Efemeridade
Ode à eterna efemeridade do tempo
I
Quando do tempo tornei à realidade, meus olhos já haviam perdido o brilho.
Perdi o brilho porque tu, desgraçada vida,
Tu, desgraçadamente, me ausentaras o sangue,
e as inglórias imagens da morte vêm me visitando à noite
e me tomando o sono, desde então.
Minha cama de doces lírios pálidos agora espeta-me o dorso,
e nada se há de fazer para conter as vastas mãos da tragédia.
Quando do tempo tornei à realidade, meu corpo já não me pertencia mais,
e pus-me a percorrer a vasta esfera para encontrar-me.
Só que a imensidão me é vil neste instante em que vago devasso por aí,
e esta terra abrasadora queima-me os pés calejados.
Tenho-me apenas na lembrança de um dia calmo,
Mas a lembrança me é insuficiente para sorrir.
[...]
EFEMERIDADE
Minúsculo flagelado
Pequeno Relato
Célula Viva
Descida Escorregadia
4 membros, uma cabeça e um tronco
Ainda frágeis, totalmente prontos
Começando a usar os membros
Falando e aprendendo
Brincando e sendo feliz
Sem pensar que a vida está por um triz
Logo vêm os conflitos, mudanças
Reconhecimento de Identidade
A vida passa
Já tenho muita maturidade
A inocência jaz
Resta experiência
A vida passa, já aparecem rugas faciais
E a vida num passo de um segundo
Já estou entre os especiais
Essa efemeridade, essa liquidez, essa palidez de dias rasos me faz querer ir além, mergulhar fundo, construir solidez nos afetos-reflexos.
A consciência da nossa efemeridade
é o que dá a importância a cada despertar
mesmo que nem sempre
tenhamos manhãs de sol
e céus azuis...
Cika Parolin
A efemeridade da vida é cada vez mais corroborada pela sensação de insegurança que assombra os dias em que vivemos. O que nos leva à conclusão de que devemos viver da melhor forma possível os nossos dias e noites, pois tudo pode acabar numa freiada, num passeio ou até mesmo durante o sono.
O que torna a vida tão encantadora é a sua efemeridade...
A consciência disso nos torna responsáveis pela "qualidade"
do que buscamos e vivemos, razão pela qual, nenhum segundo
deveria ser desperdiçado em sentimentos que não estejam
à altura do grande milagre de existir.
Cika Parolin
Embora a lei da vida seja a mudança, tenho verdadeiro pavor a pessoas volúveis e a efemeridade dos relacionamentos fúteis.
O coração dos homens norteiam-se na pluralização dos antônimos da efemeridade. Quando, na verdade, os sinônimos os definem.
A verdade é que perdemos tempo demais elaborando teorias que que justifiquem a efemeridade do amor, mas, na prática, o tratamos como as flores de plástico que enfeitam as estantes.
Amor é prática diária. É cuidando das raízes do outro e cultivando a relação com pequenas atitudes que podemos contemplar o desabrochar de seus botões.
Flores artificiais ficam lindas na estante, mas nunca darão vida à primavera.
O TEMPO EM SUA EFEMERIDADE
Parece que foi ontem
E já não era mais
Um dia acordamos, e percebemos
Que não se pode voltar a trás
Que o silêncio e a solidão
Já se tornaram uns vírus para a alegria
Já se tornou tristeza
Tudo que um dia significou felicidade
Momentos que se dissolveram
Em pensamentos soltos o vento
Que foram expressos com palavras desconexas
Coisas que esfacelaram os segundos do tempo que passou
Momentos deixados, feito sombras.
Em suas antigas verdades
Mas que se refazem na memória
Contudo, se vão como poeira e o vento leva rapidamente.
Como se fosse capricho do destino
O que não se pode entender
Sobre um mistério indefinido
Tudo passou como instantes
Coisas que inventamos no momento que desejamos
Sensação que sorrateiramente nos engana
E insistimos em ousar no que nos opomos
O que resta agora
É vago traço do vazio
Que tentamos decifrar
Sobre o valor conceitual do tempo
Mas descobrimos uma só verdade
Entre todas que não mais existe
Tudo é efêmero
Como essa lágrima...
Escorrendo delicadamente no rosto
Prefiro calar
Reconstruir um mundo onde a vida se refaz
Esquecendo-me dos gestos perdidos
Do olhar escondido
E busco encontrar no abraço
Seu poder revitalizante
E no sorriso
Nova forma de viver
Em nobres gestos que acolhem a alma.
No ciclo dos passos não se vê efemeridade.
Os pontos permanecem, refletem um estado;
A paisagem se converte, simula a novidade;
Mas o ciclo ainda é ciclo, e não há efemeridade.
Diante a efemeridade da vida, ainda há quem saia na Barra/BA para ver o entardecer e o "sol virando lua", diante a tristeza cada um busca uma distração e algum tipo de conforto ou diversão, nós quanto ser humano jamais entenderemos a nossa desobediência, até porque queremos sermos livres mesmo diante a uma pandemia perversa que mata milhares de pessoas.
Saindo da Barra/BA passando pela Sete Portas/BA, vejo o abandono, lençóis em forma de casa, moradores de rua e um congestionamento miserável na rua e em por dentro de mim, abaixo a cabeça e tento não refletir a vida, até porque tenho que regressar ao meu próprio ser e cuidar de mim!
"A efemeridade se justifica através do viver. Quando me estresso, o faço pelo que já ocorreu, quando anseio, por algo que talvez nem aconteça como espero, bem ou mal.
Ambas reações por fatos que não pertencem ao momento presente.
Creio que o paraíso seja um estado de presente continuo, o inferno o passado e a expectativa futura o purgatório da alma-mente-psique".
efemeridade da vida
acho incrível como vc pode transitar pelos dois extremos sentimentais que a vida nos proporciona. Um dia vc está enterrado num poço de decepções e muito magoado, no outro dia já não dói tanto mais… Depois de uns meses talvez vc nem se lembre mais do que te causou aquilo.
Bom, estou falando da dor passageira pois foi o que aconteceu comigo. A intensidade dos sentimentos chegou forte e subitamente quando nós nos conhecemos. Foi intenso pra mim desde a primeira conversa, mas não me pergunte o pq, pois não saberei responder. Dessa maneira, da mesma forma instantânea que tudo começou, também terminou. Chorei, não comia e também não dormia, isso tudo conhecendo vc por apenas 2 semanas.
O tempo passou e meu coração curou-se de vc, mas o mundo girou por 365 dias e vc decidiu que era hora de pedir perdão. Aceitei com o coração aberto, mas ainda com medo daquela dor que durou alguns dias.
Aparentemente nosso filme começa de novo, não sei o que esperar, mas também não posso apostar todas as minhas cartas nisso. Admiro-te, e abro as portas pra vc colocar seus móveis na minha vida novamente. Espero que dure mais, pois não sei se estou preparada pra em encaixotar todas as minhas coisas e fugir, ou ter que lidar com vc fazendo isso no meu lugar.
15/08/2021
O Banco e a Janela
A fragmentação e a efemeridade
Sonho como um espaço de descanso
Atônito diante dos caminhos
Inaptidão para a vida
Quando quis tirar a máscara e respirar um suspiro
Estava pegada e pregada à cara
Quando a tirei e me vi ao espelho
No âmbito de meu lar
Já tinha envelhecido.
