Coleção pessoal de Arcise

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Nem percebi o poço profundo que ela era

O gesto me trouxe a calma que eu precisava, eu parei para ouvi-la, ela estava imensamente tomada por problemas que pareciam solucionáveis, ela queria de verdade dormir e não acordar nunca mais.
Não é fácil nos livrarmos do que não queremos. Para ela tudo era um problema, até a desordem da casa, seu trabalho era invisível diante do limpa e desarruma, só uma pessoa que mora sozinha tem chance de ser bem-sucedida na organização e na manutenção da casa.
Uma atitude nada nobre era querer que todos fossem embora, que cada um tivesse sua vida, ela precisava aprender a renunciar, essa coisa de só fazer as coisas quando pode e na hora que pode não a alegrava.
Eu a incentivava a explorar a veia literária que pulsa nela, ela poderia escrever sobre arrumação, já que isso a incomodava bastante, poderia escrever sobre menos é mais, sobre por em ordem lugares específicos tipo: quartos, salas etc.
Vencer uma barreira difícil e se impor como indivíduo era sempre uma vitória, todas as escolhas não eram dela, foram ordens, convenções, o mesmo fenômeno ocorria em muitas coisas, ela fazia o que os outros queriam, às vezes ferindo a si mesma.
Ela sempre quis emagrecer, ter um corpo bonito, ter dinheiro dentro da carteira, sem regras familiares e sem convenções. Às vezes a família era um desnecessário apêndice. Ela chorava com sua própria história.
Muitas pessoas são deliciosas surpresas, alegram a vida de quem os cercam. Na maioria das vezes o problema é menor do que a preocupação que carregamos, sempre falo isso para minha mente.
Ela precisava se livrar de tudo, do peso que carregava, se você está em busca de um outro relacionamento, se livre de tudo, livre-se até de bens de consumo que não usa ou não precisa.
Depois que a gente destralha os sentimentos e os objetos, a vida sorrir mais leve.

Arcise Câmara

Adotei uma postura observadora inocente com relação à problemática família do marido

Era a paranoia da estética, eu era magricela, pele e osso, ele ia me quebrar ao meio, muitas razões me fizeram concluir que não dava mais, no entanto, existe vida inteligente por trás de um casamento, eu não ia me separar por causa dos outros.
Quando estávamos na praia, ao invés de observarem a natureza viva, ficavam falando o quanto eu estava feia de biquíni, como era possível ele se apegar a mim daquele jeito.
E a pergunta que não quer calar, que diacho a família de origem dele vai à praia com vocês? Essa pergunta era uma das minhas prioridades e a resposta é a seguinte: ele divulgava para a família dele até os nossos pensamentos e quando a turma se convidava ele não sabia dizer não e nem via maldades em suas ações.
Com o tempo minha autoestima estava associada à opinião dele a meu respeito, de tanto a família falar, ele também achava que eu merecia uns quilos a mais. Eu tentava disfarçar meus erros, minha dor, meu riso.
Eu combinava internamente que só ia falar do tempo, da novela, do galã, do vídeo show, e algumas indiretinhas como: Não se cresce a sombra do outro. Sem querer ser repetitiva cada um é único e deve cuidar da sua própria vida, eu falava.
Eu procurava me manter serena, concentrada, pensativa, mas eles me tiravam dos trilhos, era como se eu tivesse diabetes ou câncer, era um come isso, come aquilo, come mais, precisa engordar, assim o vento te leva. Os palpites eram a ostentação e o luxo imaginável de se meter na minha vida, que a essa altura do campeonato não estava mais feliz.
Convidei as dificuldades para entrar e me permiti um momento a sós comigo mesma. Nunca fui de fazer birra, éramos ratos de praia e a sombra dele (família sempre ia junto).
Porque era tão difícil simplesmente dizer não, eu me questionava, não queria afastar meu esposo de ninguém, muito menos da família, curto a família e acredito que esse vínculo nos pertence eternamente, mas a segunda família precisa de espaço para crescer e desenvolver. A minha tática é, olhar para eles como quem olha para um filme na tv, transformar todas as ofensas e disse-me-disse em sessão da tarde e o mais importante, manter minha paz.

Arcise Câmara

Faça uma espécie de diário da dor

Quando sinto o desejo de me reconectar, quando estou triste, quando invento desculpas para dramatizar, para chorar. Quando acho que para os outros as coisas são mais fáceis, quando sinto desconforto com minha própria presença.
Me sinto diferente, não tenho certeza de nada, muitas vezes, me odeio por ter cedido ou contado o que sentia para quem não quer ajudar, apenas tem curiosidades de saber das coisas.
Vim te agradecer querido diário, você me fez pôr para fora tudo que me engasgava, não foi a chave do sucesso completamente, mas ataquei os sentimentos ruins de uma forma exemplar.
Há momentos na vida da gente que a indecisão é a única certeza, que o sentimento de felicidade que experimentei, passam longe. Morei junto com pessoas negativas e isso me atingiu.
Nunca firmei parceria com a ociosidade, depois de uns dias eu continuei pensando em tudo de ruim, só que sem raiva. Ficar triste pelas coisas que não posso mudar foi um desperdício de energia.
Nunca mais voltei a ser a mesma, esperei um milagre que não veio, tinha aprendido minha técnica biônica de responder questionando, de me magoar à toa, de achar que os outros agiriam como eu agiria.
Nunca relia livros, isso foi mudando quando percebi que dependendo do meu estado de espírito gostava ou não do livro, passei a ler três livros ao mesmo tempo, acaba um capítulo aqui, começava outro ali, era uma espécie de novela literária. Isso me ajudou a sair da fossa e comparar o que é bom ou muito bom.
Sem muita firula me libertei e isso significou saúde, eu não me conhecia e tinha preconceito de mim mesma, eu me livrava de mim mesma quando resolvia viver a vida dormindo, o diário da dor me ajudou.

Arcise Câmara
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Tem gente que não se livra de nada

Você fica aí querendo compreender todo mundo, com pensamento que a vida continua, que o amanhã será melhor. A vida é um livro experimentado, as coisas não podem passar em branco sem ampliar a consciência. Guardar coisas que não te servem não é uma boa tática.
A última vez que Marília viajou foi há quatro anos, ela se sentia amada, e precisava se ajudar a conhecer novos horizontes sozinha, algo não estava bem, não conseguia deixar de se sentir oprimida, seus irmãos pareciam ser felizes, terem sucesso e ela era o fracasso. Trouxe lembrancinhas para acumular.
A maioria das pessoas buscam saídas rápidas e cômodas para seus problemas, ela estava nessa estatística, nunca aprendeu a ser espontânea, forçava as coisas, queria ser aceita e comprava mais coisas.
Eu nunca fui acumuladora, seja o que fosse, uma roupa nova doava sem pena, não gosto de ter algo que não me pertence, algo que não tem nada a ver comigo, algo que tira a minha identidade.
Nós sempre nos importamos demais com a opinião dos outros, eu já tinha lido no livro que não é bom, que não evolui, não desenvolve. Eu precisava entrar no processo de cura do julgamento alheio.
As pessoas pensam que não doar as coisas é uma forma de economizar, mas continuam comprando em excesso, elas não se livram de nada e ainda compram tudo sem ter necessidades, compram até coisas que nunca vão usar. Jogam dinheiro fora.
Acumuladores não conseguem manter a casa cheirosa, só passam por uma transição se for com ajuda de psicólogos, psiquiatras e com ajuda de organizadores profissionais, o coração grita de dor quando algo é jogado fora, mesmo que esse algo seja lixo.
Não sou de me autopromover, tenho comportamento oposto a isso, não existe regra para nada, mas se não gosto, me desfaço, faço doação, presenteio quem gosta. Excesso de qualquer coisa faz mal.

Arcise Câmara
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Discutindo um ideal

Cada pessoa é dona da própria sorte, sem pânico e com coração acelerado após sofrer terríveis ataques de ansiedade, consegui rechaçar sentimentos ruins que me acachapavam.
Não me fiz ouvir, mas era uma questão de tempo mudar o foco das tristezas. Tornei-me o que sou, conquistei a liberdade, fui rabugenta o suficiente para espantar brutamontes, uma loucura sábia.
Coloquei o uniforme de combate, nele não tinha egoísmo, era um amor à Pátria, dentre tantos ideais eu sempre fui patriota. Também tinha cravado na cabeça a vontade de educar bem os 4 filhos que tive, nunca gostei que meus filhos dormissem na casa dos outros, por mais amigos e íntimos que fossem.
Cada pessoa deve ter seu próprio espaço, quem não consegue tomar decisões não tem confiança em si próprio, eu fui uma mocinha traumatizada! Pelo amor de Deus! Aquilo eu não queria para meus filhos, filhos são pátrias que deixamos de legado para o mundo.
A alegria muda a vida para sempre, a alegria fala direito ao meu coração, o dia de hoje não importa amanhã. Faça tudo hoje para que não tenha arrependimentos. Receber a notícia da morte de um filho prematuramente te faz desacreditar de tudo que um dia você acreditou.
Gabriel sempre povoará meus doces pensamentos, nunca perdi tempo com ele, fomos preenchidos por tudo que a vida nos coube contemplar, seus pertences não eram seus e eu não tive dificuldade em jogar fora ou doar, tudo que ele representava foi com ele para o cemitério.
A partida dele me fez refletir sobre nunca mais ter a vida bagunçada, precisava viver num espaço limpo e bem arrumado, melhora minha autoimagem automaticamente, eu precisava dar orgulho aos céus.
Meu outro ideal de vida era não permitir que a saudade se apagasse, mas isso era fácil, eu pensava nele de forma espontânea todo santo dia, minha vida ainda está fora dos trilhos, mas ainda tenho um coração cheio de ideais, mas o principal é a minha evolução como ser humano.

Arcise Câmara
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Tags: discutindo

Não posso ser filha de mais ninguém, ninguém vai me amar como meu pai e minha mãe me amam

Houve um revés no planeta e nem todos os pais e mães são maravilhosos quanto os meus, nem todos os pais são dignos de terem tido filhos, muitos não tem noção do mal que fazem para sua cria e para a sociedade.
O olhar de quem não estava prestando atenção era do Paulinho, um menino de cinco anos que convivia com gritos e surras desde que estava na barriga de sua mãe, mãe omissa e doente.
O pai se casou com uma mulher gostando de outra e não cansa de repetir isso aos quatro cantos do planeta, a mãe uma pessoa estudada que acredita em cada choro de arrependimento, mesmo que apanhe novamente dez minutos depois.
Paulinho nunca sorrir, nunca soube o que é autoestima elevada e na cabeça dessa criança todas as família são assim, ter família é chato, talvez uma prova de tolerância ele pensava, lógico que com a cabeça de uma criança não com essas frase de uma escritora que não consegue traduzir a confusão contida na cabeça dele.
Os vizinhos começaram a violar a privacidade daquela família por causa de gritos constantes pedindo socorro pelos maus-tratos, os vínculos sociais livremente aceitos pelo machismo não imperava naquela rua e ninguém tinha o pensamento mesquinho de que aquela mulher e aquele filho mereciam apanhar.
Em meio aos próprios preconceitos e cheia de condicionamentos que aquela era a única família que a mãe de Paulinho poderia ter, com uma agravante que ela era proibida de trabalhar, dificultava que ela saísse de casa.
Apesar do clima fora de controle, havia paz e serenidade naquela mulher que acreditava no ser interior daquele homem nojento, asqueroso, imbecil, ok, sem ofensas, mas a mulher achava que tinha chance de salvar aquele homem, achava que o mundo deles (família) poderia ser feliz e harmônico.
Foi difícil estancar o sentimento de culpa daquela mulher que se achava digna de cada bofetada, de cada empurrão, de cada soco, chutes, murro, nunca foi saudável essas agressividades e eu não acredito que ela mereça passar por isso e que é mulher de malandro, essa senhora está completamente doente psiquicamente e precisa de ajuda e não de julgamentos e o Paulinho precisa entender que esse mundo não é para ele.

Arcise Câmara
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Existem muitas sociedades em que as pessoas não são felizes

A gente não é feliz por tantos motivos, falta de princípio ético, efeito sanfona e briga com a balança, ou porque moramos em países com a cultura dos casamentos de fachada (desrespeitosos com a cultura do até que a morte os separe) ou arranjados.
A gente não é feliz quando a morte e o sofrimento nos cercam, quando a gente quer o que não pode ter (isso serve para objetos e/ou pessoas), quando somos desinteressados em mudar.
A gente não é feliz quando fala tudo que acha que deve e se arrepende, quando fica indecisa, quando não tem um bom convívio dentro de casa, quando se cobra demais.
A gente não é feliz em cerimônia fúnebre, quando a expressão distante é saudade de quem já partiu, quando fomos pilantras e não tivemos tempo de pedir perdão de quem se foi para sempre.
A gente não é feliz quando perde a coragem para mudar a vida, quando emagrece, engorda, volta a emagrecer e fica nesse ciclo eternamente, quando não nos relacionamos de um jeito simples.
A gente não é feliz quando curte a vida, os filmes, os chocolates com pessoas falsas ao redor, quando poucas coisas falam sobre nós, quando não sabemos lidar com o dinheiro.
A gente não é feliz quando faltam sólidas amizades, quando nossas atitudes precisam ser repensadas a cada cinco minutos, quando se apaixona por qualquer relacionamento.
A gente não é feliz quando coloca panos quentes e deixa as divergências para lá, quando deixa de cuidar da casa ou quando deitados na areia fria e olhando o por do sol pensamos em quem não deveria.
A gente não é feliz quando não exerce a tolerância e a cooperação, quando brigamos com nossa mãe, quando enojamos de mais uma campanha eleitoral, quando as lágrimas dos olhos secaram.
Mas a gente pode e deve ser feliz, a gente pode e deve ser bom, a gente pode reverter qualquer sentimento negativo em positivo, a gente pode ser melhor a cada dia, só por hoje ser melhor e assim a felicidade adormecida volta fortalecida.

Arcise Câmara
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Tags: existem muitas

Essa é das minhas

Que saudade de gente como eu, gente que pensa no outro, que se coloca no lugar do outro, gente como a gente. Fico feliz em me ver nas pessoas, fico feliz em ver o lado que me reconheço bom nos outros que estão ao meu redor.
Quando a pessoa morre você perde o amor que elas tinham por você na prática, minha vó não me mimará mais, mas sei que através dos exemplos que ela me deixou posso eternizá-la aqui.
Isso ninguém substitui, a herança dos gestos e atos, a lembrança do carinho e do afago, o amor concreto que abranda o vazio que toma conta. O dia fica lindo só de lembrar-se dela.
O encantamento pela outra pessoa e o desejo de agradar está presente nos relacionamentos, no campo da felicidade é muito bom a sintonia. O que eu falo sempre sobre a gente conhecer outras pessoas, sobre liberdade, continua valendo. O amor não precisa se fechar em si. Quanto mais amamos mais felizes somos. Aliás esse e o único jeito que sei amar.
Preciso de estímulos, eu vivo pra te ver sorrindo seria o meu lema, gosto da leveza da vida, da simplicidade dos atos, da melodia do viver. Muitas pessoas têm entrado no relacionamento com amor e saído com ódio, eu sempre vou ter carinho por quem amei.
Sempre exercerei minha liberdade de ir e vir, sempre saírem de relacionamentos insustentáveis, sempre verei o dinheiro como meio e não como fim. Inicio uma nova era com muita facilidade, sou de ciclos.
No começo ficava injuriada com poucas atitudes de certas mulheres, outras vezes notava bastante que é bem comum se anular a qualquer custo em troca de qualquer coisa.
Nunca fui digna do amor, achava eu. Levava foras por ser eu mesma, levava foras por não fazer joguinhos, levava foras por não ter ciúmes e confiar na relação, levava foras por dar liberdade que era confundida. Pensei que eu deveria mudar, até que conheci pessoas que pertenciam a esta comunidade, pessoas que pensam parecidos e me senti parte dos que amam transparência e lealdade.

Arcise Câmara
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Uma criança que nasceu do amor

Parecia que eu estava tentando impor as minhas próprias necessidades, a minha filha precisava de balé, inglês, piano e vôlei, era um inferno ter que conciliar tudo isso, mas era um bem necessário.
Não me permitia enxergar que tudo aquilo era o fruto das minhas expectativas, nada abatia meu ânimo, nada me fazia desistir, nunca me exigi de verdade como eu exigia dela.
Eu estava sem rumo e sem sentido e achando que estava na estrada certa, isolei-me de familiares e amigos que davam pitacos na nossa vida, disse o que não queria, demonstrei o meu pior lado, perdi a paciência, aprontei de tudo. Fui à leoa em forma de gente.
Amor era lealdade irrestrita e tolerância ilimitada, eu tinha um plano, minha filha nasceu para ter sucesso e nenhum esforço era em vão. Basta um primeiro contato divertido para perceber que viveríamos felizes para sempre, uma seria a completude da outra.
Tomei a decisão de assumir meu destino como mãe, você provavelmente já viu outras pessoas negarem uma situação óbvia a todo mundo, uma dessas pessoas era eu, nunca transformei lições em aprendizados, estava cega pelas chances de sucesso.
Está acontecendo alguma coisa que me deixa maluca por dentro, eu era elegante, livre por dentro e não escrava das respostas, a gente nunca ia se separar, mãe e filha tem laços eternos.
Nós ficamos tantos anos juntas que quando ela começou a namorar eu levei um choque, quem poderia me ajudar? Ela não tinha mais tempo livre, meu coração desfalece.
O excesso paira sobre sua vida, as prioridades dela não são as minhas, ela deve ter sentido alívio em viver a própria vida, quando um se dá demais no relacionamento e o outro só recebe a balança fica desigual.
Absolutamente foi difícil resistir, revisei o que deveria dizer e acordei tempo mínimo para mim, alegando abandono, instalou entre nós um muro do consumismo. Como eu sempre a quis a melhor, na concepção dela que sempre recebeu tudo do bom e do melhor era necessário estabelecer os padrões das grandes grifes.
A sala estava cheia de gente, aguardando a terapeuta, e eu mentalizando tudo que ia dizer: graduada na escola da vida, infantil, qualidades comportamentais de generosidade e de temperamento forte, achei que o amor só fazia o bem e acho que fracassei, não sei se é o verdadeiro fracasso ou é a certeza das expectativas frustradas.

Arcise Câmara
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Passado

O passado não existe. O que existe são as experiências. Aprendi o que tinha que ser aprendido, ensinei o que tinha que ser ensinado.

Arcise Câmara
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A grande maioria posta tudo sem nenhuma reflexão

O mundo das Fake News, o que acaba com a vida de muita gente, o que mostra ao mundo relacionamentos intoleráveis em que quem ler toma partido do certo e do errado.
A notícia que deve ser noticiada primeira, sem nenhuma fonte confiável, sem a credibilidade dos amigos, cheia de preconceitos e pressões, sem lucidez e com muita coragem e ousadia para destruir ou manipular.
A tua história pode mudar o mundo se for verídica, mas enganar as pessoas mesmo que seja com boa conversa e bom humor não é nada ético, essas matérias sem roteiros, só querendo likes.
Já existe até a estática das pessoas afetadas por falsas notícias e o impacto que causam em suas vidas, amizades destruídas, milhares de pessoas sendo juízes das “histórias”.
A única garantia é que é um caminho sem volta, depois que a verdade vem à tona não atinge o mesmo número da mentira contada, o número de compartilhamentos são menores.
Eu aproveito para dizer, na dúvida não compartilhe, não julgue, não perca a elegância e nem seu autocontrole, você pode estar sendo usado para massa de manobra, para interesses ruins e ordinários.
É difícil acordar do pesadelo de ter sua imagem íntima vazada, ou virar meme por ser “feia” ou “sem graça”, fazer humor em cima da desgraça dos outros não é engraçado. Tome distância disso.
Tente ficar atento, até que o bom senso fale mais alto, você não é bobo, não é perdido nos próprios pensamentos, você saberá identificar uma falsa notícia, geralmente não é noticiada em outros lugares.
A internet pode e deve se reinventar, mas sem confundir, sem tolher a expressão da liberdade e da verdade, deve ser notada por coisas positivas, por respeito ao jornalismo de verdade, tão raro e escasso hoje em dia.

Arcise Câmara
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Emagrecer para chegarmos ao peso ideal

Eu não sou uma mulher religiosa, mas me arrependo da ausência de tradições em minha vida, uma delas a disciplina. Para justificar isso informo que pela milésima vez voltei ao pior peso da vida.
Menina inquieta, que não sente fome, isso mesmo que você leu, eu deveria ser magrinha-palito porque não sinto fome, mas como com os olhos, como com o coração, como com a vontade, como porque tem comida em volta, como por prazer.
Não precisa, não precisa dessa quantidade toda, mas eu gosto, gosto de pratos cheios, gosto de repetir, gosto da sensação de barriga tufada, às vezes vomito e passo mal involuntariamente.
Nada disso deveria ter acontecido, mas aconteceu, o efeito sanfona novamente me pegou, faltou consciência, faltou educação, faltou bom senso, posso rever na minha memória todos os meus acertos e todos os meus deslizes conscientes.
Infelicidade afetiva, bora comer, alegria, bora comer, ajudar os animais, bora comer, se sentir a melhor pessoa, bora comer... Lembro das coisas que fui capaz antes de adquirir consciência, remédios, shakes, neurose com a balança.
Eu comia alguma coisa e já me culpava, precisava de tempo para absorver a minha jaca, a vida era cheia de sacrifícios pessoais e nada fiz para expandir a consciência. O equilíbrio não tinha importância.
Aprendi a tirar vantagem, fazer as substituições de maneira esperada, me controlar no casamento deste fim de semana e aprender a não ser tão inconveniente comigo mesma.
Magra feita um varapau não é meu propósito de vida, nunca vou desistir de mudar a mim mesma, de me adequarem prol da qualidade de vida, de parar com as justificativas de agir e de escolher.
Meu corpo deveria ser meu jardim tranquilo, meu mundo maduro, preciso ser tolerante e rígida ao mesmo tempo para as minhas escolhas sensatas, preciso sentir prazer em admirar o ceú e contemplar as estrelas, não num prato de comida.
Preciso me imunizar de tudo que me faz mal, principalmente das escolhas alimentares erradas.

Arcise Câmara
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Não compre de forma alienada

Quando alguém tem uma meta clara é capaz de superar os próprios limites, eu sou tua amiga e posso dizer que as consequências de gastar sem consciência é desastroso.
Os altos e baixos emocionais não devem levar ninguém aos shoppings, não deve ser a explicação coerente para as compras compulsivas, a vida anda caótica demais, atribulada demais para fazer do dinheiro o simbolismo da vida.
Vou viajar daqui a poucos dias, gosto de gastar com viagens planejadas, conhecer pessoas gracinhas de vinte e poucos anos ou de sessenta e cinco, gosto de me sentir dona de mim mesma e isso eu consigo viajando.
Revivo cada viagem desde o começo, parece histórias de filhos que posso contar uma a uma. Eu olho para frente e só me vejo viajando mais e mais, dentro das minhas possibilidades é claro.
Fui educada sem sensibilidade, a pobreza foi me apresentada logo cedo, os meus pais queriam me ver felizes com pouco, não me muniam de “tudo que eles não tiveram”, a exceção era a educação.
O dia mais incrível de todos, foi o dia que encontrei pessoas hansenianas, sorrindo para a vida, sem precisar de apetrechos tecnológicos, sem contemplar a música romântica, o fato de existir em meio ao caos e ao preconceito fazia de cada um vitorioso.
Eu me deixei escolher por essa vida mais simples, pela necessidade de partir para o essencial, para desenvolver a arte da tolerância e da solidariedade, o resgate da confiança, o ficar calada sem revidar, era isso que eu estava acrescentando no meu carrinho de compras.
Gosto de falar de assuntos que não envolvem dinheiro, que não atraem novidades da hora, mas que impulsionam a vida, gosto de falar de essência, do ser, do existir, do sentir, do absorver, da gentileza, da simplicidade da vida e dos sacrifícios que podem significar alguma coisa. Quero estar abastecida dessa pequenas lições.

Arcise Câmara
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Fazendo de você uma pessoa que ninguém quer para casar

Você está diferente, disse ela, e minha amiga disse um dia antes, “se a relação não sai do lugar, então não é namoro”. Estava começando a ficar paranoico, era amor não correspondido?
Fazia tanto tempo que não te via, será que eu não correspondi as suas expectativas? Me senti entorpecido de tanto cansaço e ansiedade. Ela riu e até encolheu a barriga, sabe-se lá por que.
Se a pessoa não me passa segurança eu já quero pular fora, refletia sobre o que estava acontecendo e aonde isso ia me levar. Preferi não contrariar a pessoa, talvez eu não seja uma boa pessoa para constituir família.
Estava num lugar incrível, às memórias dela me vieram à cabeça, achei que ela estivesse interessada em alguém, isso me deixou ainda mais inseguro. Uma conversa que já deveria estar encerrada tem vida própria e recapitulei cada palavra que ela disse, sem sucesso, embaralhou minha cabeça mais e mais.
Eu vivia de consumo sustentável, já tinha pensado em suicídio, ficava com garotas uma vez por semana e quase sempre o assunto acabava quando eu mais queria que tudo desse certo.
Sempre fui muito seletivo, ficava com qualquer uma, mas nunca namorei quem me foi muito fácil. Não gostava de “Amor” em troca de nada. Eu precisava de um contexto, de um ponto de referência.
Pensava antes de reagir e não reagia antes de pensar, estava na direção certa, relembrava os momentos vividos, algo mais substancial, sem me importar demais, sem relógio batendo desordenadamente, sem pressa.
Me diverti às pampas, não me colocava no lugar de ninguém, não me desfiz dos meus sonhos, nunca fechei portas totalmente, amo ser homem e másculo, um sujeito difícil de aguentar.
O sentido de viver é ir se adaptando, ser atento ao esforço, reconhecer a bondade e ser grato a Deus, Sem saber como me sentiria hoje. Tudo está mais intenso, guardava as coisas para mim, minha intenção é me divertir, dormir bem e perder peso. Não sou homem para casar, não agora.

Arcise Câmara
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Uma coisa rápida e pouco considerada é o desamor

Reconheci meu problema de raiva e aprendi a dominá-la, sim, não dava para viver o resto da vida com sentimentos negativos dentro de mim, ódio, raiva e rancor não eram sentimentos que eu queria ter na bagagem.
Vocês dois nunca deveriam ter se casado era a frase que eu mais escutava, talvez essa afirmação seja verdadeira, talvez não, apesar dos percalços eu aprendi bastante com essa experiência.
Parei de ser educadas quando estava acompanhada, a energia não era boa, eu não me sentia feliz e era um saco tentar entender aqueles turbilhões de sentimentos confusos que nada tinha a ver com os meus propósitos iniciais.
Gerações e gerações de gente que não trabalha era uma realidade tão diferente, gente que se acomodou e deixou de buscar emprego, gente que se escora em outra pessoa para ter vida boa, gente que acha que o universo gira em torno do umbigo.
Ótimos retoques foram se moldando nos meus pensamentos, eu pensava em tudo ao mesmo tempo e sentia tudo com muito mais intensidade, eu agia com naturalidade, mas ao mesmo tempo ficava chocada em perceber algumas coisas. Parecia julgamento.
As roupas de gorda já estavam apertadas, fiquei no meu maior peso, descobri nessa fase que gosto de elogios, me definir como pessoa significava simplesmente tomar o controle do meu corpo.
Às vezes não me importo com as histórias ou necessidade das pessoas, parece que a minha é mais importante, sei lá, é tudo estranho, acho que dava impostância exagerada, talvez seja a nossa cultura de ser feliz com par.
Tentei assumir o grande sentimento que os unia: o respeito, tentei que fôssemos independentes, que cada um pudesse seguir sua vida com admiração ao outro, tentei primeiro salvar o casamento para mais tarde não ficar com sentimento de culpa, mas isso não funcionou.
Por fim, todos os resquícios de ex-marido foram “cirurgicamente” removidos pela psicóloga, que levou para longe os meus pensamentos, que me fez parar de me manifestar cada vez que discordo de algo, eu achava isso salutar e ela acreditava que não levava a lugar nenhum. A paz que sinto hoje é mais potente que a força do raio de sol.

Arcise Câmara
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Somos submetidos a um intenso foco de tensão

Você não é esse tipo de pessoa que eu imaginei, você não é tudo que sonhei, eu me perguntava se poderia haver algo mais entre nós porque eu te achava maravilhoso e tinha tudo para me fazer feliz.
Você ao invés, não perdeu oportunidade de me explorar, me amarrar numa situação que eu não queria, percebendo que eu vinha de um casamento fracassado me deu a sensação de proteção.
Eu não vi os sinais, se vi, os ignorei, eu tinha muitos aborrecimentos frequentes e eu achava que era coisa de intimidade, que isso fazia parte do pacote. A comunicação era péssima estávamos mais preocupados com beijos e amassos.
Vivia num mundo feito de aparências e não percebia, eu me sentia a celebridade em estar com alguém legal, gentil, bonito e que não usava nada por baixo, eu me sentias confortável nessa relação em que eu não conseguia impor nada a ele.
Escolhi percorrer caminhos em harmonia, de vez em quando erguia as sobrancelhas, mas não dizia nada, estava me transformando num tipo de pessoa que não desejava ser.
Ele tinha um filho, estava livre emocionalmente da mãe do garoto e isso não diminuiu em nada meu sentimento sobre ele, nunca mais precisei de dieta, ele não me elogiava, mas também não criticava.
Sentia-me afogada no medo e na solidão mesmo estando acompanhada, eu era mandona e truculenta, isso afetava minha neutralidade até então assumida. Não era um segredo de estado, mas também não é um tema aberto para debates expor assim meus piores defeitos.
Apesar de exausta, nem sequer pensei em me separar, coisa de mulher que tenta a até a última gota de água no deserto. A necessidade do relógio biológico e as exigências dos relógios sociais me fizeram tomar a decisão mais desgastante perante todos, a que eu não iria ser mãe, seria a mãe do filho dele, sem me importar que o filho já tinha mãe.
Ele se sente mal por perceber que eu não estava inteira, que algo não encaixava e que eu preferi ir ao Rio de janeiro sem ele, precisava encerrar o ciclo, mas nunca fui acostumada a decidir muito com a razão, eu era movida pelo coração e pela vontade de dar certo.

Arcise Câmara
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Tags: ssomos submetidos

Esse retorno é frequentemente satisfatório

Continuo vivendo como se esse assunto não tivesse nada a ver comigo, não gosto de falar sobre o fato de estar em tratamento para curar um câncer. Já fazia muito tempo que não me sentia assim, fora do contexto.
Se não fosse pela falta de cabelo, eu não diria que tem algo errado comigo, não sinto nada, além dos enjoos do tratamento, me vi sozinha sendo mãe de mim mesma.
Essa decisão partiu do fato deu ter pais idosos e emotivos, então resolvi dominar tudo que estivesse no meu alcance para que houvesse pouco sofrimento. Brincar de Poliana também me faz bem, essa fuga da realidade ajuda e muito no tratamento, é só acreditar que tudo vai ficar bem.
Em nome da modernidade resolvi usar perucas, é quente e incômoda, mas era menos angustiante que ver vários olhares de pena e de reflexões como: “puxa é tão nova”, “que maldição!”, “você tinha mágoas?”...
O câncer destrói seu ego, gera uma pequena regressão emocional, um “quiz” da vida. As coisas que falei e as que não falei, as coisas que vivi e as que não vivi, as mágoas que carreguei inutilmente, a vaidade, as lembranças boas e não tão boas e a cobrança de ficar em paz com o mundo antes de partir, mesmo que alguns sentimentos mesquinhos ainda estejam dentro de você.
Algum mérito eu tive para essa evolução, porque a doença também se manifesta na alma, te move ao que há de mais puro, te leva a caminhar até um altar só teu, acaba com qualquer perspectiva de planos a longo prazo. O hoje é o que importa.
Quem inventou isso de viver o momento presente intensamente? De agradecer o tempo todo? De poder estar certa ou errada e recomeçar? De amar o feio e o bonito de agregar a nossa vida apenas o fundamental?
Ressentimento, confusão e desconfiança faz parte, convicções íntimas também, dúvidas sobre suas crenças, sua fé, seu universo, sobre a morte e sobre morrer aos 28 anos gera escolhas de aceitação ou rejeição.
Já estive pelas duas fases, é preciso ter uma válvula de escape para não termos uma única fonte de prazer que pode ser comida, amigos, fé, família, amor, namorado, trabalho, por do sol, lua, leitura, livros, cheiro, esperança.
Meus pensamentos me levam para longe, a porta está sempre aberta para uma realidade de cura ou de passagem, nas duas você ganha e eu só entendi esse jogo que a gente não perde nunca com essa doença. Vou continuar vivendo um dia de cada vez e só por hoje ser plenamente feliz.

Arcise Câmara
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Tags: esse retorno

Vários gatos em casa e a gente conversa como se fossem crianças

É difícil não tratar como filhos, eles possuem um valor inestimável, nos causam apego e em poucos minutos no tomam o coração cheios de amor, são engraçados e teimosos.
Encaro sem trauma o sofá imprestável, antes eu era o suprassumo da chatice com as coisas de casa, nada poderia ter nada arranhado, enferrujado, quebrado, sujo, tudo era descartado para o lixo, hoje revejo que por trás de cada arranhão no sofá, cheiro de xixi, há um serzinho carinhoso e cheio de amor.
É óbvio que eu não ia facilitar as coisas, desde sempre tentei estipular regras civilizatórias, algumas muito eficazes, outras que desisti por cansaço físico e mental.
Gatos nunca querem se sentir cercados de carinhos e abraços como nós humanos, são mais na dele, querem fazer só o que sentem vontade, são de momento, perdoam fácil a nossa invasão de privacidade.
Prestam atenção a tudo, miam por comida o tempo inteiro e de vez em quando aparecem roçando em você como se nada tivesse acontecido, são soldadinhos do bem.
A gente sai contando as presepadas, pensando e relatando o que fizeram e deixaram de fazer, o mundo dos gatos tem muitas possibilidades: ciúmes, posses do que nem é deles, carinhos inesperados, lambidas de surpresa e o óbvio despertador automático.
Quase tudo na vida melhora quando temos um gato, a gente lembra deles no trabalho, no mercado, na feira, na hora de comprar móveis, e pasmem, até na hora de arrumar um namorado porque não dá para ouvir o amor falando “passa, passa” pro seu bichano preferido, pro seu filho de quatro patas.
No mundo de hoje, é bem comum amar e respeitar os animais, mas tem muita gente escrota que trata animal como lixo, que se acham naturalmente superiores, animais são seguros, afáveis e seres penetrantes que nos conquistam a cada dia.
Vivo recordando momentos únicos vividos com eles, uma arranhar a porta quando custo a acordar, o olhar murcho quando estou doente. A qualidade de vida que ganhei com a presença da Thiffany e do Kadu em minha vida é indescritível. Mamãe ama os nhenhens délha pá shempi.

Arcise Câmara
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Tags: vários gatos

Essência do viver

Tinha sempre escolhas sensatas e educadas, estava ainda solteira aos 43 anos, nunca tinha me casado, parecia que a felicidade em par não tinha sido feita para mim.
Queria um casamento feliz, mas não com marido sem graça. Tive namorado por várias vezes, fiquei noiva três vezes, mas o relacionamento acabava se deteriorando, eu sempre queria receber mais dele e nunca me senti amada o suficiente para o “Sim Definitivo”.
Quando está muito quente e quando ouço aquelas músicas, sempre trago lembranças do passado do “e se tivesse casado com um dos noivos”, mas breco o pensamento e falo sobre liberdade.
Precisava viver um dia de cada vez, entender que não era para ser senão teria sido, que mesmo que eu amasse massagens e roupas bonitas não poderia tê-las sempre que quisesse.
Meu estoque de lágrimas se esgotou e eu pela primeira vez na vida me sentia solitária, o velho ditado “a união faz a força” não causava efeito, então resolvi partir para a realidade e sair da ilusão.
Todo mundo pisa em ovos a minha volta, como se eu fosse desabar a qualquer instante, como se a solidão em deixasse depressiva, como se eu ainda me conectasse com todas as pessoas que amei, como se o elo não tivesse desfeito.
Tive muitas trocas de experiências, aprendi e ensinei com os meus relacionamentos, chorei e fiz sofrer, alegrei-me e fiz sorrir. Na minha família temos o hábito de por para fora nossas mágoas e isso faz com que eu ame cada relacionamento que tive de maneira bem diferente. Não voltaria com nenhum dele, mas desejo sucessos amorosos.
Os homens se sentem atraídos por mulheres bonitas, jovens e com corpo em forma o que não é o meu caso, além do mais considero isso irrelevante, a vida às vezes se torna fácil e sem complicação, é o que eu acho.
Obviamente que eu amei, ops Amei, mas tinham dificuldade em assumir compromissos, o que busco mesmo não é a companhia, o casamento, o contato físico, o que busco é a essência de viver, algo que revolucione a minha existência.

Arcise Câmara
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A ideia de um grupo de apoio me dava arrepios

Descartar o orgulho foi o primeiro assunto do dia, o assunto em pauta teve várias reflexões e muito choro, era a primeira vez que alguém me dizia que as minhas atitudes era de alguém orgulhosa e que não dá o braço a torcer.
Não tenho ex-marido, nem filhos para lhe fazer concorrência, sou solitária e talvez por isso tenha entrado no mundo da carência chamado drogas, e com as drogas me veio a adrenalina do risco e a vontade de ganhar dinheiro. Hoje em dia se fala cada vez mais do mundo exterior e bem menos de si mesmos, foi nessa linha que comecei a traficar.
Carente sim, frágil certamente, burra nem tanto. Troquei de carro velho para um carro caro de sete lugares, não vou divulgar a marca, pois não ganhei um centavo de desconto. A concessionária nem quis saber por que estava pagando a vista e de onde vinha à origem do dinheiro, mas aumentou em cinco mil o valor do carro inventando desculpas.
Cometi um erro gravíssimo, cheirar e traficar, você é enganada de todas as formas e isso fez com que eu levasse três tiros para eu me espertar da brincadeira. O vício das drogas é uma doença iniciada por emoções distorcidas.
Tenho medo até de escrever sobre isso, parece um mundo imaginário, ninguém se assume, ninguém quer saber, as pessoas começam a te olhar torto como se de fato você fosse um fracassado.
Eu não uso nada há anos, faz tempo que parei, mas ainda sou uma recuperanda porque a sensação e o barato que eu sentia era muito bom, porém o preço era alto demais, preço de vidas destruídas em overdoses, preços de furtos para ter a encomenda necessária, preço dos tiros e prisões e o preço mais alto de todos que é a dependência de não ser dono da própria existência.
Dizia eu aos meus botões “quero ser livre”, quero meus pais vivos, minha família em segurança, minha vida de volta, quero estar cercada de amigos. Me abstive de algumas coisas em função de outras, mas nada daquilo era justo, certo, bom e verdadeiro.
O grupo de apoio era potente como a força de um raio, um despertar, um segurar a mão, o grupo social movido pelos mesmos interesses, pela ansiedade de não saber explicar como se chegou ao fundo do poço, quem nos meteu ali, um grito de socorro. Foi assim que ressuscitei!

Arcise Câmara
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