Coleção pessoal de edsonricardopaiva

1 - 20 do total de 1226 pensamentos na coleção de edsonricardopaiva

"Sonhei com a simplicidade
Não sei quanto tempo levou
Mas o instante levou
O tempo que a vida leva"

Edson Ricardo Paiva

edsonricardopaiva

Eu tive um sonho pequeno
Era plena a alegria
Era noite de verão naquele dia
Eu sonhei que uma doce Lua
Brilhava no Céu, tão bela
Igual que se estrela fosse
Mas sonhei que era noite de inverno
E que tinha sopa de ervilha
Um prato de pão torrado
E uma estante cor de palha
Sonhei com a simplicidade
Não sei quanto tempo levou
Mas o instante levou
O tempo que a vida leva
Pois eu sei que a memória falha
Mas não sei se essa vida é verdade
Eu só sei que sonhar não é escolha
É como um vento, que varre as folhas
Então, só sonhei
Que eu estava sentado à mesa
E que tinha fogueira acesa
E também um amor ao meu lado
Eu tive um sonho bonito
Eu tive um poema escrito
E eu tocava um violão
Cantando pra Lua, tão bela
Mas não sei que Lua era aquela
Nem o nome do anjo que a trouxe
Mas, brilhava no Céu, tão doce
Igual que se estrela fosse!

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva

Escuridão
É um lugar muito triste
Mas esse lugar existe
Pra que gentes de alma ruim
Lá, procurem outras gentes assim
Que digam que são do bem
E também tenham alma escura.

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento

Faz tempo que percebi
Que o tempo passa
O que levou um pouco mais de tempo
Foi pra eu ver por onde ele anda
E quanta coisa esse tempo esconde
Porque, por mais dias de Sol que se faça
E por menos que o tempo se feche
E o mato cresça
Por mais tardes que a noite escureça
O tempo passa sim, mas não se mexe
O fato é que passou por mim
Eu sei disso, pois estou aqui
E depois do compromisso
Que eu cumpri com o tempo
Percebi
Que parte disso consiste
Em perceber-lhe a passagem
E manter-se sereno e em paz
Por menos que se conquiste
Porque, por mais que se corra
Não se vence o tempo em seu terreno
Vai-se à frente às vezes
Mas depois ele te passa
E não adianta correr atrás
Eis a lógica do tempo
Ele sempre corre mais
Basta ver a imagem refletida
E depois perceber
Que é um espelho da consciência
E que o tempo
Se esgueira pelo lado escuro
Onde nunca se olha
Fingindo inocência
Talvez, por conveniência
Se pensa que ninguém vê.

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento

O vento
Que leva os pensamentos
Pensava
Que será que apenas os leva
Ou será que as tantas névoas
Cujas quais
Ele atravessa
Mais e mais o faziam
Entregá-los pelo avesso
E desse jeito
Simples pensamentos
de apelo
Lá pelas tantas
Do final do dia
Os havia demovido
Em pretensão
Amores em ódio
Simpatia em repúdio
A dúvida em certeza
E até mesmo
A mansidão adquirida
Lentamente, ao longo do caminho
Em questão mal resolvida
Que o avesso pensamento
Ou trouxe, ou transformou-se
Talvez, como prelúdio
Para o início de uma nova vida
E o vento percebeu
Que por breve momento
Passou por um desconhecido
Cujo nome era medo
Era cor que evapora
Era dor, era fome, era orgulho
Uma senhora sorridente
Mas seus passos não vem atrás
E nem vão à frente
Caminhando sempre ao nosso lado
Embora enevoados e sem fazer nenhum barulho
Quem treinar os olhos
A pode perceber
Mas somente se o quiser
De sorte que lhe falou
Sobre a existência de um lugar
Onde morrem os ventos
Mas que ninguém o sabe
Além de Deus... e da morte, talvez
Pois a hora marcada
Jamais esteve nos ponteiros
E o momento presente
é sempre breve
E a verdade, cada vez mais escondida
Nos segredos que o tempo escreve
Por detrás do denso nevoeiro
Que por ora
O vento atravessa
Sem pressa
e nem demora
A cada coisa o seu tempo
E a todo tempo
A sua hora
Mas que a vida
É um breve momento
Frágil como a neve
E tão leve como o vento
Mas que cada um de nós
Escreve
Em qual direção
Deseja que o vento a leve
Embora não veja
E, talvez, seja por isso
Que a chuva chora.

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento
Tags: edson31jan19

Se você chegar lá
Vai perceber a diferença
Entre ter alguém
Que lhe acompanhe com o olhar
Até você sumir na curva, ou não
E me contar se você viu
O frio, a cara de riso
Na tempestade negra que caiu
E o momento em que foi preciso
Fazer a exceção tornar-se regra
São essas coisas assim
Que tem o valor do que são
Portanto, enquanto ainda houver
Cura para os cortes...use!
Porque
Um laço de fita, um olhar
Prende a alma pelo encanto
Se você chegar lá, vai entender
Que pra quem não sabe o que quer
Tudo sempre se encaixa
E qualquer coisa serve
Mas que nada preenche a vida
Pois a vida é breve
Então, enquanto existir atalho
Ao caminho da morte...recuse
Pois, é sim, sempre possível
Encontrar o que tanto procura
E depois deitar tudo fora
Quando você chegar lá
Finalmente, vai saber
A razão
da lição que dizia
Que um mais um, são dois
E outras coisas que não sabia
No dia em que descobrir
Que o vazio
Ocupa um espaço imenso
Penso
Que nesse momento
Teus pés vão pisar no chão
Pois, quando a alma apenas voa
É sinal que viveu à toa
E, que pena, voou em vão!
Pois a visão era turva
Se você chegar lá
E descobrir
Que ainda existe sorte...não abuse
Tomara que tenha ao seu lado
Alguém que te ame de verdade
Te olhando, até sumir na curva
Porque, se não existe igualdade
Todo dia é do mesmo jeito
E tudo é igual, tristemente.
Pois é preciso ter amado de verdade
Pra ter o direito a deixar saudade.

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento
Tags: edson25jan19

"Eu quis fazer a seleção
dos meus melhores "quases"
Mas a minha sucessão
de quases foi tão imensa
Que penso ter sido, talvez
A unica vez na vida
Que quase não tive dúvida
Eu quis fazer e não fiz
E eu quase fiquei feliz
...mas não deu!"

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento

Era estrada de caminho incerto
Incerteza que andava por perto
Andava, que...por ser caminho
Se chamava estrada
Ao contrário, que se pressupõe
Era sim, um caminho
Mas era apenas ida
Com pequenas diferenças
Havia lances de escada
Faces largas e falsos sorrisos
de cara cansada
Mais nada, além do preciso
Havia chovido e ressecado
E também de vez em quando
Tinha gosto de pão amanhecido
Com cor de aquarela
Dependia da luz
Vez em quando, desbotada
E bela no instante seguinte
Não falava nada
E também não era bem ouvinte
Era pressa, era espera
Era uma fera
Dessas, que parecem mansas
Que nem gente velha
de tão velha despertou pra vida
Cuja experiência
Convida a ser criança
Parece até que não pensa
Mas pensa
Bem mais que se pensa
E não se arrepende
Parecia justiça
Parecia que era
Só não digo que era
Porque era brasileira
E não pendia pros lados
Portanto, a chamo de estrada
Por enquanto é tudo
Mais nada.

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento

Amanheceu
Eu já estava levantado
Quando amanheceu
Minha vontade que amanhecesse
Carregou meu sono
O dono do lugar onde se fazem sonhos
Andava triste comigo...e eu com ele
Então eu fui para a janela
E bem antes do amanhecer, amanheci
Em pleno fim de madrugada
Reparei
Que o próprio Planeta Vênus
Brilhava um brilho mais ou menos
Alguma tristeza qualquer
Tinha levado os seus sonhos também
Penso que ninguém sabia
Mas quando a estrela brilha mais bonito
Está sonhando sonhos sem iguais
A diferença
É que quando amanhece
Cá da Terra vemos
O lugar onde nascem os dias
Mas as estrelas, quando acordam
Podem olhar para o infinito
Um lugar
Infinitamente mais bonito
Que esse que a gente vê
Mas naquele amanhecer
Bem antes de o dia nascer
As estrelas faziam questão
De me mostrar que também me viam
E eu tinha a nítida impressão
Que me reconheciam
Enquanto cresce essa distância
A importância das coisas desimportantes
Passa a importar diferente
E é só nesse momento que se repara
Que o mesmo Deus
Que preparava o dia das folhas
das correntes de vento
das gentes que pensam lento
dos algozes e dos pedintes
Chegava antes no lugar
E preparava o dia dos insones
e das estrelas também
de modo que, sendo invisível aos olhos de ver
Amanhecia, do jeito que amanheceu
E tanto as estrelas, quanto eu
Debaixo daquele Céu, não via
Por falta de olhar mais profundo
Não via
Mas todo mundo obedecia
Pois não há como prender a noite
Tampouco impedir o dia.

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento
Tags: edson20jan19

Cada coisa em seu lugar
Pois, cada qual tem seu tempo
Somente a dor não tem par
Mas pro erro, há comparação
A todo mal, seu lamento
Lentamente
A folha amarela no outono
O plano antigo de viagem
A chance de ir lá
E ter como certo a miragem
O vazio do deserto
Anda propenso a estar por perto
Penso, que apesar de imenso e frio
É um lugar que não me cabe
A própria vida que se sabe
Uma ilusão
Olhares pra além do horizonte
Além de horizontes, verão
Há, pra cada espera, o momento
Cada flecha lançada, aflição
Para todas escolhas, colheita
A doçura do mel, talvez não
Para toda falsa luz
Existe a sombra da verdade
E, pra toda liberdade, uma prisão
O alento é na outra estação
Quiça, cada luz tem seu Sol.
À boca de meias-verdades
Um ouvinte que se foi
A batalha que você não vence
Era sua e sequer lhe pertence
Na página seguinte
Todas as imagens belas
Mas alheias
A cada mar o seu vento
E pra toda nau sincera
Procela, escuridão, a vela sem direção
À goteira, o telhado que não desabou
O ás do baralho perdido
O curinga que se esconde ao lado
A palavra que faltou
O desconto no mercado
As fases da Lua
Para a frase o ponto final.
Nuances de uma mesma face
A escada que ninguém galgou
Estrada pouco iluminada
O lugar da partida, o adeus
No cume de qualquer montanha
Há o início da descida
No passado de qualquer memória
Vaga lento um vaga-lume
Num canto esquecido, uma noite qualquer
Mas o tempo vai trazer dezembros
Para tantos janeiros quanto houver.

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento
Tags: edson19jan19

"A vida passou tão depressa
Que só nesta fase da vida
É que me ocorre o pensamento
Do quanto teria sido inútil
Ter tido o medo que quase senti
Pois a vida não parou pra ser perfeita
Por isso foi sendo refeita todo dia"

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento

Não tive medo da vida
Pois quando aprendi
O sentido da palavra medo
Eu estava muito ocupado
Vencendo todas as dificuldades
Que, por si só
Teriam destruído a vida de muitos
Não tive tempo de sentir medo
Pois o tempo não parou pra isso
Nem busquei uma causa, razão
e nem motivo e nem sentido
A vida passou tão depressa
Que só nesta fase da vida
É que me ocorre o pensamento
Do quanto teria sido inútil
Ter tido o medo que quase senti
Pois a vida não parou pra ser perfeita
Por isso foi sendo refeita todo dia
Qual fosse um castelo de areia
Quando a gente tenta e tenta
E não tem por onde
Pois quando não venta forte
Vem sempre uma onda
De modo que no fim da tarde
A gente percebe
Que nem tudo está perdido
Há uma palavra escondida no vento
O tempo, sem pressa ensina
Que a beleza das coisas
São como promessas, escritas na areia
Mas quando a gente tanto insiste
Em tentar fazê-las
Aprende a fazer desenhos
Nas estrelas que o Céu ponteiam
Por isso não tenho medo
e também não me sinto triste
Existem mais delas no firmamento
do que todas as areias sem firmeza
Que o vento, sem dó
Carrega por entre os dedos
Talvez, por não ter sentido medo
É que descobri
O sentido da palavra vida.

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento
Tags: edson16jan19

Mas, por que é que será
Que há sempre regras a seguir
Desde criança
Eu tinha hora de querer ou não
E me mandaram descer da árvore
E jamais subir no muro
Gostar da dança em que não via graça
E tinha hora de dormir
No quarto escuro
Tela em branco
A vertente de estrela
Era o fogo do Sol
O fato é que Atlas
Mais forte que eu
Obedecia
E sempre havia
Uma vela apagada
Capela
Uma destreza felina
No inferno, onde há caça
É triste
Mas de fato existe
Um prazo pra folha cair
A nuvem tapa o Sol
Mas a luz não se vai
Nem antecede a hora marcada
E em cada recinto que pisei
Alguém queria sempre ser o rei
Em cada lugar
Tinha veneno
Que vinha de bicho ou de folha
...Mas tinha e tanto mal fazia
A cada qual
Conforme a imprópria natureza
Era o mal sentado à mesa
Muitas vezes no lugar ao lado
Conforme gira o mundo
Há uma vaga ideia de que o mundo gira
São coisas que a gente ouve
Não escuta
E pensa que entendeu
Mas é esperto o suficiente pra mudar
E parar o tempo e fazer melhor
Pois podia voar triunfante
E ir mais adiante que qualquer condor
Não há nada que se achegue perto disso
E tinha uma vontade
Bem maior que a correnteza
Não havia espera e nem tempo
A fera no fundo do rio
Não pensa
E eu pensei
Que pensava melhor do que ela
Até que numa bela tarde...a folha cai
E o veneno destilado, do lugar ao lado
Faz a gente olhar a vida
de maneira diferente.

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento
Tags: edson15jan19

Se Deus te permitir esquecer
esqueça-se do sofrimento que te causaram
e sempre que perceber que
lhe foi permitido crescer
faça como as plantas
e cresça em direção à luz
quando te pedirem que fale
se não puder falar bem
então se cale
quando te perceberes
que lhe é dado o direito
ao silêncio
aproveite para refletir
raciocine sobre o quão é bom
não ter a função de acusar,
selecionar, praguejar e maldizer
quando te for permitido ler
leia de tudo, aproveite o que for bom
assim você vai aprender
a afastar teus ouvidos
daquilo que não vale à pena ouvir
e tua boca aprenderá
o quanto é bom dizer coisas
que resultem coisas boas
porque não existem palavras
que se pode dizer à toa
não se compra sabedoria
inteligência é como as flores
que se colhe no dia-a-dia
pense em quanto é bom
poder fazer o mal
e não fazê-lo
Com a medida que permitires
também lhe será permitido.

Edson Ricardo Paiva

edsonricardopaiva
2 compartilhamentos

De vez em quando
Eu ouço o som de uma voz
Que, amiúde, diz algo de bom
Quis Deus, que essa voz
Em algum momento
Não viesse de um passarinho
Do vento, da prece
Nem de um ninho qualquer
Que vazio estivesse
Uma prece fria, uma ladainha
Qualquer resposta imaginada
Palavras que
de minhas, não tinham nada
Estas
Pra meu bem, vem de mim
Pois
Quando aquele que fala
É o coração da gente
Você pode até pensar em fugir
Mas nunca as esquece
Assim, eu posso me sentir perdido
E sem medo
Hoje eu sei que há lugares ruins
Com vasos de flores na janela
E brisa de ar de alecrim
Onde cada sorriso
Tem um prazo de validade
E o endereço de destino
Passa longe da rua que eu moro
O segredo, pra ficar distante
É que a gente pensa em nem pensar
Na tristeza que basta lembrar
Pra não querer
Descobrir em qual lugar se esconde
A boa porção
da semente que não germinou
Qual se fosse a luz da Lua
Refletida, mas no fundo da lagoa
Existe um tempo de espera
Um bilhete de viagem
Estar no mundo e na vida
Numa breve estadia
Mas que não mera passagem
E parado, ali na plataforma
A maneira de enxergar a vida
Se desmonta e se reforma
Assim se renova
Uma espécie de medo
Se apossa da alma
Bem de leve
Perceber, que apesar de tudo
Sequer por um segundo
Ninguém nunca está sozinho
E nem perdido
Acontece com qualquer criança
Em algum lugar escuro
Da floresta encantada da vida
Brincar de esconder de si mesmo
Pra poder se buscar
É preciso um olhar mais profundo
Que só tem
Aqueles corações
Que são bem simples
Despidos
De tanta oração complicada
Bonita e bem elaborada,
Da ilusão fingida e triste
Que a maldade deste mundo ensina
E que no fim ... não leva a nada.

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento
Tags: edson13jan19

Não
Eu não estive
em todos os lugares
E também não gostaria
de estar ou de ter estado
Não
Eu nem posso dizer
Que vi todas as cores
Há dias que desconheço
Quantas existem
Não
Eu não vivi
Nem todas as tristezas
E nem todas as alegrias que o mundo tem
Há dias que me sinto bem
E tem dias que estou bem triste
Não
Eu não vivi a vida de mais ninguém
Além da minha
Vivi da maneira que eu pude
Dispondo das coisas que eu tinha
Nuns dias eu via calor e janelas fechadas
Nuns dias a chuva ameaçava
E no outro ela vinha
Não
Eu não tomei todas as chuvas
E nem ouvi a todas as negativas
Eu tive uma vida e vi flores vivas
Eu tive um pião, uma trave de gol, uma lata de linha
Eu tive um emprego e amigos e amor
Escrevi poesia, aprendi violão
Eu tive família; pais, irmãs, irmãos
Brinquei de formiguinha na barriga de uma filha
Esperei a sorte que vem e ela não vinha
No meio do dia
A morte que nunca esperei
E no fim ela veio
Tão singela quanto a vida
E na hora da partida um pensamento
Este mundo tem muitas vidas
E tem gente que as quer viver muitas
Não
A minha não foi a melhor
Mas foi uma só
E eu só vivi a minha.

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento
Tags: edson11jan19

"Tem coisas
Que não tem como dar certo
Algumas delas
Custam um certo tempo
Pra que, no tempo certo
A gente se convença
Que não tinha como dar certo"

Edson Ricardo Paiva

edsonricardopaiva
1 compartilhamento

Hoje
Pensei que fosse
por acidente
Pois encontrei-me comigo
Achei que era sorte
Pois era aquele lado de mim
Que era amigo
E que eu nem percebia
Que tinha deixado saudade
Mas como o acaso inexiste
Cheguei a sentir-me um tanto triste
Quando percebi
Que ele esteve sempre aqui
E era eu
Que tinha me afastado
De mim mesmo
Acontece
Que isso acontece
Muito mais do que se pensa
Mas o tempo passa depressa
E um dia, de repente
A gente deixa de perceber
Que existe sim, diferença
Entre viver somente
E viver
E querer estar comigo
Gostar de mim
Assim, do jeito que eu era
Imperfeito, assim como sou ainda
Porém um tanto mais vivido
Pois, não existe
Ninguém neste mundo
Mais indicado que eu
E esse meu lado que gosta de mim
Pra poder me aconselhar
Nas horas que pensar em ficar triste
E agora
Vou estar comigo
Até o fim
Só não sei por que foi que eu permiti
Que a vida toda
Não tenha sido assim.

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento

Olhar o mundo
Pelos vidros da janela
Em vez de ir lá e ver
E depois, quando a garoa estia
Dizer que durante a tempestade
Mil relâmpagos havia
E os via de dois em dois
Ilusão tão ranzinza
Num céu pra lá de cinza
Sonhar outra vida
Refutar à própria estrada
Não chegou a nada
E perdeu a chance de ser
A pessoa que era
Chorou, na chegada no outono
O riso que fingiu na primavera
E nem era preciso
Você tira o canto ao pássaro
A impor-lhe uma vida de espera
Um cântaro vazio
Água fria não há
Mas tem sempre uma nascente oculta
Num lugar qualquer da poesia
O poeta a busca
Enquanto o pássaro a pranteia
Volta e meia se confundem
A escuridão revela
Claridade ofusca
Patéticos detalhes
Arquétipos pra lá de tolos
Os ares ao redor de Éolo
Serão sopros de ideias novas
Sempre as velhas mesmas
Resultando em nada
Estrelas no céu
Manto estampado
Um oceano em baixo
Pode ser que ao lado
Fronteiras do mundo
Simplesmente areia
Ilusão que germina a semente
Tão astuta era a promessa
Que resulta morta
O caminho era torto
Perde a luta e teu melhor da vida
Criança de braços abertos
Tropeça
Com pressa de abraçar o mundo
Abraça o chão
Simplesmente ilusão
E chora, até que percebe
Que teria sido um tanto bom
O tom do sustenido inverso
Ter nascido um simples grão de areia
Viajar por entre versos
E passear por todas as esferas
Estrelas, quasares, grupos de Planetas
Tão bonito e imenso Céu
Atravessar a vida
Na garupa de um cometa
Entoar, de carona
Um murmúrio inaudível
E segue a eternidade
Cantando a milhões de Universos

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento
Tags: edson05jan19

Mar
Nada mais
Que deserto
Apesar
de tudo que a gente pensa
A única diferença
Entre Mar e deserto
é a água e a sua ausência
Tudo mais
é Sol por cima
há vida por sob ambos
e dispersos caminhantes
Tudo mais
Assim como era antes
Compara-se a isso
A única diferença
É estarmos atentos
ou não
No momento certo
A própria vida
Ilusão concreta
Algo errado
Que deu certo
ou não
Tudo mais é atravessar
O Mar
Deserto
Solidão!

Edson Ricardo Paiva.

edsonricardopaiva
1 compartilhamento