Coleção pessoal de MadalenaPizzatto

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⁠PRIMAVERA

Quando a primavera passar,
os versos insegurosdo meu poema
terão palavras vazias.
Involuntários, sem pressa,
com desdém, num gesto tímido,
sutilmente deslizarão num papel,
sem se ater com que minha alma sente.

Os seus substantivos estrangulados,
apenas se fartarão de algumas pobres rimas;
cores… resplendores… flores… amores…
Sem lamúrias, os versos indolores,
não dirão absolutamente nada,
daquilo que dilacera e queima a minha alma.

Madalena Ferrante Pizzatto
Tags: primavera rimas


RIACHO RASO

Não quero ser poderoso mar,
forte, profundo e extravagante.
Não quero sua grandiosidade,
nem a avidez da sua beleza
Não quero ter a sua voz rouca
das muitas águas que se rebelam
em ondas agitadas e bravias.

Quero apenas ser riacho raso,
ter calma , doçura e pequenez.
Com águas mansas e cristalinas
rodopiar com folhas e flores,
quando o amarelo outono chegar.
Quero ser espelho da lua e estrelas,
e banhar a luz do sol tremulo.
Buscar os sonhos entre as nuvens,
derramar minha alma em lágrimas,
deslizando sereno entre pedras
Até um dia ser engolido
pelo poderoso e forte mar.

Madalena Ferrante Pizzatto


PASSA O TEMPO

Quando a noite pousa lentamente,
recolho e acolho lembranças suas
(hoje confusas na minha mente)
Enquanto contava uma história,
você nos meus braços adormecia,
( sonhadora criança menina ).

passa o tempo…e passou bem depressa…

Feroz, sem saber que era feliz
rasgou seu vestido azul de organdi
e cortou seus cabelos com tranças.
Com uma havaiana no seus pés
e asas na sua alma, voo longe.
( igual um pássaro sem destino)
A distância levou sua presença
deixou comigo ondas de saudades.

Voz de mãe: sonho com minha filha,
choro baixinho na madrugada,
abro meus braços, dou - lhe meu abraço.

Madalena Ferrante Pizzatto

⁠METAMORFOSE

Sem despertar nenhuma admiração
uma lagarta na sua carcaça,
é cativa desta situação,
cresce no exílio… o tempo não passa.

Nova manhã… num sussurro sonolento,
rompe o casulo… emerge fascinante
em borboleta. Nas asas do vento,
corta o ar com seu manto azul cintilante.
A borboleta com graça e magia,
Ao passar pelo aperto do casulo,
da sua história fez uma poesia.

1.º lugar no Concurso Literário da Academia de Letras dos Campos Gerais.

Madalena Ferrante Pizzatto

⁠EU E A OUTRA

Eu sou a outra
que com gestos precisos e comedidos
enxerga a vida com mais dureza
e esquiva - se de todas as quimeras.

Enquanto a outra, … metade mim,
caminha por um campo minado,
derruba paredes que separam,
ainda pasma com o pôr do sol
e com a lua refletida no mar.
Fica zonza ao ler um soneto da Janske.*
Sonha com um amor inominável,
anda de mãos dadas com a saudade
e solta- se…voa com a onírica liberdade.
Sem nenhum disfarce, cutuca uma dor,
cava palavras e verbos
e, sem anestesia,
faz nascer um poema novo.

*Janske - Poetisa nascida em Amsterdã, radicada em Curitiba desde 1958.

Madalena Ferrante Pizzatto

⁠ OUTRA DIMENSÃO

Paralela à minha vida mansa e cautelosa.
ele vive em outra dimensão,
Sem porquês, sem explicações,
ele chega férvido, impetuoso,
ávido, mentiroso ou sonhador.
Chega num momento imprevisível;
seus versos agitam-se e agigantam-se;
invade-me por inteira,
e me “dá o bote”.

Madalena Ferrante Pizzatto
Tags: outra sonhadora

⁠O SILÊNCIO DIZ TANTO


Meu Presente se abre em silêncio,
de pretéritos irresgatáveis.
A vida superposta em camadas,
recheada de sonhos desfeitos,
com seus encantos e desencantos,
entre as alegrias e tristezas.
Quando maceradas se fundem
num riso triste ( transparência? )


Cada despedida - uma ferida...
olhar resignado - farpas n` alma...


Sob a força de uma dor oculta,
quando nem a lua é testemunha,
enquanto o silêncio diz tanto,
com seus gestos lentos, sem vigor,
( instigante ), abre a janela d`alma.


Sem as rimas rígidas nos versos,
um poema brilha na vidraça,
escorre com suavidade
igual a um orvalho matizado.

Madalena Ferrante Pizzatto
Tags: silêncio alegrias

⁠PERCURSO

É agradável contempla -lo,
no despertar da manhã,
ora tímido, ora ousado.
Espreguiça- se... levanta.
Discreto, invade meu quarto:
audaz, aquece meu leito.
Hesitante, me fascina
com seu jogo matutino.


Ah ! Quantas vezes, eu o vejo
fitando-me ardentemente.
Os seus lentos gestos trêmulos,
ofuscam - me ao meio- dia.


Quando chega o entardecer,
veste -se, com novo tom,
altivo ou triste. Assim parte.
Maravilhada, vejo-o
lentamente, declinando,
numa linha do horizonte.
Rubras sombras vagueiam
no silencioso céu...

Madalena Ferrante Pizzatto

TROVA

⁠"Quando o verde envolve serra
neste abismo de beleza,
é o toque de Deus na terra
ao pintar a natureza."

Madalena Ferrante Pizzatto

Olho para o tempo que passa.
Numa vastidão enigmática,
sua voz na brisa me abraça,
seus gestos invadem um verso.
Imersa no abismo profundo,
num vale de sonhos incertos,
faço - me algoz do meu deserto.
Vacilo… caminho…com calma…
A minha espera é silenciosa,
enquanto ecos deslizam
e num segundo,
revelam segredos da mina’ alma.
( ..e vou fazendo - me de poetisa …)
mfp

Madalena Ferrante Pizzatto
Tags: enigmática abismo

⁠FERNANDO PESSOA

Com as suas mil faces,
são tantas em uma.
Com a pura emoção
sem uma alma pequena
sonhou os sonhos do mundo.
Sempre inquietação,
mordidas aos bocados
foi feliz e infeliz
Pensando por pensar,
sua alma sofreu o tédio.
incoscientemente
coerência da incoerência
Ele foi mutação,
Alberto, Ricardo ou Álvares.
E completamente alma,
foi natural igual,
ao levantar do vento
mfp

Madalena Ferrante Pizzatto
Tags: fernando pessoa

SONETINHO DE NATAL

Sendo sensível a nossa orfandade,
Cristo se fez Menino, que é Jesus,
vestindo-se de nossa humanidade,
nasce em Belém, nasceu pleno de Luz.

Renunciando à Sua majestade,
a inocente criança nos seduz,
e nos laços de afeto e de amizade
com a Graça, Paz e Amor nos conduz.

Ao badalar os sinos da esperança,
enquanto os anjos cantam harmonia.
a noite toda mágica me alcança!

Surpresa ante o fulgor da estrebaria,
reconhecendo o Rei nesta Criança,
faço deste Natal, minha poesia.

Madalena Ferrante Pizzatto

TROVAS - SAUDADE


Na ausência que me consome,
vivo sem a liberdade,
com um poema sem nome,
eu trovo minha saudade.

No balanço da saudade
a lembrança vai e vem
Embalo a oportunidade
para eu poetar também.

Madalena Ferrante Pizzatto
Tags: saudade liberdade

Em Goiânia, da janela de um UBER:

Apesar deste sol,
a minh` alma “chove”.
Ao dobrar cada esquina, 
vejo vultos… perfis...
( rostos desconhecidos) 

No vácuo da história,

e no abismo do tempo, 

perdi minha essência. 

( eu sou um ser sem ser)

As lembranças antigas 

e meus sonhos perdidos

dilaceram minh `alma.
Entre tantos ais ,
minha saudade encontrou o que quis.

Madalena Ferrante Pizzatto

A FIRMEZA DE ANINHA.
( de Madalena Ferrante Pizzatto )

Aninha ajuntou pedras,
das pedras fez sua escada,
com firmeza subiu alto.
Entre pedras com firmeza
plantou e cultivou rosas.

Com firmeza entre pedras
edificou sua história.
Uma pedra foi seu berço
morou na casa de pedras.
Aninha comeu pedras
com seu marido de pedra
e teve filhos de pedras.
Viveu seus anos de pedra
com pedras no seu caminho.

As pedras duras e rudes,
esmigalharam Aninha
Com firmeza fez seus versos
que brilharam nos poemas.
E com firmeza se fez,
doce Cora Coralina.

* Uma releitura do poema PEDRAS ( de Cora Coralina )

Madalena Ferrante Pizzatto

A inexprimível saudade
tem eterna conexão
por meio de versos d`alma.
Entre soluços e os ais,
e sem pensar numa rima
pra palavra nostalgia,
talvez, cristalize- se
na voz de uma poesia.

Madalena Ferrante Pizzatto
Tags: saudade conexão

A saudade escorre
nos olhos aflitos.
Uma severa dor,
rebela -se
A alma divide-se
revela -se
num poema incerto.
Tímidos versos,
oscilam -se
permitem -se,
serem levados,
pela brisa.
( para encontrar o teu olhar)

Madalena Ferrante Pizzatto

ARAUCÁRIA
( de Madalena Ferrante Pizzatto)

Solitária à beira da estrada,
conheço a alvorada dourada
e conheço o lilás do crepúsculo.
Conheço também gente insensata,
e a crueldade do ser humano,
que feriu, sangrou e matou a mata.
Com o machado e uma motoserra
deu um fim no verde desta terra.

Enquanto o vento rasga a neblina,
galopa triste pela campina,
uma névoa envolve- me ao léu.
Solitária, em silêncio
e com tristeza, olho para o céu.
No topo, meus galhos recobertos,
com firmeza, atravessam o ar.
E com os meus braços abertos,
peço a Deus pela minha floresta,
que preserve o verde que ainda resta.
Mfp

Madalena Ferrante Pizzatto
Tags: árvores araucária

As Flores da Minha Primavera.

ODES AS HORTÊNSIAS

A noite vai, o dia vem,
e na nova aurora fria
as flores nascem no quintal.
São hortênsias amontoadas
de cores azuis ou rosas
e tem as brancas também.
Diante deste cenário
de encanto e fragilidade,
eis que amoleço a minh`alma.
( Subjugo - me a natureza)

Madalena Ferrante Pizzatto
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Tags: hortênsias quintal

As Flores da Minha Primavera.

ODES VIOLETA

Singela e pequena flor,
Debruçada na janela,
silenciosa e ansiosa
Imprecisa… olhar ausente
espera o tempo passar…

Violeta…alma desfeita,
a cada instante
as suas pétalas caem.
Triste, alheia - sem lutar -
Enternecida…ainda sonha.
na esperança e na utopia
de nova germinação…

Madalena Ferrante Pizzatto
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