Texto para um Amor te Esquecer

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⁠"Madrugada"
Esta madrugada eu quis ler um poema,
algo prateado que inundasse os olhos daquele anjo.
Eu quis ouvir a chuva, aquela chuva da minha infância,
que aportava meus navios brancos nas pedras.
Esta madrugada eu quis que todas as luzes se apagassem,
e teus olhos se acendessem nos meus.
Ramos crescendo esticam-se na janela,
querem ouvir meus pensamentos,
e bem ouvem,
a madrugada de um poema,
e pousam meus sonhos, no cansaço.

Inserida por veropoema

Sem financiamento de um terceiro⁠, sem o papito, sem contratos e beneficiamentos de união ou sem a inserção no mercado de trabalho pelos próprios familiares.

Falar isto sacode os muitos(as) beneficiados (as), eles (as) se mordem de raiva. Mas é isso aí, evoluir do zero é pra poucos os guerreiros, são poucos os úteis para uma sociedade justa.

Inserida por david_washington

⁠No dia em que o povo enxergar que a sua união
o torna maior do que qualquer governo, teremos
uma sociedade, verdadeiramente, justa e igualitária,
enquanto isso não acontece, continuamos a ter
a triste ilusão de sermos livres
de escolher o que na verdade nos é imposto
e aceitar como natural. O educador tem um papel
de extrema importância nesse processo
em qualquer modelo de sociedade,
para que as coisas possam acontecer
em prol dos interesses dessa sociedade como um todo
e não para uma minoria privilegiada.

Inserida por joseni_caminha

⁠Um mundo de todas as cores... um arco-íris... um mundo em que não haja distinção de cor, por favor!!

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O mesmo ar a respirar... os mesmos raios de sol em todo lugar... nos cabelos meus, nos seus a brincar... o mesmo vento a soprar... o mesmo tempo a passar... o mesmo dia a chegar.... a mesma noite a escuridão abraçar... a mesma lua... as mesmas estrelas no céu a brilhar... e um mundo cheio de um mundo de gente... e alguém resolveu classificar... separar... selecionar... e a cor ser o critério dessa separação... que sujeitinho mais sem noção...

A mesma gente... tudo igual e diferente - a-pe-nas... em sua in-di-vi-du-a-li-da-de... - gente que é gente não pensa diferente quando o assunto é gente. Não há raça superior, muito menos inferior... todos da mesma mão... todos o mesmo Criador.

Direitos iguais... igualdade... isso deveria ser assim desde sempre... pra todo o sempre... de eternidade a eternidade...

E eu fico aqui me perguntando: por que foi necessário marcar no calendário o Dia da Consciência Negra? Instituir por Lei um dia "dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira"? Por quê!? (Wikipédia)

"Não precisamos de um dia da consciência negra, branca, parda, amarela, albina... Precisamos de 365 dias de consciência humana"... concordo com você Thiago Saraiva...

Inserida por RosangelaCalza

É realmente um milagre que a Natureza ainda
sobreviva, apesar das insanas tentativas
do bicho gente em aniquilá-la...
Será que ainda vão conseguir?
Osculos e amplexos,
Marcial

APESAR DAS TENTATIVAS NATUREZA AINDA SOBREVIVE
Marcial Salaverry

É incrível como a Natureza consegue sobreviver, apesar das insistentes tentativas do ser humano em destrui-la, e as noticias a esse respeito, são as mais desalentadoras possíveis, e nos faz pensar se um dia eles vão conseguir...

Por diversas vezes aconteceu a tragédia da chamada "maré negra", em que um vazamento de óleo provocou danos irreparáveis para o meio ambiente, provocando uma mortandade da fauna marinha, num fato já muitas vezes repetido pelo mundo, dando a impressão de que estão querendo acabar com a Natureza, começando pela vida marinha, e corta o coração, vendo a agonia de aves, peixes, tentando absorver um pouco de vida, enquanto pereciam. Será que esses cenas não tocam o coração dos (ir...)responsáveis? Creio que não, pois para ser tocado, seria necessário que um coração existisse. Além dos danos incalculáveis causados à fauna, há que se pensar na vida dos pescadores, que se viram privados dos meios de subsistência.

Depois, outros ditos acidentes, como os incêndios florestais, sempre provocados pela incúria dos homens, que deliberada ou acidentalmente são responsáveis pela morte de milhares de animais, além da destruição das já carentes reservas florestais do mundo. É inacreditável que, apenas para "limpar" terreno, promovam queimadas, que geralmente se descontrolam. Mais incrível são aqueles incêndios provocados pela falta de cuidado de pessoas que, ou apagam mal suas fogueiras de acampamento, ou, pior ainda, dedicam-se a jogar suas bitucas de cigarro pela janela de seus carros, sobre as folhas secas.

Marés negras, incêndios florestais, são desgraças que destroem a Natureza, provocam prejuizos para muitas pessoas, algumas mortes, mas são desgraças de âmbito restrito, causadas pelas mentes doentias de uns poucos, mas a maior prova da imbecilidade humana, vemos nos noticiários atuais, que nos passam notícias de muitas e possíveis guerras, Iraque, Coréia, Afeganistão, Chechenia, Sinai, Ucrania, e sei mais onde. Dá prá entender? As bombas lançadas, além de matar pessoas, vão destruindo o que ainda resta de Natureza. Parece que destruir a Natureza, é a natureza do ser humano, que nunca consegue ser humano...

O que pode levar as pessoas a tomar essas atitudes? Que coisas soturnas povoam suas cabeças? Sinceramente não consigo atinar com o que está ocorrendo atualmente. Uns atiram-se sobre os outros quais bestas ferozes, sem que se consiga saber a razão exata disso tudo.

Realmente, não dá para entender o porque de procurar invadir países, numa autêntica caça às bruxas, sem razão nem motivo. Será que estão realmente tentando provar algo acêrca das tão decantadas Profecias de Nostradamus? Será que esses que estão criando a possibilidade dessas guerras ainda não pensaram nas implicações que fatalmente ocorrerão caso tais invasões sejam concretizadas? Oremos, pois. É o que nos resta fazer, oremos para que um pouco de luz entre nessas cabeças doentes e doentias.

Ainda que meio desalentado, desejo UM LINDO DIA, enquanto ainda o tivermos, enquanto a imbecilidade humana, aliada a certos vírus o permitirem...

Inserida por Marcial1Salaverry

⁠Um empreendedor não busca ganhar sobre os outros.
Ele luta e não barganha porque ele batalha junto com os outros.
Porque se não, quem ganha de quem?
...e oque ganhou, ganhou pra que?
Seríamos meros expectadores de ruínas próprias e do que andou ao meu lado.
O algo que lá na frente teria que ajudá-lo, porque se não, já não haveria de quem barganhar pra supostamente ganhar. Compreende?!.

Inserida por dalainilton

⁠SALMO

Quando vejo Seu olhar na brisa,
o vento ondulando os trigais,
a valsa de um Beija - Flor,
o canto dos passarinhos,
a gota de orvalho nas flores,
a lua refletida no mar,
o céu bordado de estrelas,
o sol dourado surgindo no mar
e morrendo rubro na serra;
percebo Seu Amor escorrendo na Terra
e Seu Poder refletido no Universo.
madalenafpizzatto- 2020

Inserida por MadalenaPizzatto

Fardo da futilidade deste mundo⁠, pessoas influenciadas por um rosto "bonito" te dizendo como deve agir, quanta insegurança carrega em teu porte, reflexivo me torno ao enxergar o podre da terra
Reflexivo me torno ao ver que sou usado dia após dia
Reflito sobre o que sou, mais um idiota nesta vida inútil.

Inserida por jose_josy_josue

⁠Loucura cômica... mais um D. Quixote... com a lança na mão... ops... com um teclado e uma conexão...

Uma única e simplisinha conexão e é possível alcançar qualquer pontinho deste mundo imenso... intenso... repleto de informação.
O que pode um escritor!? Ou melhor, qual o poder de um escritor!?

Nenhum.... nenhunzinho da Silva... o escritor apenas pode ter fé de mover o riso... fazer bater mais forte o coração... levar às lágrimas... levar à reflexão... só pode ter fé...
e se não for o amad@ leitor se dispor a parar sua vida... a deixar de lado o que está a fazer com seu precioso tempo e direcionar sua atenção por estas ... ou outras quaisquer mal traçadas linhas... a fala do escritor é uma fala só... bem sozinha.

Loucura cômica... e deliciosa...prazerosa.... ou não é um louco o que escreve como um louco sem garantia nenhuma de que as palavras cumprirão seu papel de transmissoras?? Nenhuma garantia há de que consigam deixar de ser palavras sem sentido... mera sequência de letrinhas... uma sopa de letrinhas deliciosa...
cômico... pois não é cômico quem fala sozinho!?
e deliciosa... porque... bem porque...
tal resposta só você, amad@ pode dar... e ainda lhe dou o direito de se deliciar a pensar aí com seus botões sobre o que eu tinha em mente ao postar este post... pelo simples prazer de postar...

Inserida por RosangelaCalza

Paz e Saúde pra cada um de Vocês, e que a Sabedoria esteja presente a todo momento de mãos dadas contigo.

Abra teu Coração para a Vida pois você é seu maior Tesouro, seu maior investimento.

Sua Perseverança é sensacional e A Força que Vem do Criador, te anima a levantar sempre, para fazer seu dia, aquele dia, o seu momento, a sua vida!

Um Abraço fraterno a cada Coração.

"Que seu sono seja Tranquilo e rrstaurador; e que seu acordar seja repleto de Vigor;

Inserida por RomarioGoncalves

⁠ - O ingresso esgota

A estrada é infinita sem um destino
Se tenho você comigo não existe cansaço
Mas as horas passam como a roda gigante
Por que ainda lembro?

A vida é visitada por alegrias e dores
Cada ano que passa, nessa jornada transitória, o próximo está chegando e eu preciso ir

Eu quero sorrir, mas não tenho um palhaço

Não tenho um palhaço

Eu quero sorrir, mas não tenho um palhaço

Não tenho um palhaço

Labirinto sem escape, continuo pensando no que não volta mais

Não quero rodas imóveis e labirintos que aprisionam

A vida é visitada por alegrias e dores
Cada ano que passa, nessa jornada transitória, o próximo está chegando e eu preciso ir

Eu quero sorrir, mas não tenho um palhaço

Não tenho um palhaço

Eu quero sorrir, mas não tenho um palhaço

Não tenho um palhaço

Por que você não me socorre, você pode me tirar daqui, encontre um motivo

Ele existe, ele existe

Eu existo, bem aqui

E o circo vai ter risos, a roda vai viajar, o labirinto vai ser o caminho ao pote de ouro

Não desanime, não abandone, há um motivo, tente encontrar

Você pode me socorrer, me tirar daqui, o motivo aí

Eu quero sorrir, mas não tenho um palhaço

Não tenho um palhaço

Eu quero sorrir, mas não tenho um palhaço

Não tenho um palhaço

Inserida por MaViTri

⁠Quantas vezes perdemos tempo ocupando um lugar que não é nosso, ou guardando um lugar para alguém que não se esforça nem um pouco para fazer parte de nossa vida. Na maioria das vezes é porque tem o medo imperando, outras tantas porque não quer mesmo.
Será que este não é o momento do desapego e deixar o espaço livre para quem realmente mereça estar ao nosso lado?
Pense nisso!

Inserida por zelma_guedes

⁠Um bloqueio absurdo me contém,
Não que seja refém de outrem,
O tempo me abstrai do gosto,
Não gosto,
Sinto falta do ócio,
Que nunca mais vem,
Deitar na grama,
Esquecer que se precisa de grana,
Não se obrigar e sorrir,
Sem cronômetro para sentir,
Presa num aquário de gente,
O futuro me observa,
Sem reserva,
Sem respiro,
Apenas um tiro,
Direto para o que interessa,
A pressa de poder ter uma vida melhor,
Na dualidade de dar meu tempo para no futuro ter mais tempo,
Hora essa...
Faz sentido essa peça?

Inserida por LeticiaDelRio1987

⁠Se há um lugar por onde não transito muito bem é na política... quem me conhece bem sabe muito bem do que estou a falar: o máximo que sei... e sei muito bem... é que tenho o direito de votar. E exerço esse meu direito.. e o exerço muito bem. Punto e basta!

Mas, por aqui... por aí... fico sabendo a quantas anda o nosso país no que diz respeito à política... sei que, coitado, não é muito bem governado... sei que há muito dinheiro desviado... lavado... de mão em mão - alheias - passado.

Dinheiro... pois é! Dinheiro que sai do meu... do seu... trabalho suado... muito... mas muito mal usado. bem mal empregado... indo pra todo tipo de bolsa... desviado... usado errado...

Tanto buraco pra ser tapado.

Sou contra as tais bolsas que andam espalhando por aí!? Contra a maioria delas... sou sim. Sou contra porque sei que é dinheiro mal empregado. Se o cara que recebe estivesse bem empregado, caso solucionado! Pois quem está bem empregado de bolsa não é necessitado... não precisa ser ajudado... beleza... tudo arrumado. Não, nem tudo não.. porque o empregado, coitado, rala, rala e, ainda, tem um monte descontado... que vai pra outro 'coitado'...

Um triste espetáculo estou eu a assistir neste país... e, como todo espetáculo, há alguém nos bastidores a comandar, a orquestrar, a mandar e a desmandar... Ou estou a me enganar? Não há ninguém a governar?
Estamos num barco à deriva... prestes a afundar?

Sim... porque do jeito que a coisa vai, coitado por coitado é melhor um coitado que é ajudado.

Sei que este post não será lido por quem dever teria... se fosse, muita cabeça rolar iria...
Mas só que não...

Inserida por RosangelaCalza

⁠Você acredita em Papai-Noel?

Ontem, um amigo, pela mais da milionésima vez, me questionou: 'Ro, como você pode dizer que a vida tem sentido neste mundo tão sem sentido?'
Porque sim... respondi. "Porque sim não é resposta'... ouvi.

Sim, sim... eu sei que não é resposta... mas acho que esgotei todos os meus argumentos e resolvi não procurar mais algum sobre o qual ainda não havia me apoiado. Na boa... às vezes o silêncio é o melhor que se tem a dizer.

Mas, como não me aguento... lá vai o que eu não falei, mas pensei rsrsr
O mundo tem sentido... tem sim. Por mais que para algumas pessoas não faça sentido nenhum - e eu entendo, porque houve eras em que pra mim também nada fazia sentido - o mundo faz todo o sentido do mundo. Estou certa produção!? Estou sim.

Olha só... se pra você faz sentido, não há necessidade de nenhuma explicação, concorda?

Agora, se pra você não faz sentido nenhum, nenhuma explicação é possível... parafraseando Inácio do Loyola... que alguns chamam de santo - um dia quero escrever sobre essa palavrinha aí... tradução da palavra hebraica “kadosh”.

Bem, meu bem, meu mal... ou você está no grupo dos crentes - just como me -, ou no grupo dos descrentes - como my friend.
Sabe o que é triste!? Não é estar no grupo dos descrentes, não... o triste é, apesar de ter ouvido falar que faz sentido um milhão setecentas e trinta e três vezes... continuar sem acreditar.

Mais uma coisinha pra você que ainda duvida... se duvida é porque pode ser que faça sentido, ou não? Ou você duvida que existe Papai-Noel!? Não... não duvida... você tem certeza de que não existe... então

Inserida por RosangelaCalza

⁠QUISERA SER DIFERENTE

Cá a imaginar um soneto diferente
Leve como a inspiração no abstrato
Pode ser engalanado ou com recato
Porém, com sentimento incipiente
Que suas rimas transborde o prato
Da inspiração e, no amor suficiente
Com quimera radiante e presente
Onde do autêntico seja fiel retrato

E nesta de dar vida paralelamente
Ao belo e o agrado, que o translato
Seja reluzente, tal o sol no poente
Pois, o quero na imaginação exato
No coração contagiante e ingente
Que não caiba num "post" barato

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Dezembro, 2016 - Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Em tudo existe um elo.
A natureza dança aos nossos olhos e encontra seus próprios caminhos. Desvia dos obstáculos e não para de avançar.

Ser parte ou ser só, é uma questão de escolha.
Ficar no mesmo lugar ou seguir, só depende de você.
O universo já deixou tudo pronto. Seja LUZ hoje mesmo! Brilhe!
Se conecte à vida.

Inserida por brunocmedeiros

JUÍZO FINAL


⁠O que fez da Vida?
Ao nascer pensou-se que seria
Um autêntico revolucionário
Mas vestiu a máscara que lhe deram
Foi escrever um dicionário
Onde os conceitos jazem mudos
– estacionários

O que fez da Vida??
Inventou alguma receita de bolo
Onde o sabor lhe imortalizasse?
Não! Escreveu o poema limpo
Que os “limpos” queriam ler
E a canção tranquilamente tonal
Que os ouvidos preguiçosos podiam ouvir

Que mais? Acaso pintou um quadro
Da paisagem imaginária
Que se plantada podia ser?
Não!
Tirou as fotografas
Que eram aguardadas solenemente
Pelos álbuns de retratos
Mas tudo isso
– os leitores asseados
Os ouvidos preguiçosos
E os olhares de retratos –
Facilmente se perde no tempo
Ao roer das traças
Está bem! Chega
Não tenha descanso
Nem cansaço ..

[Publicado em Revista Clóvis Moura de Humanidades, vol.6, nº1, 2020]

Inserida por joseassun

⁠"Minha vida é um livro aberto"
Sim, sua vida é um livro aberto. Esse livro possui muitas histórias lindas, que irão encantar as pessoas certas. Existem também, história de superação, que farão muitas pessoas admirarem você. Mas, neste livro, também possuem histórias tristes, que você não vai querer lembrar. Alguns, você desejará resgar as paginas que eles estão escritas. Porém, não esqueça que você é um livro que possui risos, felicidades, tristezas, dores, amores, idas, vindas, feridas e cicatrizes. Estas histórias são suas, eles fazem você. Por isso, não deixe que as pessoas escolham em qual página o livro de sua vida irá ficar aberta. As pessoas têm mania, na verdade, maldade, de escolher apenas paginas que possuem algo que te machuca, que te faz se sentir horrível. Elas não estão interessas em sua história completa. As que não desejam enxergar você como um livro completo, com todos os altos e baixos, não merecem nem uma letra da linda história que você é.
- JerClay

Inserida por Jerclay

[PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES: seu entrelaçamento, a partir de um exemplo]


⁠As práticas e representações se entrelaçam nos diversos processos históricos que podem ser estudados pelos historiadores cuturais e sociais. Será possível compreender isto a partir de um exemplo concreto. Para este fim, acompanharemos as “práticas culturais” (e neste caso as “práticas sociais”), que se entreteceram no Ocidente Europeu durante um período situado entre a Idade Média e o período Moderno com relação à aceitação ou rejeição da figura do “mendigo”.

Entre o fim do século XI e o início do século XIII, o pobre, e entre os vários tipos de pobres o mendigo, desempenhava um papel vital e orgânico nas sociedades cristãs do Ocidente Europeu. A sua existência social era justificada como sendo primordial para a “salvação do rico” . Consequentemente, o mendigo – pelo menos o mendigo conhecido – era bem acolhido na sociedade medieval. Toda comunidade, cidade ou mosteiro queria ter os seus mendigos, pois eles eram vistos como laços entre o céu e a terra – instrumentos através dos quais os ricos poderiam exercer a caridade para expiar os seus pecados. Esta visão do pobre como ‘instrumento de salvação para o rico’, antecipemos desde já, é uma ‘representação cultural’.

A postura medieval em relação aos mendigos gerava ‘práticas’, mais especificamente costumes e modos de convivência. Tal como mencionamos atrás, fazem parte do conjunto das “práticas culturais” de uma sociedade também os ‘modos de vida’, as ‘atitudes’ (acolhimento, hostilidade, desconfiança), ou as normas de convivência (caridade, discriminação, repúdio). Tudo isto, conforme veremos, são práticas culturais que, além de gerarem eventualmente produtos culturais no sentido literário e artístico, geram também padrões de vida cotidiana (“cultura” no moderno sentido antropológico).

No século XIII, com as ordens mendicantes inauguradas por São Francisco de Assis, a valorização do pedinte pobre recebe ainda um novo impulso. Antes ainda havia aquela visão amplamente difundida de que, embora o pobre fosse instrumento de salvação necessário para o rico, o mendigo em si mesmo estaria naquela condição como resultado de um pecado. O seu sofrimento pessoal, enfim, não era gratuito, mas resultado de uma determinação oriunda do plano espiritual. Os franciscanos apressam-se em desfazer esta ‘representação’. Seus esforços atuam no sentido de produzir um discurso de reabilitação da imagem do pobre, e mais especificamente do mendigo. O pobre deveria ser estimado pelo seu valor humano, e não apenas por desempenhar este importante papel na economia de salvação das almas. O mendigo não deveria ser mais visto em associação a um estado pecaminoso, embora útil.

Estas ‘representações’ medievais do pobre, com seus sutis deslocamentos, são complementares a inúmeras ‘práticas’. Desenvolvem-se as instituições hospitalares, os projetos de educação para os pobres, as caridades paroquiais, as esmolarias de príncipes. A literatura dos romances, os dramas litúrgicos, as iconografias das igrejas e a arte dos trovadores difunde, em meio a suas práticas, representações do pobre que lhe dão um lugar relativamente confortável na sociedade. Havia os pobres locais, que eram praticamente adotados pela sociedade na qual se inseriam, e os “pobres
de passagem” – os mendigos forasteiros que, se não eram acolhidos em definitivo, pelo menos recebiam alimentação e cuidados por um certo período antes de serem convidados a seguir viagem.
Daremos agora um salto no tempo para verificar como se transformaram estas práticas e representações com a passagem para a Idade Moderna. No século XVI, o mendigo forasteiro será recebido com extrema desconfiança. Ele passa a ser visto de maneira cada vez mais excludente. Suas ‘representações’, em geral, tendem a estar inseridas no âmbito da marginalidade. Pergunta-se que doenças estará prestes a transmitir, se não será um bandido, por que razões não permaneceu no seu lugar de origem, por que não tem uma ocupação qualquer. Assim mesmo, quando um mendigo forasteiro aparecia em uma cidade, no século XVI ele ainda era tratado e alimentado antes de ser expulso. Já no século XVII, ele teria a sua cabeça raspada (um sinal representativo de exclusão), algumas décadas depois ele passaria a ser açoitado, e já no fim deste século a mendicidade implicaria na condenação .

O mendigo, que na Idade Média beneficiara-se de uma representação que o redefinia como “instrumento necessário para a salvação do rico”, era agora penalizado por se mostrar aos poderes dominantes como uma ameaça contra o sistema de trabalho assalariado do Capitalismo, que não podia desprezar braços humanos de custo barato para pôr em movimento suas máquinas e teares, e nem permitir que se difundissem exemplos e modelos inspiradores de vadiagem. O mendigo passava a ser representado então como um desocupado, um estorvo que ameaçava a sociedade (e não mais como um ser merecedor de caridade). Ele passa a ser então assimilado aos marginais, aos criminosos – sua representação mais comum é a do vagabundo. Algumas canções e obras literárias irão representá-lo com alguma freqüência desta nova maneira, os discursos jurídicos e policiais farão isto sempre. As novas tecnologias de poder passariam a visar a sua reeducação, e quando isto não fosse possível a sua punição exemplar. Novas práticas irão substituir as antigas, consolidando novos costumes.

O exemplo chama atenção para a complementaridade das “práticas e representações”, e para a extensão de cada uma destas noções. As práticas relativas aos mendigos forasteiros geram representações, e as suas representações geram práticas, em um emaranhado de atitudes e gestos no qual não é possível distinguir onde estão os começos (se em determinadas práticas, se em determinadas representações).


[extraído de 'O Campo da História'. Petrópolis: Editora Vozes, p.77-80]

Inserida por joseassun