Coleção pessoal de marcio_henrique_melo

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Um lenhador ergueu seu machado contra a árvore.
Ao se dar conta do que iria fazer,
soltou o machado no chão.


Diante de tantos anos e de tanta beleza,
o lenhador abraçou a árvore centenária.


E se desculpando, jurou:
Nunca mais destruir o planeta.


Mas daquele dia em diante,
iria apenas preservar a natureza...


Marcio melo

`Estações`


No inverno senti frio
nas noites de inverno sem você pra me aquecer


Desejei, com saudade,
nossos verões


Mas neste inverno vivi meu outono
Sem cor, opaco
Com saudades das nossas primaveras
Floridas e perfumadas


Mas sem você vivo o inverno
da solidão


E meu coração chora
nas noites frias
a falta do seu verão
que aquecia o nosso amor.




Marcio Melo

"Nada"
Inspirado em Fernando Pessoa


Quem queria andar, que se ande.
Quem queira parar, que se pare.
Eu nada quero.

Quem quer construir, que construa.
Quem quer subir.
Eu não quero absolutamente nada.

A quem durma, que durma então.
A quem não durma, que se acorde
e fique sem dormir.

Eu, eu nada quero.
Nada que eu queria mais
que nada.

Posso eu querer além de nada?
Nada.


Marcio Melo

"Intensidade"
Inspirado em Clarice Lispector


Dizer muito em silêncio
Se espremer pra não gritar na intensidade desesperadora que me aquieta a voz
E minhas únicas palavras são neutras em versos que se equilibram em poemas
Só papel e tinta e muito dos meus sentimentos
Do meu silêncio.


Marcio Melo

Infância


Brincadeiras que alegraram a infância
que nunca se esquece e trazem boas lembranças.

O jeitinho especial de enrolar o fio no pião,
de desbicar a pipa no céu,
de dar um relo.

A alegria das meninas pulando amarelinha.

O futebol — esse fica até a vida adulta,
paixão nacional.

Ah, infância bonita
de uma alegria espontânea!

Das corridas, do esconde-esconde...
Saudade danada da minha infância.
É uma pena não poder voltar
ao meu tempo de criança
e brincar tudo outra vez.


Marcio Melo

Ciclo


Eu me apaixonei
pra não desapaixonar.

Te amei
pra nunca na vida te desamar.

Porque quem se apaixona não deixa
até virar amor.

E quando vira amor, não quer acabar.
E não acaba.

Porque a paixão é o fogo
que esquenta o amor.

Que de paixão nunca falte ao amor,
nem ao amor a paixão que o alimenta.


Marcio Melo

O Idiota


Idiota é quem cospe na mão que lhe estende a verdade.
Orgulha-se da própria cegueira e chama isso de opinião.
Ignorância por escolha.
Teimosia por vaidade.
E ainda acha que o problema é o mundo.


Marcio Melo

"Lamento"


A vida é lamento.
Nem sei quem foi a peste que inventou o sofrimento.

Será que eu só lamento?
O que dói é angústia,
a dor que machuca,
essa tortura que nunca acaba.

Parece até praga.
Uma injustiça desgraçada.
Quem aguenta?
Na vida só se leva pancada.


Quando parece que vai terminar...
Aí é hora de outra vez lamentar.


Marcio Melo

Bomba de paz


Uma bomba nuclear espalha radiação que envenena por décadas.
Uma bomba de paz espalha consciência que quebra o ciclo antes da próxima bomba.


A primeira precisa de laboratório, dinheiro e sigilo.
A segunda só precisa que uma pessoa pare e não repita a vingança.


A primeira viraliza em 3 segundos.
A segunda demora gerações, e quase nunca vira manchete.


Mas se a conta da guerra nunca fecha, alguém tem que rodar outra equação.
Essa não mata ninguém pra provar que está certa.


Por marcio melo

O diabo não gasta flecha com quem já jaz caído.
Para os que se afogam na ilusão, ele oferece banquete e riso,
para que durmam tranquilos no berço da distração,
sem ouvir o eco da própria ruína.


Mas aos que sangram de pé,
aos que seguram a fé como quem segura a vida,
a esses ele persegue.
Porque são os únicos que ainda podem escapar.
E é deles que ele quer roubar a alma,
arrastando-os para o brilho falso da sua festa.


A festa e o ilusionista
Por marcio melo

"O conhecimento ergue a mente como quem ergue uma casa: abre janelas, amplia os cômodos.
Só que ao clarear os cômodos, ele mostra quem não consegue mais morar ali com você."


Marcio Melo

"Quem é você?"
É a pergunta que a identidade-armadura não aguenta, porque ela exige resposta sem etiqueta, sem hashtag, sem palco.


E a resposta que você deu depois é o contragolpe:
A árvore não precisa declarar “sou árvore” o tempo todo. Ela só é.
O gato não passa o dia explicando por que não é cachorro. Ele caça, dorme, mia. Pronto.


O problema começou quando a gente esqueceu que ser humano também tem um “só ser”.
A gente trocou o ser pelo provar, pelo performar, pelo justificar.


Então a pergunta pra Gen Z e pras que vêm depois não é “qual identidade você escolhe hoje?”.
É: o que sobra de você quando tira todas as identidades?


Se a árvore tirasse a casca, ainda seria árvore.
Se o gato tirasse o pelo, ainda seria gato.
Se você tirar as máscaras, ainda sobra algo que não precisa de aprovação pra existir.


É aí que mora o “quem é você” de verdade. E é isso que nenhuma pauta, geração ou algoritmo consegue te dar ou tirar.


Por Marcio Melo

Não Permita Morrer Sem Realizar
por Marcio Melo


Às vezes abandonamos alguns projetos
do que gostaríamos de realizar,
porque permitimos que os problemas e as dificuldades da vida
nos engulam e sufocam parte do que realmente faria sentido.


Começamos a planejar ainda jovens, no início da vida.
Mas acabamos nos envolvendo com obrigações, responsabilidades e compromissos
que dizem mais respeito aos outros e seus projetos do que aos nossos.


E a vida vai passando,
e sem se dar conta, enterramos o que elaboramos com tanto carinho e acreditamos.


Mas o tempo passa.
A juventude enérgica e motivada que planeja e sonha,
capaz de desbravar o mundo,
é afogada em um mar de ilusões, distrações e falsas realizações.
Essas que nunca são as nossas.


Mas se a vida, mesmo no fim, te der só uma única oportunidade...
abrace. Pegue.
Tire do papel para a realidade seus sonhos, seu projeto.


Não permita morrer
sem que pelo menos um seja realizado.

Quanto Tempo?
por Marcio Melo


Quanto tempo você tem?
Segundos, horas, dias, meses, anos, décadas, milênios...
Ou quem sabe a eternidade?


Só pare e reflita por alguns instantes:
Quanto tempo?


Eu não sei quanto tempo ainda me resta
até que meu fôlego acabe.
Acredito que a maioria também não sabe.


Mas do que estamos falando, então?
De tempo?
Ou de vida?


Dos dois. Sim.
Ambos andam de mãos dadas,
e só um continua a partir de um ponto na vida.
O tempo sempre segue sozinho.


A vida é um tempo finito, com prazo de validade.
Como diziam os antigos que passaram por este mundo:
_"Somos só passageiros."_


As adaptações, as transições, as mudanças
que vivemos como aprendizado de sobrevivência...
já que ninguém nasce com manual.


Viver está de fato ligado ao tempo.
São nossas perspectivas que nos definem
e nos colocam em algum momento no tempo.


Mesmo considerando passado, presente e futuro,
sabemos: este lugar no tempo é o que temos.
E só temos o agora.


É onde a pergunta inicial faz todo o sentido:
Quanto tempo você tem?


Bom, só temos o agora.
Ficam lembranças e projeções,
mas o que permanece é o agora.

Os Sonhos
por Márcio Melo


Acho que eu já disse
que sou um sonhador.


Eu acredito.
Acredito na vida, na felicidade como uma busca interior.
Acredito no amor como sentido da vida,
que o amor cura qualquer ferida.


Eu sei que já disse isso muitas vezes:
sou um sonhador.
Os sonhos são possibilidades que projetamos na alma,
e acreditar é parte da realização.


Sou sim sonhador.
E sei que sonhar não é ilusão.


Sonhos que não motivam,
que não se tornam realidade,
são projeções desistidas
de alguém que se permitiu desacreditar
e perdeu o sentido da vida.


Mas pode sim voltar a sonhar,
recuperar o sonho perdido
e se realizar.


Por isso acredito:
vale a pena sonhar.

Saudade
por Marcio Melo


Saudade são pessoas.
É um tempo onde momentos vividos marcaram profundamente a vida,
com gente importante que significava tudo.


Saudade de abraços, de sorrisos.
De casa, família e amigos.
De mesa farta, de festas repletas de felicidade.


Ah, que saudade...
Só de lembrar do tempo que abriu um espaço que nunca se fechou.
Eram momentos.
E a vida é feita de momentos que valem a pena lembrar.


Ruas de terra.
O cheiro de mato molhado.
O pé de manga que eu subia, lá de cima parecia que eu estava voando.
Os tios e tias.
As brincadeiras com amigos, primos, primas, irmãos correndo.


Era uma alegria que contagiava.
Cada brincadeira era uma conquista
que ficou registrada na memória
pra um dia lembrar suspirando e chamar de saudade.


Que saudade.

"Descansa o peito,a água baixa e a aliança fica"




A chave
Marcio Melo

Fruta Caída


Aquela fruta que cresce na árvore
mas o vento forte a derruba
antes de amadurecer.


Enquanto as outras, firmes no galho,
amadurecem no seu tempo.


Ela se rompe.
Interrompida.
Começa a apodrecer.


Dispensada pelos pássaros
que se deliciam nas que ficaram,
só os fungos a comem


Mas fruta caída vira adubo.
O que apodrece no chão
alimenta a raiz da árvore.


Talvez o interrompido
não seja lixo.
Talvez seja o que faz
a próxima safra crescer mais forte.


A vida não desperdiça o que caiu.
Ela recolhe, transforma,
e faz do que apodreceu
motivo de vida nova.


Marcio Melo

As Antigas Ruas de Pedras Lavadas


As antigas ruas de pedras,
as casas com cercas de ripas,
cobertas de rosas da roseira
que se alastrava
e se emendava com a da vizinha.


Colorindo.
Perfumando.
Um tempo que deixou saudade.


Na lembrança de um menino
que pensava como quem amava.
Inspirando versos.
Cresceu.
Tornou-se poeta.


Hoje ele vê
nas ruas antigas enfeitadas de roseiras
ruas de pedras lavadas
que ainda inspiram poemas.


Tempo de um tempo
onde ser criança
era viver a beleza encantadora da vida.


O menino cresceu
sem perder a essência.
Hoje é romancista. é poeta.


Marcio Melo

Por amor à beleza
se prende um passarinho e cortam as pontas de suas asas.
Se arrancam as flores que crescem livremente
para decorar o ambiente —
e assim que murcham, são dispensáveis.

Por amor à beleza
aprisionam a alma livre
que agora sofre por não ter mais a liberdade.

Por amor à beleza
encobrem o natural com camadas artificiais.
Destroem em dias
o que a natureza levou décadas para gerar.

Por amor à beleza
a gente se destrói,
dando origem ao que não existe.
Ao que não é real.
Por arrogância.
Por necessidade de nos enganar.

E assim aplaudimos
a ilusão que construímos
a partir da beleza que destruímos.

Deformação
Marcio Melo