QUEM SE AFASTA DA POLÍTICA NÃO DEIXA... RivaAlmeida

QUEM SE AFASTA DA POLÍTICA NÃO DEIXA DE SER PARTE DELA.

Muitas pessoas, cansadas de promessas não cumpridas, decepcionadas com os políticos e indignadas com os rumos do país, decidem não querer mais ouvir falar em política. Afastam-se das discussões, evitam o debate e preferem acreditar que, mantendo distância, estarão livres de suas consequências.

Mas existe uma contradição nessa atitude: a política continua influenciando suas vidas, mesmo quando elas decidem ignorá-la.

As leis que determinam nossos direitos, os impostos que pagamos, a qualidade da educação, o acesso à saúde, as oportunidades de trabalho e as condições de vida da população são resultados de decisões políticas.

Não participar não significa ficar de fora do jogo. Significa permitir que outros decidam, inclusive por você.

É compreensível sentir cansaço, indignação e desconfiança diante de tantos erros e decepções. Ninguém é obrigado a defender políticos, partidos ou ideologias. Mas abandonar a participação cidadã é abrir mão de uma ferramenta importante para transformar a realidade.

A democracia não exige que todos pensem da mesma maneira, mas precisa de cidadãos dispostos a questionar, fiscalizar, dialogar e cobrar responsabilidade daqueles que exercem o poder.

A apatia também produz consequências. Quando pessoas conscientes se retiram do debate público, deixam mais espaço para que os interesses de grupos organizados prevaleçam sobre as necessidades coletivas.

Por isso, não precisamos transformar a política em uma paixão, muito menos em uma guerra entre pessoas que pensam diferente. Precisamos compreendê-la como parte da vida em sociedade e como um instrumento que deve estar a serviço do bem comum.

A política não deixa de existir quando você se desinteressa por ela. Apenas diminui a sua participação nas decisões que continuarão afetando a sua vida.

No fim, a questão não é gostar ou não de política, mas compreender que viver em sociedade significa compartilhar responsabilidades.

Porque, quando os cidadãos desistem de participar, o poder não fica vazio: ele passa para as mãos daqueles que continuam disputando-o. E a realidade que tanto nos decepciona pode permanecer justamente porque aqueles que poderiam transformá-la decidiram se afastar.