Abismo
A dor me arrasta para o abismo por ter perdido você para o tempo em que eu não existia, para a vida que me ignorava. Hoje, cada lembrança que carrego é uma punhalada, cada suspiro, um lamento sufocado. Aprendi tarde demais o valor do que se foi, e a consciência da perda me corrói até os ossos.
Os defeitos que um dia tolerei se foram, e com eles, a última chance de reparar o que perdi. A decisão que partiu para sempre minha esperança tornou-se uma sentença de desolação. Só me resta chorar pelo que não soube proteger, pelo amor que deixei escapar por entre meus próprios dedos.
O mundo perdeu suas cores, e o tempo se arrasta como um carrasco, lembrando-me que nada mais pode ser salvo. Cada lembrança revive a ferida, cada silêncio ecoa minha impotência. Estou só com o arrependimento, a dor e o vazio que gritam dentro de mim, esperando que o ciclo da vida se encerre, e que, finalmente, o suspiro final traga algum alívio para este tormento infinito.
Com fragmentos de mim mesma, existe um caos onde um espelho se torna o meu abismo insondável. A visão de meu reflexo desencadeia uma tempestade interna, com borboletas agitadas percorrendo cada fibra do meu ser, sangrando os vestígios do desgosto alojada em minha alma. Perdida em um limbo interminável, anseio ser apenas ossos, despida de tudo… para aprender a me amar, ou talvez me forjar em ferro, para suportar a pesada carga que carrego.
O maior hipócrita mentiroso é aquele que se apropria da verdade,arrastando para o abismo a multidão incauta!
Existe um abismo insondável, mais profundo que as regiões abissais, entre a razão e a loucura, entre a verdade e a mentira, entre e Luz e as Trevas!
Há um abismo insondável entre o amor e a paixão
Entre a luz e a escuridão
Entre a rosa e o cravo
Entre o ódio e o perdão
Entre o coração e a razão!
Entre o querer e o amar existe um abismo. Quem quer, toma. Quem ama, cuida. O querer é impulso, o amor é presença. É fácil desejar uma flor e arrancá-la; difícil é amá-la o suficiente para deixá-la crescer, mesmo que não seja no seu jardim. Quem entende isso, não apenas entende o amor… entende a essência da vida.
Metamorfose
Uma dor profunda,
um abismo entre o
mundo e eu...
Encolhida, medo senti.
Ao me olhar no espelho,
uma mudança ali percebi...
Cresci!
Uma dádiva, pois é
eu floresci!
Não tenha medo de tentar, tenha medo de se encontrar olhando para o abismo com a alma vazia e ausente de fé.
Passo pelas marcas de um rio que me sufoca, sem me aperceber, dou por mim entregue ao abismo de uma vivência quase sem sentido.
Quem entende a fragilidade do amor e a efemeridade da felicidade aprende a dançar à beira do abismo.
A bordo de mim
Trancafiada aqui, no abismo vi, o mar mostrou.
Oculta em mim, embalo o fim, abordo estou.
O imundo mar, sôfrego vem, se lamentar.
Pálido! Gélido! Seco!
Escureceu! Não sou mais eu, o mar sou eu!
Fugi sem ar, me encarcerar, sombrio olhar.
O medo embarca, revolve marcas do meu pesar.
As ondas vêm, molham meus pés, vou mergulhar.
Vento bravio, um calafrio me faz chorar.
Tempestade a vista, revira o barco, me embaraço no relembrar.
Aos prantos grito! Sou eu o mito do tal amar!
Ouço gemidos, fundo do mar!
O horror convém, me mostra além, antigo olhar.
Quando era ardor, quem sabe amor, levou o mar.
Abordo estou, na noite vou, refugiar!
A negra vem, me acompanhar.
Seus braços frios, acariciam meu perturbar.
O barco vira, quebra o retrato, faz em relapso o meu pesar.
Corta meus pés, debruçada ao chão, sangro sem dor.
Junto os pedaços, varrendo os cacos do opaco amor.
A água vem, correntes vêm me soterrar!
O barco alaga, tão logo afunda, o vento ajuda meu naufragar.
A brisa leva o que restou, meu ser se afoga, o sal corrói, sôfrego amor.
"No abismo do meu limbo, cada sombra sussurra a promessa de um novo amanhecer, despertando a coragem para renascer em meio à escuridão."
