Abismo
O Peso do Mundo
A medida das coisas, o peso do mundo,
abismo profundo onde o mar se desfaz.
As costas do homem, forjado do barro,
o medo da morte, açoite voraz.
A busca insalubre nas ondas do vento,
sonhos abortados, perigos sangrentos.
A paz, utopia no vasto existir,
a sorte que foge, um monstro a engolir.
Davi e o gigante, um conto farsante
que não se refaz.
No campo terreno, a luta se perde,
o forte e o fraco bebem o mesmo veneno.
O Lamento Incrédulo
Choro de pedra, de pó e de abismo,
lágrima seca na face do tempo,
um grito que rasga o véu do infinito,
mas Deus se esconde no entendimento.
As dores dos mortos pesam na carne,
vozes antigas sufocam o sono,
nas ruas, exércitos marcham sem glória,
resta-me o nada, o pó do abandono.
Abraço que afaga e logo desfaz-se,
esperança em cinzas, fé em ruína,
o beijo da culpa que arde na pele,
o pecado sem nome que nunca termina.
E se Deus não houver? Se tudo for sonho?
Se a dor for em vão, se o mundo for frio?
Sou sombra sem dono, sou noite sem astro,
cometa perdido no próprio vazio.
Análise do Poema "O Lamento Incrédulo"
O poema "O Lamento Incrédulo" carrega um forte teor existencialista e metafísico, abordando temas como dor, perda, vazio e a incerteza da presença divina. A construção poética evoca um estado de desencanto e angústia profunda diante da vida e do mundo, reforçando uma visão quase niilista da existência.
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1. Estrutura e Musicalidade
O poema é composto por quatro estrofes de quatro versos cada (quartetos), mantendo um ritmo melancólico e uma sonoridade densa, impulsionada pelo uso de aliterações e imagens marcantes. O tom lírico é marcado por versos cadenciados que transmitem a sensação de peso e desamparo.
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2. Imagens e Simbolismo
O poeta constrói uma atmosfera sombria e desoladora por meio de metáforas e símbolos poderosos:
• "Choro de pedra, de pó e de abismo" → A pedra remete à rigidez e à impossibilidade de suavidade ou redenção. O pó sugere efemeridade e esquecimento, enquanto o abismo denota a ausência de sentido, um vazio infinito.
• "Um grito que rasga o véu do infinito" → Expressa um desejo de transcendência ou uma tentativa de romper as barreiras do desconhecido, mas sem resposta ou alívio.
• "Mas Deus se esconde no entendimento" → Aqui há uma crítica implícita à inatingibilidade de Deus. Se Ele existe, está oculto na complexidade intelectual, inacessível ao sofrimento humano.
Na segunda estrofe, há um aprofundamento do tema da dor coletiva e da ruína:
• "As dores dos mortos pesam na carne" → Uma imagem que reforça a conexão entre passado e presente, como se os sofrimentos das gerações anteriores ainda deixassem marcas vivas.
• "Vozes antigas sufocam o sono" → Evoca memórias ou culpas ancestrais que impedem o descanso e a paz.
• "Nas ruas, exércitos marcham sem glória" → Um retrato de guerras ou lutas sem sentido, esvaziadas de heroísmo ou propósito.
• "Resta-me o nada, o pó do abandono" → A solidão e o desamparo culminam na ideia de que, no fim, sobra apenas o vazio.
A terceira estrofe intensifica o desencanto e a perda da fé:
• "Esperança em cinzas, fé em ruína" → A imagem de destruição reforça a ideia de que não há mais crença na redenção, tudo foi consumido pelo tempo ou pela decepção.
• "O beijo da culpa que arde na pele" → A culpa é tangível, quase física, como uma queimadura.
• "O pecado sem nome que nunca termina" → Há um pecado indefinido, eterno, que não permite absolvição ou alívio, remetendo a um sofrimento sem causa clara.
A última estrofe questiona o sentido da existência e toca no cerne da dúvida filosófica:
• "E se Deus não houver? Se tudo for sonho?" → O questionamento central da poesia. A possibilidade de que Deus seja uma ilusão ou que a própria realidade não passe de um delírio.
• "Se a dor for em vão, se o mundo for frio?" → A dúvida sobre a existência de um propósito. Se não houver sentido para o sofrimento, o que resta?
• "Sou sombra sem dono, sou noite sem astro, cometa perdido no próprio vazio." → O eu lírico se define como uma entidade errante, sem destino, sem luz, condenado a vagar sem propósito no vácuo da existência.
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3. Influências e Temáticas Filosóficas
O poema dialoga com o existencialismo e o niilismo de pensadores como Nietzsche, Sartre e Camus. A ausência de Deus, a sensação de abandono e o questionamento sobre o sentido da vida são temas recorrentes na poesia moderna e na filosofia do absurdo.
A angústia do eu lírico diante do possível vazio existencial lembra a ideia de Sartre de que "estamos condenados à liberdade" e de Camus em O Mito de Sísifo, onde a vida é um ciclo de esforço sem recompensa. O último verso reforça essa ideia ao comparar-se a um cometa perdido, que segue sua trajetória sem um destino ou objetivo definido.
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4. Conclusão
"O Lamento Incrédulo" é uma poesia forte e impactante, que mergulha nas profundezas da dor existencial e da incerteza metafísica. Seu tom melancólico, aliado às imagens densas e simbólicas, reforça um sentimento de desamparo e inquietação filosófica.
O poema se destaca por sua construção imagética e pela maneira como conduz o leitor a refletir sobre a fragilidade da fé e a possibilidade do vazio absoluto. A dúvida sobre Deus, o sofrimento e a falta de sentido permeiam toda a estrutura poética, transformando-a em uma reflexão poderosa sobre a condição humana.
O Artista e o Abismo
Se afasto a mão do ofício,
treme a lâmina do tempo.
As cores desbotam nos olhos,
as notas desafinam no vento.
]
É no vício do traço e da pena
que a ruína ainda se sustenta.
Se largo o verbo, me perco,
se calo o canto, me ausento.
E o mundo? Ah, o mundo...
segue órfão de beleza,
tropeçando no silêncio
sob a sombra da tristeza.
Quem se aparta do fogo,
gela na sombra do nada.
Quem solta o pincel ou a lira,
caminha sem luz, sem estrada.
Não me peçam que pare,
não me exijam o exílio.
Minha arte é meu fôlego,
meu abismo e meu alívio.
O Lamento Incrédulo
Choro de pedra, de pó e de abismo,
lágrima seca na face do tempo,
um grito que rasga o véu do infinito,
mas Deus se esconde no entendimento.
As dores dos mortos pesam na carne,
vozes antigas sufocam o sono,
nas ruas, exércitos marcham sem glória,
resta-me o nada, o pó do abandono.
Abraço que afaga e logo desfaz-se,
esperança em cinzas, fé em ruína,
o beijo da culpa que arde na pele,
o pecado sem nome que nunca termina.
E se Deus não houver? Se tudo for sonho?
Se a dor for em vão, se o mundo for frio?
Sou sombra sem dono, sou noite sem astro,
cometa perdido no próprio vazio.
Por Evan do Carmo
O principal papel do Anjo do Abismo (AA) é colocar as almas no fundo do poço para saírem de lá com o aroma dos demônios, para seduzirem outras almas para o mesmo buraco.
O Brasil está flertando com o abismo fiscal, dando mais importância ao pico do eu profissional, cultural e comercial do que ao degrau da humildade espiritual.
Deus tira o pé do freio quando o homem, descendo um abismo espiritual, deseja fazer a sua própria vontade.
Até mesmo no mais profundo abismo, Tu me guiaste e me ensinaste. A TUA BELEZA continua a encantar-me. Não há nenhuma maneira de eu não te amar.
Quando a terra não sacia e o colorido desvanece, no abismo mais escuro descubro o verdadeiro amor. Em Deus, encontro a luz que restaura cores e transcende as sombras.
Quando as ilusões do mundo cegam os corações dos homens, eles caem em um abismo sem fim, afundando em sofrimento. "Há caminho que parece certo ao homem, mas no final conduz à morte."(Provérbios 14:12)
Estou na fornalha ardente, mas as chamas não me queimam,
No abismo escuro, sou chama viva e intensa.
Na cova dos leões, resisto, forte e presente,
Na prisão do tempo, minha alma se renasce e pensa.
Desço ao pó, qual Nabucodonosor,
Esmagada, sem forma, sem rumo ou chão.
Mas, em meio à dor, ao frio, ao torpor,
Sinto Suas mãos me moldando, em oração.
Madrugada fria, clamo e espero,
Na voz que me guia, encontro abrigo e calor.
Mesmo na escuridão, sigo e persevero,
Pois Sua luz é o fogo que testemunho com fervor.
Renuncio a mim, que Ele viva em mim,
Não sou mais eu, sou Seu mover e existir.
Se preciso andar sem ver o fim,
Confiarei, sem hesitar, sem temer, sem fugir.
Que se cumpra o que ainda não vi,
Que floresça o que foi plantado em silêncio.
Pois no tempo certo, enfim,
Serei vaso, ouro purificado, em Seu precioso ensejo.
E quando o fogo cessar sua labareda,
E a noite se render ao amanhecer,
Saberei que a dor foi herança predileta,
Para em Sua glória, eternamente viver.
. Abismo elize d.c
me pergunta de onde vem toda tristeza
Toda essa minha tristeza não poderia ser de outro lugar além de mim
Toda essa minha maldita ambição
Que me gera um poço de frustração
Esse meu egoísmo de querer o mundo em minhas mãos
E carregando o mesmo em meus ombros
Fadado a viver a vida como ela é
Culpado do presente em que eu vivo
Eu me encontro no meu abismo
No abismo da distância,
Abdicando-me das palavras,
Abduziram-me os abstratos!
Na abundância do sentimento,
Abrigam as dúvidas,
Abrolhos, abusos ...
Mas não há abracadabra!
Não abafam a saudade
Dos abraços.
O abismo causado pelas adversidades, submergido pelas dificuldades, deve ser coberto pela ponte da fé e alicerçado com degraus de coragem.
