Moraez
Ouço a sinfonia da cidade: A música também pode estar nos ouvidos de quem ouve, como a beleza está nos olhos de quem vê.
O salário mínimo empurra as pessoas para a pobreza. É uma fórmula perfeita: Não há nada mais preciso para destruir um indivíduo na sociedade que a expropriação-extorsão por impostos, a educação não oferecida, e a decisão coletiva sobre os merecimentos individuais nas interrelações.
– O quadro Pomar com Ciprestes, de Van Gogh, vale 117 milhões de dólares.
– Aproximadamente 29 mil pessoas no mundo têm mais de 100 milhões de dólares.
– Mas só uma pessoa possui o quadro original de Van Gogh.
Então, se o dinheiro vale tanto,
por que milhares têm esse dinheiro,
mas só uma tem o quadro?
A resposta é simples:
dinheiro é abundância genérica.
Arte é raridade existencial.
O que a arte nos dá é algo tão único
que nenhum valor monetário poderia mensurar.
E pra concluir:
117 milhões de dólares são 117 milhões de dólares em qualquer lugar.
Mas as obras são únicas,
porque os artistas são únicos.
– Moraez
Rio de Janeiro, 20 de outubro de 2025
© 2025 Moraez
A escassez que nos governa não é natural. Ela é inventada, construída, impressa, possuída, administrada e distribuída: Hoje, o dinheiro é infinito, ou melhor, potencialmente limitado; E isso é fato.
O primeiro equívoco está em tratar o dinheiro como se fosse um objeto escasso por natureza, como água no deserto ou ouro enterrado no chão. O dinheiro moderno não é uma coisa, é uma relação. Uma relação contábil, jurídica e política.
O Estado emite, os bancos distribuem seletivamente, grandes grupos recebem contratos, guerras e reconstruções movimentam indústrias específicas, e o custo é socializado via dívida, inflação ou austeridade. O ganho é privatizado. A perda é coletiva.
A crise funciona como um filtro. Ela não pune: A crise seleciona.
Costuma-se dizer que crises destroem dinheiro. Essa frase é enganosa. O que crises destroem é acesso, não moeda.
Durante crises, pequenos negócios quebram, famílias perdem renda, ativos populares se desvalorizam. Ao mesmo tempo, grandes grupos com acesso a crédito barato, informação antecipada e proteção institucional compram tudo a preço de liquidação. O dinheiro não desaparece. Ele muda de mãos. Volta para os mesmos circuitos de sempre.
O Estado emite, os bancos distribuem seletivamente, grandes grupos recebem contratos, guerras e reconstruções movimentam indústrias específicas, e o custo é socializado via dívida, inflação ou austeridade. O ganho é privatizado. A perda é coletiva.
A crise funciona como um filtro. Ela não pune: A crise seleciona.
Dinheiro não cria comida. Pessoas criam, comida dá na terra. Dinheiro não constrói casas. Pessoas constroem. Dinheiro não cura. Pessoas curam.
