Efemeridade
São bonitas as pessoas que são no momento. Pode deixar a ser, e deixarem de ser, para nós. (02/01/2018)
O Último Toque
Capela entreaberta, credência posta, ambão entornado em verde e o lecionário aberto! Liturgia em tempo comum e a rotina diária de um grande hospital com sua complexidade: muitos doentes, familiares em oração, religiosas preparando a celebração, o terço deslizando nas mãos com petições e meu violão ao lado, esperando o momento certo de ser tangido.
O sacerdote se aproxima. Uma religiosa se levanta para acender as velas e enunciar o primeiro comentário da celebração e suas intenções. Pego meu violão e já anseio pela penúltima melodia, a única que consigo enternecer com facilidade. Ainda estou aprendendo!
A celebração se inicia. Durante a procissão de entrada, sinto que alguém fixou os olhos em minhas mãos. Pergunto-me: “será que estou tocando errado?”. A celebração prosseguia e o olhar daquele moço continuara inarredável. E aos poucos o jovem rapaz de banco em banco se aproximara lentamente.
Fiquei pormenorizando cada passo de sua aproximação. Já estava no ofertório, momento de entrega e concentração, quando vem ao em minha direção com um pedido insólito: “Por gentileza, posso tocar a música da comunhão?”. Logo me enraiveci. Era a minha música preferida! Levantei-me e fui ao encontro da religiosa responsável no intuito da não aceitação desse pedido esquivo. A irmã, já anciã, com o olhar compenetrado disse-me: “Deixe-o tocar!”.
A missa prosseguiu. Momento eucarístico. Enciumadamente, entrego-o meu violão. Para nossa surpresa, ele tocara maravilhosamente cada nota, numa harmonia que chegara ao coração. Mãos que tocavam divinamente e olhos em lágrimas que não pareciam ter fim. Questionei-me tamanha emoção, mas senti que vinha consigo uma dor inexplicável. Terminando aquele momento rico e divino, devolveu-me o violão com um sorriso satisfeito, porém senti que ainda havia uma dor imensurável naquele olha.
Após a benção final, como de costume, comecei a guardar os instrumentos musicais. Aquele moço que me surpreendera já havia se retirado. A religiosa anciã veio-me ao encontro e disse-me algo que jamais esquecerei: “sabe aquele moço que lhe pediu o violão? Eu permiti com que ele tocasse e vivesse aquele momento único, pois seria seu último toque”. Perplexo a questionei sobre o estranho “último toque”. Ela olhou-me, já lacrimejando, respondeu-me: “Nesse momento, ele está dirigindo-se ao centro cirúrgico e amputará o braço direito. Esse foi o seu “último toque””.
O tempo é efêmero... Muito passageiro... E como aproveitá-lo da melhor forma? Apenas escolhendo o melhor para si. Estamos condenados à liberdade e apenas as escolhas são capazes de nos conduzir aos melhores caminhos, à satisfação.
Em 1976, muitos da geração de meus pais ouviram Elis Regina, mas poucos realmente escutaram o que ela tinha a dizer.
Em 1976, muitos da geração de meus pais ouviram Elis Regina, mas poucos realmente escutaram o que ela tinha a dizer. E assim continuaram as suas vidas, como seus próprios pais.
Celeridade vital.
Quem "decide" a urgência que você deve reagir as coisas? Queria falar com Einstein sobre a relatividade do tempo/velocidade, porque a sociedade não escolhe minha tranquilidade, meu ciclo e minha identidade.
Muitas coisas efêmeras perduram mais que as materiais. A fugacidade gruda na memória dessa e de todas as vidas...
A minha existência é um pequeno clarão,
Que brilha por instantes na vastidão,
E ilumina a noite fugazmente sem pedir permissão.
Sou um relâmpago que não sabe por que surge,
Um lampejo que não questiona seu destino.
A vida é simples, como a luz de uma vela ao vento,
E eu sou apenas o que sou, sem intenção ou lamento.
As estrelas observam-me sem curiosidade,
Assim como eu observo o campo, a árvore, o rio.
Nada tem propósito além de ser,
E nesse ser, encontro minha paz e meu viver.
Não há mistério no clarão que sou,
Não há desejo de eternidade ou de compreensão.
Sou um instante de luz na escuridão do mundo,
E isso basta, sem razão, sem ilusão.
A vida não se pede, nem se rejeita,
Apenas se é, como o sol, como o mar.
E ao findar do meu brilho, algo persiste,
Pois na vastidão, meu clarão resiste.
Ser é suficiente, ser é tudo,
E o pequeno clarão que sou,
Ilumina outros caminhos na escuridão,
Deixando uma fugaz e efêmera recordação.
"Desconheço meu futuro, mas em relação a todo restante posso prevê-lo com precisa exatidão, inobstante quais sejam nossos desejos, absolutamente tudo e todos passarão."
Outono
Outono! As folhas douradas, em queda livre,
Espalham-se dançando com o vento,
Num frenesi de liberdade.
São cores, formas,
Vida que se vai,
Mas que não perde a beleza em seu movimento.
As árvores despem-se lentamente,
E o chão se torna um mosaico
De formas e cores.
Um tapete dourado de memórias e saudade,
Ecoando em cada passo
Do caminhante sonhador.
As folhas que caem
São como páginas de livros,
Que contam histórias de um tempo que se foi,
Sussurradas no ouvido
Pela brisa outonal.
Com suas folhas amarelecidas,
O outono lança seu convite à reflexão:
A se despir das certezas,
E olhar atentamente para os ciclos da existência,
Para a impermanência da vida.
E encontrar, no chão,
A beleza da efemeridade da essência.
(Outono)
"Não são os bens materiais que amealharmos, os rótulos profissionais que utilizarmos, ou o reconhecimento vaidoso e fugaz que conquistarmos, absolutamente nada disso é perene, ou capaz de marcar a nossa história.
Apenas o bem que plantarmos nos corações das pessoas, esse será para sempre, o nosso exclusivo, único e verdadeiro legado."
"Nossas vidas são efêmeras, nossos passos são contados em caminhos que escolhemos por trilhar, no semear de amor, lealdade e compaixão, e a gratidão pelo que colher e o que plantar."
"A generosidade é um dos atributos humanos mais complexos, o espírito do tempo presente nos instiga a sermos cada vez mais individualistas e agirmos motivados tão somente por nossos próprios interesses, lamentavelmente.
Ainda assim você já se deu conta do quanto de sua felicidade não advém de si, mas da parcela de alegria proporcionada ao seu próximo?
É por isso que a comemoração da vitória em um campeonato não se faz apenas pelo time, mas com toda sua torcida.
Bom mesmo não é o que você acumula, mas o que compartilha, não é o que retém, mas o quanto se dá, ao fim e ao cabo, não são nossos bens materiais perecíveis e efêmeros, mas a memória das boas histórias que houvermos plantado no coração das pessoas, essas serão o nosso único e verdadeiro legado."
"Nossa jornada é efêmera, sozinhos chegamos e solitários partimos, inobstante isso, entre esses dois pontos, são nossas amizades que dão cor e sabor para todo esse extraordinário transeunte."
Não estamos prontos, e é preciso aceitar a verdade que vamos concluir nossa jornada ainda inacabados.
Por isso é tão importante ter em vista a beleza de todo esse processo que nos eleva em conhecimento, do tempo, do outro e, sobretudo, de si, fazendo disso a primeira e última razão para vivermos intensamente cada momento deste grande e indecifrável mistério.
"Quão infantil e sem sentido são nossas tentativas de tentar controlar tudo a nossa volta.
É preciso ter em vista o quanto somos efêmeros, frágeis e incapazes até mesmo de compreender as nuances desse indecifrável mistério envolto a esta sinfonia perfeita regida por Aquele que, antes e sendo tudo, por generosidade, primeiro nos amou."
Caminhos da Jornada
Na efêmera existência, a dificuldade,
Passagem breve, mão que toca a cena,
Não mora em nós, mas é a realidade,
Busca da vitória, na dor serena.
No palco da vida, sou navegante,
Viciado em recomeços, sem demora,
Exploro ciclos a cada instante,
Em busca do saber e da luz que aflora.
Nas trilhas da jornada itinerante,
Traço meu caminho com esperança,
Desbravando, sem temor constante,
Em busca da verdade que se lança.
Como um verso que se tece na alma,
Caminhante de mundos de múltiplas faces,
Em cada recomeço a minha alma,
Desvenda o EU em diferentes fases.
Tínhamos tudo o que precisávamos Mas o que não sabíamos na época é que nada dura pra sempre.
