Coleção pessoal de Lulena

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​LUZES DA ALMA
(​O silêncio das lágrimas que não caíram.)

​O brilho nos olhos nem sempre é sinal de felicidade, também pode ser lágrimas represadas indicando uma perda ou rompimento de algum laço afetivo ou um luto de ente querido...

Lu Lena / 2026

MANTO SACRO
​(A fé ao alcance da cura)


​O espaço entre a minha mão e a túnica enfeitada de franjas, que tantas vezes tento alcançar em minhas preces, deixa de ser uma distância física para se tornar um portal de mistério.


É uma proximidade tão intensa, tão onírica, que a fronteira entre o plano sutil e a matéria simplesmente desaba. Fecho os olhos e o milagre acontece no silêncio do meu ser: meus dedos parecem, de fato, sentir a leveza tangível daquele linho e o fluir compassado daqueles passos de luz.


​Jesus caminha não apenas nos percalços de minha história, mas no território sagrado da minha devoção.


​Ele se mostra a mim na hóstia da Eucaristia — o mistério supremo onde o infinito se faz pequeno para caber em minha alma que se alinha quase em posição fetal para o receber.


Diante do altar, o silêncio se preenche de uma expectativa inexplicável, e é ali, no recolhimento da comunhão, que a Sua voz sopra mansamente aos meus ouvidos:
​"Solte o controle e deixe que eu cuide de tudo."


​Essas palavras caem como um bálsamo sobre as minhas ansiedades e conforto ante tantas lutas incessantes para me reerguer, resgatar e o encontrar.


Percebo, então, que tocar as franjas de Seu manto é também o ato de abrir as mãos de carregar o peso do mundo.


Quando solto as rédeas e permito que o Seu amor assuma a direção, a cura se completa quando Ele me entrega o farol que está Iluminando os meus passos...


Lu Lena / 2026

Nessa vida nem tudo se acerta, mas também nem tudo se erra...

Lu Lena / 2026

​PULSAR DO CORAÇÃO
(​No eco do último suspiro)

​Descansam em paz os que foram libertos e encontram-se em custódia anímica por essa onda vibratória de teu pensamento, onde o ar que respiras é álacre e a minha presença efêmera é tão nublada como o dia de hoje nesse teu pensamento de solidão, mas tão extraordinária como o pulsar de teu coração, onde meu último suspiro foi abafado pela terra. Nessa vida nem tudo se acerta, mas também nem tudo se erra.
​Caminhamos entre a penumbra do que fomos e a luz do que deixamos impresso na alma de quem nos ama. Não chores mais pelo sopro que a terra silenciou; celebra, antes, a lembrança de minha existência, onde o meu sorriso ainda insiste em ficar. Eu sou a névoa da manhã que te toca o rosto, o silêncio que te responde nas noites de luar, nos dias nublados, na chuva que cai e se mistura com tuas lágrimas, e na luminosidade e calor do sol que aquece e conforta tua alma. Tenha a certeza de que o amor, uma vez liberto da matéria, torna-se eterno.
​Vive os teus dias e tuas noites, e saiba que até mesmo o tempo que passa são horas que vão se encurtando para se expandir na finitude; e, na paz e no reencontro, enfim se eternizarem.

Lu Lena / 2026

​A AREIA E O DRAGÃO
(Sobre a futilidade de revirar passados profundos)

​Tentar achar a solução para uma circunstância da vida
que, há muito tempo, foi sugada para o fundo do mar...
É o mesmo que cavar um buraco na areia com as mãos.

​Cuidado: o dragão-azul pode vir naquela onda gigantesca
e queimar teu coração.

​Levante e siga e não olhe mais para trás.

​ Lu Lena / 2026

​LÁGRIMAS DE CHUVA
(​Quando o pranto da mãe cai do céu)

​Olhos pesados que pestanejam em cintilações,
decorrentes de uma noite insone
que vejo no olhar de meu filho autista...
Aí percebo que minhas lágrimas
misturam-se à chuva que cai do lado de fora.
​O mundo dorme um sono alheio,
enquanto o nosso tempo é outro, suspenso no escuro.
Como cúmplices, apenas a quietude da madrugada
e os pingos da tempestade que agora caem como orvalho.
​Não há distinção entre a água do céu e o meu pranto;
ambos lavam a alma que, por instantes, levita
e recebe o refrigério divino...
​Ele fecha as pálpebras, finalmente em paz,
sob o som da natureza que nos abraça e nos acalenta...
Eu fecho os olhos e continuo em prece!

​Lu Lena / 2026

JUNÇÃO DE ALMAS
(A sinfonia silenciosa da neurodivergência e do encontro)

Tudo o que é expresso através de gestos, olhares e palavras — entre presságios e enredos — vem sempre à tona em mim. Vou decifrando, no âmago de minha alma, os enigmas da vida: esses mistérios e segredos que instintivamente reconheço em ti e que se fundem em nós.

Encontrando, às vezes, a calmaria; em outras, tentamos organizar o quebra-cabeça que nos surge ao nos fundirmos no caos do mundo. Vamos decifrando que as diferenças são, na verdade, a nossa mais singela e telepática conexão.

E vamos caminhando de mãos dadas: uma hora tocando o céu, outra hora tocando o chão...

Lu Lena / 2026

​CASTELOS DE PAPEL
(​Quando a tempestade leva o sonho e deixa o chão)

​Construí um castelo de ilusões em meus sonhos,
onde a torre é feita de papel (alma).
Tão leve que qualquer tempestade passa
e a leva para o céu...
Enquanto o alicerce fica no chão (matéria).
​Ao olhar para o alto, nada mais se vê.
Mas quem passa e repara o solo vazio,
pergunta ao vento:
O que havia ali que o teto não quis conter?

​ Lu Lena / 2026

COSTURA DE UM ANJO
(Quando os pedaços do passado encontram a luz da cura)

Carregamos lembranças que foram rasgadas em pedacinhos de papel e jogadas ao vento. Mas o tempo os segurou um a um, colocou-os numa nuvem e os enrolou.

Um anjo viu a cena e, com as notas musicais de sua harpa, fez um lindo coração, costurando-os com filetes de estrelas cadentes.

Toda vez que lembramos, temos a certeza da cura e do perdão, mesmo com "cicatrizes" coladas. E sempre que uma estrela cai do céu, vemos a luminescência como uma promessa silenciosa, que transforma fragmentos do passado em resiliência e aceitação, descendo como um véu sobre nós...

Lu Lena / 2026

​CAMINHOS IMPREVISÍVEIS

​Nada foi do jeito que um dia foi, então não se atormente se não deu certo o agora. O amanhã trará caminhos de espinhos e flores... Só o simples fato de você passar por ambos e colher as pétalas já valeu o esforço. E, sobre os espinhos, lembre-se da Coroa Sacra... Ele venceu o mundo e você também pode!

​ Lu Lena / 2026

​DO ABISMO À ESPERANÇA
(A promessa de renovação para quem confia e entrega)

​Você é essencial aos olhos de Deus. Por tudo o que está passando, enquanto chora em silêncio, saiba que Ele enviou um anjo para enxugar suas lágrimas.

O que hoje parece um abismo, amanhã será colheita de alegria. Confie e entregue; permita que Deus tome o controle de tudo.

​Lembre-se de que o deserto não é morada, é caminho. Não carregue o peso da alma nos ombros quando há braços eternos dispostos a desatar esse nó e te sustentar.

O amanhecer sempre chega e, com ele, a certeza de que nenhum soluço seu passou despercebido pelo Céu.

Lu Lena / 2026

​A ORFANDADE VIVA
(A pérola que se fechou em ostra)

​Dizem que o luto é o preço que se paga pelo amor. Mas ninguém nos ensina a lidar com a estranha ausência de alguém que ainda respira. É uma despedida em vida, um adeus sem ponto final, onde a pessoa continua ali, mas o que nos ligava a ela parece ter sido desfeito por um laço de fita esvoaçante e silencioso.

​Há quem, diante de perdas sucessivas, decida que o mundo já lhe arrancou partes demais de sua existência. Como resposta ao naufrágio, essas pessoas não nadam para a margem; elas se tornam ostra, deixam-se afundar e fixam raiz no fundo do mar. Fecham a concha com uma força que nenhuma mão externa, por mais amorosa que seja, consegue abrir.

O isolamento vira armadura, e o silêncio, uma forma de sobrevivência introspectiva e extenuante.
​Ficamos nós, os "sobreviventes", na areia desse convívio interrompido, olhando para o horizonte e tentando buscar num suspiro a resposta em vão. Olhamos para quem habita o mesmo sobrenome ou a mesma história, sentindo uma orfandade estranha — às vezes compreensível, outras vezes não.

É o peso de uma presença que não se deixa tocar, de um colo que existe, mas não se oferece.
​Se o outro escolheu o retiro absoluto para não mais sofrer, cabe a nós a tarefa árdua de honrar a vida que pulsa aqui fora. Já que não podemos invadir o silêncio alheio, transformamos o nosso próprio grito em outra coisa.

Criamos, escrevemos e resistimos. No fim, talvez a literatura seja isso: a válvula de escape para construir pontes de palavras para lugares onde o afeto físico não consegue mais chegar.

Lu Lena / 2026

REDE DE PENSAMENTOS
(No domínio do pescador)

​Dominar a mente é um processo exaustivo e, ao mesmo tempo, libertador. Pensamentos intrusivos são como peixes reluzentes saltitando em uma rede furada. Nossa consciência é o pescador, desgastando-se no malabarismo de tentar fisgar o que é volátil.

​Quando finalmente conseguimos dominar esse fluxo, o cansaço dá lugar à lucidez. O domínio não está em tapar ou mesmo remendar os buracos da rede, mas em saber com precisão qual movimento vale o esforço para termos o controle total e exterminar de vez esses pensamentos retrógrados.

​A liberdade real começa quando o pescador para de negociar com o que o atrasa e decide, finalmente, limpar o convés.

Lu Lena / 2026

NADA É ABSOLUTO, TUDO É TRANSFORMAÇÃO.


​A vida nos desafia constantemente a aceitar a transitoriedade. Quaisquer que sejam as circunstâncias, cabe a nós assumir a responsabilidade pelas nossas próprias interpretações do mundo.


​É preciso silenciar a busca por certezas definitiva, que muitas vezes nunca virão, em favor de uma existência em constante transformação. A intenção está no fluxo, na coragem de mudar e na liberdade de ser novo a cada dia.




Lu Lena / 2026

​O CLARÃO DA ETERNIDADE
​(Onde o coração bate condescendente e a alma busca frestas)

​Fui parar num porão empoeirado de emoções,
sentimentos lacrados em baús pesados…

onde vejo um redemoinho de pássaros
rompendo os grilhões em busca da liberdade…
​No meu pensamento, que foge por entre a fenda
do tempo e do espaço compactado…

sobrevoando um coração que bate condescendente,
cansado, mas com saudade…
​Cheirando mofo e decompondo-se
em lembranças mortas sepultadas na vida,
que ri e chora da minha sina ególatra…
farol em uma luz que ofusca meu olhar nublado.

​Lu Lena / 2026

​O PESO DO SUSPIRO
(Na esperança do amanhã)

​Houve um tempo em que o peito vivia apertado como pedra. Qualquer decepção virava eco; qualquer injustiça era um tambor batendo forte no meu coração. Eu queria que o mundo ouvisse a minha indignação, que o outro entendesse a minha dor na mesma voltagem em que eu a sentia.

​Eram os meus gritos abafados — aqueles que a gente engole no jantar, que guarda sob o travesseiro, quando as lágrimas se misturam com a água do chuveiro ou com a chuva lá fora. É nesse instante que o silêncio grita, a voz trava nas cordas vocais... e o que resta é apenas um suspiro profundo, que faz a alma levitar e sair da matéria.

​Mas o tempo trouxe consigo uma espécie de cansaço vago e silencioso; as cordas vocais da alma parecem agora preferir o repouso. A gente percebe que gritar, mesmo que para dentro, ainda gasta uma energia flutuante que o corpo agora pede para outras coisas: para o café da manhã sem pressa, para o livro que finalmente faz sentido, para o olhar que compreende sem precisar de legenda.

​Com o envelhecer, a maturidade nos ensina que o que antes era um vulcão contido vira brisa. Os silêncios deixam de ser prisões e passam a ser refúgios. Não é que a dor sumiu; é apenas que a urgência de ser compreendida foi substituída pela paz de se compreender e de se aceitar.

​Hoje, quando algo aperta o coração, eu não busco mais o grito. Eu busco o fôlego. Quero apenas que aquele nó na garganta se desfaça em um suspiro longo, que saia pelos lábios e se misture ao vento. Porque o suspiro não exige resposta, não pede plateia e não carrega o peso da explicação. Ele é, simplesmente, a alma fazendo as pazes com o que não posso mais mudar, apenas aceitar.

​O suspiro é o som da liberdade de quem já não precisa mais provar nada a ninguém — nem a si mesmo. Pois o que a gente mais quer é que nossos gritos abafados, em nossos silêncios, apenas suspirem.

​Lu Lena / 2026

​NÓ NA GARGANTA
(​A tradução do indizível)

​Às vezes o silêncio grita, a voz trava nas cordas vocais... e o que resta é um suspiro profundo.

​ Lu Lena / 2026

​O SILÊNCIO QUE ACENA 🌬️✨
(sempre quando olho para o céu)

​Mãe...
Queria escrever algo, mas acordei com o pensamento solto e disperso de mim. Quando sinto esse silêncio fugidio, não consigo escrever nada, fico oca por dentro e bate um vazio.
​É sempre assim. Em especial neste dia que, lá do céu, acenas para mim... 🕊️🤍

​ Lu Lena / 2026

​MÃE ESPECIAL

​Ela não pode viver a vida do filho neurodivergente, mas é a extensão dela.

​Lu Lena / 2026

​MÃE, ORVALHO DO CÉU

​Toda vez que uma mãe chora, um anjo desce à Terra e usa suas lágrimas para borrifar e polir todas as estrelas do céu.

Lu Lena / 2026