Fábulas são narrativas ficcionais curtas que carregam grandes lições, muitas vezes protagonizadas por animais que assumem comportamentos semelhantes aos humanos. Elas têm o objetivo de educar os ouvintes acerca de diversos temas.

Esopo (620 a.C. – 564 a.C.), escritor da Grécia Antiga, foi o responsável pela criação e divulgação do gênero literário. Confira, abaixo, as suas 15 fábulas mais famosas e compreenda a moral de cada uma das histórias:

1. A Cigarra e a Formiga

A Cigarra e a Formiga.

A cigarra passou o verão cantando, enquanto a formiga juntava seus grãos. Quando chegou o inverno, a cigarra veio à casa da formiga para pedir que lhe desse o que comer.

A formiga então perguntou a ela:
— E o que é que você fez durante todo o verão?
— Durante o verão eu cantei — disse a cigarra.
E a formiga respondeu:— Muito bem, pois agora dance!

MORAL: Temos que nos esforçar agora, para podermos colher os frutos do nosso trabalho mais tarde. Se não o fizermos, ficaremos dependentes da ajuda das outras pessoas.

2. A Raposa e o Corvo

A Raposa e o Corvo

Um Corvo roubou um queijo e com ele fugiu para o alto de uma árvore. Uma Raposa, ao vê-lo, desejou tomar posse do queijo para comer. Colocou-se ao pé da árvore e começou a louvar a beleza e a graça do Corvo, dizendo:
- Com certeza és formoso, gentil e nenhum pássaro poderá ser comparado a ti desde que tu cantes.

O Corvo, querendo mostrar-se, abriu o bico para tentar cantar, fazendo o queijo cair. A Raposa abocanhou o petisco e saiu correndo, ficando o Corvo, além de faminto, ciente de sua ignorância.

MORAL: A vaidade cega e nem todo mundo que nos elogia tem boas intenções. Devemos tomar cuidado com as pessoas bajuladoras e interesseiras.

3. A Lebre e a Tartaruga

A Lebre e a Tartaruga

Uma tartaruga e uma lebre discutiam sobre qual era a mais rápida. E, então, marcaram um dia e um lugar e se separaram. Ora, a lebre, confiando em sua rapidez natural, não se apressou em correr, deitou-se no caminho e dormiu. Mas a tartaruga, consciente de sua lentidão, não parou de correr e, assim, ultrapassou a lebre que dormia e chegou ao fim, obtendo a vitória.

MORAL: Persistência e esforço aumentam as nossas capacidades e a probabilidade de vencermos. Pelo contrário, com negligência e excesso de confiança, muitas vezes nos damos mal.

4. A Raposa e as uvas

A Raposa e as uvas

Uma Raposa, aproximando-se de uma parreira, viu que ela estava carregada de uvas maduras e apetitosas. Com água na boca, desejou-as comer e, para tanto, começou a fazer esforços para subir até elas. Porém, como estivessem as uvas muito altas e fosse muito difícil a subida, a Raposa tentou mas não conseguiu alcançá-las. Disse então:
- Estas uvas estão muito azedas e podem desbotar os meus dentes; não quero colhê-las agora porque não gosto de uvas que não estão maduras.
E dito isso, se foi.

MORAL: Por vezes, quando não conseguimos ter uma coisa, tendemos a desvalorizá-la para não assumir a nossa falha.

5. O Cão e a sombra

O Cão e a sombra

Um Cão levava na boca um pedaço de carne quando, ao passar por um riacho, viu no fundo da água a sombra da carne que parecia maior. Soltou a que levava nos dentes para tentar pegar a que via na água. O riacho levou para sua correnteza a verdadeira carne e a sombra, ficando o Cão sem uma nem outra.

MORAL: A ganância pode ser a nossa perdição, se arriscarmos aquilo que é seguro por algo ilusório que parece melhor.

6. A Rã e o Touro

A Rã e o Touro

Andava um grande Touro passeando no longo da água, e vendo-o a Rã tão grande, tocada da inveja, começou de comer e inchar-se com vento, e perguntava ás outras se era já tão grande. Respondem elas que não. Torna a Rã segunda vez, e põe mais força por inchar; e desenganada do muito que lhe faltava para igualar o Touro, terceira vez inchou tão rijamente que veio a arrebentar com cobiça de ser grande.

MORAL: O fato de competirmos e nos compararmos com os outros, em vez de nos aceitarmos, sempre acaba nos prejudicando.

7. O Burro carregando o sal

Um burro atravessava um rio carregando sal. Como escorregasse e caísse na água, o sal derreteu e tornou-se mais leve. Feliz com isso, quando certa vez passava novamente perto do rio carregando esponjas, acreditou que, se caísse de novo, também aquela carga se tornaria mais leve. Então, escorregou de propósito. Mas aconteceu-lhe que, como as esponjas absorveram a água, ele não pôde mais levantar-se e ali morreu afogado.

MORAL: Aqueles que se acham espertos e inventam formas de tirar vantagem de uma situação, acabam virando vítimas dos próprios truques.

8. O Cão e a máscara

O Cão e a máscara

Procurando um osso que roer, encontrou um cão uma máscara: era formosíssima, e de cores tão belas quão animadas; o cão farejou-a, e reconhecendo o que era, desviou-se com desdém.

- A cabeça é de certo bonita - disse - mas não tem miolos.

MORAL: Assim como a máscara, muitas pessoas têm beleza, mas parecem vazias por dentro, não têm substância.

9. O Galo e a pérola

O Galo e a pérola

Um galo, que ciscava no terreiro para encontrar alimento, fossem migalhas, ou bichinhos para comer, acabou encontrando uma pérola preciosa. Após observar sua beleza por um instante, disse:

- Ó linda e preciosa pedra, que reluz seja com o sol, seja com a lua, ainda que esteja num lugar sujo, se te encontrasse um humano, fosse ele um construtor de jóias, uma dama que gostasse de enfeites, ou mesmo um mercenário, te recolherias com muita alegria, mas a mim de nada prestas pois que é mais importante uma migalha, um verme, ou um grão que sirvam para o sustento.

Dito isto, a deixou e seguiu esgravatando para buscar conveniente mantimento.

MORAL: O valor das coisas é subjetivo. Aquilo que para alguns é muito importante e valioso, para outros pode ser completamente inútil.

10. O Corvo e o jarro

Um Corvo, que estava sucumbindo de sede, viu lá do alto um Jarro, e na esperança de achar água dentro, voou até lá com muita alegria. Quando o alcançou, descobriu para sua tristeza, que o Jarro continha tão pouca água em seu interior, que era impossível retirá-la de dentro.
Ainda assim, ele tentou de tudo para alcançar a água que estava dentro do Jarro, mas como seu bico era curto demais, todo seu esforço foi em vão. Por último ele pegou tantas pedras quanto podia carregar, e uma a uma, colocou-as dentro da Jarra. Ao fazer isso, logo o nível da água ficou ao alcance do seu bico, e desse modo ele salvou sua vida.

MORAL: Quando estamos em situações de sufoco, precisamos usar a imaginação e encontrar um jeito de resolver o problema.

11. O Leão e o Rato

O Leão e o Rato

Estando o Leão dormindo, alguns Ratos brincavam em torno dele. Em dado momento, pularam em cima, acordando-o. O Leão pegou um deles com a intenção de matá-lo, mas como o Rato pedia insistentemente, acabou soltando-o. Passado pouco tempo, o Leão caiu em uma rede que os caçadores haviam armado, ficando preso apesar de suas forças. O Rato, sabendo do ocorrido, foi até a armadilha e com muito empenho começou a roer as cordas, até que, rompendo a armadilha, o Leão ficou livre, como recompensa pela misericórdia que tivera.

MORAL: Ninguém deve ser subestimado e todos os atos de gentileza são importantes.

12. A Galinha e os ovos de ouro

Um camponês e sua esposa possuíam uma galinha, que todo dia, sem falta, botava um ovo de ouro. No entanto, motivados pela ganância, e supondo que dentro dela deveria haver uma grande quantidade de ouro, eles então resolveram sacrificar o pobre animal, para, enfim, pegar tudo de uma só vez. Então, para surpresa dos dois, viram que a ave em nada era diferente das outras galinhas de sua espécie. Assim, o casal de tolos, desejando enriquecer de uma só vez, acabam por perder o ganho diário que já tinham, de boa sorte, assegurado.

MORAL: A insensatez e a ganância podem deitar tudo a perder.

13. O Vento Norte e o Sol

O Vento Norte e o Sol

O Vento Norte e o Sol estavam discutindo qual era o mais forte, quando um viajante chegou envolto em um manto quente. Eles concordaram que aquele que conseguisse fazer com que o viajante tirasse sua capa deveria ser considerado mais forte que o outro.

Então o Vento Norte soprou o mais forte que pôde, mas quanto mais ele soprou mais de perto, o viajante dobrou o manto ao redor dele; e finalmente o Vento Norte desistiu da tentativa. Então o sol brilhou calorosamente e imediatamente o viajante tirou a capa. E assim o Vento Norte foi obrigado a confessar que o Sol era o mais forte dos dois.

MORAL: A simpatia é um sinal de força. Não é com agressividade que conseguimos persuadir outra pessoa.

14. O Lobo e o Cordeiro

Em um pequeno córrego, bebia água um Lobo esfomeado, quando chegou, mais abaixo da corrente de água um Cordeiro, que começou também a beber. O Lobo olhou com os olhos sanguinários e arreganhando os dentes disse: - Como ousas turvar a água onde bebemos? O Cordeiro respondeu com humildade:

- Eu estou abaixo de onde bebes e não poderia sujar a tua água. O Lobo, mostrando-se mais raivoso tornou a falar: - Por isso, tens que praguejar? Há seis meses teu pai também me ofendeu! Respondeu o Cordeiro: - Creio que há um engano, porque eu nasci há apenas três meses, então não havia nascido e por isso não tenho culpa. O Lobo replicou: - Tens culpa pelo estrago que fizestes pastando em meu campo. Disse o Cordeiro: - Isso não parece possível, porque ainda não tenho dentes. O Lobo, sem mais razões, saltou sobre o Cordeiro, e o comeu.

MORAL: Quem está disposto a usar a força física e machucar o outro, não responde a nenhum tipo de lógica ou argumentação.

15. O Pastor mentiroso e o Lobo

Era uma vez um jovem pastor que costumava levar o seu rebanho de ovelhas para a serra a pastar. Como estava sozinho durante todo o dia, aborrecia-se muito. Então, pensou numa maneira de ter companhia e de se divertir um pouco. Voltou-se na direção da aldeia e gritou: "Lobo! Lobo!". Os camponeses correram em seu auxílio. Não gostaram da graça, mas alguns deles acabaram por ficar junto do pastor por algum tempo. O rapaz ficou tão contente que repetiu várias vezes a façanha.

Alguns dias depois, um lobo saiu da floresta e atacou o rebanho. O pastorzinho pediu ajuda, gritando ainda mais alto do que costumava fazer: "Lobo! Lobo!". Como os camponeses já tinham sido enganados várias vezes, pensaram que era mais uma brincadeira e não o foram ajudar. O lobo pôde encher a barriga à vontade porque ninguém o impediu. Quando regressou à aldeia, o rapaz queixou-se amargamente, mas o homem mais velho e sábio da aldeia respondeu-lhe: "Na boca do mentiroso, o certo é duvidoso".

MORAL: Se mentirmos muitas vezes, nos tornamos pessoas que não são dignas de confiança e os outros param de acreditar em nós, mesmo quando falamos a verdade.