A ideia de filosofia brasileira não é muito definida e é difícil ouvirmos falar disso em nossa carreira escolar. Filósofos brasileiros raramente figuram entre os clássicos nomes como Sócrates, Nietzsche, Descartes ou Platão

Mas isso não quer dizer que também não produzimos excelentes pensadores! Homens e mulheres que influenciaram com as suas reflexões a nossa cultura, desde o período colonial, passando pelo período imperial, e até o período republicano, que vivemos hoje.

Contamos um pouco da história da filosofia do Brasil e de 14 filósofos brasileiros para você se inteirar sobre como essas mentes ajudaram a formar a intelectualidade do nosso país.

Os teólogos do Colégio do Rio

Considerada a primeira faculdade que ensina filosofia no país, ainda na época do Brasil Colonial, o pensamento era voltado para o catolicismo e o chamado “Saber de Salvação”, que preparava o povo para uma instância divina em vez de focar no corpo e material.

Os principais nomes dessa fase da filosofia brasileira foram:

Manuel da Nóbrega (1517 - 1570)

Um padre jesuíta que foi responsável por algumas medidas de proteção do povo indígena brasileiro e escreveu "Diálogo sobre a conversão do gentio", um dos livros mais importantes da época.

Marquês de Pombal (1699 - 1782)

Ainda na época colonial, um homem que influenciou muito o pensamento filosófico brasileiro, chamado Sebastião José de Carvalho e Melo (mas conhecido como Marquês de Pombal).  Propagou uma corrente filosófica chamada empirismo mitigado, que basicamente é uma corrente que acreditava nas experiências humanas como poder científico. Polêmico, foi ele quem expulsou os jesuítas do país e implantou as primeiras escolas nacionais que prezavam pelo ensino laico.

filósofos brasileiros

É mais eficaz a moderação com que se repreende, do que a severidade com que se castiga.

Marquês do Pombal

Os filósofos brasileiros do Ecletismo

Depois que o Brasil deixou de ser colônia de Portugal e passou a ser Império, os pensadores da época estavam presos em reflexões sobre o que realmente era liberdade no país. Por causa disso, a corrente dominante era o Ecletismo, que tentava responder às questões humanas de consciência e liberdade através de uma aproximação do espiritualismo e da experiência humana em relação aos problemas que aconteciam nesse período.

Os nomes mais importantes dessa época foram:

Gonçalves de Magalhães (1811 - 1882)

Conhecido também como visconde do Araguaia, o pensador foi um dos primeiros romantistas brasileiros. Em termos filosóficos, propunha soluções mais espiritualistas atentando para a oposição corpo e alma, no sentido do corpo ser uma prisão, mas de haver liberdade humana por haver espírito.

filósofos brasileiros

Para falar mais exatamente, só existe realmente o que é espírito, o que sabe, e pode, e tem consciência de si; tudo o mais existe fenomenalmente, não em si, não para si. 

 Gonçalves de Magalhães (Fatos do Espírito Humano)

Eduardo Ferreira França (1809 - 1857)

Médico, pioneiro do pensamento sobre a psicologia no Brasil, com o livro "Investigações de Psicologia" (1854). Defendia a hipótese de que o homem em seu conjunto é determinado pelas condições naturais em que vive, e buscou ao longo de sua carreira apresentar fundamentações filosóficas em relação à liberdade política.


O filósofos brasileiros positivistas

Depois dos ecletistas, surgiram novas discussões no meio intelectual, dessa vez ligadas ao movimento positivista. Segundo o positivismo, as superstições, religiões e demais ensinos teológicos devem ser ignorados, pois não colaboram para o desenvolvimento da humanidade. Só o que é científico importa. No Brasil, os principais representantes dessa corrente filosófica foram:

Ivan Monteiro de Barros Lins (1904 - 1975)

Jornalista, professor, pensador, ensaísta e conferencista cujo positivismo era sobretudo um método de sistematização dos conhecimentos científicos, filosóficos e sociais, fornecendo as bases para o estabelecimento de uma moral científica. Estudou muito sobre esta corrente filosófica e publicou em 1964 a sua obra mais importante: “História do Positivismo no Brasil”.

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Logo, se Deus existe, ou não possui, em grau infinito, bondade, poder e inteligência, ou, se os possui, procede como se não interferisse nos acontecimentos terrestres.

Ivan Monteiro de Barros Lins

Luís Pereira Barreto (1840 - 1923)

Médico, filósofo e biologista que acreditava na conjugação entre ciência e instrução pública como meio de civilizar o Brasil. Publicou diversas obras sobre o assunto, entre elas "Filosofia Teológica" e "Filosofia Metafísica", em 1874 e 1876, respectivamente, livros nos quais procurava analisar o Brasil tendo por base a lei comteana dos três estados.

Outros nomes do positivismo no Brasil: Alberto Sales, Pedro Lessa, Paulo Egydio, Júlio de Castilhos e Benjamin Constant Botelho de Magalhães.

Os filósofos brasileiros da Escola de Recife

Em oposição ao positivismo surgiu um movimento muito importante para a filosofia brasileira, que trouxe para as reflexões questões sociológicas, culturais, folclóricas, jurídicas etc. Esse movimento nasceu em Recife, na Faculdade de Direito, primeira faculdade do gênero, ainda no Brasil Império, e teve como representantes duas figuras principais:

Tobias Barreto (1839 - 1889)

Herdeiro dos pensamentos do filósofo Immanuel Kant, foi um dos primeiros pensadores brasileiros a discutir filosofia na academia, como ciência. Sustentava o culturalismo na sociedade e no direito, procurando conciliar o determinismo das ciências naturais com a liberdade humana.

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Um homem que tem a boca cheia de língua parece-me inadmissível que tenha uma cabeça cheia de ideias.

Tobias Barreto

Silvio Romero (1851 - 1914)

Foi crítico, ensaísta, folclorista e historiador da literatura brasileira. Sua força estava nas ideias de âmbito geral e no profundo sentido de brasilidade que imprimia em tudo que escrevia. A sua contribuição à historiografia literária brasileira é uma das mais importantes de seu tempo.

Os filósofos do Brasil República

Uma das importantes correntes do século XX que surge como crítica ao positivismo é o culturalismo, corrente herdeira da proposta e crítica iniciada pela Escola de Recife e que pensa questões antropológicas e sociais importantes para o país. Essa corrente acreditava que a cultura condiciona o comportamento psicológico do indivíduo, influenciando todo o seu pensamento. 

O principais nomes dessa época são:

Raimundo Farias Brito (1862 - 1917)

Autor de uma das mais completas obras filosóficas produzidas originalmente no Brasil, era muito religioso e dedicou boa parte da sua obra pregando um Deus como um princípio que explica a natureza e serve de base ao mecanismo da ordem moral na sociedade.

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Não basta indagar se o conhecimento das coisas depende da constituição de nosso espírito; é preciso verificar se o conhecimento do eu e da consciência, por sua vez, não sofre a influência das coisas.

Farias Brito (O Mundo Interior)

Miguel Reale (1910 - 2016)

O filósofo foi responsável por associar os fundamentos da filosofia com a criação da teoria tridimensional do direito, que ainda é particularmente difundida no Brasil. Foi reitor da Universidade de São Paulo e membro da Academia Brasileira de Letras.

Os filósofos brasileiros contemporâneos

Apesar de filosofia parecer sempre coisa de pessoas mais velhas e, às vezes, até do passado, é possível citarmos filósofos brasileiros atuais que estão em plena atividade hoje em dia. Pessoas que ainda podemos acompanhar pela internet, pelos livros, pelas redes sociais ou pela televisão. Gosta do assunto e tem interesse em saber mais? Então vamos a alguns nomes:

Marilena Chauí (1941- atual)

Considerada uma das mais importantes filósofas nacionais, com uma vasta e reconhecida obra acerca do tema. É também professora e militante política. Recebeu diversos prêmios em sua carreira, incluindo dois prêmios Jabuti.

filósofos brasileiros

A busca da verdade está sempre ligada a uma decepção, a uma desilusão, a uma dúvida, a uma perplexidade, a uma insegurança, ou então, a um espanto e uma admiração diante de algo novo e insólito.

Marilena Chaui

Márcia Tiburi (1970 - atual)

Uma das pensadoras jovens mais famosas da atualidade, já participou de programas de TV e escreve constantemente sobre filosofia, política, cultura e outros temas. Tem vários livros publicados, entre eles a excelente antologia "As Mulheres e a Filosofia", de 2002.

Djamila Ribeiro (1980 - atual)

É mestre em filosofia política e um dos nomes mais falados no Brasil em tornos de temas como o feminismo negro e ativismo digital. Ganhou notoriedade na mídia nacional nos últimos anos, sendo convidada para diversos programas de televisão, rádio e outros meios para falar de sua atuação como filósofa e feminista interseccional.

Mario Sergio Cortella (1954 - atual)

Os vídeos deste pensador contemporâneo alcançam milhões de visualizações na internet. Também publicou diversos livros e procura tratar de forma descomplicada temas ligados à filosofia na sociedade contemporânea.

Corre o Brasil inteiro com palestras que têm um cunho motivacional mas, principalmente, promove a reflexão das pessoas para questões filosóficas que fazem parte do dia a dia de qualquer brasileiro. 

filósofos brasileiros

É necessário cuidar da ética para não anestesiarmos a nossa consciência e começarmos a achar que tudo é normal.

Mario Sergio Cortella

Também podemos citar como filósofos da atualidade:Clóvis de Barros Filho, Leandro Karnal, Luiz Felipe Pondé e Olavo de Carvalho.