Mudar de Cidade
Quando volto para minha cidade natal, sinto tantas emoções ao mesmo tempo. Fazia alguns anos que eu não voltava para esse lugar. É um pouco difícil para mim, porque apesar de essa cidade ter me proporcionado tantos momentos incríveis, também me traz algumas lembranças dolorosas. Porém, depois de alguns anos, resolvi tomar coragem e encarar essas memórias. Deixei a tristeza de lado e fui. Finalmente, pude ver pessoas tão importantes para a minha vida depois de tanto tempo. Também é doloroso lembrar que muitas pessoas que fizeram parte da minha infância e juventude, hoje não estão mais nesse mundo. Passo pelas ruas em que elas moravam, pelos lugares que frequentei no passado e é impossível não se emocionar. As lágrimas começam a cair. Eu era tão jovem quando deixei essa cidadezinha, tinha tantos sonhos. Fiz uma escolha importante e não me arrependo, mas é difícil ver quantas coisas deixei para trás. E foi só voltar para perceber o quanto devo a esse lugar.
Volto para essa cidade e tantas memórias surgem na minha mente. Tanta coisa ficou para trás, lembranças, momentos e histórias. Tanta gente que fez parte da minha vida e hoje nem sei mais aonde estão. São memórias bonitas, mas que trazem uma certa melancolia, pois sei que nunca mais poderei ver essas pessoas. Algumas, infelizmente, já partiram desse mundo e deixaram um vazio no meu coração. Mesmo com tantos sentimentos envolvidos, eu precisava voltar para cá. Encerrar histórias mal resolvidas. Encarar a cor, para que de alguma forma, eu pudesse lidar melhor com essas emoções e finalmente seguir em frente. A saudade permanece, mas estou aprendendo a lidar com ela. Independentemente de qualquer coisa, o passado formou quem eu sou hoje.
Seqüestro
Estava rodando pela cidade, de repente você surge na minha frente;
Meus pés não conseguem mais acelerar, meu coração fica muito contente;
Você com seu vestido branco solto ao vento, suas lindas pernas aparecendo;
Eu para o carro e digo: “Vem comigo. Vem aqui dentro.”
Seu rosto surpreso e sorridente; olha meio desconfiada e não quer entrar;
Eu insisto, acaricio o teu rosto e digo que precisamos conversar.
Saímos devagar, escutando a musica “Fico assim sem você”
Como eu esperava este momento, queria muito te ver.
Olho no fundo dos teus olhos e digo: “Isto é um seqüestro”
Hoje será só nos dois, tudo o mais é apenas resto.
Levo-te para o cativeiro, que outro dia eu preparei;
Ele fica no bosque, uma cabana que o local só eu sei.
Passamos o dia neste recanto, você surpresa com o acontecido;
Mas seus olhos brilhavam como os de uma criança;
Amamos-nos loucamente, renasce então a esperança;
De enfrentar os desafios e tudo o que tenha surgido.
Eu te liberto no fim do dia, resgate em dinheiro não precisou;
O único resgate que te cobrei foi o tanto que você me amou;
Com um beijo você se despede e pergunta: “Vai me seqüestrar novamente?”
Não deste jeito. Da próxima eu não te liberto, vai viver comigo para sempre.
Adoro!
Adoro te encontrar por ai.
Pedindo entre as multidão...
Andando nas ruas dessa cidade quente, quente feito o sol,que queima as nossas narinas.
Adoro ficar horas conversando contigo!!!
Simplesmente...
Visitei a cidade que minha mãe foi criada e agora indo rumo a cidade que meu pai nasceu. Estou me perguntando como eles conseguiram se encontrar de lugares tão distantes ?! A vida é magnífica e surpreendente!
Sair da pressão da cidade, não pensar em nada (ou pensar em tudo, mas com leveza na alma), não olhar para o relógio, sentir o sol, ouvir cada barulho por perto, principalmente o barulho da água ou o canto dos pássaros, respirar se permitindo sentir cada aroma ao redor…
Ah, que riqueza! Uma riqueza única, pessoal e que não se traduz em uma batalha insana para “deixar para alguém como herança”. É um presente de Deus para nós. É um carinho de nós para nós mesmos.
Quantas vezes, no nosso dia a dia, notamos que nem estamos respirando direito, comendo, dormindo direito, tomando água, nutrindo corpo e alma? Quantas vezes…
Quantas vezes fazemos refeições em pé, monitorando cada segundo para dar conta de tudo. Quantas noites passamos virando de um lado para o outro, pensando em problemas cuja a solução não está ao nosso alcance…
Quantas vezes nos percebemos com a mandíbula dolorida, tensa, a língua presa e a respiração quase que escassa(apenas o suficiente para existir).
Em meio a isso tudo, uma vida (no sentido literal). Um coração, um corpo, uma mente, um espírito; todos exaustos e prestes a parar, afinal, nem um recebe os cuidados mínimos.
Mas antes que essa vida pare, paremos nós! O trabalho, onde vc será substituído em um ou dois dias após não existir mais, continuará lá, funcionando. Sua cadeira será ocupada por outra pessoa.
Suas contas logo serão esquecidas. Suas conquistas serão engavetadas e talvez lembradas por alguns. Seus filhos, é certo, chorarão, mas em breve também seguirão suas vidas e, talvez, em dias específicos, lembre-se de você . Seu marido, sua esposa, também precisarão seguir em frente. E talvez essa nova pessoa seja o seu extremo oposto, alguém que tem mais tempo.
O fato é que, a gente precisa normalizar o silêncio. Respeitar nossos limites e impô-los a quem quer que seja. Precisamos aprender a sair da presença de alguém e deixar aquela conversa dificil por lá. Sair do trabalho e deixar lá, todo e qualquer assunto que diga respeito a aquele local (afinal, já vendemos diariamente inúmeras horas das nossas vidas para um CNPJ. Não precisamos vender a alma também).
É preciso cultivar relações e hábitos que ficarão, mesmo quando chegar a hora de partir. É preciso ser mais que lembranças na parede de alguém e ser a recordação de momentos em corações diversos. É preciso ter o prazer de dormir uma noite inteira e de acordar no dia seguinte ouvindo a grandeza de Deus à nossa volta. E compreender o quão rico somos se pudermos ver OU ouvir OU falar OU andar OU sentir OU pensar. E se pudermos tudo isso então, somos MILIONÁRIOS. Muito mais que muita gente…
Mesmo na tecnologia da cidade, em qualquer idade, quem nasceu no sertão vai sempre se lembrar do privilegio e a felicidade de amar sob a luz do luar.
A flor doméstica perfuma a cidade, a flor silvestre os campos do sertão, a nossa amizade é a flor que perfuma o nosso coração.
Flor nasceu; no capim do sertão e no Jardim da cidade, no seu coração pra mim nasceu, a flor da sua amizade.
No silêncio da madrugada, na cidade dos vivos, parada ou na agitação, almas apaixonadas sempre encontrarão, motivos para uma canção.
Madrugada quente, cidade parada, rua sem gente, saudade danada, que não quer me deixar, procurei a lua para conversar.
No sertão ou na cidade, uma multidão sem noção e racionalidade, vivendo uma incoerência, parecendo uma demência; querem a construção de um mundo melhor, mas não focalizam o bom e o melhor de verdade, viralizam alto e bom som o pior da humanidade.
Carregando minha sofrência, numa cidade eu caminhava, a divina providência uma surpresa me aprontava; com o meu coração em dor, fiz os meus lábios sorrir, pra abraçar meu grande amor , que também estava ali. Eu não dei demonstração, mas só Deus e o meu coração, sabem a dor que eu senti.
Por intento e pura maldade, proibiram nosso amor de verdade, nos trazendo sofrimento, amargura e saudade, mas o que é de Deus, ninguém segura, não consegue segurar, mesmo que separar, voltará o amor a se reencontrar, seja lá aonde for.
A flor do jardim, perfuma a cidade, a flor do capim, perfuma o sertão, a flor da nossa amizade perfuma o coração.
Aqui está um pouco da minha história, contada em verso e prosa, moro aqui na cidade maravilhosa. Esta cidade eu amo de coração, mas não me sai da memória os meus tempos de sertão: namorando ao luar com minha amada amante, tocando a boiada, tocando o meu berrante, cavalgando a aboiar nos verdes campos do lugar.
A amizade é agradável, o íntimo humano é insondável, em qualquer idade, na roça ou na cidade, você pode nunca saber quem gosta de você de verdade.
Cada amanhecer, na cidade ou no sertão, é a minha oportunidade de viver e amar com inspiração, trabalhar com suor e muito empenho, fazer o meu melhor, na condição que eu tenho.
