Poemas Bonitos

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O mundo é o que tecemos
juntos todos os dias.

Tecelões e tessitura,
somos mãos e somos linhas.

O mundo é carne e tecido,
seres, fatos e coisas
vestindo o nu existir.

Eu não sei falar de mim

Eu não sei falar de mim
Só sei falar do que amo
E do que não amo falo pouco

Amo minha família, amigos, animais...
E por aquele garoto eu ainda não sei o que sinto
Porque ele me faz ficar triste e alegre ao mesmo tempo

Eu não falo sobre ele
Só penso, penso, penso...
Tanto que chego a sentir seu cheiro de praia

Ele me disse pra eu acreditar no amor
Que faz nascer em mim a vontade de escrever poesias
Pra expressar aquilo que é proibido dizer

Eu sei o que preciso
Mas não sei como o consigo
E eu já joguei este jogo antes

Tem coisas que a gente nunca aprende
E cada coração tem seu segredo
Um código secreto que a cada dia vai sendo decifrado

O amor é como a matemática
Todo mundo sabe que existe e convivem com ela
Mas a maioria não a compreende e prefere parar de tentar.

Saudade do que fiz.
Saudade do que não fiz.
Não sei qual delas persiste mais!

Acorda, criança, um novo dia vai raiar
É sol, primavera, céu azul, verde do mar
O inverno está longe, enxugue os olhos
Vem cantar o amor, flor maior do coração!

O inverno está longe, enxugue os olhos
Vem cantar o amor, flor maior do coração!

"Há um verso de Verlaine que não voltarei a lembrar.
Há uma rua aqui perto que está vedada a meus passos,
há um espelho que me viu pela última vez,
há uma porta que fechei até o fim do mundo.
Entre os livros de minha biblioteca
(eu os estou vendo)
há algum que nunca mais abrirei.
Este verão farei cinquenta anos;
a morte me desgasta, incessante."

Gafanhoto Verde.


Não é distante
O caminhar.
Não sabemos da ida
E muito menos da volta.


Uma passagem
Sempre tem saudades e lembranças.
Uma caminhada
Sempre tem cansaço e mudanças.


Não se conhece o futuro,
Sabe-se do presente,
Lembra do passado
Com uma escrita em um muro (lápide em um túmulo).


Ame mais, pois o mundo,
É um caderno de páginas sem linhas,
Aceita desenhos sem cores,
Somente em preto e branco,
E lágrimas com dores.


Lembre que tudo vai passar,
Os piores dias passarão.
Tente nunca parar,
Pois os dias bons ficarão.


A passagem não é feita de caminhadas,
E nem o cansaço de mudanças.
Mas a lembrança elabora o ânimo
De quem nunca perde as esperanças.
Esperança.


Autor: Cássio Charles Borges
Data: 25/11/2025.

Pessoas de duas caras são como JANUS, ou só lembram do nosso passado para nos acusar ou só olham para o nosso futuro para impedir que cresçamos. Mas se esquecem que vivemos no presente e é aqui que nos aprimoramos e amamos.

12/08/2014 - 01:24

Deus, livra-me de mim mesmo.


Porque, às vezes, o maior inimigo não está do lado de fora, mas dentro de mim. Está nos medos que alimento, nas feridas que conduzem minhas escolhas, no orgulho que me impede de pedir ajuda, nas lembranças que me aprisionam e nas versões de mim que já não cabem no caminho que o Senhor preparou.


Livra-me de tudo aquilo que me afasta da paz que só Tu podes oferecer. Ensina-me a silenciar o que me destrói para que eu possa ouvir a Tua voz. Que eu tenha coragem de deixar morrer quem eu precisei ser para sobreviver, a fim de me tornar quem fui criado para ser.


Porque a verdadeira liberdade começa quando Deus nos salva, inclusive, de nós mesmos.

Engana-se quem julga a Depressão como doença de alguém frágil. Muitas vezes, ela habita justamente quem suportou demais em silêncio, quem guardou dores para si, acumulou cansaços, varreu feridas para debaixo do tapete e colocou a própria dor no bolso para cuidar depois.


A Depressão costuma chegar como um grito silencioso, um pedido de socorro daquilo que foi negligenciado por tempo demais. Surge como limite, convocando a pessoa a reorganizar a bagunça emocional acumulada dentro de si, quando o corpo e a mente já não conseguem sustentar tanto peso calado.


É invisível aos olhos de muitos, mas profunda e devastadora para quem a enfrenta. A Depressão é como um câncer na alma: silenciosa, corrosiva e, muitas vezes, letal em seus efeitos.


Por isso, não é fraqueza, não é drama, não é falta de vontade. É sofrimento real que precisa de acolhimento, escuta, cuidado e tratamento.

A bondade é a mais bela linguagem do universo.
Ela alcança lugares onde palavras não chegam, toca feridas invisíveis e devolve luz até aos dias mais escuros.

Deus é bom, todo o tempo.
E o tempo todo, Sua bondade continua encontrando formas de nos lembrar que ainda existe beleza, cuidado e propósito mesmo em meio ao caos.

Às vezes nos quebram por inteiro por termos sido bons, por confiar, por entregar bondade a mãos erradas.
E dói… dói perceber que aquilo que oferecemos com verdade foi recebido sem cuidado.


Mas como deixar de ser bondade, se Deus nos ensina justamente através dela?
Sua graça nunca foi sobre merecimento. Sua misericórdia nunca escolheu apenas quem acertou.


Talvez o maior desafio não seja continuar acreditando nas pessoas…
Mas continuar preservando a essência que Deus colocou em nós, mesmo depois das decepções.


Porque o mundo pode endurecer alguém.
Mas existe uma força imensa em permanecer luz, mesmo depois de ter atravessado tanta escuridão.

A realização é a contrapartida do desejo; ela nasce dele, cresce através dele e só encontra sentido porque, antes, existiu algo pulsando por dentro, pedindo para acontecer.
Ninguém realiza o que nunca desejou de verdade. Até as maiores conquistas começaram como ausência, vontade, inquietação.

O desejo é a centelha.
A realização é o fogo alcançando forma.

E talvez seja por isso que viver também doa às vezes: porque desejar exige coragem. Mas é justamente essa coragem que move a vida, cria caminhos e transforma o impossível em algo tocável.

A realização é a contrapartida do desejo; ela só existe porque antes houve algo queimando em silêncio.
Um impulso. Uma vontade. Um corpo inquieto imaginando toque, presença, entrega.

Tudo que arde demais dentro da gente procura um jeito de existir fora.
O desejo provoca, percorre a pele antes mesmo das mãos, invade pensamentos, cria cenas, acende faltas.

E a realização…
ah, ela é quando aquilo que incendiava por dentro finalmente encontra corpo, boca, calor e coragem para acontecer.

Porque existem desejos que não nasceram para permanecer imaginados.
Nasceram para serem sentidos até o fim.

Eu sei o que você quer…
consigo sentir no jeito que me olha, nas entrelinhas, no silêncio que tenta esconder o que arde.

Mas quero te ouvir me pedindo.
Quero ver teu desejo perdendo o controle devagar, tomando coragem, deixando de ser pensamento para virar vontade dita, assumida.

Porque existe algo absurdamente provocante em alguém que tenta resistir… até não conseguir mais.
E, sinceramente?
A forma como você me pedir talvez me acenda ainda mais do que o próprio desejo.

Só se vê bem com o coração. O essencial quase nunca se entrega aos olhos apressados.

Há coisas que não se explicam pela aparência, nem se alcançam apenas pelo toque das mãos. É preciso sensibilidade para perceber, calma para enxergar além da superfície e alma para tocar aquilo que não se vê, mas se sente.

Olha pra mim.


Olha para o que me tornei ao longo desses três anos. Não para alguma versão antiga de mim, nem para expectativas guardadas em alguma gaveta do passado. Olha pra mim, agora. Nos meus olhos. No que existe diante de você.


Percorre com calma a textura do que venho me tornando. Passa os olhos pelo meu corpo, pelo meu semblante… e não se assusta.


Quero que me decifre. E eu não tenho dificultado a tua leitura. Estou aqui, me revelando inteira, com falhas, cicatrizes, vulnerabilidades e verdades que nunca souberam mais se esconder.


Olha pra mim.


Entra pelos meus olhos e percebe o que a tua ausência causou em mim. Tenho queimado por ti em silêncio há tanto tempo… Me toca, não só com os olhos.


Olha pra mim e vê se consegue enxergar o tamanho do que te guardei, de tudo o que ficou aqui, apertado no peito, esperando um lugar para existir.


Estende as tuas mãos e me puxa pra junto de você. Me sacode. Baila comigo. Me faz sentir que ainda existe espaço para nós em algum canto do teu caos.


Olha pra mim e vê se consegue se enxergar, nem que seja um pouco, ao meu lado… nos teus sonhos, nas tuas vontades, nos teus dias distraídos.


Vê se eu caibo aí, nessa tua bagunça bonita. Me encaixa. Me ajeita. Ou simplesmente me permita encontrar abrigo em ti.


Mas, antes de tudo… olha pra mim.

Hoje não estou muito bem.


Há um barulho dentro de mim que ninguém ouve. Por fora, tudo parece seguir seu curso. Por dentro, os pensamentos se atropelam, as lembranças se misturam e o coração tenta organizar um caos que não cabe em palavras.


Carrego o peso de tudo o que precisei esconder. Das emoções que foram empurradas para as gavetas da alma porque não havia tempo para senti-las. Das sombras que aprenderam a morar em silêncio, atrás de portas que eu mesma fechei para conseguir continuar.


A noite sempre parece saber onde essas portas estão.


O frio toca o que passei o dia tentando aquecer. E, enquanto o mundo desacelera, minha mente percorre corredores que eu gostaria de evitar. Luto para manter tudo em equilíbrio, porque hoje não posso me permitir cair. Há responsabilidades, há caminhos que ainda precisam ser percorridos.


Mas sentir não pede licença.


Mesmo tentando seguir, eu sinto. Sinto o peso, o vazio, a exaustão de quem passou tanto tempo sustentando o próprio mundo que já nem sabe mais como descansar.


Talvez amanhã tudo pareça um pouco mais leve. Hoje, porém, só consigo admitir que existe uma batalha silenciosa acontecendo dentro de mim.


E, mesmo cansada, continuo caminhando.

Eu disse que estou caindo.
e não é uma queda rápida
é lenta, contínua…
dessas que parecem não ter fundo.
eu estou em uma fase
que não suporta mais nada.
cada dor chega como se fosse única,
infinita, profunda, árdua…
como se eu não fosse atravessar.
e mesmo fazendo parte de um todo,
cada uma delas, sozinha,
já é um abismo.
neste momento
eu estou exausta.
cansada. triste. melancólica.
eu calo… e calo…
e ainda assim choro.
grito por dentro.
e não consigo desligar.
a vida me chama pra continuar,
me pede presença, responsabilidade, cuidado…
mas por dentro
tudo em mim só queria parar.
eu preciso ser forte para os outros,
mesmo quando ninguém é por mim.
então eu guardo a minha dor no bolso
e sigo… como dá.
tem tanta coisa que eu queria dizer,
retrucar, gritar, responder…
mas eu me calo.
e perdoo, em silêncio,
a insensatez de quem não sabe o que diz.
porque não sabem o que eu sinto.
não sabem como eu sinto.
e talvez seja melhor que não saibam.
porque desejar que saibam
seria desejar que sentissem o mesmo.
e eu não desejo isso a ninguém.
então não…
eu não espero que me entendam.
mas eu estou cansada.
cansada de uma dor
que não parece ter fim.
e quando tudo em mim acredita
que isso nunca vai passar…
o pensamento que vem
não é sobre viver
é sobre querer que isso acabe.

Tem coisas, e pessoas que nos desgastam tanto que, quando percebemos, já viraram um ciclo de repetições.
Batem, insistem, fazem a gente abrir a porta… mas, quando a gente abre, não permanecem, não cuidam, não fazem questão.


E esse movimento cansa.
Cansa a ponto de tirar a vontade de reagir, de falar, de tentar de novo.


A gente vai perdendo o interesse, a motivação…
e, quase sem perceber, escolhe o silêncio, se afasta, fecha um pouco mais a porta por dentro.


Não é frieza, nem falta de sentimento.
É excesso de desgaste.


É o corpo e a alma entendendo que nem toda insistência merece acesso,
e que insistir em certos ciclos dói mais do que soltar.


Então nasce o medo de abrir de novo…
mas junto com ele, nasce também algo importante: o cuidado.


Porque, às vezes, abrir mão não é desistir
é, finalmente, se escolher.

Falar da cor dos temporais
como quem nomeia o que não se deixa tocar.
Inventar tons para o que passa rápido demais,
para o que rasga o céu e não pede pra ficar.


Falar de coisas que ninguém viu,
nem os olhos mais atentos, nem a memória mais antiga.
Coisas que só existem no sentir,
no intervalo entre o que dói e o que ainda abriga.


Falar das flores de abril,
mesmo quando o chão insiste em silêncio.
Porque há sempre um brotar escondido,
um gesto de vida acima de qualquer sofrimento.


E então, dizer de tudo aquilo
que escapa do certo e do errado,
do que não cabe em medida, nem em julgamento
apenas existe… vasto, indomável, sentido.