Insólito
Aprendemos a ser real com a ficção, a dor e com o que o insólito às vezes nos ensina. Porém, guiar-se por caminhos enigmáticos não trará soluções exatas para o que é constituído de substância racional.
Singrar mares, em voo singular
Na imensidão azul
De um mar insólito, virtual
Procurar porto seguro
Talvez obscuro
Olhar vazio, se perdendo ao ocaso
Ondas a se misturar
A essas lagrimas que teimam em rolar
Tento um gole com limão
Mãos trêmulas a segurar um copo
como a dizer não
vou aportar
sem cabotagem
pois sabotagem
tiram inspiração.
Insólito
Vago por
um tudo
que é
amorfo
Gozo
viagens por
onde não
se toca
É ar
vento e brisa
que esbarra e
passa
Vida
Jorge B. Silva
A Luz
O momento me faz nítido,
atesta-me pleno e versado;
porém um ser desvairado,
ao insólito lançado...
Como posso explicar,
se tanto doei-me ao saber
e ora me sinto inerme,
inculto no centro do nada?
São incertezas danosas,
prescindíveis percalços.
peças todas as veras,
passos de um póstero triunfo!
Aterrado em Neve e Lama
Diante
Do insólito
O estrambótico
Ouviu
Dizer
De país
Atropelado
Pela
Estupidez
Arrogante
Do
Impensável
Ocupado
Pelas
Tropas
Do
Desatino
Reagiu
Não reagindo
Ignorou
O insensato
Tocou
Sua vida...
Inédito
Impasse
Na
História
”Numa época em que até o Batman já reconheceu que o Coringa tinha lá suas razões, esse insólito retorno ao maniqueísmo explícito não pode, no entanto, ser compreendido como mero anacronismo simplório: por trás de sua aparente inépcia existe a opção consciente e maquiavélica por um esquematismo doutrinário que, se falha às exigências da cultura superior, atende com superior eficácia aos desígnios da manipulação publicitária.”
Um exemplo de insistência é quando, em meio ao insólito da insônia, surgem os mais brilhantes insights, como a percepção de que revoluções são silenciosas.
Mon Petit Phare
Teus olhos são como os faróis que iluminam ao norte um mar bravio e insólito e ao sul um oceano permeado de armadilhas que fazem naufragar os desavisados e ousados, consumindo a todos.
Quando nem imaginava existir tal força na natureza, me aventurei guiado pelas estrelas no mar de tua essência única, nesse momento, vislumbrei o longínquo o brilho de tuas incandescentes luzes.
Em busca de ti, naveguei com minha audácia no mar de teus pensamentos, combati os teus monstros e sobrevivi as tempestades de vosso temperamento, mas eu perdi minha alma antes mesmo de aportar.
Do alto das torres que iluminam o oceano de desejos, após uma escalada que quase me custou a sanidade, vislumbrei um vulcão que se projeta acima do oceano e exerce um fascínio irresistível, sem titubear me lancei em tua boca e me perdi em teus beijos.
Tal como Ulisses, sou um naufrago aprisionado na ilha das Amazonas ao leste e a oeste na ilha de Apollo, vitimado pelo meu desejo insaciável de ti.
Detido pela força de Era, que se apiedou de minha condição, fui levado a um monte em segurança, mais uma vez aprisionado, entre o vulcão que me consumira e um vale de desejos que me levaria em direção ao teu cerne misterioso.
Sofri com a dúvida, mas o ressoar de tambores ancestrais vindo do leste, moveu-me na direção de meu destino, percorri o vale em segundos para me deter ante os portões que me levariam a você.
Lutei contra os meus instintos, temeroso e vacilante, fui vencido pelo canto das sereias, que usaram a força da maré cheia e sequestraram minha vontade, adentrei o teu ser, invadi o oceano oculto dos teus desejos em busca de mim.
Dentro de ti, guerreei contra mim, contra os meus instintos, contudo, fui vencido pela intensidade de tuas certezas, que me reduziram a um ser devotado e cativo, desejoso de tua natureza deifica.
Como na Ilíada, ao reconhecer tua divindade, fui alçado aos teus olhos, agora pequenos faróis que iluminam oceanos pacificados, pois tu és deusa e eu um mago, tu és a luz para um mundo em caos enquanto eu, sou o caos feito homem para te amar.
Casthoro´C
O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer.
ECLIPSE INSÓLITO
O solo suntuoso do Astro Rei,
Ilustre absolutista.
Num fenômeno, jamais, antes visto,
Sobrepôs-se à lua.
Com seus raios pungentes, sempre em sol maior,
Travessando, entrevando as insolúveis trevas,
Movido por um narcísico intento:
Dissolver e devassar
As ilusões-solo onde persiste
Insólito, insular, insolente,
Bruno, como a bruma:
Branco, sombrio, silente.
Cabendo parcamente em seu vazio,
Que a humanidade quer colonizar,
E acima de tudo,
Pelo mais implacável dos algozes:
O mais argucioso e perigoso:
O que mais conhece seus pontos fracos.
Sim, o sol, por não tê-lo entre seus súditos,
Tirou de toda a humanidade, o sono
E o entregou ao pior dos inimigos:
Seu próprio Reflexo
Eu sentia medo daquele entardecer. A noite sempre me parecera um refúgio nada insólito... cheia de segredos, que servira como esconderijo dos culpados. As noites eram sempre anunciadas com a morte do sol. Mas a esperança amenizava o medo, na profecia anunciada de que o sol nasceria de novo em algum momento.
PARTIDA
A partida sem o adeus,
sem o abraço, insólito.
Uma parte se foi e a tarde nublada,
marcou um rastro desalento.
Olhares que disseram tudo
quando a admiração ausentou-se.
As bocas que não se abriram,
e o silêncio que tanto falou.
As escassas palavras em turbilhões,
flutuando com a brisa rara.
A esperança arrumou as malas,
pediu refúgio. Asilo.
A nostalgia permaneceu,
as lágrimas pediram ausência.
Já sem discurso, o tempo fugaz,
transcorreu dolorosamente.
A pulsação da música,
extinguiu-se, retórica.
A dor, que tanto sufocou,
esquivou-se da alma.
Os redemoinhos, sem forças para reerguer-se,
não mais existirá, se auto aniquilará.
Restará apenas, uma breve saudade,
da lembrança, de uma breve partida.
Baseado em fotos virtuais
Retratado em fatos reais
Segue o cotidiano insólito ou amiúde e Deus que nos cuide.
Um mercado é insólito permissivo e especulativo desonesto, quando o atual valor atribuído a um bem é menor que a soma dos valores dos materiais empregados, adquiridos hoje.
Te compus,
Numa simetria de pétala a pétala.
Como um quebra cabeças insólito
Nas mãos do divino
Te encontrei.
Perplexa e nutrida de selvagens sonhos
Mesmo assim
Duradouros pontos a lapidar.
Te levei.
Onde ninguém poderia te levar
E te amei
Como ninguém poderia te amar...
EU E VOCÊ, VOCÊ E EU:
Eu, tão insolente
Quase insólito.
Você. Tão evidente
Ângulo, côrtez.
Teses a meus
Sentimentos!
Pises de mancinho
Pode está meu
Coração.
DIALÉTICA
Eu, tão insolente,
Quase insólito.
Você, ali, evidente.
Ângulo, cortês.
Teses a mim!
Em síntese,
Pises de mansinho
Pode estar meu
Coração.
Estamos vivendo um tipo de agressão coletiva que é a normalização do insólito e do bizarro em âmbito cultural, mesmo que individualmente precisamos nos socorrer culturalmente e religiosamente. Até quem repudia tal normalização pode acabar se habituando com esse mal.
Salvo insólitas exceções, prefeito brasileiro é como deus tribal africano: importante demais para descer — de onde quer que esteja — e estender a mão ao seu povo.
