Poemas de Janela
"Coração em Ruínas"
Te esperei na janela da minha agonia,
com os olhos molhados, sem despedida.
Te chamei nos silêncios da noite vazia,
mas tua ausência falava mais que a vida.
Fiz de cada lembrança um abrigo incerto,
construí castelos no chão do talvez.
Tua distância era um grito tão perto,
que doía mais do que a tua vez.
Amar-te foi sede que nunca termina,
um vinho amargo servido em paz.
Meu jardim ficou sem flores, minha casa em ruínas,
e mesmo caído… eu te quis mais.
Agora sou verso que o tempo apagou,
sou a rima perdida, sou só saudade.
Teu nome ficou onde o meu se calou —
no escuro final da felicidade.
De uma janela, é possível ver um pedacinho do mundo e conhecer o que provavelmente será o que estamos limitados a conhecer.
Da janela, você pode ver a natureza ou prédios, pessoas ou apenas animais pastando.
De lá, você pode ver o dia,
mas também pode contemplar o pôr do sol.
Debruçando-se para fora da janela, você conversa com amigos, conhecidos que passam e te cumprimentam.
É da janela que é possível ter uma visão externa do que está acontecendo e do que acontece quando você olha pela janela e vê o mundo lá fora...
Segunda Feira
A chuva risca a janela com uma calma cruel. Lá fora tudo molha, mas aqui dentro sou eu que escorro. Ando pela casa como quem esqueceu o porquê dos móveis, dos cantos, dos passos. Segunda-feira tem gosto de café morno, meio amargo, esquecido na borda da xícara — como certas lembranças. Tem cheiro de abraço que virou eco, de vozes que sumiram sem fazer barulho.
O mundo lá fora se arrasta em passos que não reconheço. Gente com pressa de viver o que eu nem sei mais nomear. Aqui, o tempo não passa — ele assenta, pesa, gruda. Nem acendo a luz. Pra quê? A manhã não traz nada além desse espelho embaçado que insiste em me devolver um rosto que já não me responde.
Paixão pesada
Seis horas da tarde, garoa fina lá fora,
da janela, os galhos molhados, as folhas ao chão,
sem sol, sem sombras, sem paixão correspondida, sem respostas ao coração,
no fim, a esperança do último suspiro é o que aquece a casa.
um belo dia, uma garota
um dia
a luz que bateu na janela da minha alma
e clareou meus pensamentos
foi a do teu sorriso
e que então
permitiu-me me banhar
nas águas dos teus olhos
tais águas que purificaram meu espírito
bendita seja a sua voz
que agracia meu coração
e me alegra com teu chamdo
para então
no fim da tarde
me deleitar no teu abraço
a agradecer por
um belo dia, uma garota
ter me salvado
da infelicidade de antes não conhecê-la
"Ás 5hrs''
Observando a vista pela janela do ônibus, olho o céu — e ele me olha de volta.
Com aquele sol amarelo, feito fogo em uma névoa às 5h, às 5h, sempre às 5h,
germino feito lótus.
Ao passar pelos quebra-molas, minha mente se isola.
Me sinto como tudo, mesmo sendo insignificante como o nada.
Por um breve momento, sinto uma nostalgia: promessas, dores, rancores...
Foi apenas uma das minhas intuições.
"Poema: Canção de verão em Primavera
Era uma tarde de domingo na janela, e um menino espiava uma donzela - o nome dele: Verão, e o dela- linda princesa Primavera!
Verão por dentro trovejou de amor por ela - e a menina acenando da janela disse: -adeus Verão, pois já findou minha estação.
De onde vem este cantar tão só?
É de Verão que se apaixonou pela linda princesa Primavera!
Chora, chora, chora de dor! Lembra Primavera que partiu!
E no seu pranto brotou uma flor, lembrando primavera que partiu!
Canta, canta de amor!
Pois da Primavera, só restou uma flor! "
(Marcos Müzel- readaptado- festival de MPB Unesp-Ilha Solteira - 1998 )
Sonhos para sonhar
A Luz a despertar
Insistente pela janela.
Segue perfume de flores
Pelas frestas a perfumar
O que te aguarda lá fora
No seu dia mais lindo chegar.
Admirar a natureza verde através da janela, trazer também plantas para decorar o quintal e a casa promove ao ambiente um clima tranquilo e relaxante.
O canto dos pássaros quebra a monotonia e alivia a tensão do dia a dia proporcionando uma vida com mais qualidade mental.
Setembro/2022
Vaso de girassol
Pego o meu regador e vou em direção a minha janela
É onde está o meu vaso de girassol
Ele me deixa feliz
Alimento-o com o meu regador
Lhe entrego metade da minha água, mas ele não está saciado
Então eu derramo toda a minha água nele
Mas ele pede mais e mais
Me desespero, não tenho mais água para ele
Viro o meu regador e deixo todas as gotas caírem
Não tenho mais, mas ele quer mais
Me ajoelho e peço seu perdão
Eu cuido dele, adubo, dou todo o meu amor e minha água
Mas ele não dá nada em troca
Nenhuma flor ou um sorriso
Não importa o que eu faça
A culpa é minha
Será que toda a minha atenção não é o suficiente?
A minha água é pouca?
Lhe dou amor em excesso?
O seu solo é ruim?
Ainda ajoelhado, começo a chorar dentro do vaso
Ele parece estar feliz com o meu sofrimento
Se chorar é o requisito necessário para deixa-lo feliz, então é isso que irei fazer daqui em diante.
Anjo
Pego a minha lâmpada, agora apagada
Vou em direção a minha janela, encarando o céu
E dele desce um ser com uma luz branca ardente, mas ainda consigo enxergar as suas magníficas asas
Ele me entrega uma nova lâmpada, acessa
Eu a pego e agradeço, e ele vai embora
No dia seguinte, eu faço a mesma coisa
No outro também
E mais outro dia
Novamente, vou a minha janela com minha lâmpada esgotada
Passa um tempo e o meu anjo não vem
Esperei toda a madrugada por ele
Cansado, me sentei no chão e abri a minha lâmpada, buscando acende-la
Se passa várias madrugadas
E eu finalmente consigo acende-la
Sem precisar da ajuda daquele ser divino
Posso acender as minhas lâmpadas eu mesmo agora.
GRATIDÃO
O dia começou um pouco nublado... Olhando pela janela não se via raios do sol, mas, ele está lá, esperando uma oportunidade para brilhar.
A vida, por muitas vezes, amanhece assim... O dia anterior pode ter deixado cicatrizes que, ao olhar para a vida, nada parece ter mais sentido, mas, algo novo acontece e o raio do sol ilumina o seu rosto para lembrar que outro dia começou.
‘A criança que existe em mim’
— Abro a janela pra criança que existe em mim!
— Ela é feita de histórias, cantigas,
suspiros, risos, castigos,
muitos “NÃOS” e grandes alegrias!
— Ela cresceu brincando, pulando amarelinha, fazendo cozinhadinha, ela amava uma sombrinha!
— E seu curso o rio seguiu!
— A menina, cresceu, estudou, outros idiomas aprendeu, conheceu o amor, sonhou, viajou, em outros Países morou!
— Sonhos, muito maiores que
os sonhados, realizou, porque Deus a abençoou.
— No vai e vem pela vida, foi
deixando suas marcas, suas pegadas,
às vezes profundas,
outras bem delicadas!
— Às vezes saltitante, noutras, exausta, cansada e algumas vezes foi carregada!
— Hoje ela só quer adorar, entoa hinos de louvor, em gratidão ao SENHOR,
porque foi Ele que a carregou,
quando ela não conseguia caminhar.
— Às vezes descalça caminhando a beira do mar, ela se pega com Deus a falar,
fica toda esperançada!
— Falando sobre projetos
Traçando metas, agradecendo pela família que Ele lhe deu!
— Continua deixando pegadas, na estrada da vida, que ela segue a passear!
— Vai sob a direção daquEle, que sabe onde o trajeto dela chegará!
Rosely Meirelles
Da Janela da Casa do Outeiro -
Da Janela da Casa do Outeiro
avisto o cemitério
num doce entardecer, triste e derradeiro...
E há silêncio na aldeia, um eterno desidério!
Corre o vento, passam aves embaladas
voando ao Sol-poente...
E ao longe, na Serra da Barrada,
descansa o horizonte ...
Quando a tarde cai sobre Ela,
desperta em mim uma saudade,
uma vontade de ficar no alto da janela ...
No cemitério, movem-se os ciprestes por instantes
e até os mortos se alevantam
p'ra ver a tarde penetrante ...
(À Casa da minha Infância no Outeiro em Monsaraz)
Mais um dia nasceu!
pensamentos voam pela janela
essa casa me conhece,
a flor da terra é respiração
.
Aqui é longe
mas tal real
toda forma de vida
aqui, são agradecidas
.
Em ritmo ordenado,
o sol faz-nos, um convite:
desperta! desperta!
vamos caminhar...
O Viajante iluminado, in hóspede da casa do lago.
Gosto
Quando podemos conversar
Quando deito em minha cama
Olho para a janela
E você está lá.
Como é linda
Toda noite de Luar.
O dia me cativa
Permite ver coisas
Há vidas
Que só podem ser vistas
Com a luz do Sol
A Luz do dia
Mas a noite...
A noite me deslumbra
Me facina
Me apaixona
É a minha vida
Sem pressa,
Sendo vivida.
O escuro
O silêncio
Não há solidão
Está cheio de vida
Meu coração
Vida noturna
Ruas escuras
Ruas vazias
E tem a sua companhia
Majestosa Lua
Minha melhor amiga.
Tons quentes
Portas e cores
Me entregam o sol
No som dos passaros que pousam
Na janela dos sons
Amores e flores
Repousam em meus olhos
Pois o que toca meu som
Repousa em meu lar
E nas memórias e histórias
Navego em meu mar
De pensamentos e trajetórias
Para que eu encontre meu lugar
Então escrevo em meu peito
Que reverbera de amor
Na escrita do sujeito
Cuja luz é um trejeito
Da minha paleta cheia de cor
"Vagante"
Parei naquela janela
Li e reli todo sentimento
Estagnada ,
Refém daquela prisão
Feito folha seca
Jogada de um lado para o outro
Naquele vento tempestuoso
Na enxurrada de tristeza que cai sobre mim
Na penumbra desgastante ,
Findada aqui
Encurralada ,
Estive em te .
