Lucian Rodrigues Cardoso

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Amigos podem ficar no meio do caminho, mas nunca antes de completarem seu percurso.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por andozia0905

O dia que não se aprende é um dia que não se vive.

Lucian Rodrigues Cardoso

A rima revela

O seu nome,
balbuciei ao lhe ver da janela
ao não ouvir me senti numa cela
comigo mesmo travei uma querela
pra gritar e mostrar à favela
Que o seu nome,
por rimar com novela
e canela,
não é Marcela
ou sequer Gabriela
Porque o seu nome,
se inspirou este poema a ela
que escrevi num balcão com Stella
e selei com os pingos da vela,
esqueci de botar o nome dela.

Não importa.
Só por rima o amor se revela.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

Autoanálise

Analisar a si
é saber porque sente
e não deixar de sentir,
é saber porque cai
e não saber resistir,
é dividir-se em partes
e ter-se em todas a ti,
é voltar-se pra dentro
e encontrar-me em mim.

Analisar a si
é escrever o poema
e ser poeta de si.

Lucian Rodrigues Cardoso

Que se revele o amor: eu não

Pra que revelar este amor
sem indícios de ser correspondido,
se estes meus olhos não bastaram
pra mostrá-lo conhecido?

Pra me apontarem o dedo
me zombando distante da realidade
dizendo ser invenção
um sentimento de verdade?

Não! É que as noites,
como esta que perco por ti,
poderão e devem ser
as mesmas em que sonhas sem mim.

Portanto, não revelarei um amor
inútil porque sem esperança
deixo ele aqui, cá dentro,
como dormíssemos feito crianças.

Lucian Rodrigues Cardoso

Eu Três: Três Eus

Eu com ela...

Estou eu,
eu com ela.
Em eu com ela,
quem sou
eu?

Em eu com ela,
sou eu
com ela.
Em eu com ela,
sou eu
e ela.

Eu sem ela...

Estou eu
eu sem ela.
Em eu sem ela,
quem sou
eu?

Em eu sem ela,
sou eu
sem ela.
Em eu sem ela,
sem eu
e ela.

Eu comigo mesmo...

Estou eu,
eu comigo mesmo.
Em eu comigo mesmo,
quem sou
eu mesmo?

Em eu comigo mesmo,
sou eu
eu mesmo.
Em eu comigo mesmo,
sou eu
o mesmo.

Teu
nosso
meu...

Tu, nós
eu.

Três formas do eu.
Em três formas,
sou eu.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

Feliz Dia de Finados!?

Neste dia, triste de finados,
não mais o luto novamente,
dever-se-ia “comemorar “
os filhos que estão vivos
os pais que aqui ficaram
a vida dos presentes.

Pra lembrar de quem perdi,
do meu querido ente,
não preciso de uma data
dum sentimento de um só dia
como sentisse e fosse embora
programado e de repente.

Desfaz-se a chuva
e comemore de forma diferente.
Grite a vida – não sua falta,
posto que os mortos que perdemos
não existem - e desaparecem
sem os seus sobreviventes.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

O porquê não grito tua beleza

Eu, ao falar que hoje estás bela, cairei em grande redundância.
Há que se buscar outros elogios, categorias do admirar,
pra fugir do lugar-comum, este que é tua beleza diária.

Estás esplêndida? Esplêndida és todo dia...
Fantástica? És todo dia...
Sublime? És todo dia...
Maravilhosa? És todo dia...
Todo dia és tu, tu e tua beleza.

Calar-me-ei pra que, tolo, não grite o cotidiano.
Admirar-lhe-ei somente,
pois meus olhos também são os mesmos, diariamente.

Há que se fugir do lugar-comum que é gritar tua beleza.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

Súplica sóbria ao amigo

Sempre que um namora
é provável que um amigo,
este suma.
Na paixão,
hoje é Lais, Erika mineira
uma do sul, Ana carioca
loira em Piúma.

Diego, grande amigo
companheiro da vida noturna,
apaixone-se pela Federação
não ame a nenhuma
que a boemia serve a paixão
esta que bebe, esta que fuma.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

Os Pais Não Morrem

Transpassam os tempos
não só da infância.
Na mocidade, velhice
os pais não ficam
nem na lembrança.

Não são esquecidos,
não há saudade.
Os pais vivem,
em corpo ou não,
na eternidade.

Os filhos , pelo tempo, limitados
os pais não o são.
Os pais são eternos,
eternos, na de outro ser,
limitação.

Os filhos , reféns do tempo, parados
são “as crianças”.
Se agora adultos,
por hora ficam
pros pais, na infância.

O amor dos filhos,
de ser eterno, incapaz.
Perenes ficam
se um dia os filhos,
virarem pais.

Os pais só morrem
caso vá os filhos, esses, sem fruto.
E se os filhos morrem,
deixando filhos , não há um fim
os pais, eternos, desfaz-se o luto.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

O olhar do poeta escapa

Quintana disse: Ao olhar do poeta,
não escapa nada.
Mas, não seria: O olhar do poeta
não escapa à nada?

Não!
O olhar do poeta escapa,
escapa à pessoa amada.
E, quando escapa,
tudo passa; o tudo é nada.

O passarinho voa, treme uma asa
pro poeta, nada.
Uma nova estrela, revelou a Nasa
pro poeta, nada.
A formiga anda, adentra a casa
pro poeta, nada.

Se seu olhar
somente escapa
à pessoa amada,
pode-se dizer
que somente dela
depende o tudo
e depende o nada?

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

Pra Yasmin

Yasmin,
se pr'alguns
é nome,
és flor
pra mim.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

Mirela tem Medo do Mar

Mirela
teme meu mar.
Do mar que Mirela tem medo
não temo.
Temo
o mar que Mirela
causar.

Eu levo Mirela agora
agora, em meu barco
sem o medo nela
pairar.

Eu largo este barco agora
agora, se a mim pro seu mar
Mirela
levar.

Pescador que quer
se prezar
não casa com aquela,
aquela Mirela que teme
seu mar.

Navego sozinho
e se Mirela quiser me levar,
eu prezo o amor,
meu barco navega
navega além
além de um só mar.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

O poema é solidão

O poema, materialidade
dum momento
solidão.
Doce, amargo, sozinho
junto
ou não.

Materializando o poema
tal sentimento
condição?
Poema
seu sinônimo
solidão.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

Mente vazia: oficina do coração

Mente vazia,
oficina do coração.
O bem ou o mau
bem simples
ocupação.

Produz o por vir
se dotado de esperança.
Na falta desta,
o que obra
lembrança.

Abre cedo,
já ao acordar.
Dorme tarde,
o trabalho dormindo
sonhar.

Salário,folga, aposentadoria
direitos vários não tem.
Trabalho escravo
hora açoitando ou mesmo alegrando
alguém.

Povoando esta mente
o coração há de parar?
Povoando esta mente,
alienação do produto, rotina excessiva, expropriação do trabalho...
"mais-valerá".

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

Apareceu a vida: Aparecida

Minha senhora,
velhinha Aparecida,
transpassara os tempos
e os relógios da matéria
não mais medem tua vida.

Senhora velhinha,
minha Aparecida,
durma em paz e te descansa
e vou cantar este poema
que te lembra em minha vida.

Minha velhinha,
senhora Aparecida,
te ofereço este poema
e melhor que feito em morte
é a homenagem feita em vida.

E sempre, sempre que eu quiser,
uma rima com a vida
faz-se eterna
minha senhora,
minha velhinha Aparecida.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

Amor em Amizade

Nosso amor
por amizade é que morreu.
Nossa amizade
por amor foi que nasceu.

Morre o amor,
nascem amigos,
viva o amor
porque inimigos?!

Ciclo inacabado
do amor porque infinito;
tese, anti tese,
tem morrido, tem nascido...

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

Poema da parede branca dos futuros filhos

Risco e rabisco,
desenhar palavras
comendo misto,
não se preocupar
em rimar com fisco.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

Redação do Trabalhador no ENEM

“A educação é fundamental, é a chave para que o Brasil se torne de fato um país desenvolvido” (ROUSSEFF, Dilma. 2010). Ideia atraente em palavras e, disto, decorre a falsificação da realidade, bem como o seu mau-uso nesta mesma realidade.
Falando em realidade, nos atentemos a ela. Sábado e domingo, fiscalizando o Enem, deparei-me com o seguinte paradoxo: o trabalhador quer mudar de vida através da educação (nada mais bonito de se constatar). Entretanto, como mudará de vida através dela – da educação - se no dia anterior trabalhou o dia ou a noite inteira e, naqueles dois dias, estava diante de uma prova de 90 questões por dia (além da redação no domingo)?
Com a licença de uma amiga a qual comentei isto, reproduzirei parte de nossas trocas de ideias. Ao comentar o caso, ela me disse que “a pessoa tem que estar focada, mas não tem como desistir. A superação é maior do que a realidade permite, a pessoa tem que se superar pra depois não se arrepender”. Pois bem, “focada”, o “foco do indivíduo”, “a força de vontade”. Isto é o que o Capitalismo auxiliado pelo pensamento Liberal faz alguns pensarem, pensar que só depende da pessoa e, desta maneira, se consegue, heroísmo e dotado de grande força de vontade, se não consegue, preguiçoso e sem falta de vontade própria, não se superou, fracassado. A amiga também disse da negociação entre trabalhador e patrão. Como haver negociação favorável ao trabalhador se o mesmo se encontra em desigualdade. Como esperar conciliação se há interesses divergentes? O governo não deve esperar negociação, ou melhor, não deve esperar “a falsificação de uma falsa negociação”, uma falsa conciliação. Meu pai é empresário, e pelo que lhe conheço, sei que liberaria – até orgulhosamente – seu funcionário caso ele pedisse folga no dia anterior à prova para “preparar-se melhor”. Porém, e se um dia lhe ocorrer de não “conciliar” o seu interesse com o de seu trabalhador? E se o seu trabalhador não tiver audácia – sim, pois para alguns empresários, tal pedido seria encarado assim – de pedir-lhe a liberação? Não há conciliação de interesses entre patrões e empregados. Não há conciliação entre capital e trabalho. Não se deve esperar a boa vontade do empresário. Desta boa vontade, o “inferno” está cheio. O governo, que se propõe ao lado do trabalhador, deve, de fato, defender seus interesses.
Fracassados? Voltando a realidade daqueles dois dias, percebi que as duas senhoras que declararam ser trabalhadoras – uma, inclusive, trabalhando à noite inteira numa cozinha porque não atendida pelo patrão quando pediu uma “folga” – não estavam em mínimas condições físicas e psicológicas de fazer a prova. Sentadas na cadeira, lutavam pra manter os olhos abertos e fixos nas questões. No insucesso, uma delas entregou-se aos cochilos por várias vezes e a outra suspirava fundo, andava um pouco no corredor, ia ao banheiro, lavava o rosto – inclusive, me perguntando se, em algum lugar, conseguiria café, o que respondi em poucas (e dolorosas) palavras, como me foi incumbido, que não tinha conhecimento uma vez que era a primeira vez trabalhando ali.
O que constatei observando as duas senhoras é que não, estas duas senhoras e mais milhares de outros trabalhadores não são fracassados, já são vencedores somente ao se proporem mudar socialmente pela educação, não podendo ser culpabilizados pelas condições que não lhes eram favoráveis, como foram a mim quando fiz a prova, descansado, sem ter trabalhado no dia anterior ou em quaisquer outros dias, ou seja, minhas condições - e a de vários “concorrentes” das duas senhoras naquele dia - era de preparo físico e psicológico, além de, é claro, teórico. (Estou aqui falando somente da preparação física – e, até certo ponto, psicológica - do trabalhador que é o imediato do exame. A preparação em outro sentido, qual seja nos conteúdos, é algo mais complexo pra caber neste pequeno texto, mas igualmente importante.)
Além disso, constatei também que não se pode restringir algo que se propõe – e deve ser de fato – universal: o acesso à educação. Não falo da igualmente ridícula “concorrência em igualdade de condições”. No acesso à educação que se pretende universal, não há concorrência, caso contrário e obviamente, não é universal. Falo, pelo menos neste pequeno texto e mais imediatamente, de um caso dentre as diversas condições desfavoráveis ao trabalhador no acesso à educação, condições estas, falsificadas por frases de efeito, ideais e raras histórias de “superação pessoal”.
Mais uma vez, voltando à realidade, a trabalhadora que tentou ficar acordada o tempo todo, por fim e vencida pelo cansaço, desiste de terminar a prova, desiste no meio de sua redação. Frustrada e cabisbaixa, desenha, cochila, desenha, cochila, desenha, coch... E o governo, que se diz preocupado tanto com a educação - encarando-a como indispensável pr’uma mudança social - quanto com os trabalhadores – haja vista que o Partido dos TRABALHADORES está à sua frente – nada faz nesta lamentável situação. Contraditório, não?

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989
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Amor tem perfume

Não meça o amor
através do perfume de quem se ame:
quando não mais sente o cheiro,
acabou o novo – não o amor.
O amor é velho!
Há perfume, não se engane.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

O que é o poema?

O poema é a "auto satisfação" do espírito.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

O amor e as saudades

Afasto-me pela saudade
afastado
ela aumenta.

Ponho-me perto
- em tua vida -
há saudade na presença.

Duas saudades:
não o costume ou a ausência,
é só o amor quem alimenta.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

O Dia do Estudante Capixaba

Os apitos, os cartazes
as pernas, os gritos
batucadas!

A luta,
não baderna,
-“minha nossa!”-
é a vanguarda organizada!

E se são 4 ou 6 mil
- me pergunto –
o que importa
pra gente que se uniu?

Importa que não se vive mais no chumbo:
o dia do estudante capixaba
não é 11 de agosto,
foi dia 3 de junho!

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

Cida e Maria

Na falta da branca,
as mães-pretas.
E a presença das pretas
acalmava a da branca.

Na falta dos filhos,
o branco.
E a presença do branco
acalmava a dos filhos.

Mães-pretas,
me perdoem,
roubei de vocês
os filhinhos!

Mães-pretas,
me abençoem,
no corpo sou branco
na alma, neguinho!

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989

A Parte Única do Poema

Quem é o homem
que se esconde na rima, estrofe
no ritmo
ou num poema?

Foge do amor
da mulher amada
dum problema
da vida?

Ou o amor
a mulher amada
um problema, a vida
refugia-se no poeta?

Este homem,
ninguém saberá
se não lê-lo
como parte do poema.

Lucian Rodrigues Cardoso
Inserida por lucian1989