Contos sobre a Fome
Enquanto comemos
Alguns passam fome
Enquanto temos água em abundância alguns não tem se quer uma gota pra saciar a sede
Enquanto vivemos bem alguns sobrevivem nas piores situações
Enquanto exigimos nossos direitos de cidadãos
Alguns vivem se direito a vida esquecidos
Somos protegidos pelas mesmas leis
Estas que são Indiferentes com quem foi esquecido pelo resto do mundo
Indiferença
Quantos choram num quarto solitário
E quantos sofrem num leito de dor
Quantos têm fome neste momento
E quantos se arrependem de terem nascido em tanta miséria
Quantos foram esquecidos, vagando como sombras
E quantos desistiram de existir diante de tantas derrotas
Quantos se desiludiram hoje e enfrentam o medo da morte
Quantos imploram por perdão como se fosse possível voltar atrás
Quantos estão sendo abandonados neste momento
Quantos que, depois de tanto amar, enfrentam a traição e a separação
Quantos carregam feridas profundas que nunca cicatrizam
Quantos se perderam e buscam dia e noite sem cessar
Quantos acreditam que acabou e desistiram de lutar
Quantos nem querem mais viver
Quantos estão tão iludidos que já vivem fora da realidade
Quantos desejam a morte
E quantos que, em meio à depressão, encontraram forças para cometer suicídio
Quantos só precisavam ser ouvidos
Quantos só precisavam de um abraço
Quantos só precisavam de amor.
Sofro de falta d'amor
Fome me escapa da pele
Pele sofre de fome
Fome mata a dor
Dor alimenta a fome
A fome me desespera
Também desespero a fome
Sou filha da sua quimera
Não raro ela me esconde
No fundo do seu penhor
Na casa da sua janela
O poço que me cavou
Sem por onde ela some
No barco da sua procela
A fome só me consome
Refúgio que me faz dela
Poema ao Imigrante.
Muita fome e desemprego nos assola.
Nossa pátria está por acabar.
Malas,sonhos,esperança vamos embora.
A Primeira Guerra a iniciar.
Rapidamente a maioria deseja imigrar.
Deixando sofrimento e dificuldades.
O desejo é de não mais voltar.
Viagem longa,epidemia e alegria.
Frio na barriga, medo do desconhecido.
Terra a vista, sorriso nos rostos euforia.
Vida nova alívio, lugares divinos.
Promessa,trabalho e engano.
Trabalho no campo, e onde quer que estejamos.
Belas cidades começamos a construir.
Bravos guerreiros determinados vieram a surgir,
quando a adversidade passou a perseguir.
Hoje temos orgulho de sermos seus descendentes.
Imigrantes vocês foram valentes...
Registramos nosso carinho e amor.
E agradecemos quem os guiou, nosso Senhor.
A fome não me mata e nem a solidão,
não posso ser elementar neste entendimento,
embora seja fato no meu pequeno mundo...
ninguém precisa repartir comigo as minhas dificuldades.
Elas são fruto dos meus equívocos de escolha,
de rumos seguidos sem a maldade existente em grande parte dos indivíduos,
mas,
também,
são equívocos meus!
A ordem é pão, a desordem é fome...
E a fome faz sair os lobos do mato...
Ela não tem lei...
É má conselheira...
Inimiga da virtude...
Faz doce as favas...
A gente pensa que se benze e parte nosso nariz...
E aprendemos quando já é tarde demais...
Afinal a ignorância do bem é a causa do mal...
A perder se ganha, ao ganhar se perde...
Já que a perseverança sempre alcança...
O cocho é o mesmo...
Mas lembre-se que são os porcos que mudam...
Paschoal Nogueira
#ECO
Meu coração arde em coisa fria...
Nem a luz...
Nem o fogo...
Nem a fome entardecida...
Ou a febre da sede dos lábios...
Ai, ai de mim...
Enquanto caminho...
É pelo corpo que nós nos perdemos...
Pertenço a quem amo...
Num profundo arremesso...
Tenho pressa de viver...
Só quero o que me é devido...
Coração diga o que sofri...
Nesses dias que embranquecem os cabelos…
Amores vividos...
Só as fagulhas voam ao vento...
É preciso partir...
Antes que tudo cubra-se de cinzas...
É preciso ficar...
Onde se é benquisto...
Cerca-me a solidão...
Tal como uma pedra escura...
É tão fria e morta...
Eu sem ti...
À sua procura...
Ninguém sabe dizer porque o eco embrulha a voz...
Mas eu sei dizer...
Que sem você...
Não vivo mais...
Sandro Paschoal Nogueira
A boa comida une as pessoas
A comida vai muito além de matar a fome. Ela aproxima famílias, cria memórias e faz parte de momentos especiais da nossa vida. Seja um hambúrguer, uma salada fresca ou uma refeição caseira, sempre existe uma receita que nos lembra alguém ou algum momento importante.
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Qual é o seu prato favorito e por quê?
Na certa
A fome de amor te fará delirar
E entregar-se como nunca
Apertando nos braços
Como quem quisesse ficar
A roçar a pele, acabar
Sentindo-se única, desejada
Pedirá mais, mais.
Até entregar-se à posse
Seu vulcão cheio de lava a derramar
Numa deliciosa explosão dos desejos
Línguas e beijos
Se entrelaçar
Momentos nunca vividos
Nem alcançados
A entrega total
Onde o corpo e alma
Alcançarão o céu
Momentos de êxtase e prazer
Um abraço apaixonado
E a vontade de dizer
Eu amo você
Fica comigo
Fica comigo até o dia amanhecer
Esquece o sono
A fome
A dor no corpo
E fica
Não pensa em nada
Mergulha em mim
Eu estou pronta para ser
A sua última alvorada
O seu irrevogável anoitecer
A sua derradeira viagem
E o seu primeiro
Grande
Verdadeiro
Único
Amor.
Meire Moreira
Hoje acordei com um vazio, achei que fosse fome; comi e não passou.
Uma solidão que permeava, fui pra multidão e mesmo assim me sentia só.
Aquele aperto que pressiona meu peito, coloquei uma música pra distrair, mas não adiantou.
A saudade apertou mais forte hoje, tentei ocupar a cabeça, porém só conseguia pensar em você.
O nó na garganta veio, mas decidi não chorar; preferi celebrar, escolhi relembrar dos nossos momentos felizes.
Este é o meu primeiro ano longe de você, queria te abraçar, queria te beijar; mas eu preciso aprender que para ter você comigo, eu não preciso te ver, basta te sentir.
Sou a indignação de quem tem fome em um país contaminado com ratos em peles de cordeiros.
Sou a surpresa e um espanto de um líder corrupto que tem a ganância de se manter no poder.
Sou o descaso de autoridades incompetentes e sem respeito que causa medo e inimizade.
Sou o grito dos desesperados e o silêncio dos inocentes que gera violência a descontentes e dinheiro a quem gerencia a guerra.
A bala de uma arma que percorre o espaço entre o disparo e o corpo de um inocente se faz impunidade e covardia no descaso dos acontecimentos com autoridades despreparadas e confusas com a paz.
(Trecho do livro "O silêncio dos inocentes" de Julio Aukay)
Sou coração vermelho, tenho fome com a sensibilidade na boca e minhas inspirações me criaram com um elemento injusto que passei;
Quem foi o culpado? Na veia um sentimento carente pulsando no coração;
Eu errei e quem nunca errou? Quero evoluir na minha estatística;
Espero por um coração que leve-me ao encontro da felicidade;
Me interne no paraíso para que eu possa descançar e esquecer da fome e lembrar da paz e do amor um pelos outros;
O dia passa e eu perco o meu juízo no intenso descaso que envolve toda a plateia de um circo nacional;
Vivo sem futuro ou sem objetivos, mas sempre achando que eu erá vivo sem nunca me reinstalar;
Sem nunca ter pensado como a vida se fez cruel, pois eu aprendi como se deve viver;
Vejo que ainda temos tempo para transformarmos o mundo com algo bom, antes que a bomba exploda;
O meu coração com fome em falta da fartura se desmorona por não haver teus desejos como sangue quente que explode no instinto pessoa;
Vejo chuvas de dúvidas que me pergunta com os olhos se o meu sentimento é verdadeiro?
Perco-me sob a face das certezas desse amor que nem é transparente aos olhos, mas o teu riso acalenta as lembranças da perda informal;
O desejo excedeu sua fome, com o prazer em chamas que se chama pelo nome
Mas ainda sim, seus princípios têm a ansiedade de superar a própria dor
Sem medo e com intensa coragem, gritando por amor
E se o desejo se apresenta como amor, então os sentimentos virão onde quer você for
Portanto o amor vestido de prazer, veio se deliciar e brincar com você, com a sua inocência
Em uma dura frequência
E que em minhas poesias escreveu em reticências...
E mesmo assim, ainda acredito no amor!
O vento, a fome o medo
a pouca sorte
e a visita periódica
da morte
Não me importa
O importante
é corrigir a vida torta
As notícias que nos chegam de manhã
dizem que o Mundo amanheceu pior
Pior seria se não tivesse amanhecido
eu não veria
a flor pintada em teu vestido
Já não posso mais correr como eu corria
mas ainda passo caminhar no fim do dia
Perdoe minha falta de atitude
Eu não sabia
das vicissitudes da vida
eu não sou nada
Sem você por esta estrada
Minha fome
É uma arte
Que faz parte
da minha natureza humana
Minha fome
Me consome
Mas
Mesmo estando um trapo
Eu sempre retiro
O fiapo que tem na banana
Mas eu sei
Que tem gente que come
Há momentos
Em que a fome
é de conhecimento
Mas tem coisas
Que depois que a gente sabe
a gente pensa
Que era melhor não ter sabido
Tem hora
Que é fome de afeto
A palavra correta
Falada no ouvido
Fome de descanso
Fome de viver
Num mundo mais manso
Fome de abraço
Assim que passar
O cansaço
Tem dias
Quase todo dia
Que sinto fome de poesia
daquelas que consomem
Com toda tristeza
E me nutrem de beleza
Depois disso tudo
Me sento à mesa
repleto de fome
Não dá pra fugir
À minha mais primária natureza
de homem
Da fome
Que olhar sofrido.
Que lento caminhar...
Lixeiras vejo-o vasculhar.
Um pedaço de quê?
O que espera ele encontrar?
Busca nas cinzas, nos restos um lampejo de vida.
Fecho os olhos pra não ver.
Meu coração se nega a crer...
No fundo do poço?
Quanto fez ele de esforço?
Se deixou levar pelas águas de um rio?
Foi um vento forte... um vento frio?
O que o levou e lá no fundo o amarrou?
Seus lábios amordaçou...
Por que não aproveitou e sua fome matou?
E o que mais assusta é que a humanidade segue... segue como se a fome do outro não importasse.
Vasculhar o lixo...
Isso não é coisa nem pra bicho.
A roda viva não para
De somar vítimas,
Ela vai condenando
De fome e os doentes,
Se alguém gritar
Ela segue girando,
Porque a preferência
Evidente é sempre
Capturar os inocentes.
Não há mais como
esconder o caráter
dos incoerentes.
Não há mais como
apagar a injustiça
dos impertinentes.
Não há mais
como retroceder,
Depois de tudo
o quê fizeram,
Só nos obrigam
seguir em frente.
