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Cartas poéticas.
Pode ser que um dia o destino volte para nós, e nos diga como foi o futuro sem a gente, seria legal sorrir e chorar em meio ao tudo que tivemos sobre tudo que lembramos, eu sempre volto para conversar, pra saber como foi o tempo sem mim ... na sala de estar ou na mesinha ao ar livre, estarei eu solitário com minha velhice, sorrindo de tudo que fiz, lembrando dos péssimos romances que me deixou infeliz, contarei como se fosse bom errar o caminho do amor.
Não pude ver os seus cabelos virarem algodão ,nem sua pele se tornar uva passa...
Não pude te escutar resmungar...
Eu queria um pouco mais, de tempo, mais alguns curiosos anos ...
Vais ser a eterna morena em minha mente.
A velhice não te conheceu,e sua vida escorregou entre os dedos da morte , pois eras como um balão , cheia de fôlego!
Agora mãe querida, brilhas apenas no meu céu...
Dedicado á ROSA ELISA FERREIRA DE CAMARGO
44. A velhice é o tempo onde com clareza o ser humano consegue enxergar e sentir com precisão o impacto da utilidade. Depois de anos e anos de luta pela vida, sendo útil para filhos, parentes e amigos, o homem chega a maturidade, a velhice, momento em que aposentado, sem ter mais tanta importância no ato de servir, pelo contrário, agora surge o instante em que é chegada a hora de ser servido, vem, então, a dura realidade o da dura dependência de ser levado para um banho de sol, de não ser ali esquecido e até mesmo de uma pessoa que disponha de alguns minutos para uma conversa.
VELHICE
Aos poucos a velhinha foi sendo jogada par um canto do mundo
e foi se apequenando cada vez mais
humilde
para caber nele
e não incomodar a ninguém
com o que resta da sua presença.
Ano que passa
Na contagem é apenas mais um
Na vida a soma é numerosa
Os cabelos vão se modificando
Cada fio branco firma sua idade
O corpo já não responde
É um ritmo de estalos
A pele?
Melhor não falar!
Fica a sensação de um espaço curto
De uma vida breve
Que vai se fechando
Tempo que se achega
Tão rápido que assusta
Não quero dizer adeus
Quero o meu caminho seguir
Meus cabelos
Meu corpo
Minha pele deixar envelhecer
Sonhar que no fim terei forças
De chegar até onde meu destino mandar
A independência usada sabiamente cria boas dependências. Do contrário, na velhice poderá ser esquecido como um móvel velho e inútil
Ao longo da vida é prazeroso viver bem,
amores, festas, viagens,amigos por perto, formar uma família,
porém o que realmente importa e trás a verdadeira felicidade é você chegar a velhice em suas condições gerais com saúde, sorrindo e realizado e ainda com a certeza de ter feito seu melhor.
A fragilidade é natural por isso a trajetória deve ser bem planejada para estar feliz para não precisar mais conquistar e sim apenas usufruir de suas realizações e resultados.
Os pais carregam seus filhos, mas um dia seus filhos crescem se tornam homens e se esquecem que aquele homem ali na frente que envelheceu, que muitas vezes é ignorado, outras até insultado, ou mesmo abandonado e esquecido... é o homem, é o pai. Um dia a história se inverte, o filho se torna o pai, e olhara em um canto perdido do passado, e sentira o vazio, a saudade daquele homem que um dia foi seu pai. A saudade não é ruim, pior que a saudade é o remorso.
DOLOROSA VIA
O tempo me fez velho e derreado
Já não respondo aos vários limites
A vida agastada perdeu os convites
Os sonhos de mourejar hão curvado
O corpo na ação perdeu o apetite
E assim vou num choroso estado
De lamúria triste e olhar cansado
Enfraquecido na força sem rebite
E o insistente querer, ainda espera
Da vitalidade, poesia e viva quimera
Para velejar nas nuvens da ventura
Nestes trilhos deixo o carril da sorte
Até que eu baste no portão da morte
E vá estar na paz lúgubre da sepultura
Luciano Spagnol
Junho de 2016
Cerrado goiano
Parodiando Pe. Antônio Tomás
Melhor morrer e deixar bens para outros usufruírem do que chegar à velhice desprovido de recursos financeiros e ter de depender - muitas vezes de forma humilhante e submissa - de parentes geralmente hostis no trato com o idoso. Muitas pessoas são classificadas erroneamente de avarentas quando na verdade são previdentes, tentando garantir um final de vida mais confortável e feliz para si, pouco se importando que outras pessoas venham a se beneficiarem de sua atitude durante a vida.
ESTAÇÕES DA VIDA
Ela era feliz com a vida que tinha quando ele cruzou seu caminho
naquela tarde encalorada da primavera da vida,
na juventude mal iniciada dos dois.
Sua felicidade aumentou de tamanho, mal cabia no peito.
De início se encontravam às escondidas,
faziam planos ousados,
casar, ter filhos, emprego estável, bens materiais.
o tempo passou...
o seu amor por ele solidificou
e numa tarde quente no final do verão da vida
ele a deixou...
mudou de casa,
juntou suas coisas,
a deixou desamparada.
Pobre menina
Ultimamente seu coração está apertado, dolorido, em frangalhos.
É que o amor bateu na porta, entrou em casa, trocou os móveis de lugar e foi embora.
Restaram a ausência, a carência, a saudade e a casa vazia de gente.
Restaram os móveis empoeirados na sala, encobertos com tecidos encardidos pelo tempo.
Um amigo lhe dissera que é assim mesmo, o amor às vezes nos prega peças, nos faz sofrer sem querer porque buscamos o melhor e ficamos na pior.
Vou trancar as portas do meu coração disse ela revoltada.
Desilusão dos sonhadores.
E ela ficava debruçada na janela daquela casa
olhando para o horizonte distante,
como quem procura respostas no lugar errado.
O tempo passou e numa manhã de frescor do outono da vida ele voltou, entrou pela porta do fundo e ela nem viu.
A porta estava trancada com correntes mas ele tinha a chave do cadeado.
E quando ela se deu conta os móveis já estavam arrumados,
a casa estava perfumada,
e lá estava ele sentado naquele sofá empoeirado a observá-la.
Ela olhou nos seus olhos e caiu em seus braços,
deitou-o em seu colo e pediu para que ele ficasse.
E sonhou...
E chorou...
E sorriu...
E ele fez promessas vãs.
E ingênua que ainda é.
tem a esperança de se casar no próximo inverno,
num asilo qualquer.
Os que vão e os que ficam.
Ninguém fica velho antes do tempo e ninguém deveria morrer antes dessa hora.
Ficar velho é algo que não se ensina porque não dá para aprender.
E nesse caso, os conselhos valem pouco, porque de verdade, para pouco servem.
Quem faz como os outros dizem, faz o dos outros, não o seu próprio.
É nessa caminhada sem volta, onde é possível olhar para trás mas impossível refazer qualquer coisa, ou fazer o que deixou de ser feito que mora o arrependimento.
Alguns se arrependem muito, uns poucos não se arrependem de nada e a maioria vive demais os últimos anos com essas lembranças imutáveis.
Quem parte leva tudo dele consigo, deixa um pouco de lembrança, e aquilo que um dia possa ter sido seu tesouro de nada valerá porque só há uma certeza, do pó viemos e ao pó retornaremos.
Velhice não tem nada a ver com idade....
Velhice são só números em meio ao tempo....
Velhice não é rosto marcado....
Velhice é quando você perde a motivação para viver e acaba não só envelhecendo, mas morrendo também por dentro.
E enquanto você se sentir capaz e de alma jovem a velhice não chegará até você.
Lenilson Xavier (19/08/2016)
A primeira idade, infância e adolescência,
é a fase de aprender para poder viver;
a segunda idade, juventude e idade adulta,
é época de viver aquilo que aprendemos;
já a terceira idade é tempo de ensinar
tudo aquilo que aprendemos vivendo.”
A velhice haverá de ser algo mais leve se, quando ela chegar, eu já tiver adquirido as qualidades das pessoas que admirei ao longo da vida.
Sempre existe algo de bom na vida, mesmo na velhice. Rimos novamente de piadas que já ouvimos há muito tempo e esquecemos. Olhamos com mais carinho coisas que eram totalmente contrárias a nós. Temos felicidades pequenas quando revemos nossos amigos da mesma idade. Relembrar também é uma maneira de viver. Não somos apressados, apreciamos mais as paisagens. Apreciamos as lindas mulheres e os lindos homens (se mulheres) mas temos já certa ideia que isso não é mais assim tão importante que a personalidade e o caráter podem nos trazer mais que bonitezas. Não corremos tanto assim, mas sabemos que nossos cérebros podem correr por nós. Apreciamos mais as longas conversas. Temos mais paciência em escutar. Temos alguma coisa para ensinar mesmo que seja "coisa de velho". Tem muitas coisas boas, seria difícil enumerar, mas apenas uma coisa incomoda um tanto e nos acalenta outro tanto: a viagem está indo para o episódio final e há tantas coisas para viver, mas, ao mesmo tempo nossos recipientes não estão mais vazios. Temos coisas para levar para outra vida. De lá, começaremos tudo de novo.
Inventei que precisava comprar filtros e saí pela rua como um embriagado a buscar os filhos num abrigo, mas a barriga tremulava café e a boca necessitava mais um trago. Passei pelo beco, esperando encontrar uma caçamba de entulhos, mas a rua estava limpa, vazia. A casa velha da rua de trás, intacta. Me ofendendo por estar tão viva, também acolhera em seu quintal de mato alto uma ninhada de gatos de olhos verdes acusadores e ferinos, olhos que me encararam. O silêncio deles, eu de chinelos e meia, a rua toda parada e a velha lá em cima, vigiada por um homem de chifres e cara de boi. Tudo funcionava como a suspensão do respirar de um mundo. Estava no ar e crescia em mim, percebi, quando os gatos fecharam os olhos e se ajuntaram para descansar – e uma mariposa passou voando sobre eles e sumiu no mato – percebi: de nós todos, eu era – eu era –, eu era; eu era a mais irrefletida das criaturas.
A medida que envelhecemos e ficamos doentes, somos tratados pela maioria como mercadoria, com prazo de validade vencida, ou perto de vencer,
as vezes somos descartados, como uma peça já sem utilidade, ai então nos colocam num canto qualquer até virarmos comida de traça.
A velhice e a morte.
Dia desses escrevi um texto com o título Morte.
Foi um dos textos menos curtidos e como eu já esperava, pouca gente se interessou.
Não desejo a morte.Nem minha nem dos que me cercam, quanto a dos desafetos há que analisar caso a caso.
Escrevo de políticos corruptos e nem por isso sou um deles, sobre periguetes e poucas conheço, sobre vida e felicidade, assuntos dos quais arrisco dizer que entendo um pouco.
Por que não escrever sobre velhice e morte, assuntos que a gente pode até tentar ignorar, mas que chegará um dia para todos nós?
Se você fizer uma pesquisa no Google ver os seguintes resultados, na mesma fração de tempo:
Vida: 923 milhões;
Amor: 367milhões;
Morte:189 milhões;
Felicidade 34 milhões e 600 mil;
Velhice: 1 milhão e 40 mil;
Noves fora nada, isso quer dizer que todo mundo está mais preocupado com a vida e a felicidade, do que com a velhice e com a morte.
A velhice, e a morte estão mais perto de nós do que gostaríamos mas tenho a impressão de quem viveu sempre uma boa vida, em todas as suas fases, encara o assunto com tranquilidade e se prepara, como sempre fez antes, para ter o melhor possível para o que der e vier, seja lá quando vier.
A pior velhice
não é aquela que vem com os anos;
é aquela que está dentro das pessoas
ainda na flor da idade.
