Mudar de Cidade
Enquanto a cidade dorme
Eu acordado.
A madrugada é minha companheira
A mente repleta de pensamentos
Que fervilham
Como um vulcão,
Não durmo desde terça-feira
O corpo cansado
Tudo é tão difícil
Se pelo menos você
Tivesse aqui comigo.
O que me resta é só a poesia
E nela te escrevo
Como uma última lembrança.
Não me fale de felicidade
não conheço tal cidade
isso é uma província tão distante...
uma via inviável
tenho alguns sorrisos em molduras
alguns retratos em estantes
prateleiras de aglomerados
não sustentam o sentimento
assim por tanto tempo
não me fale tão suave de ternura,
essa rua deserta e escura
só me traz espanto...
não me faça sonhar ou ter pesadelos...
INVISÍVEL
Essa cidade não sabe que eu sou de outro planeta
Que viajei na reluzente calda de um cometa
Sob uma chuva perene de meteoros incandescentes
Essa gente não sabe do que tenho
E não tenho e do que sou capaz...
Quando a solidão do inabitável
Castigava a terra com restos de estrelas.
A luz se impunha as trevas,
Então o Filho pregou o amor
E a justiça sobre as montanhas,
Esse soneto divino que é o existir
Não permitira ainda o orvalhar romântico
Sobre os jardins de Amsterdam,
Antes Moisés conduzira o êxodo
Sob o causticante sol do deserto
Eu estava longe de tudo e perto do nada,
E quanto mais perto de tudo,
Mais você se torna invisível,
As pessoas só veem o que lhes interessam...
Essa cidade não ouve nem lê
O que eu escrevo ou declamo
Não sabe dessa ternura mórbida
Que sacrifica os santos...
Eu tenho moléculas de hidrogênio e oxigênio,
Eu tenho a luz dos astros
E a melancolia impressa no olhar
Eu tenho a devoção dos mártires...
Essa cidade nada sabe de mim
Enquanto a lua dança num eclipse
E o arco Iris listra o firmamento
O apocalipse se revela...
Silenciosamente eu canto,
Eu toco um violino e a harpa...
Uma harpa angelical me acompanha...
A minha vontade é uma cidade tranquila com pessoas serenas que se encantem com o neon e se apaixonem pelos manequins vestidos em viscoses estampadas... ou simplesmente caminhem sem medo por estradas carroçais ao lado de rebanhos ou manadas em retorno para seus currais num final de tarde, como se não fosse tarde para contemplar o ocaso ou como se a dor não empoeirasse a alma. Acho que o mundo poderia ser melhor se estivéssemos todos em estado de gestação para gerar uma esperança para quem derrama um olhar, para quem estende uma mão, para quem precisa de um sorriso. Na verdade o que precisamos é um banho no rio, um mergulho no lago e nos limparmos de toda incoerência que nos conduza a atalhos sombrios, porque na real, na essência, parodiando John: "tudo que precisamos é amor."
não sabes o que é o mundo
onde termina o horizonte começa a ansiedade
e a cidade é um monstro consumindo tua presença
não sei o que quero , mas tua ausência só me diz:
não sabes o que é o mundo...
e eu sei, pelo menos até saber-te perto
então transito, assim como se fosse tudo tão bonito
mas a brisa só deixa teu perfume a me dizer
não sabes o que é o mundo...
eu não sei
E quando for verdade o que não for verdade
eu levo dessa cidade o que não for cidade
eu levo o tempo que eu não tenho
pelo tempo que eu tenho perdido...
eu acredito tanto que a vida pode mudar,
se mudarmos um tanto nesse acreditar;
ah, podemos ser felizes sim
mesmo se só restar um olhar, um aceno, uma canção...
a vida é pródiga, a existência profícua...
temos a lua e o tobogã, a esperança e mente sã...
e o lago que eu imagino,
eu atravesso a nado como se fosse um menino,
mas, nada nada assim no nada...
o que não existe além do que eu imagino
se a estrada é o sonho e o caminho é caminhar,
ainda sou um menino de cinquenta anos,
tenho minhas fantasias, ainda faço planos
ainda me apaixono às vezes, às vezes sete vezes por dia...
dezessete vezes por dia eu acredito nesta rebeldia
de me acreditar menino, de me acreditar poeta.
Veneza é uma cidade tão bela, que me faz acreditar que fora idealizada por Deus, e feita pelas mãos dos homens.
Cansei dessa cidade, dessas pessoas, dessa minha vida pacata.Cansei de tentar agradar aos outros e só levar patatas. De sempre ser taxada como a inconseqüente. Eles não me entendem. Sabe quase nada sobre mim, ou simplesmente nada.
Mais um dia se encerra
Aqui na minha terra
Tudo se completa
A cidade é repleta de luz
Meu caminho me conduz
E lá na frente sua voz doce me seduz
E eu observo lento
É meu passatempo
Viver a minha vida, curtir o momento
Abres para mim e abaixa tua palha
As palavras cortam como uma navalha
E se minha mente não falha
Já estive aqui
Não quero partir
Nem eu me vejo mais bem longe de ti
Ao me aproximar com o meu fleumatismo
daquele lânguido olhar, na dura calçada fria
da cidade, percebi a dor daquele homem
desprezado e abandonado de todos e de si
mesmo, refletia a imagem do Cristo em seu
aspecto desumano que poderia ser um aspecto exemplar de uma acupunturação desnecessária...
Entrementes, não há solução momentânea para ele, porque a impossibilidade governamental não produz eficácia demonstrada em nossa magna
Carta, com letras frias do Artigo 5º, e seus
Parágrafos.
E o homem continua naquela calçada fria nos seus dias findando devagar...qual será o seu fim??? E o nosso fim?
O extraterrestre veio
à Terra.
O extraterrestre veio à Terra
E passeava por uma
Cidade grande.
Ficou escandalizado,
Ficou assustado,
Ficou perplexo —
Não acreditava no
Que via.
Gritou em desespero:
— Ajudem esse mendigo!
Sinto a sua dor,
A sua fome,
O seu frio, o seu calor,
A sua falta de proteção.
Um ser humano respondeu:
— Cuide da sua vida,
Ele não é você.
O extraterrestre respondeu:
— Eu sinto a sua dor como se fosse
A minha.
Solitário
Como um lobo solitário
vago pelas ruas da cidade.
As estrelas, à noite, são meu guia.
O vento, durante o dia.
Becos sem saídas.
Esquinas apontam nenhum lado.
Caminhos errados.
Um cão abandonado.
Memórias de memórias.
Sentimentos no passado afogados.
Falta-me identidade.
Retrato de uma guerra...
Uma cidade sem ruas,
uma rua sem casas,
uma casa sem família,
uma família sem mãe,
uma mãe sem filhos,
sem filhos e sem mãe.
Um corpo caído,
moído... sofrido.
Um corpo sem braço,
um braço sem mão.
Falta de espaço,
falta de ar,
um tiro no coração.
Uma cidade,
uma rua,
um homem,
sem sol, sem lua...
apático...
sobreviveu porque foi prático.
Amore mio,
vem preencher este vazio...
vem me trazer a felicidade
deste lado da cidade.
Amore mio,
vem me buscar,
estou aqui a te esperar
olhando o infinito mar.
Amore mio,
questa città é triste,
é vazia...
é completa escuridão
quando nela tu não estás.
Por onde tu andas,
vivo a perguntar...
ando por esta cidade...
não consigo mais te encontrar...
nem GPS pra me auxiliar.
Nas esquinas, nos bares... nas ruas... na beira do mar...
em todo lugar que costumavas ficar...
há apenas um vazio ocupando teu lugar...
De Norte a Sul
vou te procurar...
hoje estás lá...
não mais aqui...
mas sei que vais voltar...
Por onde tu andas...
perdido, caído, sofrido...
não é teu lugar...
felicidade fora daqui não vais encontrar.
Pela vidraça
vejo o tempo que passa...
A cidade cheia de graça
indiferente ao que a gente sente
acende suas luzes...
uma a uma
vai revelando os caminhos...
Ouço passos apressados,
o tempo voa aqui deste lado...
Cada dia é uma longa noite
o tempo um terrível açoite...
O tic-tacquear do relógio
a me lembrar
cada um, de novo, mais uma vez...
seu próprio rumo vai tomar...
cada um, de novo, mais uma vez...
em lados diferentes
sozinhos seguiremos nossos caminhos...
tic-tac... tic-tac... tic-tac...
É hora de nos separar...
Se eu não estivesse tão triste
juro... ia ter um ataque
e, contra o dono do tempo, ia me rebelar.
Brasília, a cidade elitista, tem formato de avião; se fosse uma cidade pobrinha, teria formato de trem.
Benê Morais
Acho que concurso de Miss tem que ser a mulher mais bonita da cidade ou do país, é concurso de beleza e não de conhecimento, parem de exigir inteligência e diploma porque tem muita moça linda e pobre. Devem parar com esse papo furado de inclusão que na realidade é só fachada.
