Crônica sobre Política
"Notoriedade, na Política (ou fora dela), ocorre quando, mesmo com odio, não conseguem deixar de pensar e de falar em Alguém, todos os dias, dia e noite! Notorios têm sido o Ministro Que Não Se Intimida, o Presidente Que Ninguém Tira e a Mulher dele. Tem Sido Assim!"
TextoMeu 1306
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"Tendo em vista o tanto de Discursos na Política (e mesmo fora da Política) e tudo o que Sonham e Desejam alguns, era para o(s) citado(s) nos Discursos já terem perdido o cargo, não é mesmo? E por que não perderam? Nos Discursos, todos são bons, até Meus Cunhados, HeHeHe ou HaHaHa!"
Frase Minha 0264, Criada no Ano 2008
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
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É triste ver como a política virou um mercado de trocas. Se a população entendesse que o voto é a nossa única arma real, essa bagunça acabava hoje! Mas, infelizmente, tem quem ainda adore votar por migalhas, esquecendo que o que eles dão hoje, tiram em dobro na saúde, na educação e na segurança amanhã.
Essa política de 'pão e circo' só serve para manter os mesmos nomes no poder há décadas. Está na hora de parar de mendigar o que é nosso por direito e passar a exigir respeito. Quem aceita migalha, nunca vai ter o banquete da dignidade. Vamos acordar e dar um basta nessa palhaçada!
POEMA INEVITÁVEL
Eu queria falar sobre deus, sexo, política, amor e trivialidades; mas me colocaram uma carapuça, e fui treinado a ser um personagem.
Depois, quis me tornar poeta, músico, filósofo e até ator. Porém, descobri que, desses, eu já tinha me tornado ator, não por opção, mas por imposição das situações, e sufoquei os outros personagens.
Eu quis me tornar um humanista, um sociólogo, talvez antropólogo, filólogo e até defensor de causas perdidas ou ganhas. Acontece que meu personagem não discute muito com minha dignidade: meu lado ator sempre vence quando a conveniência grita mais alto!
Enfim, decidi partir para as trivialidades da vida, já que não me restavam muitas escolhas. Eu tentei ser muitos, e acabei não sendo eu. Então, fiz da vida minha luta, minha sobrevivência, minha causa (também por imposição). Ergueri um castelo de sofismas, e o meu estandarte foi tremular pequenas ideias que não eram minhas. Lutei bravamente para anunciar, dentro de mim, um poema inevitável, confrontando meu personagem que, por conveniência, acabou sufocando o eu iludido que achava que era eu!!!
#israelsoler
Como profissional gestor de pessoas, posso dizer que a política virou politicagens, um quer empurrar o seu mundo na cabeça do outro, viralizam fake news ou bobagens, cada um pintando seu candidato de santo e demonizando o outro, muita gente ficando doente no psicossocial.
Eu não envio nem compartilho este tipo de conteúdo, mas todo dia enchem o meu ZAP e caixa mensagens.
O amor também saiu às ruas
Uma crônica carioca sobre política, encontros e a estranha esperança de começar de novo.
O Rio de Janeiro tem dessas coisas: transforma qualquer acontecimento em espetáculo. Uma chuva de verão vira tragédia, um gol no Maracanã vira assunto de família, e a vitória de um presidente pode fazer da Cinelândia um lugar onde até os desconhecidos parecem ter alguma coisa em comum.
Naquela noite, o Centro estava tomado por gente. Havia bandeiras vermelhas, cartazes improvisados, vendedores de cerveja, ambulantes disputando espaço com os manifestantes e senhores de cabelos brancos abraçados como se tivessem acabado de reencontrar irmãos que a vida lhes roubara. Do alto dos prédios antigos, as janelas abertas pareciam camarotes de um teatro popular. A cidade inteira tinha descido para a rua.
O presidente de esquerda havia vencido.
Para alguns, era a confirmação de uma esperança antiga. Para outros, apenas mais um capítulo de uma história que nunca terminava como deveria. Mas, naquela noite, pelo menos entre as pessoas reunidas na praça, havia uma vontade quase infantil de acreditar que o futuro ainda podia ser diferente.
Clara chegou sozinha, depois de sair do trabalho. Trazia uma bolsa grande demais para o pouco que carregava, o cabelo preso de qualquer maneira e o cansaço de quem passara o dia inteiro atendendo pessoas que não sabiam seu nome, embora dependessem do seu trabalho. Tinha trinta e poucos anos e já aprendera a desconfiar das grandes promessas. Ainda assim, guardava dentro de si uma espécie de teimosia que não lhe permitia desistir completamente.
Não fora à comemoração por acreditar que um presidente pudesse resolver a vida de todo mundo. Fora porque precisava estar em algum lugar onde as pessoas ainda tivessem coragem de desejar alguma coisa.
Roberto estava ali pelo motivo oposto, embora talvez fosse o mesmo.
Tinha chegado cedo, carregando uma bandeira enrolada debaixo do braço e uma pequena garrafa de água no bolso de trás da calça. Durante anos, acompanhara eleições, manifestações, greves e derrotas. Já vira amigos abandonarem a militância, casamentos acabarem por divergências políticas e homens que discursavam sobre o povo serem incapazes de tratar bem o garçom que lhes servia o almoço.
Acreditava na política, mas desconfiava dos políticos. Era uma contradição que aprendera a carregar sem fazer muito barulho.
Conheceu Clara por causa de uma cerveja.
Na verdade, foi por causa do empurrão de um rapaz que passava apressado, tropeçou no pé dela e quase derrubou a bebida que Roberto segurava. Clara conseguiu se desviar, mas o líquido terminou espalhado na camisa dele.
— Pronto — disse ela, olhando a mancha. — A revolução começou e já deixou um ferido.
Roberto olhou para a própria camisa, depois para ela.
— Pelo menos não foi uma revolução armada.
Clara riu. Riu com vontade, sem aquela educação automática que as pessoas usam para demonstrar que ouviram uma piada. E Roberto, que já não se lembrava da última vez que uma desconhecida lhe arrancara uma risada assim, sentiu uma alegria desproporcional ao tamanho do acontecimento.
Ofereceu-lhe a cerveja que restava.
Ela recusou.
— Depois dessa, acho melhor você beber a sua longe de mim.
— Justo. Mas posso oferecer outra. Sem riscos para a democracia.
Foi assim que começaram a conversar.
Primeiro falaram da festa, das bandeiras, do calor absurdo que fazia no Centro do Rio mesmo depois que o sol desaparecia. Depois discutiram o resultado da eleição, cada um apresentando suas ressalvas, suas expectativas e seus receios. Concordaram em algumas coisas, discordaram de outras. Clara achava que Roberto tinha uma confiança excessiva na capacidade das pessoas de mudar o mundo. Roberto achava que Clara usava o desencanto como quem veste um casaco em pleno verão: não porque estivesse com frio, mas porque tinha medo de sentir alguma coisa.
Ela não gostou da observação.
— Você sempre analisa as pessoas assim?
— Só quando estou tentando impressionar alguém.
Clara ergueu as sobrancelhas.
— Então está fazendo um trabalho péssimo.
Ele riu, e ela também.
A multidão começou a cantar. De algum lugar, uma voz puxou uma música antiga, dessas que sobrevivem a governos, modas e derrotas. Outras vozes acompanharam. Uma senhora dançava com um rapaz que poderia ser seu neto. Dois homens discutiam perto de uma banca de jornal, enquanto um vendedor gritava o preço da água mineral. Um casal se beijava sem prestar atenção ao palanque.
O Rio continuava sendo o Rio, indiferente à solenidade dos acontecimentos.
Roberto perguntou a Clara se ela acreditava que as coisas melhorariam.
Ela demorou a responder.
Olhou para as pessoas reunidas na praça, para os rostos suados, para os cartazes escritos à mão, para aquela gente que voltaria na manhã seguinte aos ônibus lotados, aos salários insuficientes, aos patrões impacientes e às contas que não se comoviam com resultados eleitorais.
— Acho que as coisas precisam melhorar — respondeu. — Não sei se é a mesma coisa.
Roberto ficou em silêncio por alguns segundos.
— Talvez seja por isso que a gente continua vindo.
Clara olhou para ele. Havia algo de bonito naquela resposta, não pela originalidade, mas pela maneira como ele a pronunciara. Sem levantar a voz, sem tentar vencer uma discussão, sem transformar uma conversa entre duas pessoas numa oportunidade de provar que estava certo.
Naquela cidade, onde todo mundo parecia ter uma opinião pronta sobre tudo, encontrar alguém disposto a permanecer em silêncio depois de uma frase era quase um acontecimento romântico.
A noite avançou. A comemoração foi perdendo o fervor inicial, e as pessoas começaram a se dispersar pelas ruas. Alguns seguiam para o metrô, outros procuravam os amigos, e havia quem permanecesse ali apenas porque não queria voltar para casa tão cedo.
Clara disse que precisava ir embora.
Roberto perguntou se ela morava longe.
— Longe o suficiente para não voltar aqui só por causa de uma cerveja.
— E perto o suficiente para voltar por causa de outra?
Ela sorriu, mas não respondeu imediatamente. Pegou o celular, desbloqueou a tela e estendeu-o para ele.
— Coloca seu número. Se eu gostar da conversa, talvez eu escreva.
— E se não gostar?
— Você terá perdido cinco minutos da sua vida. A democracia sobrevive.
Roberto digitou o número e devolveu o aparelho.
Não houve beijo naquela noite. Nenhuma declaração, nenhuma promessa feita sob as luzes dos postes, nenhum daqueles gestos grandiosos que o cinema inventa para convencer as pessoas de que o amor chega acompanhado de uma trilha sonora.
Houve apenas um abraço rápido, um sorriso demorado e a sensação estranha de que a cidade, por alguns instantes, parecera menos imensa.
Clara desceu em direção ao metrô. Roberto ficou parado, observando-a desaparecer entre as pessoas. Depois caminhou até a Avenida Rio Branco, com a bandeira debaixo do braço e uma mancha de cerveja secando na camisa.
Naquela madrugada, Clara escreveu primeiro.
Perguntou se ele havia chegado bem.
Roberto respondeu que sim e perguntou se ela também chegara.
Ela disse que sim. Depois conversaram sobre coisas pequenas: o trabalho dela, o livro que ele estava lendo, a dificuldade de encontrar um café decente no Centro e o fato de ambos considerarem o preço do aluguel uma forma particularmente cruel de ficção científica.
Conversaram no dia seguinte. E no outro.
Duas semanas depois, encontraram-se para tomar café na Lapa. Um mês mais tarde, caminharam pela orla de Botafogo, discutindo sobre cinema. Na primeira vez que deram as mãos, nenhum dos dois disse nada. Talvez porque certas coisas, quando finalmente acontecem, dispensam explicações.
Apaixonaram-se sem perceber o instante exato em que isso aconteceu.
E talvez essa seja a parte mais curiosa da história: enquanto milhões de pessoas discutiam o significado daquela eleição, duas pessoas descobriam o significado de esperar uma mensagem, de guardar uma história engraçada para contar a alguém, de reconhecer um passo na calçada e sentir que o dia, afinal, não tinha sido tão ruim.
Não deixaram de se preocupar com a política. Continuaram discutindo o país, cobrando promessas, criticando decisões e desconfiando de discursos fáceis. Descobriram, inclusive, que o amor não torna ninguém menos teimoso. Às vezes, apenas oferece uma pessoa diante de quem vale a pena admitir que se pode estar errado.
Meses depois, quando já namoravam, Clara perguntou a Roberto se ele se lembrava do que sentira ao saber do resultado daquela eleição.
Ele pensou um pouco.
— Lembro que achei que alguma coisa poderia mudar.
— E mudou?
Roberto olhou para ela. Estavam sentados num bar pequeno, numa rua movimentada do Rio. Ao lado da mesa, um garçom tentava equilibrar três pratos; na calçada, um homem discutia com o motorista de um táxi. A cidade seguia seu curso, barulhenta, imperfeita e absurdamente viva.
— Mudou — respondeu. — Mas não exatamente do jeito que eu imaginava.
Clara sorriu e encostou a mão na dele.
A vitória de um presidente durava uma noite nas ruas e anos nos livros de história. Seus efeitos seriam discutidos durante muito tempo, entre esperanças realizadas, promessas adiadas e desilusões inevitáveis. Nenhuma eleição, por mais celebrada que fosse, poderia garantir a felicidade de um país inteiro.
Mas naquela noite, entre bandeiras, cerveja derramada e desconhecidos cantando na Cinelândia, alguma coisa havia acontecido que não apareceria em nenhuma pesquisa, em nenhum discurso e em nenhuma fotografia publicada nos jornais.
Dois estranhos tinham se encontrado.
E, por mais que parecesse pouco diante dos problemas do mundo, talvez fosse assim que certas mudanças começassem: não com a certeza de que tudo daria certo, mas com a descoberta de que, apesar de tudo, ainda valia a pena caminhar ao lado de alguém.
Porque o país continuaria dividido, os políticos continuariam sendo políticos, as contas chegariam no fim do mês e o ônibus continuaria demorando mais do que deveria.
Mas Clara agora tinha alguém para quem contar as histórias do dia.
E Roberto, que passara tantos anos procurando motivos para acreditar no futuro, descobrira que às vezes o futuro não se apresentava em palanques, não usava gravata e não precisava de milhões de votos.
Às vezes, o futuro era apenas uma mulher rindo de uma camisa manchada de cerveja, numa noite quente do Rio de Janeiro.
E isso, por si só, já era uma boa razão para voltar à rua.
A visão política do poeta Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni) é caracterizada por uma postura crítica de esquerda, profundamente ligada à defesa da classe trabalhadora e à denúncia das opressões sistêmicas.
Sua visão ideológica se manifesta através dos seguintes pilares:
• Identificação com a classe trabalhadora: Em seus poemas, ele se autoidentifica expressamente como "mais um trabalhador brasileiro". Sua atuação prática como professor da rede pública do Estado de São Paulo molda diretamente sua visão das desigualdades e injustiças sociais do país.
• Recusa ao autoritarismo e ao negacionismo: Sua linha ética rejeita categoricamente o fascismo, o autoritarismo, a subserviência perante as elites econômicas ("classe dominante") e o negacionismo científico.
• Crítica ácida às estruturas institucionais: Os versos do autor denunciam as engrenagens burocráticas do Estado, o ritmo sufocante do mercado financeiro e a alienação do trabalho enfadonho contemporâneo, enxergando-os como forças que buscam o controle social e o apagamento do indivíduo.
• Poesia como espaço de resistência: Em obras comentadas na plataforma Medium e em análises no Recanto das Letras, como Delírio Absoluto da Multidão Atônita e Poesia Pandêmica, o poeta rechaça a neutralidade. Ele utiliza a escrita de forma combativa para provocar o confronto com a apatia social e com discursos demagógicos de manipulação política.
Música: Figura de política.
Autor: Dênisson Hélder Dinéh.
Um dia, a linguagem literal foi exilada pela figura de linguagem.
Quando o bolso pesar, dizem que a Antítese alivia.
Se a Metáfora faltar, não adianta gritar com Onomatopeia.
Se o modelo prioriza ditaduras amigas, a gente dissimula, trabalha em dobro e espera a Hipérbole passar.
Nas contas públicas no vermelho? Use a Hipérbole, jamais a Comparação.
Onde houver comissionado incompetente, a Prosopopeia se faz presente, dando vida a quem nada produz.
Basta a Catacrese sentir uma Sinestesia para o povo tomar uma Antonomásia (o apelido que vira condenação).
No fim, vai bater a saudade da linguagem real e direta.
Aquela que diziam doer, que diziam ser de ódio, que diziam ser bruta...
Mas era apenas a verdade sem filtro.
Só não vale repetir que foi GOLPE.
Aí já não é figura de linguagem... é Ironia do Destino
Checklist da POLÍTICA!
A gestão do futuro depende diretamente da qualidade dessa escolha hoje. Antes de entregar tamanha responsabilidade, o checklist é inegociável:
Quais valores essa pessoa carrega?
Quem são suas referências e com quem ela anda?
Qual é o seu histórico real de entregas?
Quem valida o caráter dessa pessoa?
Se, munido de informações, você ainda ignora a falta de princípios em favor de outras conveniências, o problema deixa de ser o escolhido e passa a ser quem escolheu. Uma má decisão não compromete apenas os recursos, mas o futuro de todos que dependem da sua visão. Escolha com critério.
Dinéh, Dênisson Hélder.
Dizem que a política se tornou a arte do enganador, do mentiroso e de quem não tem caráter. Mas a política não é má quem a corrompe são as pessoas.
O mentiroso diz o que você quer ouvir, não a verdade. Sem verdade, não há justiça. Sem caráter, não há confiança.
Não aceitemos palavras sem atitudes. Valorize quem é verdadeiro, não apenas quem fala bonito.
E você Ainda acredita que pode ser diferente Comenta!
QUEM SE AFASTA DA POLÍTICA NÃO DEIXA DE SER PARTE DELA.
Muitas pessoas, cansadas de promessas não cumpridas, decepcionadas com os políticos e indignadas com os rumos do país, decidem não querer mais ouvir falar em política. Afastam-se das discussões, evitam o debate e preferem acreditar que, mantendo distância, estarão livres de suas consequências.
Mas existe uma contradição nessa atitude: a política continua influenciando suas vidas, mesmo quando elas decidem ignorá-la.
As leis que determinam nossos direitos, os impostos que pagamos, a qualidade da educação, o acesso à saúde, as oportunidades de trabalho e as condições de vida da população são resultados de decisões políticas.
Não participar não significa ficar de fora do jogo. Significa permitir que outros decidam, inclusive por você.
É compreensível sentir cansaço, indignação e desconfiança diante de tantos erros e decepções. Ninguém é obrigado a defender políticos, partidos ou ideologias. Mas abandonar a participação cidadã é abrir mão de uma ferramenta importante para transformar a realidade.
A democracia não exige que todos pensem da mesma maneira, mas precisa de cidadãos dispostos a questionar, fiscalizar, dialogar e cobrar responsabilidade daqueles que exercem o poder.
A apatia também produz consequências. Quando pessoas conscientes se retiram do debate público, deixam mais espaço para que os interesses de grupos organizados prevaleçam sobre as necessidades coletivas.
Por isso, não precisamos transformar a política em uma paixão, muito menos em uma guerra entre pessoas que pensam diferente. Precisamos compreendê-la como parte da vida em sociedade e como um instrumento que deve estar a serviço do bem comum.
A política não deixa de existir quando você se desinteressa por ela. Apenas diminui a sua participação nas decisões que continuarão afetando a sua vida.
No fim, a questão não é gostar ou não de política, mas compreender que viver em sociedade significa compartilhar responsabilidades.
Porque, quando os cidadãos desistem de participar, o poder não fica vazio: ele passa para as mãos daqueles que continuam disputando-o. E a realidade que tanto nos decepciona pode permanecer justamente porque aqueles que poderiam transformá-la decidiram se afastar.
Carta III — A Injustiça dos Homens: Crítica moral, política e social
Sete anos já se passaram desde que o inferno da terra abriu-me as portas para este calabouço. Ainda é uma sorte possuir alguma porção de fôlego para respirar. Afinal, o problema nunca foram as leis, mas aqueles que as criam e os fins para os quais as aplicam. Cada gota de oxigénio que inalo está infestada de dor, angústia, fome e sede. Enquanto os reis da terra convocam reuniões, os lares transformam-se em cemitérios: cada quarto, uma campa; cada cama, um caixão. E, ao passo que os lordes repousam sobre o conforto da riqueza, as mãos pobres de quem trabalha repousam na indigência.
Então disseram os opressores:
— Enquanto houver um que governe, haverá sempre um que sirva.
— Enquanto houver um que dite as leis, haverá quem as obedeça.
— Enquanto houver um que mande, haverá quem cumpra.
Esta é a lei dos antepassados e é hereditária a todas as gerações. Não há quem mude essa lógica: o que já está estabelecido, ninguém altera.
Então o povo gritava:
— Longa vida aos que nos governam; que os vossos dias se multipliquem na terra!
— Que a riqueza, o luxo e a abundância nunca vos faltem!
— Viva aos reis da terra, pois não há entre nós quem se compare a vós!
— Que os antepassados vos protejam das desgraças deste mundo!
Cada um bajulava da melhor forma, na esperança de ganhar a atenção e o reconhecimento deles. Elogiavam, veneravam e presenteavam aqueles que os oprimiam, intimidavam e matavam.
Ainda assim se curvavam em adoração e exclamavam:
— Viva! Viva! Viva aos reis da terra!
— Viva! Viva! Viva aos que nos governam!
— Viva! Viva! Viva aos que nos orientam!
Os poderosos, então, criaram leis que os protegessem daqueles que mais necessitavam de proteção, para que permanecessem aquecidos no trono do poder, enquanto o povo continuava cego rumo à decadência. O cheiro sanguinolento de suas atrocidades chegava até aqui embaixo. Eu ouvia o choro dos inocentes subjugados ao martírio. Sentia o grito de socorro de mulheres violentadas pelos lordes. Sentia o desespero dos maridos assistindo ao sofrimento de suas esposas.
Nada me vinha à mente senão o ódio ao escrever:
Morram, miseráveis. Vós que governais sobre a penúria dos mais vulneráveis; vós que julgais o futuro de uma criança ainda no ventre da mãe; vós, poderosos que proclamais hipocrisia diante do sangue derramado por milhares de mártires. Vós que vestis túnicas de ouro, sapatos de prata, mitras de diamantes, cintos de escarlata e colares de esmeralda: saciai o gosto da opulência enquanto vos resta tempo. Comei e bebei enquanto o galo ainda não cantou. Dançai e alegrai-vos das vossas atrocidades.
Pois a vingança está às portas daquele que bate. O meu espírito perseguirá os injustos e não cessará a busca até que todos sejam consumidos. Morram, malditos. Arrepender-se-ão de não me terem enterrado. Eis que venho sobre vós com uma espada de dois gumes para completar a minha ira e derramar sobre vós a minha justiça. Vós que comeis sobre a desgraça dos pobres tereis as entranhas cheias de dor e angústia. E vós, ó plebeus, por serdes cúmplices dos opressores provareis também a desolação de tudo aquilo que construístes com músculos abatidos. Preferistes aplaudir aqueles que vos oprimem e condenastes aqueles que vos defendiam.
Quando a malevolência gritou, silenciastes a benevolência.
Que o castigo seja convosco. Que o tormento, a dor e a desgraça vos acompanhem até a sepultura.
Morram, corruptos. Trocais a justiça por moedas e jade. Deixastes que o brilho funesto da riqueza e o prazer transitório da concupiscência vos corrompessem. Escrevo-vos com o mesmo sofrimento que me fizeram suportar, com o mesmo tédio com que me lançaram nas sombras destas paredes escuras, com a mesma dor em cada dedo que perdi. Naquele momento, a sede de vingança, a ânsia pela justiça e o cansaço de continuar a escrever dilaceravam-se dentro de mim.
Afinal, quando a injustiça canta, os tolos dançam.
Quando a justiça fala, a sociedade censura.
Mas quando a verdade retalia, não há quem se desvie da sua cólera.
A ignorância torna os homens cegos à verdade; a ganância envolve-os com o manto da cobiça; o egoísmo conduz ao assassinato da guerra. E é aqui que nasce a injustiça dos homens: todos querem reinar sobre os outros; todos querem ser distintos dos comuns; todos querem ser senhores e receber o serviço dos servos. É aqui que nasce a indiferença dos homens: na criação de castas e estratos para evitar o semelhante — nobres e humildes, fracos e poderosos. Diz-se que a maioria vence sempre. Mas a lei pertence aos poderosos; o mundo é dos poderosos, daqueles que detêm a força.
Por isso, não importa a quantidade: diante da minoria rica e soberba, nem mesmo Deus pôde impedir que nos pisassem.
Nas gôndolas da política-espetáculo só há aquilo que os apaixonados admiram: criadores de conteúdos.
Não de ideias nem caminhos.
Muito menos de soluções.
A política, que deveria ser o espaço mais rígido do pensamento coletivo — onde conflitos reais da sociedade são encarados com responsabilidade — foi lentamente convertida num palco onde o que importa não é governar, mas performar.
O político deixa de ser um mediador de interesses públicos para tornar-se um personagem que precisa alimentar diariamente a máquina da visibilidade.
Nesse mercado, a coerência vale menos que o engajamento.
A profundidade perde para a viralização.
E o compromisso com a realidade torna-se um obstáculo para quem precisa produzir narrativas rápidas, emocionais e constantemente inflamáveis.
Assim, a política vai sendo reorganizada como um grande shopping de convicções prontas: cada público escolhe a vitrine que mais agrada ao seu afeto, ao seu medo ou à sua raiva.
E, como bons consumidores, muitos já não querem ser confrontados com fatos — preferem apenas ser abastecidos com conteúdos que confirmem suas paixões.
O resultado é uma curiosa inversão: nunca se falou tanto de política, e talvez nunca se tenha pensado tão pouco sobre ela.
Porque quando a política vira entretenimento, o cidadão vira audiência.
E quando o cidadão aceita ser apenas audiência, o poder agradece — afinal, plateias não governam, apenas aplaudem ou vaiam conforme o roteiro do dia.
No fim das contas, o problema não está apenas nas prateleiras dessa política-espetáculo.
Está também nos consumidores que já não procuram estadistas, pensadores ou construtores de futuro.
Procuram apenas o próximo conteúdo que lhes retroalimente seu viés de confirmação.
Na Política-Espetáculo, fingir preocupação
é a Arte que o Estado domina com muita maestria;
o intrigante é o povo acreditar.
Há algo de profundamente teatral na forma como o poder se apresenta.
Discursos carregados de urgência, promessas anunciadas como salvação e gestos calculados só para as câmeras.
O problema é raramente a ausência de palavras — estas nunca faltam —, mas a distância silenciosa entre o que se diz e o que se faz.
No palco da política contemporânea, a indignação tornou-se figurino e a empatia, um roteiro ensaiado.
Tragédias sociais são tratadas como episódios de uma série que precisa continuar alimentando a Economia da Atenção.
Anuncia-se uma comissão, cria-se um grupo de trabalho, promete-se um plano.
A sensação de movimento substitui o próprio movimento.
E, enquanto o espetáculo se desenrola, o público aprende a confundir encenação com ação.
A cada novo ato, a cada nova coletiva, a esperança é novamente convocada para assistir, acreditar e aguardar o próximo capítulo.
Talvez o elemento mais fascinante dessa dinâmica não seja a habilidade do Estado em representar — instituições sempre dominaram a arte da narrativa —, mas a persistência com que a plateia insiste em ignorar o cenário.
Não por ingenuidade pura, mas, porque admitir a encenação exigiria algo mais desconfortável: assumir que a transformação não virá do palco.
O espetáculo funciona porque oferece catarse sem mudança, emoção sem responsabilidade e crítica sem consequência.
Ele permite que todos participem da Indignação Coletiva enquanto a estrutura permanece cuidadosamente intacta.
No fim, a Política do Espetáculo não se sustenta apenas pela habilidade dos atores principais — os políticos-influencers —, mas pela cumplicidade silenciosa de quem continua comprando ingressos.
Afinal, questionar o teatro é fácil; mais difícil é aceitar que, fora dele, a realidade exige Protagonistas — não Espectadores.
Tão Execrável quanto a Política do Espetáculo, só a Doce Inocência dos Espectadores Apaixonados.
Há algo de perigosamente confortável em assistir à política como quem acompanha uma série: torce-se, vibra-se, odeia-se o vilão e idolatra-se o herói.
O enredo muda conforme o roteiro das conveniências, mas a plateia permanece fiel à emoção do momento.
Poucos percebem que, enquanto se escolhe um lado para aplaudir, quase ninguém se dedica a entender o palco, os bastidores ou os interesses que ditam as falas.
A Política do Espetáculo vive da reação imediata — do aplauso fácil, da indignação instantânea e da memória curta.
Ela não exige reflexão; basta paixão.
Quanto mais apaixonado o espectador, menos ele pergunta.
E quanto menos pergunta, mais o espetáculo se aperfeiçoa.
O mais curioso é que essa doce inocência que costuma morar nas cabeças alugadas tem a estranha mania de se imaginar a mais bela das virtudes.
E o espectador acredita que sua devoção é consciência cívica, quando muitas vezes é apenas fidelidade emocional.
Confunde engajamento com torcida, convicção com pertencimento e crítica com traição.
Assim, o espetáculo prospera: líderes viram personagens, discursos viram cenas e crises viram temporadas.
E a plateia, tomada por suas certezas inflamadas, raramente percebe que a maior vitória do espetáculo não é convencer — é entreter o suficiente para que ninguém queira desligar o palco e reacender as luzes da razão.
Talvez o verdadeiro gesto político de nosso tempo não seja gritar mais alto que o adversário, mas resistir ao encanto da encenação.
Porque enquanto houver plateia apaixonada demais para desconfiar do roteiro, sempre haverá quem transforme o Destino Coletivo em um show demasiadamente lucrativo de ilusões.
A Mídia dá tanto palco aos Mitomaníacos que eles acabam virando mito na Política do Espetáculo.
E não porque suas histórias sejam grandiosas, mas porque a repetição lhes concede uma aparência de verdade.
O eco constante transforma delírio em narrativa, narrativa em crença, e crença em identidade coletiva.
O palco não exige compromisso com a realidade — apenas presença, intensidade e capacidade de prender a atenção de uma plateia já cansada de distinguir o que é fato do que é versão.
Nesse teatro, a mentira não precisa ser perfeita, basta ser conveniente.
E quanto mais escandalosa, mais ela se sustenta, pois encontra abrigo no desejo íntimo de muitos: o de acreditar no que conforta, mesmo que custe a lucidez.
O mitomaníaco, então, deixa de ser apenas um contador de histórias e passa a ser um fornecedor de sentido — ainda que distorcido — para uma audiência que já não suporta o vazio.
O problema não é apenas quem fala, mas quem aplaude.
Há uma cumplicidade silenciosa entre o palco e a plateia, onde a crítica é vista como ameaça e a dúvida como traição.
Nesse ambiente, a verdade se torna inconveniente, quase indesejada, porque ela exige esforço, revisão e, sobretudo, humildade.
E assim, a política se afasta da responsabilidade e se aproxima do entretenimento.
O debate vira espetáculo, a divergência vira torcida, e o compromisso com o real se dissolve na conveniência do aplauso fácil.
No fim, não são apenas os mitomaníacos que se perdem em suas próprias narrativas — é toda uma sociedade que passa a viver delas, nelas e por elas.
Governo algum jamais agradou todo um povo, mas depois que a política-influencer temperou a polarização com a paixão, o mundo se cansou da própria complexidade.
Talvez porque a complexidade exija esforço — e esforço não viraliza.
Pensar com nuance, reconhecer contradições, sustentar dúvidas: tudo isso demanda um tipo de paciência que já não cabe mais nos intervalos acelerados de um feed.
Em vez disso, optamos por versões simplificadas da realidade, onde tudo se resolve em lados, rótulos e certezas prontas para consumo.
Tudo ou quase tudo que é do outro lado é reprovável.
A opinião contrária, que antes poderia ser um convite ao amadurecimento, passou a ser vista como afronta pessoal.
Não se debatem mais ideias, defende-se identidades.
E quando a identidade entra em cena, qualquer discordância soa como ataque — não ao argumento, mas à própria existência.
É assim que o diálogo se esvazia e dá lugar ao ruído.
A política, que já foi espaço de construção imperfeita, tornou-se espetáculo de convicções absolutas.
Não há mais espaço para o “talvez”, para o “depende”, para o “vamos ver”.
A dúvida virou fraqueza, e a certeza, mesmo quando rasa, virou virtude.
O resultado é um ambiente onde pensar virou um ato de resistência silenciosa.
No fundo, o cansaço do mundo não é da complexidade em si, mas da responsabilidade que ela nos cobra.
É mais confortável habitar narrativas prontas do que encarar a inquietação de não saber completamente.
Mas é justamente nessa inquietação que mora a possibilidade de evolução — individual e coletiva.
Talvez o verdadeiro gesto revolucionário dos nossos tempos não seja gritar mais alto, nem vencer debates, mas reaprender a escutar sem a urgência de refutar.
Porque, no fim das contas, a convivência não depende de unanimidade — depende de maturidade para lidar com o desacordo inevitável.
Talvez, se tivéssemos nos interessado pela política antes da sua influencerização, não teríamos alugado nossas cabeças.
Porque, no fundo, o que se vê hoje não é exatamente o engajamento genuíno — é terceirização de consciência.
A política, que deveria ser um exercício coletivo de responsabilidade, virou um palco de performance onde argumentos disputam espaço com slogans e convicções são moldadas por algoritmos.
Em vez de cidadãos conscientes, formam-se plateias.
Em vez de reflexão — pura e apaixonada repetição.
As redes sociais nos deram voz, mas também nos ofereceram um atalho muito perigoso: o conforto de pensar através de outros.
Seguimos, curtimos e compartilhamos não necessariamente o que entendemos, mas o que nos representa superficialmente.
E, nesse processo, passamos a defender narrativas como quem defende times — com muita paixão, mas sem nenhuma revisão.
Talvez o problema não seja termos opiniões, mas a forma como as adquirimos.
Quando a política se transforma em conteúdo, ela precisa entreter para sobreviver.
E o que entretém raramente é o que aprofunda.
Assim, nuances se perdem, complexidades são simplificadas e qualquer tentativa de diálogo vira confronto.
Mas há uma possibilidade ignorada nesse cenário: utilizar as mesmas redes não para amplificar vozes alheias, mas para construir as nossas.
Defender agendas próprias, baseadas em experiências reais, em escuta ativa, em dúvidas legítimas.
Não agendas prontas, embaladas e distribuídas como produtos…
Recuperar o interesse pela política talvez não signifique consumir mais dela, mas se responsabilizar por ela.
Questionar antes de compartilhar.
Entender antes de reagir.
Discordar sem demonizar e desumanizar.
E, principalmente, reconhecer que pensar dá trabalho — e que terceirizar esse trabalho tem um custo alto demais.
No fim, alugar a cabeça é sempre mais fácil.
Difícil é habitá-la.
Na política do espetáculo, fingir preocupação é o único ofício que os políticos-influencers dominam com maestria; o curioso é o povo acreditar.
Talvez porque, em tempos de carência coletiva, qualquer encenação minimamente convincente pareça acolhimento.
Há quem já não consiga distinguir empatia de performance, compromisso de marketing e indignação de roteiro.
E assim, pouco a pouco, a política vai deixando de ser espaço de construção pública para se tornar palco de monetização emocional.
Os antigos coronéis precisavam controlar territórios; os novos aprenderam a controlar narrativas.
Não precisam resolver problemas — basta reagir a eles diante das câmeras.
Não precisam ter coerência — basta ter alcance.
Não precisam sustentar a verdade — basta sustentar o engajamento.
Enquanto isso, parte do povo, cansada, ferida e desacreditada, consome políticos como quem escolhe personagens favoritos numa série interminável de conflitos fabricados.
A lógica deixa de ser “quem governa melhor?” para se tornar “quem lacra melhor?”.
E, quando a política vira entretenimento, a realidade sempre paga a conta.
Porque hospitais continuam lotados mesmo depois dos vídeos emocionados.
A fome não diminui com cortes bem editados.
A violência não recua diante de discursos performáticos.
E o desemprego não se impressiona com milhões de seguidores.
O mais perigoso não é o político aprender a fingir.
O teatro do poder sempre existiu.
O mais grave é quando a sociedade desaprende a reconhecer sinceridade, coerência e responsabilidade porque se acostuma a ser seduzida pelo barulho, pela estética e pela histeria calculada.
Há líderes preocupados de verdade, sim.
Mas estes quase sempre parecem menos interessantes ao público acostumado ao exagero.
Quem trabalha raramente viraliza tanto quanto quem grita.
Quem constrói dificilmente compete com quem provoca.
E quem assume responsabilidades costuma perder espaço para quem apenas terceiriza culpas.
No fim, o espetáculo só continua porque existe plateia disposta a confundir representação com caráter.
E talvez a maturidade política de um povo comece exatamente no dia em que ele parar de se preocupar com as falas, sobretudo as mais bonitas — e voltar a observar as ações.
Prosopopeia flácida para acalentar bovinos na seara política é fingir preocupação, sem se ater ao início ou fim de qualquer problema, em prol de narrativas e desinformação.
Há quem transforme tragédias em palanque, miséria em marketing e indignação em espetáculo.
Não importa a raiz do problema, tampouco a solução.
O que importa é manter a plateia emocionalmente acesa, alimentada por frases de efeito, inimigos fabricados e promessas que jamais sobrevivem ao primeiro contato com a realidade.
Na política, muitos aprenderam que parecer importa mais do que ser.
A aparência de empatia rende votos; a prática dela, quase nunca dá retorno imediato.
Por isso, multiplicam-se discursos inflamados, campanhas performáticas e salvadores de ocasião que aparecem diante das câmeras, mas desaparecem diante das responsabilidades.
A desinformação prospera justamente nesse terreno fértil da emoção sem reflexão.
Quando as pessoas passam a defender narrativas como torcidas organizadas defendem seus clubes, a verdade deixa de ser prioridade.
Questionar vira traição.
Pensar por conta própria vira afronta.
E assim, problemas complexos são reduzidos a slogans simplórios, incapazes de produzir qualquer mudança concreta.
Os mais perigosos não são os que admitem seus interesses, mas os que mascaram ambição com virtude teatral.
Eles não querem resolver conflitos — precisam que eles continuem existindo.
Afinal, sem medo, revolta ou divisão, desaparece também a dependência emocional que sustenta certos discursos.
Enquanto isso, a população segue sendo conduzida entre escândalos seletivos, indignações temporárias e promessas recicladas.
A cada novo ciclo, mudam-se os rostos, mas permanece o mesmo método: anestesiar o pensamento crítico para manter intacta a estrutura de poder.
Talvez o maior ato de rebeldia hoje seja recusar o encantamento fácil.
Observar além da propaganda.
Cobrar coerência entre fala e prática.
Porque quem realmente se preocupa com um problema não o utiliza como vitrine — trabalha silenciosamente para que ele deixe de existir.
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