Contos de Fábulas
►Mariana
Mariana era uma garota tímida
Uma garota deprimida
Na escola, vivia escondida
Apesar de ser filha de uma professora
Apesar de ser sobrinha da diretora
Mas, pelas colegas era atormentada
Mas, pelos colegas era provocada
Afinal não eras "enturmada"
Ela também era um pouco atrapalhada
Muitas provas ela reprovava
Muitas vezes ela faltava
No canto do quarto ela chorava
E sua mãe, desinformada, se preocupava
O motivo das faltas ela questionava
Mas, Mariana nada declarava
O seu pai muitas vezes a consolava
E, todas as vezes, suas lágrimas enxugava
E do canto do quarto, teu pai a tirava
Ele, ela admirava.
Então aquele dia chegou
E, na escola ela não se ausentou
Na chamada, o dedo ela levantou
"Estou presente", ela falou
Muitos jovens, dela, debochou
Mas algo nela havia mudado
O que será que o pai dela disse no canto do quarto?
"Eu ainda serei criticado
Não importa o que faço
Por um futuro melhor sou motivado".
Essa foi a frase escrita em seu caderno
Começará a sentir algo interno
Fora isso que o pai dela disse?
Ele desejava que ela se visse?
Mariana continuou se esforçando
Continuou estudando
As ofensas, já não a incomodava
Aquelas críticas, já não "ligava"
Nos dias antes das provas, estudava
Seus pais sentiram orgulho por ela
Sabiam da força de vontade dela
Ela começou a conversar com outras pessoas
Aquelas que eram, com ela, boas
Já não era mais ofendida
Naquele grupo, com brincadeiras era entretida
Mariana, com um rapaz se tornou comprometida.
O tempo passou e ela mudou
Na faculdade ela se formou
Seu relacionamento aprofundou
E na primavera ela se casou
O nome do seu pai, ao filho, colocou
E ela morava perto de quem a amou
Seus pais ela nunca abandonou
Sua mãe se aposentou
Para teu pai, um carro comprou
E um texto lindo para ele, ela dedicou
E a história agora terminou
Os sofrimentos que passou na escola
Mariana superou
"Parabéns, jovem", diz o autor
AteopPensador!
A Nogueira e o Carvalho
Vou lhes contar uma história...
Triste,ou alegre,quem vai saber...
Uma certa gata,se escondia nos galhos de uma nogueira,sua árvore desde sempre.Ela tinha medo de sair,pois seus passeios nunca acabavam bem.Se limitou aos arredores de sua árvore, onde se sentia segura,pois fora educada a viver dentro do circulo,por conta seus instintos.Uma fera educada para ser,nem mesmo a sombra do que nascera pra ser.
Viu todas suas amigas evoluírem,tornarem-se lindas e exuberantes nas mais variadas espécies, umas com asas e outras vantagens, e ela porém presa ao chão,ao seu galho,furtiva nas folhagens...
Um dia,cansada de apenas circular,quis dar uma volta,e foi até as margens do Rio,beber e comer,quando viu algo tão inesperado,pois que a figura si afugentava qualquer um quea visse,então não entendeu porque ele não fugiu,e já desconsertada parou seus passos diante dos olhos paralisantes dele que disse:
-Oi,tudo bem?
Sua resposta foi toda atrapalhada,mas manteve sua pose,afinal todos fogem:
-Sim,obrigada.
Ele sorriu,e continuou o seu caminho,ela o dela,mas não antes de se olharem atentamente.
A expressão curiosa e misteriosa daqueles olhos não saíram mais da mente.Virava e mexia,eles a encaravam, como se olhassem além,como se vissem além dos olhos lindos profundos e tristes dela que se sentiu despida,invadida,profanada,mas muito atraída.
Ela comeu e bebeu,mas o tempo todo uma sensação de estar sendo observada.Quando terminou voltou para o seu galho.
Lá de cima,em meio as folhas,percebeu que ainda não tinha reparado a vista maravilhosa que tinha.Todas aquelas copas de árvores, umas altas,outras baixas,a passarada fazendo festa,seus olhos se abriram de uma maneira tão ampla que nada cabia no seu campo de visão.Então olhou lá, próximo a margem sob a sombra do carvalho, estava ele que também olhava para ela,coisa que ele fazia já havia algum tempo.
Os dias se seguiram,e ela mal podia esperar que eles se esbarrassem outra vez.Ela voltou no Rio,e não o viu.
Foi então,que passava por ali um rebanho,não muito numeroso,mas que iria aumentar no encontro do Rio com as águas da Cachoeira,lá estava ele,passando no meio do gado,faceiro e presunçoso,olhou para ela que também passava, sorriu como quem a desafiasse a continuar olhando,e ela cedeu aos seus instintos, não recuou,aceitando o desafio.
Aquela troca de sorrisos e olhares,durou o suficiente, até o encontro das águas, depois dali cada um tomou seu rumo.
Dias depois ele estava à beira do Rio,debaixo do seu carvalho, quando ela chegou,silenciosa,mas ele já sabia da presença dela,e tentou deixá-la mais à vontade.
-Segundo nossas naturezas, um de nós não sairá vivo desse encontro.
-Faz tempo que não me alimento.-retrucou ela com destemor.
-Eu também,entretando tenho sangue frio,posso ficar meses sem me alimentar...
-Isso não faz de você mais forte.
-Nem fraco.Te observo já faz tempo.Nunca vi uma fera tão pacata,você se segura muito, por quê? Você é linda,e se esconde?Tem um poder que poucos tem e muitos desejam.Sua natureza é livre,e não aproveita,fica deitada lá em cima,o mundo não é só o seu quintal.
Ela se assustou com o que ele dizia:
-Não sou nenhuma fera!
-Não negue quem você é!
E caminhando até a beira d'água,ele mostrou para ela um reflexo na água:
-O que vê?
-Uma onça.
-Eu vejo uma fera,presa por correntes e jaula invisíveis.Uma fera linda,cheia de um potencial desconhecido por ela mesma.-ela olhou demoradamente para o que via,de uma forma jamais vista por ela própria, encontrou a criatura a quem ele se referia,ele virou o rosto dela para ele e olhou profundamente nos olhos dela,alisou seu rosto delicadamente e continuou -tens uma beleza rara,uma pureza que nunca vi,do que você tem medo?
-Há muito não via esta fera,e é melhor que continue assim.Dessa forma não haverá estragos desnecessários, vidas serão poupadas,e todos ficarão bem.
-Menos você!-disse ele com pertinência.
-É um preço.
-Que você não precisa pagar sozinha.Liberte-se!
Olhando triste para a imagem na água, ela disse:
-Não posso,é arriscado demais,muito perigoso..
Se virou rapidamente,e num salto sumiu.
( continua)
Transtorno de domingo
Aos olhos de todos - as vísceras - completamente expostas. Expostas feito quadros, feito instalações contemporâneas nas ruas da periferia. Sacadas ao meio dia na frente de todos, na porta da padaria. E o corpo, sem identidade ou cor revirado às avessas, a revelia de sua vontade. Caído de ponta a cabeça na sarjeta, após tamanha tormenta.
De repente, um grande alvoroço! As sirenes do carro de resgate interrompem o silêncio local - chegam primeiro que a polícia - essa chega instantes depois com todo seu aparato.Mas já é tarde demais!
Todos observam calados, incrédulos com o ocorrido. Ninguém fala nada, ninguém vai embora. E como se ainda esperassem acontecer algo permanecem no local, velando o corpo. O sangue encarnado que escorre do corpo já roxo, segue pela guia da calçada em linha reta, na direção do esgoto.
Já se passam das sete da noite e o corpo permanece ali, no mesmo lugar! Só que agora coberto com uma manta de papelão improvisada, feita de caixas de óleo de soja, doadas pelo dono da padaria. Ninguém parece ter pressa de tirá-lo daquele lugar. Só o dono da padaria se preocupa com o corpo, pois já é hora de baixar as portas, de fechar o comércio e acabar com todo aquele grande transtorno de domingo.
Porque nos contam contos de fadas quando crianças?
Crescemos com uma expectativa muito errada sobre a vida.
Crescemos e vemos que a vida não é nada daquilo que nos contavam quando éramos crianças.
A vida é dura, é triste, é difícil.
Temos que lutar muito para chegar perto de um possível "final feliz".
Lição de um cão putrefato
Certo dia a caminhar e pensar minha'mada,
Conjecturando se o amor me abatera pela beleza.
Não foi por serdes bela, esta foi minha certeza,
Após estudar um cão putrefato na estrada.
Parei à estudar aquela coisa torta.
Outrora criatura, agora poço de verme.
Transmutaram em piscina a antiga epiderme.
A vida surgindo da vida já morta.
É estado da mente a beleza encantada.
Muito aprendi em pouca caminhada.
Aprendi a lição e nisto sou grato.
Não sei se por justiça natural ou ironia,
Mas sei que tua beleza, querida, algum dia
Será semelhante à do cão putrefato.
Os cabelos ruivos contrastam com a personalidade forte e constantemente entra em conflito com a menina que poucos conheceram. A sua felicidade contagia qualquer um que passe pela sua vida, e eu nunca vou esquecer a primeira vez em que nos vimos, eu assistia alguns amigos tocarem em um barzinho, e ela dançava freneticamente enquanto tomava uma cerveja.
E quando eu percebi já conversávamos todos os dias, e ela já sabia um monte de coisas sobre mim, e vice versa. O tempo voava quando estávamos juntos, e a cada despedida eu tinha mais vontade de pegar ela pela mão e sumir.
Mas chegou em um ponto que não tinha mais como fingir, estava ficando sério, e nenhum dos dois estava preparado para isso, é irônico como o universo conspira nas piores horas. E o que nem chegou a começar, terminou. No começo foi difícil, acordava constantemente sentindo sua falta, olhava as fotos, e pensava se ela estava bem, se precisava de um abraço, criava na minha cabeça motivos para falar com ela uma última vez. Nesse ponto ela sempre foi mais forte que eu. A ficha caiu quando soube que ela tinha voltado para um relacionamento antigo, agora estava decidido, e o que me restou foi guardar as lembranças de uma das melhores temporadas de verão que passei nesta cidade. O tempo passou, e a vida seguiu, e muitas vezes me peguei lembrando das suas caras e bocas, ria sozinho da minha falta de sorte. "Ela deve estar feliz", dizia para mim mesmo.
Até que um dia recebo uma mensagem dela, e na semana seguinte não teve um dia em que não trocamos mensagens, e ela continuava linda e alegre como no dia em que a conheci. Rimos quando comentamos o quanto nos demos bem, e resolvemos marcar um reencontro. Senti um frio na barriga, afinal fazia muito tempo desde o ultimo encontro. Qual seria a minha reação ao ver aquele rosto que por um tempo me trouxe alegria e inspiração. Me policiava constantemente para não dizer nada que a assustasse, pois a verdade é que eu nunca a tinha esquecido, apenas tinha guardado as sensações que eu imaginava que nunca mais teria, a ternura de um sorriso, o cheiro de sua pele, o primeiro beijo.
Ao ver ela, parecia que alguém tinha apertado o botão "pause", e todas essas sensações, guardadas em uma caixinha lacrada, apareceram quando a vi parada na minha frente, e nada mais importava além de ver ela sorrir e reluzir. A verdade é que existem pessoas que estão ligadas antes mesmo antes de se conhecerem, e era visível como tínhamos uma boa relação.
(...)
Doce Novembro
"Não importa a ocasião, ou a estação do ano... Também não importa quantos anos você tem, qual é seu o manequim ou sua estatura... Tudo isso é relevante... Um dia simplesmente acontecerá e pronto! Será de repente. Te virará pelo avesso. Nada mais será como antes. O mundo, as pessoas, você estará diferente. E não há nada que possa fazer para impedir que o amor floresça sua vida e torne seu mundo uma aquarela. Será inútil fugir! Mas se puder escolher, torça para que aconteça na primavera, em novembro... Renata não escolheu, tudo aconteceu em novembro... Um recomeço. Uma nova chance de amar e ser amada... Uma linda história de paixão e amor... Ah, a paixão sempre vem antes(rs)"
Sinopse do Conto Doce Novembro
Cecília não sabe amar
Cecília não era uma mulher de beleza padronizada ao que se diz perfeito, não tinha as melhores roupas, não sabia caminhar e beber água ao mesmo tempo, ao ficar nervosa sua cor nitidamente virava pimentão e suas palavras não saiam como queria. Não conhece o mundo nem sabe viver nele, tem medo do que não é como imaginara ao mesmo que tem fome de extraordinárias descobertas.
Vinte e três anos, muitas histórias tristes para contar com um grande sorriso no rosto preenchido de formas e linhas que a representam mais que qualquer coisa, cabelinhos negros que ela insiste em mudar, noites em claro, pois na sua vida a noite é o começo e não o fim.
As novelas que via na infância a fizeram ver o amor como algo bom que com sorte um dia teria o prazer de viver, porém, a vida não foi tão generosa e para ela a coisa toda para todo mundo se torna injusta quando o assunto é amar e ser amado. Persiste procurando, seja uma brecha, uma esperança que as pessoas podem ser boas o suficiente para desfrutar do privilégio que é o AMOR, mas em seu caminho só encontrou espinhos e seres espinhosos em que a incessante luta pelo Ego é mais importante do que dar e receber uma dádiva tão simples e que na verdade é o que tem de mais sublime na vida de qualquer miserável.
Segue andando sobe seus caquinhos sem apanhá-los, pois, o que se foi renova-se. Mas o que faz falta é doloroso demais para ser remexido e melhorado. De todas as esperanças perdidas, só o amor ainda insisti em brotar em seu peito, o que a faz acreditar que é só isso de fato importa na vida, que o amor não é uma escolha e sim um dever, uma lei a ser cumprida aqui na terra e além dela e que no fim só o amor explica tudo e dar sentido ao que não tem sentido.
- Andrêssa Agnel .
Théo, O Peixinho Azul
Théo é um peixinho azul, que vive no mar.
Ele está sempre sozinho, pois acha que no fundo do mar não pode ter amiguinhos. Sempre a cantar, ele brinca entre os corais, na beleza das estrelas do mar, cavalos marinhos, polvos e todas as curiosidades que existem na imensidão dos mares. Tudo é tão lindo e colorido!
Navegando entre as profundezas ele vê vários peixinhos laranja de longe a brincar, de repente Lucas um peixinho palhaço o vê, Théo assustado esconde atrás de uma pedra, e uma de suas nadadeiras agarra entre os corais, Lucas aproxima e vendo o desespero do peixinho azul, chama os seus amiguinhos laranjas;
- Ei pessoal venham me ajudar!
Os peixinhos palhaços que brincavam distraídos ouviram o chamado de Lucas e logo vieram ajudar. Num trabalho coletivo conseguiram soltar as nadadeiras de Théo o Peixinho Azul.
Théo ficou imensamente feliz e agradecido!
- Olá, eu sou o Lucas! Disse o Peixinho laranja, qual o seu nome?
Théo, timidamente apresenta- se aos novos amiguinhos e agradece a todos pelo resgate.
Lucas animado pergunta a Théo:
- Vamos brincar?
Théo sentia-se tão feliz com o convite que saiu com os novos amiguinhos a cantarolar.
- Sorria mesmo que os problemas acabem com seu dia. Sorria mesmo que o seu coração esteja quebrado. Se você apenas sorrir, todos os seus problemas podem desaparecer.
- Mas não é possível sorrir.
- Mostre seu sorriso para mim
- Meu sorriso se esconde…
- Seu sorriso é o mais belo.
- Meu sorriso pode ser belo, mas o que me corrói por dentro faz com que tudo que há em mim, se torne feio.
- Nada em você é feio, olhe-se no espelho.
- Se eu me olhar no espelho, vou querer morrer.
- Morte é uma palavra forte…
- Morte é do que eu preciso.
- Você precisa de amor.
- Amor é para quem não tem o que fazer.
- Amor é para quem sabe viver.
- Você precisa de amigos de verdade.
- Nesse ponto eu concordo com você, eu preciso de amigos de verdade.
- Você precisa de quem te faça sorrir, de quem te faça mostrar esse teu sorriso lindo.
- Eu preciso ficar só.
- Tem certeza que é disso que você precisa?
- Tenho absoluta certeza que não preciso de você.
- Se eu não fosse eu, você iria precisar?
- Não, você poderia ser quem fosse que eu não precisaria.
- Você precisa de um abraço
- Me largue!
- Acalmasse, feche seus olhos…
- Eu não preciso de você.
- Você precisa de mim mais do que pensa.
- Eu quero você… Longe de mim.
- Você quer meus braços te envolvendo levemente
- Eu quero você…
- Eu sei, eu quero você mais do que você pensa.
- Você não quer…
- Eu quero você.
- Pra que você iria me querer?
- Para te ensinar a amar.
- Eu preciso aprender a amar?
- Todos precisam
- Então me abraça e me ensina a amar.
- Quer mesmo que eu ensine você a amar?
- Quero.
- Feche seus olhos.
- Estão fechados.
- Agora, só os abra quando você sentir o amor entrar em você.
- Mas como eu vou…
Ela aprendeu a amar, com um único beijo e finalmente conseguiu abrir seus olhos e sorrir."
Para uma história realmente chamar a atenção do leitor, é necessário entreter e desperta sua curiosidade. O enredo deve possuir uma estrutura muito linear e cativante: exposição da situação inicial, apresentação do protagonista, construção da tensão, mais apelo na construção da tensão, um personagem contrapondo uma tensão absurdamente crescente, um antagonista que não seja uma alternativa barata à resolução da trama e o arremate.
Os personagens de contos de fadas não são ambivalentes; eles são ambos bons ou maus, como todos nós não somos na realidade. Cada personagem é completamente bom ou ruim. O homem quer um mundo onde o bem e o mal está claramente discernível como é seu desejo, inato e indomável.
Escolher animais como protagonistas atende uma gama de aspectos e invalida outros. Julgamentos antes da compreensão podem ser obtido com a utilização de animais. Lobos são maus, ovelhas obedecem, formigas são trabalhadoras e burros são petistas. Humanos são mais animais; o que força algo que chamamos – e quando digo, “chamamos”, acabo de chamar – de paradoxo-da-decisão-do-que-fazer.
Meu Ernesto Azul...
Voltava eu daquelas paragens de Pirapora, dirigindo meu possante Gordini Delfini, carinhosamente tratado por Ernesto, já de cor não muito definida, trazia uns leves amassados em ambas as portas, umas ferrugens no piso, faltava-lhe o retrovisor esquerdo e o para-choque traseiro... nada demais!
Mas aquele Gordini era meu xodó, até carreto o “bravo Ernesto” fazia: meio metro de brita ou de areia pra ele não era nada. Só não se dava bem com subidas, em compensação, nas descidas, ninguém e nem nada o segurava. Um detalhe que não podia de esquecer, no momento de passar a marcha, tinha de ir da primeira pra terceira... em algum momento ou lugar, ele perdeu a segunda marcha, porém, uma certeza eu tinha: um dia, mesmo que não parecesse, sua já havia sido cor foi azul, mas, não um azul qualquer, um de respeito, admirável e solenemente azul. Bem, mas isso se deu em tempos que eu ainda não havia vindo ao mundo.
Dona Orsina, mãe de “Zé Goiaba”, me encomendou um carreto: levar 14 frangos até o sítio de João da Grelha. Em troca de “dois dedos” de pinga, Juvenal aceitou a incumbência de me ajudar nessa empreitada, mas, não deu muito certo, numa curva de chão batido, entre a porteira da Fazenda Craviola e a ponte do Manguezal, meu amigo Ernesto foi, literalmente, atropelado por um boi. Mas, não um boi qualquer! Foi um desses de grande porte, de passos firmes, grandes orelhas caídas, negro focinho, peitoral extenso, parecia ter sido “construído” de concreto e músculos, coberto por uma pele negra, com algumas manchas brancas e outras, em leves tons marrons, reluzentes. Estava selado o destino de Ernesto: faleceu ali, naquela curva e o boi, seguiu em frente... sequer olhou pra trás. Seguiu seu caminho, me deixando apenas com o que sobrou de meu companheiro, dores pelo corpo e vendo os frangos entrando no manguezal.
Pensei até em fazer o velório e o enterro de Ernesto, mas o Padre Policarpo me aconselhou a não fazer, segundo palavras dele, “seria uma sandice”, na hora, entendi sanduiche, e rebati: “Não sô padre, vô fazê é o enterramento do Ernesto, num é um lanche não”, e o Padre nem respondeu, virou as costas e saiu resmungando: “é cada uma que parecem duas...”.
Voltando àquela curva, onde jazia Ernesto, me deparei com Bento Carroceiro e, entre uma prosa e outra, contei a ele de meu luto e que não ia conseguir enterrar Ernesto. Foi quando Bento me disse: “mas ocê é bobo demais, sô! Hoje, ninguém enterra mais ninguém não, só toca fogo e pronto. Depois, pega as cinzas e joga no rio. Isso é que é coisa chique”.
Pensei, matutei e decidi seguir o conselho de Bento. Toquei fogo em Ernesto ali mesmo e fiquei olhando ele queimar. Chorei muito, doeu fazer aquilo, mas o que mais me intrigou foi o caminhão de feno de Tião Matadô passar ali exatamente na hora que Ernesto queimava. Senti cheiro de mato queimando e, logo que olhei pro fim da curva, vi que o feno que o caminhão de Tião Matadô levava, queimava e a chama já subia pra mais de 10 metros...
O tempo e o espeço nunca estão separados, pois não podem viver sem a companhia do outro. Mas você sabe o porquê? É sobre isso que esta estoria vai contar.
Era uma vez dois grandes irmãos um era chamado de Tempo, o outro era o Espaço. O Espaço era um garoto alegre, sempre radiante e cheio de energia. Já o tempo, bem, era sempre mal humorado nunca era uma boa hora para ele.
Um dia, um humano conseguiu se aproximar dos irmãos e conversou com o Tempo.
"Tempo, por que é sempre mal humorado?"
"Não sou mal humorado, sou apenas uma pessoa entediada."
"entediada por quê? Você é incrível, sabe tudo que já ocorreu e tudo que ocorrerá. Como pode se entediar dessa forma?"
"O Espaço diz a mesma coisa, mas e daí que sei de tudo? Conheço o passado, mas não posso muda-lo, vejo o futuro, mas não posso evita-lo. O tempo é algo magnifico, mas o único que podemos viver é o presente. Eu sou o único ser de todos os seres que não foi abençoado com o tempo, não vejo passado, presente, ou futuro, eu não sei o que eu vejo! Nem sei se essa conversa já aconteceu, vai acontecer, ou está acontecendo! Eu só queria ter tempo."
Suas lágrimas ecoaram pelo seu irmão, Espaço. Ele mandou o humano embora e consolou seu irmão.
"Por que nunca me disse isso antes?
"pra que!? Eu sou amaldiçoado, nunca vou poder... ", Tempo não conseguia terminar suas frases, de tantas lágrimas que soltava.
"Então vamos nos unir."
"mas..."
"Assim você conseguirá sorrir"
"Mas assim você perderá sua liberdade, não poderá sair na hora que quiser, ficará preso."
"Qual é o problema? Não é justo que apenas eu sorria."
Em sã consciência e diante de Deus, que me vê, eu vos declaro que desprezo a liberdade, a vida, a saúde, e tudo aquilo que nos seus livros é chamado de bens da vida.
Durante quinze anos, estudei atentamente a vida terrena...
Os vossos livros deram-me sabedoria. Tudo é mesquinho, perecível, espectral e ilusório, como a miragem.
Podeis ser orgulhosos, sábios e belos, mas a morte vos apagará da face da terra...
Vós enlouquecestes e tomastes o caminho errado. Tomais a mentira pela verdade, e a deformidade pela beleza... vós trocastes o céu pela terra...
E desprezo os vossos livros, desprezo todos os bens e a sabedoria deste mundo.
Para vos demonstrar o meu desprezo por tudo aquilo que constitui a razão de vossa vida, recuso os dois milhões com os quais sonhei em tempos como se fossem o paraíso, mas que agora desdenho.
O Homem e o Abismo
Um homem tinha sua casa à beira de um abismo. E, por temer o abismo, um dia pensou em se atirar nele. O homem saiu de sua casa e caminhou serenamente até a beira do abismo, e olhou para dentro do abismo, pretendendo se atirar no abismo, o que ele julgava ser a solução para os seus problemas. E os seus problemas eram, em sua totalidade, o medo do abismo. Após um longo tempo à beira do abismo, olhando para dentro do abismo, pretendendo se atirar no abismo, o homem decidiu não se atirar no abismo, e voltou para sua casa.
A casa, bem construída em terreno firme, tinha uma horta e um cercado para as galinhas, tinha água para a plantação e pasto para o gado; o tipo de lugar onde nada de ruim tinha como acontecer. Mas tinha o abismo. E tinha o medo do abismo. E, desde então, inúmeras vezes, o homem caminhou até a beira do abismo, e olhou para dentro do abismo, pretendendo se atirar no abismo. Todas as vezes, porém, o homem decidiu não se atirar no abismo, e voltou para sua casa. Todas as vezes, ele decidiu, sabiamente, viver. Todas as vezes, menos uma. Uma única vez, o homem se atirou no abismo.
O voo de liberdade
Estava eu, dentro do meu carro em transito infernal, infernal não pelo transito em si, mas por me sentir enjaulado, preso e impotente de não ter a minha liberdade; tinha um caminhão a frente esses caminhões de cargas vivas e nesse, justamente nesse caminhão, estava cheio de galinhas e de repente uma, não sei bem ao certo mas aquela galinha me fez viver a eternidade por um segundo, pensavade uma maneira libertadoraentendendo que a coragem de ser diferente, pode ser que faça de uma vida que foi vivida valer a pena ela sobe na perde de cima do caminha lutando contra todas as outras que a limitava e se jogou, jogou para o mundo o seu vôo foi o seu ápice, ela viver lutou e ganhou eu vendo aquilo em câmera lenta me fez sentir-me menos insignificante que aquela galinha que em um voo alcançou o seu ápice da sua pequena e curta existência, sabendo que por estar viva é o suficiente para morrer, sua morte que estava próxima por estar em um caminhar de aves para abate ela lutou e venceu, ô belo voo, o voo da liberdade o voo da coragem o voo que me faz diferente de cada uma daquelas galinhas que ali estava, ela não somente voou mas como ela aplainou ao tocar o solo missão comprida. O transito não deixa ninguém viver; um senhor sai correndo de seu carro e captura a galinha e a leva, o fim é inevitável mas o meio pode ser superado.
A FACE DO MEDO
Noite fria, eu andava
próximo do cemitério,
ouvi sussurros ao longe,
vinham de lá? Mistério!
Cores da escuridão,
um arco-íris sombrio,
o revoar dos morcegos,
ouço passos, calafrio!
Sons invadem meus ouvidos,
há barulho de corrente,
coração acelerado,
o mal bem na minha frente!
Com rosto desfigurado,
e muito sangue nos dedos,
criatura demoníaca,
terrível face do medo!
Segurando motosserra,
a entidade funesta,
estava ao meu encalço,
fugi, entrei na floresta.
Escapei, pulei no lago,
o monstro tocou meu pé,
consegui desvencilhar,
subi morro, ao chalé.
Por trás da casa, a rua,
vi carros e seus faróis,
desci lá, dependurado,
num corda de lençóis.
De carona me salvei,
já não há o que temer,
hoje em dia eu só quero
esse dia esquecer.
PRIMAVERA DE SONHOS
O perfume de jasmim exala pelo quarto, uma leve lufada passeia pelo seu corpo,a lua cheia brilha encantando os apaixonados.
Evelyn não sabe como acontecera,mas a angustia ainda toma conta de si,em seus olhos as marcas das lágrimas,a maquiagem a qual usara para ele,agora são marcas de dor em sua face.
Não conseguira dormir,apenas ficara noite toda olhando a foto que tiraram juntos,lembrando cada segundo,cada sorriso,lembrando as belas poesias recitadas naquela tarde de primavera,dizia que o amor era eterno,que nunca iriam se separar...mas o destino interrompera suas promessas,seu planos.
Ele se foi,subiu aos céus,como um anjo de asas perfumadas,levando consigo a poesia de um sorriso que tivera antes ...hoje completam-se dois anos após sua morte,dois anos em que as primaveras murcharam,as rosas não perfumam como antes,os pássaros não cantam de alegria,a cachoeira esta vazia e o seu sorriso,hoje mais parece um soluço.
ELe se foi e no seu lugar, ficara apenas as lembranças d'uma "PRIMAVERA DE SONHOS''
Poema
Certa vez eu estava sobre o topo de uma montanha. Dali podia ver tudo ao meu redor. Fiquei ali admirante e entristecida, vendo sua beleza e destruição! Suas riquezas e pobrezas! Suas alegrias e tristezas! Homens cantando, homens chorando! Crianças nascendo, crianças morrendo! Velhos amparados e velhos abandonados! Enfim, tudo o que há em nossa terra amada. Um homem ali ao meu lado que também observava tudo perguntou-me:
— O que vê?
— Um mundo tão desigual que beleza não tem igual. Seus verdes e montanhas, seus coloridos me fazem delirar, mas, a desigualdade me faz chorar.
— O que pensa sobre isso? — perguntou-me novamente o homem.
— Não sei! Daqui de cima nada posso fazer pelas crianças que choram e pelos homens que não tem o que colher!
— Então, fique com isso e jogue até eles! — pediu o homem, me entregando uma âmbula cheia de grãos, e antes que eu fizesse uma pergunta ele desapareceu. Então, olhei ao redor, e dali do alto eu fui jogando os grãos, e as pessoas, cada qual foi pegando um. De repente percebi que os grãos havia se acabado e chorei, porque muitas pessoas não tinham pegado e nem para mim havia sobrado um. De repente me transformei em um pé de milho, e, algumas pessoas que sobraram se tornaram animais e começaram subir a montanha para me devorar, mas não conseguiram chegar até mim, porque, fracos, morreram pelo caminho. E a esperança novamente em mim nasceu, porque pude florir, e, espigas de milhos brotaram em meu caule, e, aos poucos fui me espalhando e descendo pela montanha, onde até hoje, sou alimento e esperança de muitos.
Assinado: Um grão de milho.
O gato
Um casal vivia em plena alegria, paz e harmonia. Eram recém casados, e faziam planos em construir uma família bem grande. Adotaram um gatinho que o homem encontrou abandonado. O bichano, compadecido pelo aconchego amor e carinho, passou a seguir os passos do acolhedor. Onde estava o homem, lá estava o gatinho, trançando em meio as suas pernas, todos os momentos. Chegado um dia, o homem teve que fazer uma viagem, despediu-se de sua amada esposa e adorado gatinho. Quando retornou, a esposa o recebeu com o mesmo amor... E o gato? O gato desapareceu horas depois que você seguiu viagem. — explicou a mulher. Horas mais tarde, o gato se colocou aos pés do seu dono, estava magro, desnutrido e faminto. A mulher também recebeu o animal com alegria, e fez questão dela mesma cuidar do animal que, em pouco tempo estava novamente recuperado. O homem então saiu em outra viagem, deixando a esposa e o gato. Quando retornou, tempo depois, encontrou a mesma situação. O gato outra vez havia desaparecido, e assim que ressurgiu, a mulher se colocou outra vez a cuidar do animalzinho. O homem, indignado, pela segunda vez, em ver os maus tratos que o bichinho viveu, começou uma longa discussão. Mulher ingrata, mentirosa, falsa, e tudo mais ela ouviu, mesmo procurando se defender pelo desaparecimento do bichinho. O lar não era mais o mesmo. Mal conversavam, mal se entendiam, e o gato era a razão de sempre começar um novo desentendimento. A paz já não mais reinava e o amor estava em segundo plano. Uma nova viagem surgiu. O homem antes de seguir o seu destino, colocou o gato nos braços da esposa.
— Quero que cuide do animal como se fosse nosso filho! — disse ele. — Não maltrate, não deixe passar sede e fome. Quando eu retornar, se encontrá-lo magro, desnutrido como já aconteceu por duas vezes, será o fim do nosso casamento. — e saiu sem mesmo dizer até logo. Quando retornou, não encontrou a esposa esperando por ele. Procurou com visinhos, parentes, e ninguém lhe deu notícias. Amargurado, desapontado com a mulher que tanto amava, chorou desiludido. E o gato? Lembrou-se ele do animal e o avistou vindo pela estrada, caminhando vagarosamente, se colocando aos seus pés, e vindo no mesmo caminho, a esposa seguindo o rastro do animal. Ele correu ao encontro dela, o abraçou com alegria:
— Mulher o que aconteceu? Onde estava? Porque saiu assim?
A esposa, desnutrida, faminta apenas respondeu:
— Da próxima vez que sair de viagem, leve o gatinho com você, assim vai poupar o bichinho de andar tanto, seguindo os seus rastros.
Moral da história — Para manter a paz, o amor e a felicidade tão desejada, muitas vezes o sacrifício vale a pena.
