Coleção pessoal de Lulena

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ALMA À DERIVA

(Lágrimas em alto-mar)


​O barco avançava à deriva, sacudido entre a tempestade e o silêncio do alto-mar. Olhei para o horizonte em busca de pássaros, mas encontrei apenas sombras indecifráveis rasgando a névoa. Antes de afundar nos meus próprios pensamentos, segurei o leme — e minhas lágrimas imergiram no mar.


Lu Lena / 2026

​A VOZ DO CAOS
(Fé na travessia)
​
Às vezes, é no silêncio ensurdecedor do caos que a alma esbraveja e grita — e as ondas gigantescas do Mar Vermelho se abrem para a sua travessia.

​Lu Lena / 2026

​PASSADO NA VITRINE


​Um relacionamento do passado que não deu certo você recorda (está lá), empoeirado na sua memória, mas aí se dá conta de que nunca foi seu...
Como assim?
— Era para ser apenas uma estátua congelada que ficou dentro do museu.


​Lu Lena / 2026

O CUSTO DO RETORNO

​Preciso encontrar logo a saída desse caminho para que eu não precise voltar e passar por ele de novo.

​ Lu Lena / 2026

​VÉRTICE

​Lágrima que fica presa
No suspiro que a prende
Tempestade flui em choro...

​Lu Lena / 2026

Há momentos na vida que o corpo silencia e a alma grita...

Confia no processo, agora pode ser de turbulência, mas o pouso será leve... Confia e entrega, quem está no controle é Deus!

Quando você está no fundo do poço, Deus faz você subir a nado através de suas lágrimas, segurar na mão Dele respirar fundo e dar o grito da VITÓRIA!

A ajuda sempre vem de quem você menos espera, pois são anjos enviados por Deus!

CIRCUITO DE VIDRO
(Entre o meltdown e o porto seguro de um olhar)

​Minha essência foi moldada num mosaico vitral,
feita de cacos espalhados pelo chão.
​Em instantes de crise, o espaço me aperta, me comprime.
Às vezes é amplo, às vezes me liberta.
O ruído do mundo lá fora me desestrutura,
meu grito ecoa, fio desencapado.
Curto-circuito.
O excesso me enclausura.
​Mas no instante seguinte, a paz:
o básico, o abstrato.
Não preciso sair de mim, não preciso orbitar o desconhecido.
​No choque, o meltdown acontece e eu vou embora.
Desconexão. Penumbra.
No vão oco da minha quietude,
consigo voltar e me ver.
​Sinto a mão que puxa o plugue da tomada.
Refugio-me no olhar do meu abrigo: minha mãe.
E enfim… estou seguro.

​Lu Lena / 2026

​NADA É ABSOLUTO
(Tudo é transformação)

​A vida nos desafia, constantemente, a aceitar a transitoriedade. Quaisquer que sejam as circunstâncias, cabe a nós a responsabilidade pelas nossas interpretações do mundo. É preciso silenciar a busca por certezas definitivas — que, muitas vezes, não virão — em favor de uma existência em constante transformação. A intenção reside no fluxo, na coragem de mudar e na liberdade de ser novo a cada dia.
​Nesse caminho, avistamos duas setas: uma aponta para a Vida, a outra para a Frente. Decifrar esse enigma da bifurcação é o grande desafio que confunde nossa mente, pois o compromisso com o destino é, inegavelmente, seguir adiante. Viver o aqui e o agora é a certeza da evolução da alma; é refletir sobre o espaço que ocupamos neste tempo oscilante, feito de erros, acertos e virtudes. Afinal, se não ficarmos atentos, a vida passa num instante.

​Lu Lena / 2026

​A MENINA DOS OLHOS

​Ela fez das lágrimas um mar de ilusão onde, através da "menina de seus olhos", enxerga o arco-íris além do céu...

Lu Lena / 2026

​O PARADOXO DO CAMINHO
(​Reflexões sobre o Tempo e a Virtude)

​No labirinto do tempo, encontrei duas setas no caminho: uma apontava para a Vida, a outra para a Frente. Então, descobri que a bifurcação era uma ilusão da minha mente; seguir em frente é o comprometimento com o destino, e viver o aqui e o agora é a virtude e a evolução da alma.

​Lu Lena / 2026

​VOOS LONGOS, QUEDAS CURTAS

​Impressionante como às vezes conseguimos voar e pousar em lugares tão longe, mas, inacreditavelmente, nossas asas quebram ao chegar em lugares tão perto...

​ Lu Lena / 2026

​PÁSSAROS ATÔNITOS

​O paradoxo da liberdade diante do caos interno de tua mente é quando os pensamentos ficam prolixos e se perdem em direções difusas, como pássaros atônitos e dispersos querendo voar dentro de ti. Mesmo com a gaiola aberta, não o fazem; não conseguem sair do lugar. Às vezes, a liberdade também é uma forma de prisão lá fora... por isso, o voo se paralisa no ar que acabas de ganhar.

​Lu Lena / 2026

​LUZES DA ALMA
(​O silêncio das lágrimas que não caíram.)

​O brilho nos olhos nem sempre é sinal de felicidade, também pode ser lágrimas represadas indicando uma perda ou rompimento de algum laço afetivo ou um luto de ente querido...

Lu Lena / 2026

MANTO SACRO
​(A fé ao alcance da cura)


​O espaço entre a minha mão e a túnica enfeitada de franjas, que tantas vezes tento alcançar em minhas preces, deixa de ser uma distância física para se tornar um portal de mistério.


É uma proximidade tão intensa, tão onírica, que a fronteira entre o plano sutil e a matéria simplesmente desaba. Fecho os olhos e o milagre acontece no silêncio do meu ser: meus dedos parecem, de fato, sentir a leveza tangível daquele linho e o fluir compassado daqueles passos de luz.


​Jesus caminha não apenas nos percalços de minha história, mas no território sagrado da minha devoção.


​Ele se mostra a mim na hóstia da Eucaristia — o mistério supremo onde o infinito se faz pequeno para caber em minha alma que se alinha quase em posição fetal para o receber.


Diante do altar, o silêncio se preenche de uma expectativa inexplicável, e é ali, no recolhimento da comunhão, que a Sua voz sopra mansamente aos meus ouvidos:
​"Solte o controle e deixe que eu cuide de tudo."


​Essas palavras caem como um bálsamo sobre as minhas ansiedades e conforto ante tantas lutas incessantes para me reerguer, resgatar e o encontrar.


Percebo, então, que tocar as franjas de Seu manto é também o ato de abrir as mãos de carregar o peso do mundo.


Quando solto as rédeas e permito que o Seu amor assuma a direção, a cura se completa quando Ele me entrega o farol que está Iluminando os meus passos...


Lu Lena / 2026

Nessa vida nem tudo se acerta, mas também nem tudo se erra...

Lu Lena / 2026

​PULSAR DO CORAÇÃO
(​No eco do último suspiro)

​Descansam em paz os que foram libertos e encontram-se em custódia anímica por essa onda vibratória de teu pensamento, onde o ar que respiras é álacre e a minha presença efêmera é tão nublada como o dia de hoje nesse teu pensamento de solidão, mas tão extraordinária como o pulsar de teu coração, onde meu último suspiro foi abafado pela terra. Nessa vida nem tudo se acerta, mas também nem tudo se erra.
​Caminhamos entre a penumbra do que fomos e a luz do que deixamos impresso na alma de quem nos ama. Não chores mais pelo sopro que a terra silenciou; celebra, antes, a lembrança de minha existência, onde o meu sorriso ainda insiste em ficar. Eu sou a névoa da manhã que te toca o rosto, o silêncio que te responde nas noites de luar, nos dias nublados, na chuva que cai e se mistura com tuas lágrimas, e na luminosidade e calor do sol que aquece e conforta tua alma. Tenha a certeza de que o amor, uma vez liberto da matéria, torna-se eterno.
​Vive os teus dias e tuas noites, e saiba que até mesmo o tempo que passa são horas que vão se encurtando para se expandir na finitude; e, na paz e no reencontro, enfim se eternizarem.

Lu Lena / 2026
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​A AREIA E O DRAGÃO
(Sobre a futilidade de revirar passados profundos)

​Tentar achar a solução para uma circunstância da vida
que, há muito tempo, foi sugada para o fundo do mar...
É o mesmo que cavar um buraco na areia com as mãos.

​Cuidado: o dragão-azul pode vir naquela onda gigantesca
e queimar teu coração.

​Levante e siga e não olhe mais para trás.

​ Lu Lena / 2026