Crônica sobre Política

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⁠Nas gôndolas da política-espetáculo só há aquilo que os apaixonados admiram: criadores de conteúdos.


Não de ideias nem caminhos.


Muito menos de soluções.


A política, que deveria ser o espaço mais rígido do pensamento coletivo — onde conflitos reais da sociedade são encarados com responsabilidade — foi lentamente convertida num palco onde o que importa não é governar, mas performar.


O político deixa de ser um mediador de interesses públicos para tornar-se um personagem que precisa alimentar diariamente a máquina da visibilidade.


Nesse mercado, a coerência vale menos que o engajamento.


A profundidade perde para a viralização.


E o compromisso com a realidade torna-se um obstáculo para quem precisa produzir narrativas rápidas, emocionais e constantemente inflamáveis.


Assim, a política vai sendo reorganizada como um grande shopping de convicções prontas: cada público escolhe a vitrine que mais agrada ao seu afeto, ao seu medo ou à sua raiva.


E, como bons consumidores, muitos já não querem ser confrontados com fatos — preferem apenas ser abastecidos com conteúdos que confirmem suas paixões.


O resultado é uma curiosa inversão: nunca se falou tanto de política, e talvez nunca se tenha pensado tão pouco sobre ela.


Porque quando a política vira entretenimento, o cidadão vira audiência.


E quando o cidadão aceita ser apenas audiência, o poder agradece — afinal, plateias não governam, apenas aplaudem ou vaiam conforme o roteiro do dia.


No fim das contas, o problema não está apenas nas prateleiras dessa política-espetáculo.


Está também nos consumidores que já não procuram estadistas, pensadores ou construtores de futuro.


Procuram apenas o próximo conteúdo que lhes retroalimente seu viés de confirmação.

⁠Na Política-Espetáculo, fingir preocupação
é a Arte que o Estado domina com muita maestria;
o intrigante é o povo acreditar.


Há algo de profundamente teatral na forma como o poder se apresenta.


Discursos carregados de urgência, promessas anunciadas como salvação e gestos calculados só para as câmeras.


O problema é raramente a ausência de palavras — estas nunca faltam —, mas a distância silenciosa entre o que se diz e o que se faz.


No palco da política contemporânea, a indignação tornou-se figurino e a empatia, um roteiro ensaiado.


Tragédias sociais são tratadas como episódios de uma série que precisa continuar alimentando a Economia da Atenção.


Anuncia-se uma comissão, cria-se um grupo de trabalho, promete-se um plano.


A sensação de movimento substitui o próprio movimento.


E, enquanto o espetáculo se desenrola, o público aprende a confundir encenação com ação.


A cada novo ato, a cada nova coletiva, a esperança é novamente convocada para assistir, acreditar e aguardar o próximo capítulo.


Talvez o elemento mais fascinante dessa dinâmica não seja a habilidade do Estado em representar — instituições sempre dominaram a arte da narrativa —, mas a persistência com que a plateia insiste em ignorar o cenário.


Não por ingenuidade pura, mas, porque admitir a encenação exigiria algo mais desconfortável: assumir que a transformação não virá do palco.


O espetáculo funciona porque oferece catarse sem mudança, emoção sem responsabilidade e crítica sem consequência.


Ele permite que todos participem da Indignação Coletiva enquanto a estrutura permanece cuidadosamente intacta.


No fim, a Política do Espetáculo não se sustenta apenas pela habilidade dos atores principais — os políticos-influencers —, mas pela cumplicidade silenciosa de quem continua comprando ingressos.


Afinal, questionar o teatro é fácil; mais difícil é aceitar que, fora dele, a realidade exige Protagonistas — não Espectadores.

⁠Tão Execrável quanto a Política do Espetáculo, só a Doce Inocência dos Espectadores Apaixonados.


Há algo de perigosamente confortável em assistir à política como quem acompanha uma série: torce-se, vibra-se, odeia-se o vilão e idolatra-se o herói.


O enredo muda conforme o roteiro das conveniências, mas a plateia permanece fiel à emoção do momento.


Poucos percebem que, enquanto se escolhe um lado para aplaudir, quase ninguém se dedica a entender o palco, os bastidores ou os interesses que ditam as falas.


A Política do Espetáculo vive da reação imediata — do aplauso fácil, da indignação instantânea e da memória curta.


Ela não exige reflexão; basta paixão.


Quanto mais apaixonado o espectador, menos ele pergunta.


E quanto menos pergunta, mais o espetáculo se aperfeiçoa.


O mais curioso é que essa doce inocência que costuma morar nas cabeças alugadas tem a estranha mania de se imaginar a mais bela das virtudes.


E o espectador acredita que sua devoção é consciência cívica, quando muitas vezes é apenas fidelidade emocional.


Confunde engajamento com torcida, convicção com pertencimento e crítica com traição.


Assim, o espetáculo prospera: líderes viram personagens, discursos viram cenas e crises viram temporadas.


E a plateia, tomada por suas certezas inflamadas, raramente percebe que a maior vitória do espetáculo não é convencer — é entreter o suficiente para que ninguém queira desligar o palco e reacender as luzes da razão.


Talvez o verdadeiro gesto político de nosso tempo não seja gritar mais alto que o adversário, mas resistir ao encanto da encenação.


Porque enquanto houver plateia apaixonada demais para desconfiar do roteiro, sempre haverá quem transforme o Destino Coletivo em um show demasiadamente lucrativo de ilusões.

⁠A Mídia dá tanto palco aos Mitomaníacos que eles acabam virando mito na Política do Espetáculo.


E não porque suas histórias sejam grandiosas, mas porque a repetição lhes concede uma aparência de verdade.


O eco constante transforma delírio em narrativa, narrativa em crença, e crença em identidade coletiva.


O palco não exige compromisso com a realidade — apenas presença, intensidade e capacidade de prender a atenção de uma plateia já cansada de distinguir o que é fato do que é versão.


Nesse teatro, a mentira não precisa ser perfeita, basta ser conveniente.


E quanto mais escandalosa, mais ela se sustenta, pois encontra abrigo no desejo íntimo de muitos: o de acreditar no que conforta, mesmo que custe a lucidez.


O mitomaníaco, então, deixa de ser apenas um contador de histórias e passa a ser um fornecedor de sentido — ainda que distorcido — para uma audiência que já não suporta o vazio.


O problema não é apenas quem fala, mas quem aplaude.


Há uma cumplicidade silenciosa entre o palco e a plateia, onde a crítica é vista como ameaça e a dúvida como traição.


Nesse ambiente, a verdade se torna inconveniente, quase indesejada, porque ela exige esforço, revisão e, sobretudo, humildade.


E assim, a política se afasta da responsabilidade e se aproxima do entretenimento.


O debate vira espetáculo, a divergência vira torcida, e o compromisso com o real se dissolve na conveniência do aplauso fácil.


No fim, não são apenas os mitomaníacos que se perdem em suas próprias narrativas — é toda uma sociedade que passa a viver delas, nelas e por elas.

⁠Governo algum jamais agradou todo um povo, mas depois que a política-influencer temperou a polarização com a paixão, o mundo se cansou da própria complexidade.


Talvez porque a complexidade exija esforço — e esforço não viraliza.


Pensar com nuance, reconhecer contradições, sustentar dúvidas: tudo isso demanda um tipo de paciência que já não cabe mais nos intervalos acelerados de um feed.


Em vez disso, optamos por versões simplificadas da realidade, onde tudo se resolve em lados, rótulos e certezas prontas para consumo.


Tudo ou quase tudo que é do outro lado é reprovável.


A opinião contrária, que antes poderia ser um convite ao amadurecimento, passou a ser vista como afronta pessoal.


Não se debatem mais ideias, defende-se identidades.


E quando a identidade entra em cena, qualquer discordância soa como ataque — não ao argumento, mas à própria existência.


É assim que o diálogo se esvazia e dá lugar ao ruído.


A política, que já foi espaço de construção imperfeita, tornou-se espetáculo de convicções absolutas.


Não há mais espaço para o “talvez”, para o “depende”, para o “vamos ver”.


A dúvida virou fraqueza, e a certeza, mesmo quando rasa, virou virtude.


O resultado é um ambiente onde pensar virou um ato de resistência silenciosa.


No fundo, o cansaço do mundo não é da complexidade em si, mas da responsabilidade que ela nos cobra.


É mais confortável habitar narrativas prontas do que encarar a inquietação de não saber completamente.


Mas é justamente nessa inquietação que mora a possibilidade de evolução — individual e coletiva.


Talvez o verdadeiro gesto revolucionário dos nossos tempos não seja gritar mais alto, nem vencer debates, mas reaprender a escutar sem a urgência de refutar.


Porque, no fim das contas, a convivência não depende de unanimidade — depende de maturidade para lidar com o desacordo inevitável.

⁠Talvez, se tivéssemos nos interessado pela política antes da sua influencerização, não teríamos alugado nossas cabeças.


Porque, no fundo, o que se vê hoje não é exatamente o engajamento genuíno — é terceirização de consciência.


A política, que deveria ser um exercício coletivo de responsabilidade, virou um palco de performance onde argumentos disputam espaço com slogans e convicções são moldadas por algoritmos.


Em vez de cidadãos conscientes, formam-se plateias.


Em vez de reflexão — pura e apaixonada repetição.


As redes sociais nos deram voz, mas também nos ofereceram um atalho muito perigoso: o conforto de pensar através de outros.


Seguimos, curtimos e compartilhamos não necessariamente o que entendemos, mas o que nos representa superficialmente.


E, nesse processo, passamos a defender narrativas como quem defende times — com muita paixão, mas sem nenhuma revisão.


Talvez o problema não seja termos opiniões, mas a forma como as adquirimos.


Quando a política se transforma em conteúdo, ela precisa entreter para sobreviver.


E o que entretém raramente é o que aprofunda.


Assim, nuances se perdem, complexidades são simplificadas e qualquer tentativa de diálogo vira confronto.


Mas há uma possibilidade ignorada nesse cenário: utilizar as mesmas redes não para amplificar vozes alheias, mas para construir as nossas.


Defender agendas próprias, baseadas em experiências reais, em escuta ativa, em dúvidas legítimas.


Não agendas prontas, embaladas e distribuídas como produtos…


Recuperar o interesse pela política talvez não signifique consumir mais dela, mas se responsabilizar por ela.


Questionar antes de compartilhar.


Entender antes de reagir.


Discordar sem demonizar e desumanizar.


E, principalmente, reconhecer que pensar dá trabalho — e que terceirizar esse trabalho tem um custo alto demais.


No fim, alugar a cabeça é sempre mais fácil.


Difícil é habitá-la.

Querem que acredite no opressor.
Querem que acredite na Ditadura.
Querem impor politica da miséria
Querem e querem o domínio de suas vidas.
Resistir é relevante.
Máquina pública está falida e ultrapassada a liberdade morreu!
Vamos da vida a ditadura.
Somos a direita queremos que tio San seja nosso dono.
O pais é de deles...
Querem que acreditar que bots da alienação social seja maravilhoso dono da terra.. tudo e moeda de troca espelhos por sua alma, vivemos suas vidas por você! Acredite em *Deus patria e família*

Uma pequena reflexão sobre POLÍTICA

Apôs ler e ver vários artigos sobre essas eleições e principalmente sobre como esta sendo todo esse processo desta eleição. A cada dia dá mais repulsa, e por que não dizer, nojo mesmo.
Vivemos mais uma eleição cheia de coisas ruins e por que não dizer sem qualquer duvida que isso na verdade não é fazer politica.
Hoje vejo que na maioria das vezes os pretensos candidatos (muitos sem qualquer condição de representar os eleitores) são muito ruins, sem qualquer qualidade ou por que não dizer, sem conhecimento do que realmente é o trabalho que esta pleiteando.
Vejo uma disputa de poder, uma verdadeira corrida por ser o melhor, o mais querido, o mais honesto, mas no fundo, para muitos não passa de uma ótima oportunidade de se dar bem.
Vejo muito despreparo, muita arrogância, muita falta de verdade naquilo que dizem e principalmente, prometem coisas que nem sequer tem condições de realizar em seu mandato.
Por que na verdade, para essas pessoas, o que importa é ser eleito, é o status do cargo.
Os que estão dentro não querem sair, os que estão de fora, querem entrar de qualquer maneira.
Alguns desses candidatos querem passar uma imagem de um politico preocupado com os problemas que afligem as pessoas. Mas, em alguns casos, fingem que o cargo a que aspiram é para beneficio da comunidade, da coletividade, mas deixam transparecer que é para seu benefício próprio.
Nesta época de eleição vale-se de tudo para conseguir seu intento, são tantas falcatruas, mesquinharias, mentira, promessas, falta de caráter e de respeito às pessoas. Há diversas maneiras absurdas de se conseguir ser eleito. E não poupam ninguém.
Quanta mentira e hipocrisia, quanta falta de caráter e honestidade, e depois de terem conseguido seu intento, simplesmente esquecem tudo que foi feito para chegar lá.
Acabam as promessas, acabam as ajudas, acaba a preocupação com o próximo. (isso só será importante na próxima eleição).
Quando vamos tomar vergonha na cara e acabar com essa maneira de fazer politica, com essa sujeira, com tanta demagogia, e falsos valores?
Quem não sabe escolher o bom candidato, quem não se importa com quem vai estar nesses cargos, quem só procura levar vantagem com esses candidatos, quem se deixa corromper com essa maneira de fazer politica. Quem vende seu voto por qualquer coisa, não merece cobrar nada. Não deve ter o direito de querer alguma coisa, quando aceitou uma situação dessas, se igualou a quem o corrompeu.
Por isso, penso eu que é por esses motivos que todos nós já estamos cheios dessa situação, com essa falta de honestidade, falta de respeito, falta de caráter, falta da verdade. Situação esta, que faz a gente ficar cada vez mais descrente e insatisfeito com tudo o que vemos a respeito de politica.
Para mim, isso não é politica, Isto é, politicagem.
Politica é necessária em todas as situações de nossa vida. É uma coisa boa, desde que seja feita com respeito ao próximo e com verdadeiros objetivos.
Vamos pedir ao maior politico que existiu neste mundo “JESUS CRISTO”, por que, JESUS usou de politica para atingir as pessoas, mas foi a politica da verdade, das palavras claras e objetivas, das palavras de amor e interesse do bem comum de todos, nada quis para Ele, que abra a cabeça de todos os eleitores, para que tenham a capacidade e vontade de colocar um basta nesta situação.
Mas também lembrando que mesmo pedindo a Deus, temos de fazer nossa parte para que esta situação seja consertada.
E também lembrando a esses candidatos, que mais cedo ou mais tarde a prestação de conta será com alguém que não vai conseguir corromper, e nem subornar.

Inserida por marcelo-martins

Sou totalmente ligada em Política. A morte da Lei de Gerson, aquela que você deve tirar vantagem em tudo e pensar apenas em benefício próprio. Por muito tempo achei o comunismo à solução dos problemas da humanidade, hoje penso diferente. O que me chateia na gestão pública de educação, saúde, infraestrutura é que não é falta de recurso, por mais que existam roubos e desvios impactuáveis o problema é má gestão, falta vontade de fazer, de melhorar, outra coisa que me revolta é que as pessoas associam política a algo tão ruim que muitos potenciais candidatos fogem de projetos que visam à política. Eu conheço um montão de amigos que dariam ótimos candidatos, eu conheço gente ética, trabalhadora, especialistas e técnicos da melhor qualidade e que visam o bem coletivo, mas porque essas pessoas não se envolvem em política?
Não venda seu voto, não troque seu voto por nada, ele é precioso, não pense em si atropelando o coletivo, não ajude a retardar a ética na política, o nosso dever não é apenas votar, o nosso dever é participar, colaborar, fiscalizar. Os buracos que quebrem o carro, os doentes que fiquem em corredores, o aluno que passe de ano sem estudar, o professor que falte sempre, a escola que continua com goteira, a comida que venceu a validade, a maca que quebrou e não foi reposta, o remédio que faltou, a luva que acabou os bueiros que entupiram com lixo jogado nas ruas, o vereador que só defende um grupo pequeno que o elegeu, os deputados sem projetos de lei. Esse ciclo vicioso que causa o disparate de recorde em arrecadação e a falta de estrutura mínima digna de sobrevivência ao cidadão.

Inserida por Arcise

Politica, religião, ética e moral não se discutem.
Grande resultado: Uma sociedade ignorante, fraca, sem liberdade de expressão, atrasada, oprimida, incapaz de pensar por conta própria, sem compaixão, fanática, sem decência, pervertida, fútil, materialista, dogmática, supersticiosa, com governadores corruptos e gananciosos, que vivem as custas do dinheiro do povo, e absurdamente incapaz de fazer valer os seus direitos. Presa em uma cadeia sistêmica de uma realidade moldada onde te empregam o que você deve crer e seguir e você aceita. Com uma mente acostumada a ser alienada, manipulada e impotente, sem forças para mudar isso, onde tudo acaba ficando como sempre esta.

Inserida por wesleydiniz

SOBRE ÉTICA,CULTURA E POLÍTICA

Guimarães Rosa, em entrevista ao crítico Günter Lorenz, disse que "a política é desumana porque dá ao homem o mesmo valor que uma vírgula em uma conta". A desumanidade da política extrapola a esfera dos governantes e governados e navega nas várias esferas da vida na pólis, na sociedade. A desumanidade, lembrada pelo escritor Guimarães Rosa, refere-se à falta de compromisso com a verdade, com o conhecimento. Há por aí filósofos de pára-choque de caminhão. Pessoas que julgam pessoas sem o menor conhecimento de sua obra. Vários pensadores foram vítimas desses semicultos. Colocaram frases jamais proferidas na boca de Maquiavel. Deturparam Marx ou Sartre. Ridicularizaram ideologias. Sobre os semicultos, escreveu Mário de Andrade nos idos de 1927: "A gente pode lutar com a ignorância e vencê-la. Pode lutar com a cultura e ser ao menos compreendido, explicado por ela. Com os preconceitos dos semicultos, não há esperança de vitória ou de compreensão". Os semicultos estão por aí, escondidos atrás de um pequeno poder. Dizem superficialidades, deixam-se levar por um olhar tacanho do que não conhecem e fingem conhecer. Os semicultos não têm a humildade necessária para a dialética. Não há antítese. Apenas tese. Tosca tese de quem nunca nada defendeu. Apenas destruiu ou tentou destruir. Há de se discutir a ética na política, nas organizações e na mídia. Falta com a ética o político demagogo ou o corrupto, ou o que semeia inverdades em redações de jornais e revistas, ou o que mente à sociedade. Falta com a ética o jornalista que se deixa deslumbrar com o poder de destruir e não investiga, não vai a fundo no que escreve. Falta com a ética quem destrói a gestão do outro, a obra construída solidamente na política ou na empresa. O trabalho sagrado de servir. É tempo de ética. Da ética aristotélica do meio-termo. Da ética do valor, da axiologia preconizada por Miguel Reale. Do conceito correto de política que constrói Estados e pessoas, como sonhava Bobbio. Da ética da linguagem. A palavra a serviço da verdade e do conhecimento. A semiótica de Umberto Eco, que, relembrando Cícero, fala em razão e emoção. Em fragilidade e consistência. Da ética da humildade. Os arrogantes ou semicultos se distanciam muito da verdade, pois só enxergam a si mesmos. Humildade no respeito à diversidade. A intransigência leva ao radicalismo, e este, à tragédia. Franco Montoro dizia que há coisas em que não podemos ceder -valores, ética. Quantos às outras, é preciso ter olhos de ver. Humildade em reconhecer o valor do outro. Não podem interesses levianos de períodos eleitorais jogarem lama em carreiras construídas com afinco. Adélia Prado, poeta da leveza, disse: "Só pessoas equivocadas quanto à natureza do fato literário repudiam um livro por sua casuística religiosa. O enredo ou tema de um livro não é o que o torna bom ou mau. Seu valor e desvalor têm a ver com forma, apenas". A maturidade literária ou a maturidade crítica exige conhecimento, profundidade. "Não li e não gostei" é coisa de semiculto. Enfim, que neste ano eleitoral haja muito debate, muita investigação e, acima de tudo, compromisso com a verdade. Que a ética permeie o calor do debate, que será mais rico e belo se deixar fluir o passado e o amanhã sem desmerecer a pessoa. Um debate ético lança luzes sobre idéias, não sobre perfumaria. Um debate ético ajuda a consolidar a cultura democrática e respeitosa. O Brasil tem mulheres e homens com essa postura em todos os ambientes profissionais. Que esses sirvam de exemplo aos demais. São profissionais que construíram uma obra. Aliás, o que é muito mais edificante do que destruir obras alheias.


Publicado no Jornal Folha de São Paulo

Inserida por fraseschalita

O PRÉ-SAL É NOSSO! Royalties do Pré-sal
Não entendo muito de política e nem gosto de escrever sobre o tema que, já disse pouco conheço. Mas conheço sentimento de posse ou "olho gordo". Sei o que é meu, o que é seu, e o que não é nem meu nem seu. O pré-sal que foi descoberto aqui no Espírito Santo, bem debaixo da minha fuça, é do Espírito Santo Como poderei eu querer riquezas da Amazônia? Como poderei eu querer, ouros de Minas, como os portugueses?Como posso querer direito do frio que cobre o sul?Poderei querer peixes do nordeste?Como posso querer eu as areias de Copacabana? O que eu quero com o Escudo dos Guianas, com minerais metálicos?Como posso eu querer o ferro de Carajás Que que eu faço com algo que não é meu como a bauxita da Serra de Oriximiná, no vale do rio Trombetas?O que eu quero com o minério de cromo do Amapá?Como poderei eu dormir tranqüilo se roubo todo dia o quintal do primo pobre do sudeste?Quais os valores que aprendi e que o congresso quer que eu esqueça?
Que quero eu com a bauxita de Para, Goiás, Piauí e Minas?Como posso ensinar dignidade aos meus filhos pra votar na próxima eleição se quem está lá está roubando o quintal alheio, é quem pleiteia meu voto? O que eu quero acerca do açaí e da piaçava da Amazônia?
Se quisermos dignidade, temos quer agir dignamente. Acho que você entendeu. Se eles, os congressistas, ainda não entenderam é porque tem que voltar pra escola, uma escola de moral, na qual hoje sairiam reprovados. O petróleo do espírito santo é do espírito santo!Ainda podemos agir com ombreiras de dignidade, acordar pra uma coerência de atitudes, bradar, ir ás ruas, pleitear, e gritar. Senão, amanhã acordaremos sem as camas debaixo de nossos lombos, onde dormimos, em eterno berço esplêndido.

Acorda gente!

Inserida por ZUZUFONTES

A filosofia política praticada pela imensa maioria dos políticos que conhecemos é baseada na soberba pessoal, na perversidade omissiva que fomenta a desgraça das comunidades e no egoísmo de homens e mulheres escolhidos democraticamente para trair a confiança do povo.

Na imensa maioria dos políticos brasileiros jamais conseguiremos enxergar grandeza do espírito humano, e os poucos que ainda carregam a honra em seus atos, tendem a ser aniquilados.

Inserida por reneevenancio

De repente

De repente um dia as pessoas param de reclamar de política e passam a fazer política de verdade...

De repente um dia as pessoas param de dizer que o Brasil é um país desigual e começam a praticar a igualdade...

De repente um dia as pessoas param de usar termos como "preconceito" e "racismo" e passam a se valorizar como diversidade e cultura...

De repente um dia as pessoas passam a se interessar mais pela educação de seus filhos do que pelo campeonato brasileiro...

De repente um dia as pessoas param de criticar o estilo de vida de outras e passam a cuidar do seu...

De repente um dia as pessoas percebem que todo esse sistema capitalista e consumista não substitui a importância do ser e não ter...

De repente um dia as pessoas percebem que tecnologia nenhuma nesse mundo substitui a presença de uma pessoa querida ao nosso lado...

De repente, de repente as coisas acontecem... As coisas mudam...

De repente esse comentário nem é pra você e muito menos pra mim, aliás o "de repente" na língua das pessoas é o mesmo que "os outros, não tenho nada a ver com isso"...

Vai que de repente alguém lê isso e faz alguma coisa...

Inserida por BarbaraLampert

Está na hora de político ganhar menos, ou até nada. Repito política é solidariedade é representação de menores incapazes, e tão capazes; estes, elegem. Tem poder nas mãos, hoje com a tecnologia tem poder nos dedos. E não sabem disso.
Porque não leem, porque não sabem, não tem informação, não saem de sua zona de conforto e então perdem a educação que merecem ter. Não lutam por isso porque acham que sonhar não vale a pena o que vale é acordar as 4h da manhã e dormir a 0h e esqueceram que o trabalho escravo acabou, ou não sabem ou não querem saber.

Inserida por douglasmeloideias

ÉTICA E POLÍTICA
Entre a ética e a política constatamos uma dialética conflitiva, pois há um imenso abismo separando-as. O objetivo desse artigo é verificar os conflitos entre a ética e a política, enfocando como o poder político interfere nas relações sociais desde a chegada da política no Brasil, pouco depois do seu descobrimento em 1500, deturpando os valores morais da sociedade hodierna através de mentiras e corrupção, pois muitos políticos só procuram autopromoção; e manipulação da sociedade. O tema é justificado devido às rotineiras denúncias de corrupção por parte dos políticos, que deixam a população brasileira perplexa, mas que infelizmente, não reivindica mudanças nesse quadro. Promessas políticas feitas em período eleitoral, para a obtenção de vantagens não são cumpridas - algumas¬ por pura falta de vontade, e outras por ineficiência ou falta de recursos financeiros do Estado. A metodologia utilizada nesse trabalho é baseada em pesquisa bibliográfica para a melhor compreensão dessa temática. O texto é dividido em cinco partes. Na introdução desenvolvemos uma relação dialética entre a ética e a política. Depois, temos um breve histórico da política brasileira, desde a independência, passando pelo Golpe Militar até chegar aos nossos dias. Posteriormente foram enumeradas algumas posturas antiéticas dos políticos nacionais como a política do "coronelismo". A conclusão traz uma retomada de toda a problemática, com possíveis formas de modificar o pensamento político brasileiro. Por fim, temos as referências bibliográficas que utilizamos para o embasamento teórico do trabalho.

Inserida por MrGarcianeto

Se nem ao menos suportamos as ideias diferentes da nossa, principalmente se tratando da política, como podemos afirmar que suportamos uns aos outros em amor?
Só pelo fato de declarar o nosso voto em qualquer dos dois candidatos a presidência do segundo turno, já manifestam pessoas com ódio. Vamos deixar de hipocrisia!

"Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência.
Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós".
(COLOSSENSES 3, 12-13)

Inserida por daniel3808

Eu tentei não pensar em politica hoje, mas foi inevitável quando me lembrei da situação do meu país.

Eu tentei me encontrar com a lua, mas ela não estava lá, só encontrei um grande vazio, chuva e uma plena escuridão no céu.

Eu tentei me encontrar com você, mas lembrei que você está bem longe e seus pensamentos talvez nem estejam comigo; mas não importa, de certa forma você me traz felicidade, eu me encontrei no seu sorriso.

Meus pensamentos.

Inserida por meuspensamentosBruno

A dependência cultural, económica e política
Em relação aos países desenvolvidos é crítica
A dívida externa aumenta com vigor
A expectativa de vida baixou
Crescimento populacional elevado
Oligarquia perpétua, nepotismo acentuado
A mutação na economia mundial
E na geopolítica planetária como tal
Agravou a desigualdade da natureza
Da acumulação de riquezas e da disseminação da pobreza
O desenvolvimento, por sua vez
Assume padrões perversos
Marginalizando a maioria da população
Porém o desenvolvimento e a dogmatização
Das potências mundiais vive de modo patético
Às custas da exploração dos países periféricos

Inserida por hebo_imoxi

POLÍTICA NAS EMPRESAS

Segundo a literatura, no contexto organizacional política é habilidade especial ao relacionar-se com outras pessoas, com o intuito de obter certos resultados anteriormente planejados, então a resposta é SIM, há muita política nas organizações. Isto não é necessariamente ruim, quando a política é usada para obter a convergência em assuntos estratégicos que irão fazer a diferença no futuro da empresa. Desta forma a política é um meio para se alcançar algo positivo. Os problemas começam quando a política deixa de ser um MEIO para se tornar o principal objetivo das pessoas dentro de uma companhia. Quando isto acontece deixamos de adotar abordagens mais assertivas para resolver os problemas simplesmente porque estas abordagens podem prejudicar a POLÍTICA... Daí surgem comportamentos nocivos como a permissividade e cumplicidade negativa. Nas empresas a política deveria ser mais uma forma de se atingir os resultados que garantissem a sustentabilidade do negócio, precisamos ficar atentos porque existem situações em que outras abordagens precisam ser utilizadas para assegurar que todos estejam engajados no alcance das metas.

Inserida por Fredjoger