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Miguel Chiyo Tomás

Encontrados 6 pensamentos de Miguel Chiyo Tomás

"O tempo cria problemas, as circunstâncias criam as soluções".

"Cartas de Um Condenado"


Prólogo — O Condenado fala pela primeira vez


Condenaram-me apesar da minha inocência; e, na inópia dos incorruptíveis, os inescrupulosos vangloriavam-se de sua afluência. Tiraram-me a liberdade, indiferentes à verdade. Fustigaram-me diante da multidão que suplicava a minha execução. Lançaram-me ao calabouço e, sob a sombra do meu silêncio, despiram-me da minha intrepidez, enquanto eu escrevia o meu último suspiro numa carta.


Atormentavam-me o espírito com correntes tenebrosas; ataram-me à desgraça da minha vergonha e entoaram canções horrorosas. Foram eles que me incriminaram por pura cobiça.


Houve quem recuasse; poucos, porém, ousaram agir para que eu saísse em liberdade.

Escrevo-vos com a última gota do meu fôlego, com o resto do suor da força que ainda me sobra; sem esperança de voltar a aquecer-me ao sol, sem certeza de tornar a ver o mar.


Escrevo com medo de deixar de respirar e de que, com o tempo, os vossos rostos se apaguem da minha memória, e eu já não consiga recordá-los.


E, se alguém vos perguntar de quem é esta carta, respondei-lhes:


é de um Condenado.


Cujo paradeiro hoje é desconhecido; cujo espírito vagueia, importunado pelo grito dos ímpios; cuja alma procura descanso na sofrência dos justos. Não procurem o resto da minha sobrevivência: os ratos já o roeram, as baratas devoraram os meus olhos; os vermes encheram-se nas minhas fossas nasais, e os insetos consumiram as minhas entranhas.


Se vos escrevo, não é por tendência, mas por agonia; se penso, é por sobrevivência; se me movo, é por sacrifício. Redijo para que, caso alguém encontre esta carta, conheça quem foi o homem que habitou esta masmorra e por que foi trazido para cá.


Quando o barulho dos tolos não consegue discernir o ritmo da dança, tendem a perseguir a música dos sábios.


Não houve quem me visitasse, quem chorasse, quem perguntasse por mim ou quem desejasse ver-me pela última vez. Como a relva da terra fui pisado; esmagaram-me como a uma formiga e recusaram-me o direito ao oxigénio. Roubaram-me o direito à liberdade e entregaram-me, indecorosamente, a uma morte apoquente.

"Um professor que se encanta com a falha dos seus colegas tem menos neurónios para ensinar uma turma de mentes que funcionam." ⁠

"Afinal, com a convivência pelo tempo, há pessoas que perdem o valor que antes tinham e, não obstante, vão-se como a correnteza."⁠

⁠" O tempo pode afetar as relações e fazer com que as pessoas percam o valor ou a admiração que tinham umas pelas outras. É como se a convivência prolongada pudesse desgastar a apreciação mútua, e as pessoas acabassem se afastando como a correnteza de um rio."

“O que o tempo esconde, a memória recorda.”