Poemas Bonitos
Tente outra vez.
Mesmo quando acordar
com vontade de desistir.
Mesmo quando o corpo pesar,
a esperança parecer distante
e você não souber
por onde começar.
Não precisa recomeçar de onde parou.
Às vezes, é preciso olhar ao redor
e descobrir de onde ainda é possível recomeçar.
Pode ser de um passo.
De uma pequena coragem.
De uma escolha diferente.
De um fio de esperança
que quase se perdeu.
Não importa quantas vezes a vida
tenha interrompido o caminho.
Há dias em que recomeçar
é apenas não desistir hoje.
E amanhã,
tente outra vez.
Se eu tivesse parado quando desisti, quem estaria aqui agora?
Quem faria o que hoje só eu faço? Quem cuidaria, quem levaria, quem buscaria, quem estaria presente?
Talvez eu ainda não saiba o que a vida guarda para mim. Talvez eu ainda não consiga enxergar um motivo que seja só meu.
Mas eu estou aqui.
Ainda estou. Por enquanto, estou.
E, por enquanto, talvez permanecer seja também uma forma de deixar a história continuar até que eu possa descobrir o que ainda existe depois deste capítulo.
Há um rio dentro de mim
que não aprende a ter margem,
carrega luas sem fim
e se alimenta de coragem.
Quando a noite me atravessa,
não sei se é dor ou passagem.
Guardo estrelas no silêncio,
como quem guarda oração,
há mistérios que florescem
sem pedir explicação.
E há verdades que só chegam
quando escutam o coração.
Já fui casa de tempestade,
já fui janela e clarão,
já fui barco sem destino,
procurando direção.
Mas descobri que até o caos
pode ensinar navegação.
Há quem procure respostas
como quem procura um chão;
eu aprendi que certas coisas
não cabem na explicação.
Às vezes, Deus escreve torto
para endireitar a visão.
Tenho cicatrizes antigas
que não pedem compaixão;
são mapas de outros tempos,
são vestígios de travessão.
Quem olha apenas a ferida
não conhece a reconstrução.
E quando penso que termino,
alguma coisa principia:
uma esperança pequenina
acendendo a noite fria.
Como a flor que rompe a pedra
sem anunciar que nascia.
Talvez eu seja esse enigma
que o tempo tenta entender:
um pouco de maré e terra,
um pouco de perder e ter.
E quanto mais me descubro,
mais aprendo a não me prender.
Se a vida é uma parábola,
não quero a moral no fim.
Prefiro seguir a estrada
que ainda não falou de mim.
Pois há caminhos que só existem
quando a gente diz: “enfim.”
Onde o toque acontece
Há quem confunda pele com presença.
Beijo com encontro.
Desejo com conexão.
Mas há um abismo entre encostar em alguém e realmente tocar alguém.
Porque o toque que importa não começa nas mãos.
Começa na atenção.
No olhar que permanece.
Na escuta que não tem pressa.
Na vontade de conhecer o outro antes de atravessá-lo.
Eu acredito no toque que encontra ritmo.
Que não invade, não exige, não toma.
Que percebe.
Que espera.
Que responde.
Porque quando existe verdade, dois corpos não apenas se tocam: eles se reconhecem.
E talvez seja isso que tanta gente não perceba.
Há pessoas que passam uma vida inteira roçando em outras sem jamais alcançá-las.
Beijam bocas, mas não encontram almas.
Abraçam corpos, mas permanecem distantes.
Trocam calor, mas não presença.
Eu não quero um toque que apenas percorra minha pele.
Quero aquele que saiba chegar até onde ninguém chega.
Que encontre em mim o que não se entrega a qualquer mão.
Que compreenda que meu corpo é território de confiança, e que só se abre verdadeiramente quando existe algo maior do que desejo: conexão.
Porque, para mim, tocar alguém é uma forma de dizer:
eu estou aqui.
eu vejo você.
eu sinto você.
e, por um instante, não existe distância entre nós.
Talvez seja por isso que eu ainda espere pelo toque certo.
Não porque tenha medo de ser tocada,
mas porque sei a diferença entre ser tocada
e ser alcançada.
Orações escritas
Deus, não me desampare.
O medo surgiu, e minha fragilidade já não cabe dentro do peito. Está exposta, diante de tudo e de todos. E tudo à minha volta parece ter sido afetado, atravessando-me, ferindo-me justamente onde eu já estava mais sensível.
Senhor, como, onde e quando eu vou conseguir mudar essa situação?
Eu não tenho todas as respostas.
Não sei por onde começar.
Só sei que preciso de Ti.
Cuida do meu filho, Senhor.
Faz por ele aquilo que, muitas vezes, eu não consigo fazer. Protege seus passos, guarda seu coração, livra-o daquilo que eu não posso enxergar e alcança-o onde meus braços não conseguem chegar.
Cuida da minha mãe.
Dá a ela tudo aquilo que, por minhas próprias forças, eu já não sou capaz de oferecer. Sê presença onde me falta presença, força onde me falta força, cuidado onde minhas mãos já não alcançam.
E cuida deste lar, Senhor.
Entra onde existe dor.
Toca o que está ferido.
Acalma o que está inquieto.
Restaura o que foi quebrado.
E traz a cura para tudo aquilo que nós não conseguimos curar sozinhos.
Eu entrego a Ti o que não consigo carregar.
Em nome de Jesus,
traz a cura para este lar,
a paz para este coração
e a força para continuar.
Amém.
Cartas aos Céus 19 de Agosto de 2026
Cartas não entregues
São palavras não ditas, sentimentos sufocados e confissões que morreram antes de encontrar voz.
São saudades que não compartilhamos, abraços que ficaram suspensos no desejo, pensamentos que nasceram para alguém e terminaram sozinhos.
Às vezes, foram escritas. No papel, à mão, com a letra trêmula de quem sentia demais.
Outras, digitadas às pressas, em alguma tela iluminada pela madrugada, antes de serem apagadas, como se apagar as palavras fosse também uma maneira de esconder o que se sentia.
Algumas repousam em folhas esquecidas. Outras, em rascunhos sem destino, em bloquinhos digitais, entre mensagens nunca enviadas e silêncios que ninguém soube interpretar.
Talvez sejam essas as cartas mais difíceis de escrever: as que não pedem resposta, não esperam retorno, não chegam a lugar algum.
Apenas guardam, em algum canto secreto de nós, aquilo que um dia quisemos dizer.
E talvez o tempo passe, as pessoas mudem, a vida siga seu curso...
Mas certas cartas permanecem.
Não porque ainda esperem ser entregues, mas porque algumas palavras, mesmo quando nunca chegam ao destinatário, precisam existir para que o coração se lembre de que um dia sentiu.
A Linha do Extremo
Há uma espécie de agonia em viver entre o sagrado e o profano.
De um lado, tudo aquilo que escolhi preservar.
Do outro, aquilo que, em silêncio, me chama para além dos meus próprios limites.
Eu não quero me jogar ao extremo.
Aprendi a desconfiar dos excessos, a respeitar as fronteiras que construí dentro de mim.
Mas também descobri que viver eternamente recuada pode ser outra forma de ausência.
Porque há momentos em que a gente precisa negociar com o próprio limite.
Não para abandoná-lo, mas para descobrir até onde ele pode ceder sem deixar de ser nosso.
E talvez seja essa a parte mais inquietante:
saber que existe desejo,
saber que existe vontade,
saber que existe um abismo logo depois da margem...
e ainda assim permanecer ali, na beira, sentindo o corpo pedir passagem enquanto a alma pergunta se é seguro atravessar.
Não quero alguém que me arraste para o extremo.
Quero alguém diante de quem eu mesma tenha vontade de chegar até ele.
Devagar.
Consciente.
Sem perder quem sou no caminho.
Porque talvez a verdadeira entrega não esteja em ultrapassar todos os limites.
Talvez esteja em encontrar alguém com quem até o limite se sinta seguro para negociar.
Senhor, fica.
Meu espírito está cansado, meu coração está apertado e minha alma já não sabe mais como pedir socorro.
Eu não tenho forças para atravessar tudo sozinha.
Por isso, fica.
Se eu não conseguir entender, fica.
Se eu não conseguir orar, fica.
Se minhas lágrimas forem a única coisa que eu conseguir Te oferecer, recebe-as.
Não me deixes atravessar esta noite sem sentir a Tua presença.
Consola o meu coração, sustenta o que em mim está desabando e sopra vida onde já não encontro forças.
Eu só Te peço: não saias de perto.
Porque, Senhor, eu posso até estar cansada de tudo, mas ainda preciso de Ti.
você não parou de falar porque deixou de sentir.
você parou porque sentiu demais.
você tentou explicar com calma.
tentou de novo, com paciência.
depois tentou já tremendo por dentro.
até que um dia percebeu que estava lutando sozinha numa conversa que deveria ser a dois.
e então
você cansou.
não é orgulho.
não é frieza.
não é indiferença.
é exaustão.
é quando a alma decide que não vai mais implorar para ser compreendida.
é quando você entende que insistir demais também é uma forma de se abandonar.
agora você observa.
em silêncio.
não porque não tem o que dizer
mas porque finalmente entendeu que quem quer ouvir… escuta até o que não é dito.
Às vezes, o dono do meu silêncio é o cansaço, esse que não grita, só pesa.
Outras vezes, é o medo de dizer em voz alta aquilo que já faz morada no peito.
A mente costuma se ocupar de lembranças que não pediram licença,
de perguntas sem resposta,
de tentativas de ser forte quando tudo pede descanso.
E quando tudo ao redor silencia…
o barulho mais ensurdecedor é o que vem de dentro:
pensamentos que se atropelam,
culpas antigas,
desejos engavetados,
uma saudade que não sabe o nome.
O silêncio nunca é vazio.
Ele só revela quem está falando mais alto em nós.
Falas tanto de tua dor.
Queres ficar bom ou cultivar a dor?
A dor valorizada se transforma em vício.
Parece paradoxal, mas o cultivo da dor pode ser uma forma de preencher o tempo vazio.
Quem tem muito o que fazer, não tem tempo disponível para dedicar-se à dor.
Afinal, a dor nunca é boa companhia.
Cansei de brincar,
Cansei de ser enganado,
Cansei de mentiras, e de fingir que nelas acreditava,
Cansei de te ligar,
Cansei de correr atrás,
Cansei de me preocupar,
Cansei de tentar, de tentar te entender
Cansei de ter que esperar,
Cansei de fingir,
Cansei de mentir,
Cansei de aceitar,
Cansei de me cansar,
E agora me cansei de você '-'
O tempo nem sempre apaga
as nódoas do já vivido,
principalmente o sofrido
e as fundas marcas do amado.
Hoje eu não tô bem, tô cansada, me sinto irritada, mas não tô reclamando, tá tudo bem. Só estou querendo vencer o dia sem perdas, buscando me recolher no meu canto, tentando evitar conversas e possíveis desavenças. É nesse silêncio que me reorganizo, me reavalio, me reestruturo.
Tá tudo errado, não tá legal, mas tá tudo bem. Só estou tentando vencer o dia sem perdas.
Nem todo dia é feito para avançar. Alguns são feitos apenas para resistir com dignidade, para não piorar o que já está difícil, para atravessar as horas sem ferir ninguém e sem me ferir no processo.
Hoje não quero respostas, não quero decisões, não quero grandes movimentos. Quero apenas o necessário. Quero me preservar enquanto a tempestade passa por dentro de mim.
Porque aprendi que há dias em que a vitória não está em conquistar algo, mas em manter intacto aquilo que já foi conquistado. Há dias em que sobreviver ao peso, ao cansaço e à confusão já é uma forma de coragem.
Então sigo assim, mais quieta, mais recolhida, respeitando meus limites e aguardando que a vida volte a encontrar seu eixo dentro de mim. Um passo de cada vez. Sem perdas. Apenas atravessando.
Em uma conversa de pensadores...
Charles Chaplin diz: "A única coisa tão inevitável quanto a morte é a vida."
"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existem." responde Oscar Wilde.
Eu os observando, na minha modesta sabedoria lhes digo: "Não! Tudo é apenas uma questão de escolha."
Faz parte de mim ser
mesmo quando o mundo exige que eu me molde.
Ser inteira nas minhas falhas.
Ser abrigo quando o dia pesa.
Ser silêncio quando a alma pede recolhimento.
Faz parte de mim não caber em rótulos,
não diminuir minha intensidade
para que caiba na medida do outro.
Ser, para mim, é resistência.
É escolha diária.
É coragem de continuar sentindo
mesmo quando sentir transborda.
E se há algo que aprendi,
é que deixar de ser
nunca foi uma opção.
Reflexiva — porque penso antes de me entregar.
Profunda — porque não sei viver na superfície.
Contida e moderada — porque aprendi que nem todo sentir precisa ser alarde.
Mas intensa…
ah, intensa quando se trata de amar.
Não amo pela metade.
Não fico onde não posso florescer.
Não ofereço o que não sou.
Posso parecer calma por fora,
mas dentro de mim o amor é mar cheio
não faz barulho à toa,
mas quando decide tocar a margem, transforma.
Faz parte de mim essa dualidade:
a serenidade que observa
e o fogo que aquece.
E talvez seja isso que me define
não a intensidade isolada,
mas a consciência com que escolho onde depositá-la.
Hoje me perdi nas lembranças…
e, por um instante, não quis me encontrar.
Voltei a lugares que já não existem como antes,
revivi vozes que hoje só moram no silêncio,
toquei ausências que ainda sabem o meu nome.
Há memórias que abraçam.
Outras apertam.
Algumas ensinam.
E todas, de algum jeito, nos lembram de quem fomos.
Hoje eu me perdi…
mas talvez tenha sido só a alma visitando
as versões antigas de mim
para ter certeza
de que sobrevivi a todas elas.
