Poeta
SONETO DO FAZ DE CONTA
Agora vou fazer de conta que sou poeta
Hoje a melancolia, não terá a rima certa
O céu alvoreceu poético e com harmonia
E em meu dia tudo será somente poesia
A minha existência não é mais só o eu
Cada verso trará o laço, o meu e o seu
O que outrora era somente ociosidade
Agora, o som da vida, é pura realidade
O silêncio deixei na solidão, no canto
Não sabia onde estava, para onde ia
Eu só queria um sentido, algum valor
E na busca de um pouco de acalanto
Parecia que o fado, gargalhava e ria
Até tu chegar, com o generoso amor...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
11 de novembro de 2019 – Cerrado goiano
Artista é uma disgrama
Desconhecido ou com fama
Sendo poeta, nem se fala
Nenhuma vivência se escapa
Sente tudo intensamente
Cada viagem uma inspiração
E até quando não se vive
Há fantasia pro coração
Passado, presente ou futuro
Quase um Deus onipresente
Transita feito um louco
Nos delírios da sua mente
Conhece a ordem
Mas não dispensa um caos
Até a dor vira arte
Entre o bem versus o mal
(12/11/2019)
Poeta,
Só tu és poeta, Senhor meu!
Plagio-te na tua imensidão
com que me inspira
e a que me aspiro.
Mas só tu tens o original.
Nem todos conseguem alcançar o que o poeta escreve, porque vem de dentro de um amor tão profundo e puro que o profano, de muitos humanos, ignora-o, não o compreende e jamais o sente. Pois o amor é o sagrado em sentimentos que cada um - e poucos - consegue carregar em si. Se eu tivesse o dom de escrever, escreveria em mil letras soltas de emoção, o que de amor por ti pousa em meu coração. Mas não sei escrever, embora sinta o que os poetas descrevem. E é desse amor sagrado que construo o meu relicário de palavras vivas como marcas de um poema inusitado.
Choveeer...lembrei..você era o poeta que perfumava as poesias que fazia pra mim no jardim do amor...
Seus poemas até hoje é meu alimento saudável.
Tu ês o jardim que me nutri.
O poente
O poente estava perfeito.
Nos dizeres de um poeta:
"bonito e trágico como tudo que é verdadeiro".
Tinha ele razão. Era tamanha a boniteza daquele instante,
e tão trágico o entardecer,
que durara muito pouco,
mas se estendeu o bastante para banhar os corpos na areia de algo sagrado
que eu não saberia dizer.
Talvez encontremos algum sentido nas grandes narrativas das religiões,
ou talvez não;
mas naquela tarde, naquele pôr de sol dourado,
naquele ínfimo instante,
nada, absolutamente nada,
necessitasse de um sentido
nem de eternidade,
bastar-me-ia estar na areia úmida,
ébrio da luz plácida e crepuscular que me convidava contemplar a finitude.
Alma de poeta*
Tantos passaram, quantos virão
Estão, observam, sentem
O viver entre céu e chão
Transbordam esse sentir
Em palavras, versos
Alguns entendidos; outros, não
Ah, a alma do poeta
Incansável buscador
Dos mistérios do homem, da vida
Seus olhos? Atentos a dizer
Das desventuras, da dor; das alegrias, do amor
Penetram mundos desconhecidos
Mesmo por quem os detém
E então exploram os sentidos
Faz-lhes ver, sentir, ir além
Ó, alma de poeta
Que vieste fazer por aqui?
Viver, sentir, a vida, tudo, à toda
Espalhar teus versos por aí
* Versos escritos em passagem ao Café Tortoni, em Buenos Aires, em homenagem aos inúmeros poetas e poetisas que frequentaram e frequentam o lugar desde os idos de 1800.
Ser poeta, é se condenar a própria prisão, é viver se machucando na ferida que jamais sarou. É alimentar-se da fome, é hidratar-se da sede, é tentar enxergar alegria, onde só existiu a dor. Ser poeta é reinventar aquilo que sempre existiu, e que ninguém nunca pensou.
POETA NO TEMPO DA ESPERA
Por Nilo Deyson
Mas um instante passou. A fonte do sonho infinito ainda cabe no berço de um outono.
Adiante o poema é translúcido, e distante a palavra vem do pensamento.
Quando o ser que vive no sonho infinito unir-se em meu mundo real, nascerá então o início real, colocado será portanto, no berço da inocência à vista de meus cuidados e carinhos... ainda cabe...
Sou simples como o grão de uma poesia, sei esperar, pois em meu íntimo sou como a melancolia, e feliz por essência como quem em uma tarde ama como a chama ama o silêncio, doce ao vento que trás e leva o tempo...
Nilo Deyson Monteiro Pessanha
Mujer
Flor de laranjeira
Olhos de coruja
Coração de mãe
Natureza divina
Poeta escurecida
É ela
Mulher
