Poesia sobre Homens e Mulheres
FESTA
Eu desdobrei minha orfandade
sobre a mesa, como um mapa.
Desenhei o itinerário
para meu lugar ao vento.
Os que chegam não me encontram.
Os que espero não existem.
E bebi licores furiosos
para transmutar os rostos
em um anjo, em copos vazios.
Dor existencial – 2
Aspirante a poeta, em versar sobre o ser
Oque sou, o que serei, para onde vou
Em ebulição com o devo e não devo fazer
Minhas origens, o passado, presente e futuro
Me encontro no meio da linha do tempo
Olho e vejo dois eus, o fui e o que sou
Mas entrementes um eu terceiro surgindo
O que serei, escolhas que afetarão a terceiros
Penso em minha nobre estirpe
Sigo seus passos, ou faço os meus
Começo a crepitar, pássaros em tumulto
Me atormentam e me questionam
Nessa bifurcação paralisei
Efêmeros eus, efêmero ser
Em consternação gritei
Serei eu a dona do meu viver!
Sobre o Livro de Zi Ferreira ! Um Tantinho de Mim"
Dias atrás eu cheguei em casa de viagem e, me deparei com este Mimo:
Era o Livro "Um Tantinho de Mim" da querida escritora Zi Ferreira...
Apesar do cansaço da viagem, aproveitei o ventinho fresco que corria na minha varanda e decidi me deliciar nesta leitura...
Ahhh... E como valeu a pena!
Zi Ferreira, uma nordestina que adotou São Paulo com o seu coração, é de uma nobreza sem fim...
Uma Remendadeira que com caneta e papel traça letras, versos e rimas e as transformam em poesia.
Um Tantinho de Mim... Nos remete aquela escrita raíz, que nos faz lembrar de Cora Coralina e também Manoel Bandeira poeta que muito li na minha infância...
Com igual singeleza e liberdade nos versos que Manoel desenhava sua poesia, Zi também compõe um Tantinho de si mesma... E assim como Cora que cozinhava Palavras e Doces, Zi com linhas de amor, Remenda o sol, a lua, o arco-íris, a flor, o mar, a terra, a chuva, o vento, a saudade, a alegria, a amizade e tantos outros sentimentos...
Juntando e ... alinhavando e.... Remendando tudo e .... os transformando em Um Tantinho de ...Poesia...
Parabéns Zi... Meu Amor...
"Em fechada mata do pensamento,
uma peste paira-se sobre, incompleto, o mapa.
E até ao sopro do vento
a mente para de voar.
O que então irá ecoar se o que resta
é o que nada mais sobra?
Se impede de abrir fresta,
no pugnar contra o ato de continuar
a obra da própria vida."
Wesley Poison - Dor[Mente]
As estrelas estilhaçam o céu,
A lua quase cheia amanhece a escuridão,
E desce sobre a terra um denso véu,
O prazer ente o acaso e a razão.
E o céu encobre o universo,
espargindo luzes faceiras,
reluzindo os amores controversos,
por debaixo de um denso véu de estrelas.
Gradualmente atuava-se
em grande escala do alto
de um monte, um homem
que se dizia sábio.
Sobre sua cabeça governava
sete reinos, e sobre cada um
de uma forma díspar.
Se dizia ele o rei, o mais
exuberante. O mais leigo,
o mais rico.
O rei que na verdade era um
menino sonhador, acabou-se
em lágrimas e aversao.
Se pudesse dizer
ao mundo como
é a voz do amor
descreveria
que é a sua voz,
e sobre os teus
olhos lindos diria
que abrigam
as constelações
e a cosmogonia.
É do meu sul até
o teu sutil norte
os anseios doces
todos convergem
em caravana
rumo ao mistério
em busca do éden.
Nada em mim é
segredo para você,
algo me diz que
nos teus lábios
tenho o meu oásis
mesmo sendo
para mim miragem.
É deste outro lado
do Oceano Atlântico
e sob a luz da Lua
tenho conseguido
ouvir que o teu peito
não é mais o mesmo:
é por mim que ele vem batendo.
Venho aqui pra te contar
Uma bonita história
Sobre dona Carmelita
E a sua trajetória.
Hoje, aniversariante,
E, por isso, nesse instante,
Faço essa dedicatória.
Nascida em Sirinhaém,
Vinte e sete era o ano.
Dizem que foi vinte e seis.
Registraram por engano?
Pedro e Brígida, seus pais,
Lhe deram lições morais,
No Estado pernambucano.
No tempo de pequenina,
Criança, pintava o sete.
Fugia para o açude,
Onde o sol brilha e reflete.
Com cinco seu pai morreu,
E, com a mãe, só conviveu,
Até fazer dezessete.
Muito jovem se mudou:
Garanhuns, o novo lar.
Despediu-se da sua mãe,
Foi preciso trabalhar.
Vivia com bom humor,
Até conhecer o amor,
E então foi se casar.
Cinco filhos ela teve,
Eu fui seu primeiro neto,
Me tratou com muito apreço,
Com zelo, amor e afeto.
Grande família manteve,
Sete netos ela teve
E ainda seis bisnetos.
Essa vovó é guerreira,
Nunca cansou de lutar,
E até risco de infarto
Coração foi enfrentar.
Hoje tá beirando os cem,
E nem todo mundo tem
Tanta história pra contar.
(Poesia dedicada aos 93 anos de Carmelita Bourbon de Albuquerque, completados em 7 de setembro de 2020).
Não é sobre a cor dos teus olhos,
a da tua pele ou a dos teus cabelos.
É sobre esse arco-íris que tu levas na alma.
No raio de um alcance do sol.
Sobre a fina linha do horizonte.
A ventania que sopra sobre
as asas do Falcão.
e foi sobre esse voar
(de alma e pranto)
que se viu chuviscar
o sol (amplo e nascente)
e foi desde e por entre
o desanuviar do espanto
que um quê de encanto
se esfumou crescente
quem sabe se nevoando
solidão sobre os beirais
se lembrando ais
no crepitar da saudade
quem sabe, quem sabe!
A BIBLIOTECA
A biblioteca muda o sentido da vida.
Ela nos faz viajar sobre às asas do livro.
A biblioteca me deu à liberdade de sonhar através da escrita.
O livro que nela li;
Não acabou até hoje: está dentro de mim!
A biblioteca fez o poeta tirar o poema do papel.
A biblioteca tem alma, aliás, várias almas.
Nela tem um pedaço da sabedoria do céu.
Ela é o próprio remédio da alma do homem.
E é a única parte do mundo onde se pode o silêncio encontrar.
A biblioteca é minha segunda casa.
E a visita que nela vem, é servida com arte!
Ela me armou com livros. E me desarmou de armas.
Acredite: a biblioteca é a única que mesmo eu partindo, me faz ficar.
caiu sobre mim
com o peso de
mil toneladas
o orvalho da noite
e o medo do tempo
lembrei todavia
de pequenos
infinitos guardados
dentro do coração
e impressos na alma
e a vida logo me
convidou à bailar
sorrir em meio ao caos
dos meus cacos
suportar os açoites
até cicatrizar a ferida
esse insólito labirinto
do Amor entre as almas
que atravessam os séculos
vencendo o próprio tempo..
Sabemos quase nada
sobre as pessoas
que julgamos conhecer muito bem..
e sabemos tudo daqueles que sabendonada sobre nós
nos julgam..
conversei com as pedras
sobre os silêncios do seu coração
me falaram de respostas em agonia
que versos não expressarão..
Sobre o teu dorso sou homem
sou criança, filho do vento
Luz-me um sorrir por dentro
que meus olhos não escondem...
.
E um dia, que honrar-te eu tenha
Só aceitarei nobre a valentia
Daquele que me não tente a revolta
.
Porque a nobreza não diminui, enobrece
E a liberdade...é valor supremo!
Conversa genealógica sobre a experiência alheia
15 anos grávida, casou-se rapidamente, para reparar um erro com outro. Errar é totalmente humano, o humano é totalmente errado. Teve 2 filhos, se divorciou aos 19, hoje com 36 está desquitada a 17. Conheceu um subgerente de 24 numa festa beneficente, estão casados há 3 anos, tem uma filha de 8 meses, do segundo relacionamento firmado juridicamente. Seu primogênito está com 21 e deu-lhe um netinho a 1 ano e meio; a filha do meio fez 18 e não pretende se casar. A família se reúne rigorosamente aos sábados à tarde, para churrascos no quintal ou agradáveis piqueniques no parque.
Ela, o atual marido, o ex-marido, os 2 filhos do primeiro casório, o neto, a filha do segundo, a esposa do ex, os três filhos dela com o primeiro esposo, mais o filho do marido, com a segunda esposa dele e o pequenino filho da empregada, que insistiram em trazer. Sem comentar os 2 cães labradores, do pai da esposa de seu primeiro cônjuge e as sogras, sogros, tios, tias, sobrinhos, primos, avós e afilhados. Quando guardavam os utensílios, depois do piquenique da semana retrasada, confessou para a recente esposa de seu ex, que a relação dela com o atual amante não vai lá muito bem, o casamento há algum tempo está em crise.
Muitas vezes na caminhada
já em passos bem cansados
segue o viajante que divaga
sobre o que lá atrás há deixado
Seu coração pede aconchego
está quase desistindo de lutar
mas a vida manda- lhe um adrego
encontra sempre um jeito de se adaptar
Adapta-se à lágrima e à dor
consegue até dar algum sorriso
sem saber que foi Deus, o Criador,
que lhe mandou tudo que foi preciso
Segue então de novo seu caminho
muitas vezes sem ter mais a solidão
pois encontrou quem lhe dê carinho
seja um amor ou um abraço de irmão
***Adrego : acaso ou casualidade
Na natureza nada é estático
Se você reparar bem
O céu dança sobre nossas cabeças
Em milhões de formas e cores
As arvores e as flores conversam com o vento
Penso que assim é deve ser nossa vida
Sempre transformação e descobrimento
Compreendendo que a graça está na caminhada
E que os dias de chuva são tão necessários quanto os de sol.
QUASE CONTENTE
Sobre o que eu vivo, eu escrevo.Muito mais
o que eu não vivo.O que eu sonho,que imagino,
O que desejo.Sobre o que eu vejo, escrevo !
Poesia prá transpassar o mar que não se chorou
Sussurrar nas entrelinhas o desejo intransparente
Mergulhos profundos.
Escrevo prá ter sentido e divido a minha dor.
É a chama que por segundos me faz em paz e melhor.
Quase contente.
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