Poemas Bonitos
Doçura.
Eu não suporto imaginar
Que você não vai voltar
E que os dias vão passar
E a saudade aumentar
Mas eu quero te dizer
Que eu espero por você
E que nada vai fazer
Eu te esquecer
De viajar eu sempre gostei
E nelas eu sempre encontrei
Pessoas que admirei
Mas por você me apaixonei
E eu crio poesias
Expressando a alegria
De ter conhecido um dia
A tua anatomia
E a felicidade é saber
Que eu posso te ver
E te dou prazer
Mesmo se tocar em você
Eu te peço minha paixão
Que não alimente ilusão
Que tudo isso não seja em vão
Para não magoar meu coração
Mas se esse sentimento acabar
Eu não vou lamentar
Pois viver é arriscar
E não deixar de sonhar
Saiba que tem onde ficar
Quando minha cidade visitar
Aqui há alguém com quem contar
Uma amiga pra sempre lembrar.
O que chamamos de real é o nosso relacionamento com os outros, a experiência comum, a vida partilhada. A essa fase de nossa mente denominamos de consciência.
O sonho é, também, um tipo de consciência que não resulta inteiramente das nossas relações com o mundo exterior.
A consciência vigílica nos dá o ser social. A consciência onírica nos dá um ser ina-
preensível pelos padrões da consciência vígil.
O que é a alucinação, senão um conteúdo onírico objetivado? O sonho não é apenas a explicação simbólica dos nossos recalques: é uma atividade autônoma da mente.
Não será a loucura um sonho de que não se acorda? Um sonho com a aparência de vigília? Os hipnotizados também dão a impressão de que estar conscientes das coisas que os rodeiam.
Vigília é a vida psíquica seletiva. O sonho, parece-nos, é vida psíquica total. O fluxo psíquico entre as mentes parece incessante e a vigília nada mais é do que uma interrupção desse fluxo. O nosso eu é uma perturbação desse processo psíquico total.
Observou-se que o estado de plena vigília não dura mais que um minuto ou dois por hora. Assim, as nossas distrações ou "fugas" da realidade externa são mais freqüentes do que pensamos. Há pessoas que, por deficiência da censura ou controle do ego, permanece, por tempo muito longo, no mundo do sonho. A sua vida vigílica se torna, assim, um hiato no seu universo onírico.
Há um universo psíquico paralelo ao universo físico. Uma forma de percepção que não recolhe seu material do mundo físico, embora manipule com os dados desse universo. Contudo, as experiências do mundo psíquico nem sempre coincidem com as do mundo físico. Há um outro eu, movimentando situações e pessoas que não conhecemos na vida vigílica.
Há em mim uma intensidade que, por vezes, me transborda e, em outras, me aprisiona. Sinto tudo em excesso: o silêncio, a ausência, os desejos, os medos e as esperanças. Enquanto o mundo segue seu curso, muitas vezes permaneço parada, vivendo mais dentro de mim do que fora de mim.
É estranho desejar tanto voar e, ao mesmo tempo, sentir as asas pesadas. Querer alcançar horizontes, mas não conseguir sair do lugar. Como se algo em mim chamasse pela vida, enquanto outra parte ainda se recolhe, cansada das próprias batalhas.
Carrego uma alma funda, dessas que não sabem sentir pouco nem viver pela metade. E talvez por isso tudo em mim seja tão vasto: quando dói, dói inteiro; quando sonha, sonha longe; quando ama, ama sem margens.
Mas começo a entender que não nasci para ser cárcere de mim mesma. Que toda essa profundidade não veio para me afundar, e sim para me ensinar a nadar em águas que muitos temem.
Talvez eu esteja em tempo de reconstruir minhas asas com paciência. De fazer paz com meus silêncios. De sair, aos poucos, desse mundo interno que me consome e tocar a vida com mãos mais leves.
Porque ainda há muito em mim que quer florescer. E mesmo cansada, ainda existe uma parte minha que acredita no voo.
Cultivar flores é mais do que um gesto, é um exercício silencioso de sentir. É tocar a terra com delicadeza, como quem entende que tudo o que cresce precisa, antes, ser acolhido.
Há quem veja apenas pétalas. Mas quem é sensível enxerga processos: o tempo da semente, a espera da raiz, a coragem do broto que rompe o escuro em direção à luz. Cultivar é respeitar esses ciclos sem apressar, sem exigir apenas cuidar.
A sensibilidade mora nisso: em perceber o que não grita. Em regar mesmo quando ainda não há sinais. Em acreditar no invisível, no que está sendo formado longe dos olhos.
Flores não florescem sob pressa. Elas respondem ao toque certo, à luz suficiente, ao silêncio necessário. E talvez seja por isso que quem cultiva flores aprende, sem perceber, a cultivar pessoas, sentimentos e a si mesma.
Porque amar, no fundo, é isso: um ato contínuo de cuidado, presença e entrega, mesmo quando tudo ainda é semente.
Eu já quis tantas coisas
que hoje não fazem mais sentido.
Perdi o interesse…
e é estranho perceber
que algo que um dia foi tão intenso
agora não me alcança nem de longe.
Nem parece que eu quis tanto assim.
Talvez o querer também tenha seu tempo.
Talvez ele nasça, cresça…
e, silenciosamente, vá embora.
Por isso, o querer que hoje me atravessa com força
o que me desperta, inquieta e chama
que se faça presente.
Que permaneça vivo.
Que continue se fazendo desejar.
E que me deseje tanto
quanto eu o desejo.
Antes que, logo ali na frente,
eu também me torne ausência.
Antes que o encanto se dissolva pelo cansaço
e o gosto de querer se perca.
Porque eu sei…
eu posso, de novo, me distrair com o mundo
e deixar passar.
Então hoje,
se faça presença.
Se faça sentido.
Se faça interessante.
Amar alguém por uma vida inteira é permanecer curioso.
É compreender que ninguém termina de ser conhecido e que o amor também mora nessa descoberta constante.
É continuar escolhendo a mesma pessoa entre tantas distrações do mundo. É mantê-la entre as prioridades do coração, fazer-se presente e impedir que a distância se instale onde antes havia cuidado.
Talvez amar seja isso: uma permanência delicada.
A decisão diária de morar em um único sorriso e, mesmo depois de tantos anos, ainda encontrar nele razões para se encantar, se emocionar e se apaixonar novamente.
Enquanto algo ainda tocar o nosso coração, a vida continua encontrando maneiras de nos lembrar que não é o fim. Existem recomeços, caminhos que ainda não foram percorridos, encontros que ainda não aconteceram e sonhos que ainda não encontraram seu tempo.
Enquanto houver sensibilidade para sentir, haverá razões para continuar acreditando que a vida ainda guarda coisas boas. 🌷
Em minha defesa, eu nunca escondi o que sou nem o que desejo.
Há em mim uma mulher inteira, mas também uma menina que ainda acredita no cuidado, no gesto que acolhe, no olhar que sustenta. E é por ela que eu escolho.
Não quero ser a mulher de um menino que ainda ensaia responsabilidades, que se perde nas próprias indecisões e chama isso de liberdade. Não quero ser abrigo provisório de imaturidades, nem colo para quem ainda não aprendeu a permanecer.
Eu quero ser leve… mas leve de verdade.
Leve porque posso descansar, porque não preciso endurecer para dar conta de dois, porque não preciso ensinar o básico a quem já deveria saber amar com presença.
Quero ser a menina de um homem.
De um homem que entende que cuidado não diminui, que presença não sufoca, que escolha não se adia. Um homem que não se assusta com a profundidade, mas mergulha. Que não foge quando percebe que é real.
Porque em mim, tudo é real.
O sentir, o ficar, o construir.
E se isso assusta quem ainda é raso, então que assuste.
Eu não fui feita para caber no medo de ninguém.
Em minha defesa, eu só estou sendo fiel ao que em mim nunca foi ausência
essa vontade bonita de ser bem escolhida… e, finalmente, poder ser leve sem precisar deixar de ser inteira.
Desejos Impossíveis
Há desejos que não batem à porta. Eles entram silenciosamente, ocupam um canto da alma e aprendem a morar ali.
Tentamos ignorá-los. Mudamos os caminhos, desviamos os pensamentos, ocupamos as horas com outras urgências. Dizemos a nós mesmos que já passou, que não faz sentido, que é melhor seguir adiante. Mas alguns desejos conhecem atalhos que desconhecemos.
Eles atravessam o tempo escondidos em uma lembrança, reaparecem no perfume que o vento traz, em uma música esquecida, em um instante qualquer entre a distração e o silêncio.
Quanto mais fugimos, mais percebemos que a distância nem sempre é capaz de desfazer o que criou raízes.
E assim o desejo caminha.
Não apressa os passos, não exige explicações. Apenas permanece, percorrendo os corredores mais secretos do coração, esperando o dia em que será acolhido, transformado ou, quem sabe, compreendido.
Porque há desejos que não nasceram para ser esquecidos. Apenas seguem existindo, atravessando estações, sobrevivendo às ausências e encontrando maneiras de nos lembrar que algumas partes de nós continuam vivas, mesmo quando tentamos convencê-las do contrário.
Revisitar nossa galeria de fotos ou álbuns antigos é como revisitar a si mesmo.
Uma travessia silenciosa por rostos que já fomos, por sorrisos que um dia carregaram mundos inteiros dentro de si.
Em cada expressão mora um fragmento de tempo.
Sentimentos que voltam como ecos suaves, lembrando que aquilo existiu, que foi real, que nos atravessou.
Há um brilho no olhar que ainda resiste nas imagens, como se algo de nós tivesse decidido permanecer ali, guardado entre luz e memória.
Então percebemos que muito se perdeu pelo caminho.
Mas também entendemos que sempre escolhemos, consciente ou não, aquilo que permanece dentro de nós.
E entre dores, despedidas e silêncios, existiram instantes raros — momentos singulares em que simplesmente nos permitimos viver.
Talvez seja por isso que às vezes revisitamos o passado:
não para ficar nele,
mas para nos desprender daquilo que já não encontramos mais lá.
Porque há presenças que não voltam a existir em lugar algum.
Nem em tempo algum.
Pois não haverá outro igual a ti.
E compreender isso também é parte do processo de seguir. 🌿
Hoje eu não tô bem, tô cansada, me sinto irritada, mas não tô reclamando, tá tudo bem. Só estou querendo vencer o dia sem perdas, buscando me recolher no meu canto, tentando evitar conversas e possíveis desavenças. É nesse silêncio que me reorganizo, me reavalio, me reestruturo.
Tá tudo errado, não tá legal, mas tá tudo bem. Só estou tentando vencer o dia sem perdas.
Nem todo dia é feito para avançar. Alguns são feitos apenas para resistir com dignidade, para não piorar o que já está difícil, para atravessar as horas sem ferir ninguém e sem me ferir no processo.
Hoje não quero respostas, não quero decisões, não quero grandes movimentos. Quero apenas o necessário. Quero me preservar enquanto a tempestade passa por dentro de mim.
Porque aprendi que há dias em que a vitória não está em conquistar algo, mas em manter intacto aquilo que já foi conquistado. Há dias em que sobreviver ao peso, ao cansaço e à confusão já é uma forma de coragem.
Então sigo assim, mais quieta, mais recolhida, respeitando meus limites e aguardando que a vida volte a encontrar seu eixo dentro de mim. Um passo de cada vez. Sem perdas. Apenas atravessando.
Decifre-me, então…
Mas não com pressa, nem com olhos apressados de quem só deseja o óbvio.
Há em mim caminhos que não se mostram à primeira vista, e talvez seja justamente aí que mora o que te inquieta.
Você me chamou de linda e misteriosa…
mas mistério não se revela a quem apenas observa
se entrega a quem ousa sentir.
Descubra-me nos detalhes que não anuncio.
No silêncio entre uma palavra e outra.
No jeito que recuo… não por falta,
mas por querer ser encontrada com intenção.
Há partes de mim que não se explicam
se percebem.
E outras que só existem quando alguém tem coragem de permanecer.
Se quiser me decifrar, venha sem atalhos.
Sem fórmulas prontas.
Sem medo de se perder um pouco no caminho.
Porque eu não sou um enigma para ser resolvido…
sou uma experiência para ser vivida.
E talvez, no fim,
você descubra que o mistério não está só em mim
mas no que eu desperto em você.
Não se demore longe...
Fique apenas o suficiente para que a saudade floresça mansa dentro de mim,
como quem rega uma ausência necessária para tornar o reencontro ainda mais bonito.
Mas não vá tão longe a ponto de levar consigo os vestígios da tua presença.
Deixe ficar o eco da tua voz,
a lembrança do teu riso,
os pensamentos que insistem em me encontrar nos momentos mais distraídos do dia.
Ausente o bastante para que eu sinta tua falta.
Presente o bastante para que eu continue te sentindo.
Porque há distâncias que aproximam,
e saudades que, em vez de afastar,
nos fazem habitar ainda mais profundamente o coração um do outro.
Então não se demore longe...
Fique apenas o tempo necessário para que a saudade exista,
mas nunca o bastante para que eu precise aprender a viver sem você.
Sonhos não são apenas aquilo que nos visita enquanto dormimos…
são também os sussurros daquilo que ainda insiste em nascer dentro de nós.
Às vezes, eles chegam suaves, quase tímidos.
Outras vezes, inquietam, tiram o sono, pedem coragem.
E há aqueles que a gente tenta esquecer… mas que, de algum jeito, continuam nos lembrando de quem somos por dentro.
Nem todo sonho é para ser vivido de imediato,
mas todo sonho carrega um pedaço de verdade sobre nós.
Talvez o maior erro não seja sonhar alto,
mas desistir baixo demais.
Porque no fim…
sonhos não nos afastam da realidade,
eles nos aproximam da vida que, em silêncio, a gente sabe que merece.
Hoje, não peço ao dia que seja extraordinário.
Basta que ele encontre um jeito de pousar leve sobre os ombros cansados, de abrir uma fresta onde antes só havia muro, de lembrar ao coração que nem tudo precisa florescer de uma vez.
Há sementes trabalhando em silêncio sob a terra. Há respostas amadurecendo longe dos olhos. Há caminhos se formando enquanto a gente apenas continua.
E, às vezes, continuar já é milagre suficiente para um dia. 🌿
Sou grata pela bondade de Deus em minha vida,
pela forma silenciosa e constante com que Ele me sustenta,
pelos cuidados que muitas vezes só percebo depois,
quando olho para trás e vejo que, mesmo nas tempestades,
havia uma mão me guiando,
um amor me guardando,
e uma presença me impedindo de cair.
Sou grata porque, mesmo quando me sinto pequena diante do mundo,
Ele continua me lembrando do meu valor
e do quanto sou profundamente amada. ✨
Hoje não estou muito bem.
Há dias em que a gente não desaba porque aprendeu a guardar. E, de tanto guardar, vai enchendo gavetas que já não fecham mais, empurrando para o fundo do armário tudo aquilo que não teve tempo, lugar ou permissão para sentir.
Hoje sinto o peso dessas gavetas.
O frio da noite parece encontrar cada uma dessas sombras escondidas. Os pensamentos caminham em desordem, cruzam minha mente sem pedir licença, enquanto eu tento, silenciosamente, colocar tudo em equilíbrio. Não porque esteja tudo bem, mas porque a vida continua exigindo que eu siga.
Não tenho a opção de parar para sentir.
Então continuo. Arrumo o sorriso, organizo as tarefas, respondo às pessoas, respiro fundo... mas sinto.
Sinto o cansaço de quem precisou ser forte por tempo demais. Sinto o peso das palavras engolidas, das lágrimas adiadas, das dores que aprenderam a esperar pela madrugada para aparecer.
E talvez seja isso que mais doa: não é a falta de sentimentos. É a falta de tempo para acolhê-los.
Mesmo assim, sigo.
Não porque seja fácil, mas porque, por enquanto, é o único caminho que encontrei. Carrego comigo a esperança silenciosa de que um dia eu possa abrir essas gavetas sem medo, deixar entrar luz onde hoje habitam sombras e, finalmente, descansar o coração de tudo aquilo que ele insistiu em suportar calado.
Nem toda ausência é desistência; às vezes é a forma mais madura de se preservar.
Há silêncios que não nascem da indiferença, mas do cansaço de tentar ser ouvido onde nunca houve espaço para escuta. Há distâncias que não são fuga, mas limite.
A gente aprende, com o tempo, que permanecer onde a alma se encolhe é uma violência silenciosa contra si mesma. E então escolhe ir — não por falta de amor, mas por excesso de amor-próprio.
Porque preservar-se também é um gesto de coragem. É entender que algumas portas não se fecham por fracasso, mas por proteção. É confiar que sair de um lugar onde não florescemos é, na verdade, abrir espaço para respirar de novo.
Nem toda ausência é abandono. Às vezes, é apenas a forma mais digna de continuar inteiro.
Um vazio pulsante é o que somos,
vivendo na ilusão da solidez.
Matéria são vazios que colidem.
As formas são momentos do vazio.
Tudo é mudança.
Mas, o que dirige
a universal mudança do vazio?
pela minha paz, eu aprendi a desaparecer lentamente
dos lugares que me apertam,
das pessoas que me diminuem,
das situações que me roubam a luz.
mas antes de tudo, eu fico.
eu faço questão de ficar.
eu dou sinais.
eu converso.
eu explico o que dói.
eu mostro onde machuca.
eu tento ajustar o que ainda pode ser salvo.
não parto na primeira falha.
não desisto no primeiro silêncio.
não abandono no primeiro conflito.
eu permaneço enquanto há respeito.
enquanto há tentativa.
enquanto há reciprocidade.
eu já insisti demais.
já expliquei demais.
já tentei salvar o que não queria ser salvo.
e quando percebo que só eu estou sustentando,
quando meus sinais viram incômodo,
quando minha dor é tratada como exagero
eu começo a me recolher.
não faço alarde.
não anuncio partidas.
não bato portas.
eu apenas recolho o que é meu:
meu tempo,
minha energia,
meu afeto.
há quem chame de frieza.
há quem chame de orgulho.
mas só eu sei o quanto custou permanecer quando tudo em mim já pedia silêncio.
porque permanecer onde preciso me diminuir
é uma forma lenta de me abandonar.
e eu já me abandonei o suficiente em nome de amores,
de expectativas,
de pertencimentos que nunca foram casa.
pela minha paz, eu desapareço devagar
não por fraqueza,
não por indiferença,
mas porque aprendi que quem se ama
não permanece onde dói.
e se um dia eu for,
saiba:
antes, eu tentei ficar.
