Pensamentos sobre Partida
Disse: Corre pra longe, onde ainda não chegam os medos!
Menina, o mundo é grande demais!
Borda os pensamentos profundos
Se solta
Vai, sem hora pra voltar
Vem, sem medo e pode ficar
Que a estrada se encarrega de levar
Sempre teve uma grande facilidade em ir embora, como se o passado, tão tênue, rapidamente se dissipasse. Não que algumas vezes isso não tenha lhe causado certa tristeza, mas, mesmo assim, era algo que a impulsionava, e uma alegria que vinha logo depois. Ir embora era como uma segunda chance.
Eu peguei minhas coisas e fui embora, simples assim. Porque há esses momentos, depois das violências mais terríveis, quando olhamos em volta e percebemos, cheios de horror, que o mundo continua existindo.
A vida espalha sobre as nossas cabeças as bênçãos que os nossos corações desejam. As atrações delineiam o caminho de volta. Tudo é como um bumerangue, tudo retorna ao ponto de partida. Então, pense bem. Pense certo. Pense bonito.
O teatro é semelhante um cassino onde o jogador aposta na sorte da vida para ganhar, mas é a morte quem vence a partida.
Ela se foi, depois de tanto me pedir pra ficar. Talvez por medo de que eu a deixasse sozinha, ela simplesmente virou as costas e se foi. Não disse o porque, apenas foi. E agora parece que ela levou uma parte de mim, ou que deixou alguma coisa comigo que dói muito.
Deixei-lhe partes de mim.
Fragmentos invisíveis,
como brisa a tocar-lhe
a face.
Levei pouco
de ti.
O suficiente para
me fazer sorrir.
No dia de partir lágrimas falsas vão rolar, muitos irão dizer "Eu te amo" mesmo sem nunca me amar...
Ela me dizia que a dor tinha ido embora
Para nunca mais voltar
Ela também dizia que iria morar sozinha
Eu também dizia que a solidão é vazia
Ela nem disse adeus, nem me esperou
A solidão voltou e se tornou pior
Eu era seu antídoto para aliviar a dor
Mas ela não sabia, nem nunca notou.
Deito a caneta
sob os papéis
dos meus
sonhos
porque já estou indo,
por hoje
partindo
mas antes de dizer
adeus,
eu quero lhe
d e s e j a r
os sonhos
teus.
E toda vez que eu olhava para a lua, eu lembrava de você. Acho que nunca te esquecerei. Como poderias? Sua partida marcou minha vida como um ferro que marca a pele. Doeu! Deixou marcas que jamais poderão desaparecer.
Se a poesia soubesse o tanto que a ignoro.
Se visse o lixo cheio de rascunhos amassados que tenho no peito.
Já havia ha tempos pego suas malas e partido.
Ainda que venhamos nos despedir dizendo adeus...
Saibamos: há Deus!
Ele sempre fica comigo e segue contigo!
