser Você?

Eu quero saber de você.

Mas não quero saber apenas o seu nome, onde nasceu, o que faz da vida ou quantos anos carrega nos ombros.

Isso tudo são informações.

Eu quero saber de você.

Quero saber o que existe quando todas essas respostas acabam.

O que te faz ser você?

Talvez ninguém saiba responder imediatamente.

Passamos boa parte da vida aprendendo a explicar o mundo e quase nenhuma aprendendo a explicar a nós mesmos.

Sabemos dizer onde moramos, mas nem sempre sabemos onde nossa alma se sente em casa.

Sabemos contar os anos que vivemos, mas dificilmente conseguimos contar quantas vezes tivemos de nascer novamente dentro da mesma vida.

Por isso, quando pergunto quem é você, não me mostre apenas suas conquistas.

Mostre-me também aquilo que você perdeu.

Porque há pedaços de nós que foram construídos justamente pelas coisas que não puderam ficar.

Conte-me sobre os caminhos que deram errado.

Sobre as portas que se fecharam.

Sobre as pessoas que partiram.

Sobre os sonhos que você precisou enterrar em silêncio enquanto continuava sorrindo para que ninguém percebesse o funeral acontecendo dentro de você.

Talvez você seja um pouco de tudo isso.

Somos feitos de presenças, mas também de ausências.

De encontros e despedidas.

De palavras que ouvimos e de outras que passamos a vida esperando alguém dizer.

Há pessoas vivendo dentro de nós que talvez nunca mais veremos.

Um gesto do nosso pai.

Uma frase da nossa mãe.

O sorriso de alguém que amamos.

Um conselho que na juventude parecia inútil e que, muitos anos depois, tornou-se uma espécie de bússola.

Somos uma casa construída por muitas mãos.

Algumas permaneceram.

Outras passaram apenas por alguns minutos.

Mas deixaram alguma coisa sobre a mesa da nossa existência.

Talvez seja isso que torna tão difícil responder à pergunta:

Quem sou eu?

Porque não somos uma coisa terminada.

Somos verbo.

Estamos acontecendo.

O homem que acordou esta manhã já não é exatamente aquele que adormeceu ontem.

Alguma lembrança atravessou a noite.

Alguma preocupação amadureceu.

Alguma esperança nasceu discretamente.

Talvez alguma ferida tenha cicatrizado um milímetro enquanto dormíamos.

A vida trabalha em nós mesmo quando não percebemos.

E existe ainda outra coisa.

Você também é aquilo que ninguém vê.

Existe uma versão sua que aparece nas fotografias, nas conversas, nas festas, no trabalho, nas redes sociais.

E existe aquela que fica sozinha quando a porta se fecha.

Essa me interessa profundamente.

Quem é você quando não existe plateia?

Quem é você quando ninguém está olhando?

O que você pensa antes de dormir?

Que conversa mantém consigo mesmo diante do espelho?

Quais são os medos que jamais confessou?

Quais sonhos ainda protege do mundo porque tem medo de que alguém ria deles?

Quais lágrimas você engoliu para parecer forte?

Talvez o verdadeiro rosto de uma pessoa comece justamente onde termina a necessidade de parecer alguma coisa.

Porque passamos anos construindo personagens.

Queremos parecer fortes.

Inteligentes.

Felizes.

Resolvidos.

Mas chega um momento em que a vida começa a retirar nossas máscaras uma por uma.

E isso dói.

Até descobrirmos que perder uma máscara não significa perder a identidade.

Às vezes significa finalmente encontrá-la.

Por isso eu quero saber de você.

Não da versão perfeita.

Essa não me interessa.

Quero conhecer suas contradições.

A coragem que mora ao lado do medo.

A esperança que algumas noites dorme abraçada ao desespero.

A fé que às vezes pergunta.

O amor que às vezes se cansa.

A força que também precisa sentar no chão e chorar.

Porque talvez ser humano seja exatamente isso:

carregar dentro do mesmo peito coisas que parecem impossíveis de conviver.

Somos luz e sombra.

Certeza e dúvida.

Saudade e esperança.

Ontem e amanhã tentando aprender a dividir o mesmo coração.

E talvez aquilo que realmente nos define não sejam nossas respostas, mas as perguntas que tivemos coragem de continuar fazendo.

Quem sou?

Por que estou aqui?

O que fiz com o amor que recebi?

Quem se tornou melhor porque passou pela minha vida?

O que permanecerá de mim quando meu nome deixar de ser pronunciado?

No final, talvez descubramos que aquilo que nos faz ser quem somos não está nos títulos,
nos bens ou nas histórias que contamos sobre nós mesmos.

Está nas marcas invisíveis.

Nas pessoas que amamos.

Nas vezes em que fomos feridos e decidimos não transformar nossa dor em crueldade.

Nas vezes em que poderíamos ter desistido e permanecemos.

Nas vezes em que pedimos perdão.

Nas vezes em que perdoamos.

Nas vezes em que ninguém estava olhando e, ainda assim, escolhemos fazer o que era certo.

Talvez sejamos, sobretudo, aquilo que escolhemos fazer com tudo aquilo que a vida fez conosco.

Por isso, quando eu disser:

“Eu quero saber de você”,
não me entregue apenas sua história.

Entregue-me seus silêncios.

Suas cicatrizes.

Seus sonhos.

Suas perguntas.

Conte-me quem você era.

Quem precisou deixar de ser.

E quem ainda está tentando se tornar.

Porque conhecer verdadeiramente alguém não é descobrir todas as suas respostas.

É chegar suficientemente perto para compreender algumas de suas perguntas.

E talvez, depois de uma vida inteira procurando a resposta para “o que me faz ser eu?”, descubramos algo ainda mais bonito:

não somos apenas aquilo que encontramos dentro de nós.

Somos também aquilo que deixamos dentro daqueles que encontramos pelo caminho.

Inserida por silasoliveira13

Talvez muita gente tenha uma ideia prévia de mim.
Eu também sou assim.
Previamente olho para mim mesma,
para saber quem eu sou agora.
​O tempo todo eu me acho uma casa
que precisa estar sendo reformada,
todo dia por dentro.
​Um dia eu já fui um quarto sem luz, sem vento.
Hoje, eu já não sou assim!
​Quem me conhece no passado
precisa saber mais de mim.
​Nildinha Freitas

“A Versão de Mim Que Mora nos Olhos de Quem Me Ama”

Existe uma versão de nós que talvez nunca consigamos conhecer completamente.

Ela não mora no espelho.
Não aparece quando nos examinamos em silêncio.
Não se revela nas noites em que contamos nossos erros, nossas perdas e tudo aquilo que ainda não conseguimos ser.

Essa versão mora nos olhos de quem nos ama.

É curioso: passamos a vida inteira dentro de nós mesmos e, ainda assim, talvez sejamos as pessoas menos imparciais para dizer quem somos.

Conhecemos demais as nossas fraquezas.

Sabemos onde escondemos nossos medos, lembramos das palavras que gostaríamos de retirar, das oportunidades que desperdiçamos, das promessas que fizemos a nós mesmos e não cumprimos.

Carregamos os bastidores da própria existência.

Os outros, porém, muitas vezes enxergam o palco.

Enquanto eu me lembro das vezes em que quase desisti, alguém se lembra de que continuei.

Enquanto eu me condeno por ter sentido medo, alguém me considera corajoso justamente porque me viu caminhar apesar dele.

Enquanto eu penso que fiz tão pouco, talvez exista alguém guardando na memória uma palavra minha que chegou exatamente quando precisava.

E talvez seja essa uma das maiores ironias da existência:

somos capazes de transformar a vida de alguém sem perceber que fizemos isso.

Há pessoas que carregam uma versão nossa muito mais bonita do que aquela que carregamos dentro de nós.

Não porque estejam cegas.

O amor verdadeiro não é cegueira.

Talvez seja justamente o contrário.

Amar alguém é enxergar suas imperfeições e, ainda assim, não reduzir essa pessoa a elas.

Nós fazemos isso conosco o tempo inteiro: pegamos um erro e transformamos em identidade.

“Eu fracassei” lentamente se transforma em “eu sou um fracasso”.

“Eu tive medo” transforma-se em “eu sou covarde”.

“Eu não consegui” transforma-se em “eu não sou capaz”.

É assim que a consciência, quando ferida, falsifica nossa própria biografia.

Esquecemos todas as páginas e ficamos relendo justamente aquela em que caímos.

Mas quem nos ama talvez esteja lendo o livro inteiro.

Lembra-se das vezes em que fomos generosos quando ninguém estava olhando.

Das vezes em que permanecemos quando seria mais fácil partir.

Das pequenas bondades que nós mesmos esquecemos.

Das batalhas que vencemos sem comemorar.

Dos dias em que achávamos que estávamos apenas sobrevivendo, mas alguém, olhando de fora, enxergava coragem.

Talvez por isso existam momentos em que precisamos cometer um pequeno ato de humildade:

emprestar os olhos de alguém.

Quando nossa visão estiver turva, quando a tristeza diminuir aquilo que somos, quando a culpa exagerar aquilo que fizemos, talvez seja necessário perguntar silenciosamente:

Como me enxergaria alguém que verdadeiramente me ama?

Não para alimentar o ego.

Não para fugir das nossas responsabilidades.

Mas para recuperar a proporção das coisas.

Porque humildade não significa pensar menos de si.

Significa também não se condenar injustamente.

Às vezes acreditamos que conhecer a nós mesmos significa conhecer nossas sombras.

Mas conhecer-se verdadeiramente é ter coragem de reconhecer também a própria luz.

E essa talvez seja a parte mais difícil.

Aceitamos facilmente quando alguém aponta nossos defeitos, mas desconfiamos quando alguém reconhece nossa beleza.

Talvez porque exista dentro de nós um juiz muito antigo, acostumado a recolher provas contra nós mesmos.

Por isso, quando alguém disser:

“Você é mais forte do que imagina.”

Talvez não seja necessário responder imediatamente:

“Você não me conhece.”

Talvez conheça.

Talvez conheça uma parte sua que você perdeu de vista.

Talvez tenha testemunhado sua coragem justamente nos momentos em que você acreditava estar apenas tentando sobreviver.

Talvez tenha encontrado generosidade em gestos que para você pareciam pequenos.

Talvez enxergue possibilidades onde você só consegue enxergar limites.

Existe uma versão de você vivendo na memória das pessoas que você tocou.

Uma versão feita das palavras que ficaram depois que você foi embora, dos abraços que chegaram na hora certa, das conversas que impediram alguém de desistir, das risadas que tornaram determinado dia suportável.

Você talvez nunca conheça completamente essa pessoa.

Mas ela existe.

E haverá dias em que o espelho não será suficiente.

Dias em que a nossa própria consciência estará coberta pela neblina das decepções, do cansaço ou das culpas.

Nesses dias, talvez não seja fraqueza pedir emprestado o olhar daqueles que nos amam.

Às vezes precisamos enxergar a nós mesmos através de outros olhos até que os nossos voltem a reconhecer quem somos.

Porque talvez exista uma verdade muito simples escondida nisso tudo:

há pessoas que acreditam em nós não porque desconhecem nossas fraquezas, mas porque conheceram algo em nós que nossas fraquezas jamais conseguiram destruir.

E, algumas vezes, acreditar no amor de alguém também significa acreditar que aquilo que essa pessoa enxerga em nós pode ser verdade.

Confiar em Deus é viver nos ventos dos céus sobre os caminhos da vida..."