Textos em Homenagem a Amigo em Cadeira de Roda
Vagão mesquinho
Busão lotado, sem cadeira e sem ar condicionado
Encontrar uma cadeira é tipo uma caça, segura pra não cair, mas se cair do chão não passa
Quatro e cinquenta, tem que aguentar a demora e pode esquecer você nem senta
É um sistema horroroso, não tem lugar pra gestante nem pra idoso
Mas pelo menos tem busão…
Quase sempre em superlotação
Mas pelo menos tem busão?
Tem dia que falta, que o trânsito tá lotado o passageiro segue de pé e indignado
Mas será que eu tô reclamando de mais? Só que não vejo meu dinheiro chegando nos terminais
É que hoje em dia não se vê mais uma pessoa decente, e quem mais nos rouba e o tal “presidente”
Que era pra ser o dirigente mas estranhamente em relação a isso é ausente
Nos guiando pra uma rua sem saída, não comprou a vacina e foram milhares de vidas.
Na casa que meu avô morou,
Esse era o cantinho que ele sentava,
A cadeira que ele balançava,
Apreciando essa linda vista,
Vixi, e quando chegava visita,
Ali dava um valor conversar,
Histórias adorava contar,
Do passado chega batia a saudade,
Desde quando passei a morar na cidade,
Aos finais de semana eu sempre venho,
É grande a tristeza que sempre tenho,
Porque agora só encontro minha vó,
Do meu avô a saudade é uma só,
Do tempo que não volta mais,
Valorize seus avós e seus pais,
Enquanto vida tiver,
Porque quando o sopro da vida vier,
Nada os trarão de volta,
E o que verdadeiramente importa,
São os momentos únicos vividos,
O amor, as brincadeiras e o riso,
Tudo aquilo que encanta o coração,
Hoje posso dizer com convicção,
Cada balanço nessa cadeira é maravilhosa a sensação.
o outro lado da mesa continua vazio,
a cadeira que tu poderia ocupar continua vazia,
e também o lugar na minha vida.
e eu continuo te procurando em todos os cantos
nas livrarias,
nas padarias,
nos mercados,
e nas lojas,
mas você só está na minha mente, e não aqui, fisicamente.
o pior disso tudo é que eu acho que acabei com tudo,
mas talvez eu não consigo lidar com isso, porquê você é meu vício.
e ao mesmo tempo que você tira meu ar, você me dá vontade de viver, de pular e de gritar
mas eu continuo aqui,
e o outro lado da mesa continua vazio
e a cadeira que tu poderia ocupar continua vazia,
e também o lugar na minha vida.
sentei-me em uma cadeira meio suspeita, estava bamba e fiquei olhando o céu, estranho como a lua me prende a um pensamento aparentemente simples, coloquei meu fone ouvindo "la vie en Rose" e me perdi de mim, a forma como as estrelas me encantam quando Louis Armstrong toca o seu trompete e o tempo para de forma que as únicas coisas importantes no mundo sou eu, a música e o céu e é engraçado como eu tento saber quem sou através de estrelas, do brilho da lua ou até mesmo da velocidade que o vento bate em meu rosto.
coisas sem explicação tomam conta de mim, me diz, quem não acredita que somos um universo dentro de outro universo, sempre será assim, já ouviu Tim maia enquanto a chuva cai? como o céu muda, o brilho não existe nessa noite, as estrelas estão escondidas diante de nuvens carregadas e aí a sensação é outra, conforme os pingos d'água caem no chão encharcando a grama verde, as lágrimas escorrem pelo meu rosto e a melodia dói, não pela letra em si até porque "gostava tanto de você" é uma bela poesia mas conforme viajamos naqueles pingos de chuva, no vento mais forte e até mesmo no barulho que dança junto da música, a chuva lava e esse seria o momento perfeito pra lavar a alma, se perder nos mais profundos pensamentos sentimentos e caos, aqueles considerados confusos, se perca neles, chore ouvindo jazz clássico, ouvindo MPB e até mesmo apenas ouvindo uma poesia falada, se perca na paz do brilho do luar ou dos pingos frios que caem, é incrível como há beleza em tudo, e pra mim, estes dois momentos, estes dois cenários, da mesma maneira e mesma melodia, são coisas completamente diferentes, únicas e as mais belíssimas.
Mas um dia igual sentado na mesma cadeira velha ouvindo o tic tac do relógio, e olhando para o nada
É tudo tão estranho que é notável o vazio pelos cantos dessa casa
Me vejo sempre distante que nem um café forte consegue sacudir essa mente cansada
Isso parece solidão, mas sempre acho que é bem mais que isso.
A luz artificial das telas brilha cegamente em meus olhos.
Estou sentado em uma cadeira, imóvel, olhando para o nada.
Meu corpo está entorpecido, minha mente está vazia.
Parece que estou vivendo em um sonho.
Tudo ao meu redor é artificial, falso.
As pessoas são máscaras, as emoções são simuladas.
A pureza e a inocência humanas estão perdidas.
A tecnologia nos transformou em máquinas, automatizadas e sem alma.
Estamos presos em uma sociedade verticalizada, onde as pessoas são divididas em classes e hierarquias.
Somos controlados por algoritmos e algoritmos.
Não há mais espaço para a criatividade, a individualidade.
Somos todos iguais, todos iguais.
Estou cansado.
Estou cansado de um mundo artificial.
Eu quero voltar...
Voltar para a natureza
Para o mundo real.
Quero sentir o sol na minha pele e o vento nos meus cabelos.
Quero sentir a vida dentro de mim.
"Para garantir uma ergonomia adequada, a cadeira deve ter ajuste de altura, permitindo que os joelhos formem um ângulo de 90 graus; apoio lombar, para manter a curvatura natural da coluna; e profundidade do assento, para aliviar a pressão nas coxas. Portanto, escolha cuidadosamente uma mesa com cadeiras que se ajustem à sua estrutura corporal, pois um assento inadequado pode prejudicar sua postura, afetando tanto sua vida pessoal quanto profissional e familiar."
Rafael Serradura, 2024
"A estabilidade de uma cadeira depende dos seus quatro apoios principais, e o design, os materiais, a composição e a execução são essenciais para que ela cumpra sua função. Isso vai além do aspecto estético; envolve uma compreensão profunda de seu papel e de sua capacidade de suportar peso sem falhar ou desestabilizar. Assim, sua identidade fundamental reside na capacidade de sustentar o peso adequado, sem rupturas."
Rafael Serradura, 2024
Memórias
Quando a porta fechou
o silêncio já estava dentro…
Na sala
a cadeira de óculos
acomodando infindáveis
memórias.
A existência fecunda de outrora
morrendo lentamente
nas lembranças de agora
pela janela vê-se
o cavalo arrocinado
sem montaria
suando saudades galopantes
dos campos de outrora.
Na cadeira onde Deus inscreveu Seu nome, ninguém se assenta,
Uma faculdade sem livros, onde o conhecimento é farto.
Em lugares errados, buscamos as respostas certas,
E somos enganados por mentiras que se vestem de verdade.
Nós queimamos sem chamas, vivemos sem almas,
Em um mundo onde a essência se perde entre palavras vazias.
No presente amargo de um futuro incerto, enfrentamos momentos inesperados,
Navegando pelos rios da vida, onde as correntezas nos desafiam a ser fortes.
Para onde vamos com os ensinamentos que temos, o que faremos?
A vida é a sombra da morte, a doença a ausência de saúde.
Tudo se desenrola em seu tempo próprio, tudo tem sua hora,
O mel tem sua doçura, assim como o fel cumpre seu amargo propósito.
VEM FILHO
Vem, afasta-te deste lugar, não consegues ver e perceber logo que esta cadeira está reservada apenas para o chefe?
Levanta, vem.
Chama a Maria e o Miguel, vem com o Abel e a Marina, avisa também o Raul e a Carolina, a tua irmã mais velha, que o pão esperado por três só servirá para duas. Vem querido e juntos aprendamos a adaptar-nos à vida.
Filho, devemos andar com muito cuidado, porque estes lugares são propriedades de indivíduos que acreditam ter o direito de dominar tudo, usando a sua força física e autoridade ilegítima, criando um impacto bárbaro.
Consegues ver aquele destino à nossa frente? Ali é um lugar onde as almas são guardadas e preservadas, é ali onde está guardada a alma do teu querido pai. Ele foi assassinado, por um crime cometido por alguém a quem foi confiada autoridade, entre as sombras sem a razão e a colisão do abuso. Ele amava, sorria e falava o que quisesse falar e pronto, viveu, viveu, trabalhou e morreu.
Vem querido, vem, não passes daí, não passes, não é qualquer um que passa por aí, vem daqui e vamos viver em busca do caminho que devemos trilhar; mesmo que, por alguma providência divina, as asas nos tenham sido arrancadas. Não admires, estes são lugares onde o repouso dos corpos, é como sementes esquecidas em terras sem estrume.
Encontramo-nos à beira de um precipício no tempo, onde o poder curativo na sabedoria é escasso, com pouca educação no ensino e muita punição na educação. O futuro da próxima geração permanece incerto, porque há seca e praga na quinta de vegetais.
Querido, nem eu sei, não sei, só peço que te afastes daquele teu parceiro que se associa com aqueles indivíduos enganosos de fato, aqueles que exibem sorrisos falsos no rosto, prosperando em atividades ilícitas.
Porque se te envolveres com eles, a confusão certamente te dominará e serás vítima das consequências que esses homens impõem, e nesse dia, a tua vida não terá qualquer valor para aqueles indivíduos que, ao procurar o poder, o fazem armados, serás preso, sujeito aos seus duros julgamentos e eu talvez nem esteja lá para proteger-te.
Filho, com o passado aprendido, deixa as impressões na razão e lembra-te que, influências são o que são, em sua essência única e inegável, tem cuidado com o que fores fazer, porque a maldade de uma pessoa pode estender-se a milhares, e a própria existência é um compromisso filho.
Evita aventurar-te em águas perigosas, pois lá dentro estão crocodilos traiçoeiros, eles são conhecidos por sequestrar indivíduos que, como eles, possuem também um propósito nesta terra.
Sê feliz, não faças muito, brinca com alegria, come com vontade e não derrames lágrimas, não derrames, pois esta é a dura realidade do nosso mundo. Se duvidas das minhas palavras, aventura-te pelo mundo e testemunha por ti mesmo.
Mas agora, já não é hora de roer as unhas de ansiedade, voa filho, voa! Lute mais, se queres ser homem.
Sentado na cadeira,
Vejo uma linda estrela.
Olhando aquela clareira,
Sinto você aqui na beira.
Mas, que besteira,
Maneira, na eira,
Da Leira, com sol na moleira.
Literatura brasileira,
Quero deixar meu nome na mesa,
Chubsco, é nação hospitaleira,
Afro-brasileira, Maçarico-de-coleira,
Pauleira, só não tenho vida fuleira,
Filho de arrumadeira,
Levamos na leveza,
Tipo prateleira,
Maria-cavaleira,
Cadeira
A voz que acalmou os mares
me convida pra sonhar
Te convida pra sorrir
não quer mais lhe vê chorar
Moça pague essa cadeira
e leve tudo que me deu,
quero nada, tudo é seu,
quem perdeu você, foi eu
E o astro rei
quando o dia amanhe
e com seu brilho
fauna e flora aquece
Emergindo sobre o céu
um foxe de luz
que em vida traduz
tudo que na terra se faz procriar.
Todo o verde a luz
No balé da esperança
e ao luar se encantar.
Uma cadeira, duas almas, duas histórias se encontrando...
Um registro tatuado na lembrança.
Amigas são irmãs sem barrigas compartilhadas,
unidas pelos sonhos, pelas recordações e pelas brincadeiras no caminho...
Sem Ti, meu coração seria vazio, oco, sem histórias ou risadas.
Sem Ti, o meu Eu seria distante, tão distante que nem saberia quem sou...
Obrigada pela companhia, pela caminhada, pelas felicitações de aniversário.
Grata pelas mãos trazidas pelo tempo, pelas preces, por se fazer presente em meu coração.
Maturidade
Sentado numa cadeira de balanço, daquelas de madeira em que se escuta o ruída de coisa velha a cada chacoalhada, passava as tardes quase sempre frias e secas daquele inverno de Moscou.
O movimento do corpo, outrora em zigue-zague portando um discurso eloquente e apaixonado na sala 18 da Faculdade de Letras e FIlosofia, passou a ser as carícias na barba e rotineiras idas a cozinha sacar um café na máquina de fazer expresso, ganho de seus alunos no quando de sua aposentadoria.
A propósito de seus alunos, que antes o assistiam com tamanho entusiasmo e devoção, tinha a companhia de uma criança naquelas tardes aparentemente pacíficas. Era como se, no fim da vida, oferecesse a alguém sua experiência, mas ganhando, em contrapartida, o ânimo e potência de vida que o café já não lhe dava mais. A criança gritava, pulava, mordia, beliscava, o fazia rir como naqueles velhos tempos que lhe eram permitidas as estripolias.
As tarde frias e pacíficas, assim como a demência nunca o habitara. Não se sabe se era o velho que voltara a criança, ou se falava a criança que habitava o velho.
“Lembranças:
Ilhado a minha varanda, sentado na velha e ranzinza cadeira de balanço, meu olhar abrangia tudo que não se podia ver, a chuva e o sol, compartilhavam e harmonizavam pelo mesmo espaço no ar, um arco iris era formado, e nele eu podia ver seu retrato, segui com meus olhos em plena euforia sentindo uma brava nostalgia, toda a minha vida revivia, rimava e sorria, até que a cadeira parava e um de meus olhos abria, era um sonho eu dizia, que desalegria.”
— Senhor vivendo em um mundo pós-guerra.
Para Rennan peixe
Cabelo ruim,
Morde a língua no declamar
Não tem cadeira,
Nem chão
Quando a palavra é que te faz voar.
Irmão do meu silêncio
Não somos filhos do mesmo deus,
Nem sei se o que falas é meu,
Mas se tu falas sou todo atento.
Nem peixes é...
Cecília não decidiu!
Mas se areia tua mão viu
Pisas de leve na maré.
E se um dia Deus quiser
Guardarei teu nome de alto mar
Pois se um dia eu me calar
Tu falas por mim aonde estiver.
O ENCONTRO
Sem perceber que a vida é bela tava ali sentado ao lado dela, na cadeira de bar sobre a mesa nossas vidas exposta em palavras tendo como teto o céu estrelado, noite de sereno com a brisa fria, que momento não avia agonia sim alegria, meu coração bateu tão forte quando toquei as mãos dela e meus olhos olhavam para ela com tanta admiração que as pupilas dilatam, a noite acabou não fizemos amor apenas semeamos o desejo com Um beijo.
A casa de madeira no balança das arvores a cadeira de balanço são guiada
A luz se estende na varanda e arrastada para o horizonte agonizando
No estalar da madeira a alma fria solitária se escora na inquietude falsa paz
Rasga o coração sobre o vento fino que caminha na encosta e respaldado nas flores e relva do campo tarde tão tétrica neste vazio desigual
Caminho no desfiladeiro e as pedras assustadas ver meus olhos em sangue lagrimas e fel
A calmaria faz o vendo falar no sopro constante que escorrega da colinas agudas
Morro cada dia sem você nas encostas do mar lambe minha agonia na gastura da luz da lua
Me esmiunço em detritos adentes que retalha meu coração na sede do seu amor ausente
As nuvens rasgadas no céu frestas de luz invade a sala e não toca meu coração
A luz do entardecer toca a grama amarelada e na estridente agonia meu sangue corre no contraste dor
Nas batidas fracas de um coração sofredor
Por Charlanes Oliveira Santos ( Charles )
Pra que a gente possa um dia
Sentar-se na cadeira de balanço
E Num final de tarde
Olhar pela última vez
Pra dentro de si mesmo
E dormitar
Até que a morte venha
E nos acorde delicadamente
Pela primeira vez
Perceber que a vida passou
Não fica quase nada
Pouca coisa além que relações de afeto
Isso apenas nos indica
de que sempre
Alguma coisa vem
Mesmo que não fique quase nada
Fica o pó de giz, que flutuava à luz do Sol
Fica a Lousa apagada no final da aula
A bicicleta quebrada, lá no fundo do quintal
Que igual à vida
Foi ficando pra outro dia
Fica a lembrança
de um nome escrito na calçada
Quando o cimento permitia ainda
O Primeiro dia de trabalho
Aposentadoria
A condução que chacoalhava
A notícia boa que não vinha
Tinha também a ruim
Fica a culpa
Que toda desculpa despejava em mim
Os abraços que nos demos
Os laços de amizade e de amor
Só não fica nenhuma dor
Conforme a cadeira balançou
Ela se foi
Pois não pôde ser dividida
A arte da vida ensina
Que sempre existe alguma coisa
A jamais ser repartida em dois
Termina quando a gente sabe
e aprende
Que há sempre algo
Que ao nosso saber não cabe
E um dia qualquer
Pode ser a qualquer hora do dia
Será sempre o final daquela tarde
Quando o tempo finalmente nos alcança
A cadeira balança uma última vez.
Edson Ricardo Paiva.
