Abismo
O fim deste abismo
pode ser o seu fim, porém também
o inicio do sofrimento dos
que tiveram do seu lado, e sempre
te amaram.
Quando estiver no ápice, lembre-se como foi estar no abismo, nunca deixe a lembrança do sofrimento pois ele te ajudará a andar com os pés firmes.
O maior orgulho que temos é, quando tropeçamos, caímos e ficamos a beira de um abismo, sem que nunca tenhamos levado ninguém conosco.
Num abismo ruiu o humanismo,
Perpetuou-se o sacrilégio,
Entre o maligno e a bondade,
Um eterno conflito cego.
Acrobacias Exímias à Beira do Abismo
Chame-me do que quiser, mas chame,
Chame-me como queira, me chame.
Não se pode equivaler teu charme,
Quantificar tua ardência em chamas, me aglutine.
Apodere-se de mim; nunca pertenci-me,
Entretanto, pertencer-te-ei,
Se a posse lhe parecer agradável.
Prazerosa emoção incompleta,
Se comigo não estiveres e não estando,
Imaginar-te-ei apenas, arte meramente.
Potência do aprisionamento, em cadência,
Pois liberdade nada reflete,
Se não for um contínuo e felizardo prisioneiro teu.
Escravidão é lá fora, ao ar veloz e liberto,
Sem os aromas que divides e multiplicas comigo.
Minhas inabilidades e fraquezas,
Tão corpulentas e orgulhosas,
Que as atiro aos teus hálux,
Pois, entre crânio e calcâneo,
Há todo um sistema osteomuscular e neural,
Que admiro.
"Há sempre um abismo onde as sociedades podem cair em salto livre, impulsionadas pela ganância. A insatisfação é o desejo descontrolado de querer mais, sem tempo para usufruir do que se acumulou. Assim, os sintomas são adversos: indiferença, injustiça e desigualdade. Esses três pilares sustentam uma queda social.
Uma sociedade mergulhada no jogo da corrupção e da imoralidade dispensa a ética e aceita qualquer vantagem. É um declínio do ser e a posse do ego, o narcisismo social.
Em uma ideia social onde a coletividade é o conceito essencial, a ganância dispensa tudo para se beneficiar das posses e riquezas, tantas quanto for possível surrupiar. Uma só regra rege uma sociedade explorada e dissolvida na ganância: o poder. Assim, o domínio e a exploração são o lucro, o objetivo principal. O resto se torna indispensável. Com o tempo, tudo é dispensável, até o ganancioso...
Psicossocial
Marcio H. Melo"
Texto corrigido pela meta ai
Entre o verbo da promessa e a carne da ação, reside o abismo onde muitas vezes naufraga a fé cristã. A fidelidade não se veste de intenções futuras, mas se revela na presente e constante conformidade com a sabedoria perene das Sagradas Letras.
Fechar os olhos é confiar
se entregar de peito aberto
alma leve
se jogar no abismo
coração pulsante
se envolver no abraço
corpo solto
passos incertos
aposta alta
jogo arriscado
fruta agridoce
Fechar os olhos é eternizar
o momento do enlace
a procura do instante
o tempo medido em vidas
a vida em suas nuances
#ABISMO
Num calafrio, junto ao abismo que me encontro...
Eu penso...
Por que as flores morrem?
O vento se estendendo...
Em volta, do alto, embaixo...
Um sopro denso...
Em minhas noites estreladas...
Em que a lua esqueceu sua memória..
Tenho medo do sono...
Tenho medo de dar meu próximo passo...
Tão longa a jornada...
Nenhum som me importa...
Só o som do nome que eu adoro...
Não há tempo consumido...
Tanto o ontem como o agora...
Deixo a luz fazer parte de mim...
Infinito de uma alma que se guarda...
Abro as asas da esperança...
Vôo sem destino...
Libertando meus pensamentos...
Deixe-me nesse tempo...
Aonde encontro...
A paz...
Sandro Paschoal Nogueira
#AFLIÇÃO
Quando o céu em pranto derrama tuas estrelas...
Em que céu ou abismo tarda?
Onde fazes tua morada?
Quem com correntes tão fortes e sutis prenderá teu coração?
O fogo que dentro de ti arde é um profundo e sincero amor?
Poderá dedicar-me um pouco de ti tirando-me o langor?
Nunca saberás o quanto me é importante...
Não tenho como medir e expressar meus sentimentos...
Se reprimo meus impulsos e desejos...
Afogo meus sonhos...
E choro nos leitos...
É porque sou fraco...
E a morte já fez morada em meu peito...
Rasgo as asas da vida...
E a eternidade confronto com alegria...
Não serás tu homem como eu?
Eu canto...
Eu bebo...
Eu danço...
Ah, sei que também me amas...
Como eu te amo...
Todos clamam na aflição...
E por ela juram gratidão...
A ti não clamo...
Só peço que me estenda a mão...
Ame-me agora então...
Sandro Paschoal Nogueira
Caminhos de um poeta
#FERA
Em que longínquo abismo...
Em que remotos céus você se esconde?
Enquanto o seu coração de vidro bate...
Ressoa, sem alarde entre os mortais pela eternidade...
O silêncio já não lhe amordaça...
Saltam de seu olhar...
Faíscas e trovoadas...
Sonhos desfeitos...
Um vácuo no peito...
E rega a terra sob suas lágrimas...
Quem entre os homens poderia lhe acalmar?
Não se entrega à lama que lhe espera...
No ódio que lhe cerca...
Na sarjeta que o chama...
Sacrifica suas quimeras...
Necessidade de ser fera...
Se alguém se compadece...
E por você chora...
A mão que afaga também não perdoa...
E ao incalto devora...
Veste-se de saudades...
De tristeza e dor...
Dos anjos não dá ouvidos ao clamor...
É fera ferida constante...
Essa é a sua condição marcante...
Não é insano...
É um lamento...
É impávido em calado sofrimento...
Sandro Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
Original é quem se origina de si mesmo...
Que encara o abismo que o chama...
Que sendo de toda a parte
não é de lugar algum...
Que planta e colhe a própria sorte...
Que faz do choro o riso...
Que amplia seus horizontes...
Tendo o céu como limite...
Não se cansa...
E se cansa...
Segura o peso e segue adiante...
Original é quem enche os copos...
Sem perder o juízo...
Que tal como um gato possui sete vidas...
Não desprezando nenhuma em qualquer esquina...
Original é aquele...
Que foi expulso do paraíso...
Que lavra o coração...
Fortalece os sentidos...
Que acima de tudo não esquece...
Mas se compraz no perdão...
Original é aquele...
Que desce às ruas...
Como se fizesse amor...
Que em madrugadas solitárias e frias...
Encontra em si mesmo o próprio calor...
Original é aquele...
Que percebe as mentiras...
Mas que com elas não se deita...
Que enfrenta os medos e as dores...
Que não perde as rédeas da vida...
Que mesmo sendo sofrida...
Cultiva o amor...
Sandro Paschoal Nogueira
