Poemas de Janela
VIAJEI E PASSEI DO PONTO
Da janela do busão
Ao som de música retrô
Rostos de todo mundo e de ninguém na multidão
A cidade segue seu ir e vir no modo robô
Oferecendo a dádiva da invisibilidade sem sermão
Longe da ditadura dos "modistas" de plantão
Com seus olhares de fita métrica sem perdão
Distante de toda aquela indagação:
Já fez seu mestrado? Será ao menos alfabetizado?
Vai ser mãe um dia? Ou vai ficar mesmo pra Titia?
Já conquistou aquele emprego tão sonhado?
Ou continua a viver de auxílios sociais "acomodado"?
Julgamentos rasos, sem empatia, sem com a realidade do outro nenhum cuidado
A proeza do anonimato
Nos oferta um encontro com a liberdade
Pra ser o que se é de verdade
Já que aos olhos do outro, na Intimidade
Pode ser mais complicado!
Se autorizar a "Ser" sem pedir licença
Não pra ser aceito
Sem filtro...ou frase de efeito
Sem o apontar de dedos... sem ofensa
Pensa!
Dormindo acordada...
Acho até que passei do ponto!
Ela é de alma
Quando o vento sopra
Eles fecham a janela na violeta
E ela vai ver o dançar da flor
Só ela vê a visita da borboleta
Quando a onda quebra na praia
Eles correm para areia
E ela se banha na espuma
Só ela vê o beijo da lua cheia
Quando a chuva cai
Eles abrem o guarda-chuva
E ela dança no primeiro pingo
Só ela vê que a chuva lhe cai como luva
Quando a angústia bate
Eles se escondem na coberta
E ela bate de frente
Só ela percebe que esqueceu a porta aberta
Só assim atrevida
Ela esquece que tem medo
Ela passa despercebida
E vai com medo mesmo
Poema autoria de #Andrea_Domingues ©️
Todos os direitos autorais reservados 10/03/2022 às 13:45 hrs
Manter créditos de autoria original _ Andrea Domingues
Não espere que o compreendam, viva!
Estreita é a brecha da janela que separa o íntimo interior do conhecido exterior.
Nem todos encontram o ferrolho.
Pela Janela
Da minha janela vejo o céu.
Vejo a lua e o amanhacer.
Vejos os carros passando.
Vejo crianças indo para escola e voltando. Prontos para mais um pouco brincar.
Vejo a vizinha lavando a calçada, o senhorzinho esperando a amada que nunca mais voltará.
Vejo a chuva caindo, as aves dela fugindo, buscando abrigo, repousando e depois prontas para novamente voar.
Pela minha janela vejo também a vida com sua sutileza, levando de nós o tempo, os sorrisos, o fôlego, o caminhar.
Vejo o percurso da trilha.
Vejo os pontos de paradas.
Vejo as feridas se fechando.
Vejo-me soltando as amarras.
Meu coração se libertando.
E eu mesmo me olhando.
Vejo os sonhos que me habitam, dizendo à todo momento para eu confiar.
Que me fazem querer acordar amanhã mesmo quando ainda nem me recuperei do dia anterior. Mesmo que mais um seja um a menos.
Me recordo então do amor que move meu ser, que me dá fôlego e ao mesmo tempo me impulsiona, sem deixar de avisar de novo que não existe corrida alguma, que não precisamos ter pressa.
E para um novo dia me levanto.
O que você dá sua janela?
O sol de cada dia!
É de manhã! No cume da serra o sol se descortina, abrindo a janela do tempo. Seus raios luminosos, calorosos e coloridos rejubilam de alegria. O orvalho se esvai, o clarão do sol vislumbra o renascimento. É o milagre da vida. É o despertar da manhã, acordando o dia.
Um ainda dorme, outro sai afobado e atabalhoado, outros caminham silenciosamente. Como formigas, num vai e vem frenético, passos apressados, ônibus lotados, carros espremidos e encaixotados no raivoso trânsito engarrafado, o recomeço…
Espaços vazios vão sendo ocupados, o burburinho transitório diminui. Cada um, nutrido de força, vontade e fé, ergue seu olhar aos céus, agradecendo. Ali é o seu sustento, o pão de cada dia; o renascer da esperança borbulhando gotas de contentamento.
O entardecer se aproxima no filme que se repete. Trabalhadores retornam ao seu sagrado lar, após o dever cumprido. A jornada cumpriu sua rotina costumeira. Nessa caminhada provisória, refez a repetição da realização da jornada. Não há paraíso, não há Adão, não há Eva!
O sol brilha porque assim é o seu feitio, assim Deus o fizera. A vida é um descortinar de desejos, sonhos, realizações, alegrias e tristezas.
O sol, antes irradiante, vai perdendo força. Faz sua preparação para o descanso merecido. É chegada a hora de enamorar sua dama, a donzela LUA. Ela, no que lhe concerne, também nos brindará com as belezas da meia luz.
Assim se completa o milagre da criação. É a obra divina representada no teatro da vida.
Ei moça! Por que choras à janela de sua vivenda?
-Pra fingir uma viagem de despedida na janela do trem em desencaixe, mesmo sabendo que nem as lágrimas me deixarão...
-Foste abandonada pra se fazer assim?
-Nunca, nem viajei e tão pouco tive um amor...
-Razão do choro e soluços!
Alguns choram por terem vivido um amor que não deu certo. Outros por nem terem viajado!!
Ontem a noite,
Um besouro entrou pela janela e disse :
- Atende a joaninha.
Abri os olhos e a vi meio turva, no início, até que ela me deu uma semente e aponta-se para o jardim .
Sai pela janela
Olhando para a lua
E de forma pagã
Plantei delicadamente
E esperei ...
Quando acordei tinha mais alegria e mais esperança
Sabia que algo bom nasceria se cuidasse bem...
aqui, sentada na janela do ônibus
eu escuto a música que eu dediquei a você
e fico me perguntando
o quão egoísta eu fui comigo mesma
Da janela do quarto,
olhava para rua
Nua e crua,
revelava a tristeza
que vinha na rua.
O ser humano perdido
não era bandido,
não tinha destino,
caminhava sorrindo,
buscando comida
que encontrava nas ruas.
Como criança, não entendia
por que existia tanta comida na mesa
e barrigas vazias caminhando nas ruas.
(FERGOM, Edleuza. Indagações. In: GONDIM, Kélisson (Org.). Vozes Perdidas no tempo. Brodowski: Palavra é Arte, 2020. p. 99).
Janela descortinada,
Você! Deixada ao léu.
Oh! Céus.
Desejo seus favos de mel,
para me entorpecer
nas entranhas desse crime de amor,
e me tornar réu confesso,
ainda que haja dor.
Fui instigado a escrever sobre você,
quando senti os raios moldados
na janela,
era iluminação pura,
mas não era sonho,
era bela, esculpida em breve instante,
tão linda, sendo singela
Fato
Escorrendo pela janela
Tão pequena e singela
Gota que almeja
O solo a espera
Tão doce terra
Que espera se molhar
Mas dessa janela
Olho atenta a espreita
Das duas se tocar
No fim que espero
É cheirosa fusão
De quando Sol chegar
Para que eu possa entender
Que nada é um pouquinho de ser
Se for só...
Mas espreito atenta
As rápidas gotas
Ao seu fim chegar
Att. Aurora N. Serra de Mendonça
Hoje me sentei no umbral da janela, vi claro, mesmo distante a casa da vovó em sua mocidade.
Como o ferro da ribeira, que quando enferruja não é mais agradável ao toque.
Assim, é a parte alvejada pelo Sol do carpete de veludo, que perde o seu tom forte.
Se hoje meus pés pisam nas pedras lisas do riacho, é por que eram britas que arranhavam os pés da vovó em baixo.
Na escola queixo para cima, peito estufado, digo com orgulho; Meu nome é Prado.
NOVO ALVORECER
Avisto de minha janela
O meu velho Jardim
Que começa a brotar,
Com flores de cores belas
perfumando a vida
e também a adornar !
Borboletas, abelhas,,
Beija-flores
Sobrevoam sobre as flores
Para o néctar colhêr,
Adoçando assim a vida
Preparando o caminho
Para um novo alvorecer!
De mãos dadas com a esperança,
Vejo os raios do sol
Que começa a despontar
De joelhos agradeço
E peço ao criador
Ao mundo abençoar !
Maria Francisca Leite
Direitos autorais reservados sob a lei - 9.610/98
O vento sopra a janela do quarto.
26 de novembro marca o calendário.
Barulho da chuva que cai no telhado,
Goteiras deixam o piso molhado.
A noite foi tensa, sonhei com o passado.
Na cabeça uma dor intensa
Tem me atrapalhado.
No criado mudo, um quadro
Com nossa foto virada pra baixo.
Ao lado uma garrafa de whisky
E um maço de cigarro.
Na cozinha, a pia cheia de vasilhas.
Roupas jogadas no chão da sala.
Mas, tudo bem, não tenho esperado por visitas.
E assim os meus dias vão passando...
De casa pro trabalho,
De trabalho para casa.
Comida congelada
Pra despistar o vazio em mim.
O mesmo disco antigo
Sempre tocando no meu velho radinho.
Um bom jazz pra me acalmar.
Enquanto olho para o relógio na parede
E vejo o quanto o tempo passa devagar.
Você se foi cedo demais.
E agora falta metade de mim.
Já não me sinto inteiro.
E nem sei se algum dia voltarei a me sentir.
Não tenho sentimentos.
Vivo um The walking dead,
E ninguém entende esse meu lado sad.
Pois, minhas dores não são divididas...
É um peso que apenas eu devo carregar.
Então, antes de dormir,
Já meio baqueado
Me lembro dos nossos momentos juntos...
Dou um sorriso de lado.
E logo apago.
E assim meus dias tem se passado.
Esperando ouvir sua voz
Se despedindo de mim,
Para quem sabe assim
Me libertar do passado
E enfim, conseguir seguir em frente.
- R.V ✍🏻
O lamento do violão
Da janela , a chuva caia
Escorria nos vidros
Dançava gota a gota
Faziam ziguezagues .
Meus olhos acompanhavam
De um lado para o outro
Tic tac, tic tac
Voltas e meia com os polegares.
Um passo um suspiro,
Declinando a cabeça
Lamentava por algo perdido
Ou simplesmente
Por não ter nada a dizer ...
E o sol é quente, como todos os dias
e isso me faz tão em casa
O tempo se passa pela janela
e a cada metro um novo mundo
Talvez não te reconheça em uma outra outra vez
mas não há como te esquecer
Um novo caminho, andado vacilante
com novos olhares, jeito e sorrisos
Não há como não ser marcante
Conversa frívolas entre desconhecidos
que um olhar desatento acredita serem irmãos
As malas um pouco mais cheias
O coração um pouco mais preenchido
Voltamos pra casa
mas não somos os mesmos que foram
Do cantinho de uma janela,
vê-se o belo de belas cores
de uma noite que se aproxima
cheia de amores.
Hoje é um belo dia para ser feliz 🙂, Seja também .
