Textos de Chuva
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Versos Intimistas
no meio do Bosque
no final da tarde,
Caia uma chuva fina,
estava escurecendo,
O bosque nunca trouxe
nenhum medo,
Vi alguns vultos,
me escondi atrás
de uma árvore,
uma sensação
de sufocamento
ouvi disparos,
Não sei o quê fazer:
era só um pesadelo.
Chuva do Outono
As luzes da Cidade de Rodeio
acesas sob a primeira
chuva do Outono que se achega
enquanto repousam
os Canários-da-telha,
a roseira se refresca,
o coração dança
na cadência da Terra
aspirando ser a sua
vida inteira e entrega
para o Universo o primeiro poema.
O meu guarda-chuva
branco e vermelho,
é o poético pedido
onde tudo de atroz
tem sido semelhante
num mundo perdido.
A plataforma é unitária
e a agonia é coletiva
por cada prisão arbitrária,
E ali não há nenhuma
gente autoproclamada.
De como está o General
não sei de nada,
ele foi preso injustamente
e para a volta da liberdade
não há nem data marcada.
Como ele tem sido sufocada
é a tropa por cada segundo
que o tempo carrega
e a injustiça que não passa,
neste continente onde
a verdade tem sido silenciada.
Está a caminho no México
a próxima rodada
que além de mim coloca
muita gente esperançada,
firme quero crer que
a triste sorte pode ser mudada.
As dores dos teus olhos
inundaram os olhos meus
como chuva de lirídeas
regando as minhas letras.
Você ainda não sabe
o quê é ter meus cabelos
com doçura amorosa
entre os teus dedos:
te busquei e me corrigi.
Ao lado da minha janela
para diminuir a distância
tenho rosas damascenas
porque estou a tua espera.
Você ainda não percebeu
que eu sou de verdade,
a tua Lua Cheia beijando
as montanhas em liberdade:
te quero como você sabe.
Os fios dos nossos destinos
estão entrelaçados nos bilros
muito além da Fortaleza
de São José da Ponta Grossa.
Você ainda em silêncio,
e eu no mesmo caminho,
em contemplação adentro
do amor que sendo tecido
pelas mãos do Universo.
Cai a chuva mansa,
e minha alma não
cansa de perguntar
quando irão libertar
a tropa e o General?
O General não deveria
ter sido aprisionado,
dizer que ele instigou
a rebelião é um absurdo!
Até agora não soube
mais se ele teve
os pedidos atendidos:
Bíblia, lápis e livros.
Quero saber da saúde
que sei não bem
depois de tanto mal
praticado contra ele,
Esta poesia bruxa
insiste que não deixe
ir longe esta loucura,
Abaixo esta e qualquer
tipo que seja de tortura.
Balançam os carrilhões
das folhas das árvores
executando a percussão
que precede a chuva
ressoando milagre da vida:
só de ouvi-los faz
com que eu me sinta viva;
Ouvir esta música sempre
me dá inspiração para
emprestar a minha poesia
que é voz para quem
de liberdade necessita.
De pedido em pedido
de liberdade trago
em mim o sonho de resgate
da nossa América Latina,
pelo General que está
injustamente preso há
quase dois anos
e por tantos
tenho escrito a epopéia
de minha responsabilidade:
só digo e repito isso
para que a minha mensagem
não seja por quem
quer que seja confundida;
Aqui infelizmente estamos
nadando numa correnteza
de conceitos invertidos,
em pleno oceano de presos políticos
e daqui a pouco não poderei
escrever tanto como tenho escrito:
porque as pessoas preferem
se afogar orgulhosos
e vomitar radicalismos.
No silêncio desta
tarde de chuva mansa,
me veio a lembrança
de como disseram
que mataram o Capitão da Armada,
ela fez um barulho danado
só de recordar a voz impostada
de como papagaio da TV
teve a coragem de se referir
a este crime como um bárbaro:
Há erros que podem
ser perdoados,
mas nunca apagados quando repetidos,
Há velhos hábitos e vícios
de comportamento que precisam
ser corrigidos;
Por loucura política ele ter mentido
dizendo que o General
estava envolvido
em atividades conspiratórias
é algo de muito mau gosto,
Não se sabe nem quando
o General será libertado,
pois desde o dia treze de março
do ano de dois mil e dezoito
ele está injustamente aprisionado,
sem acesso ao devido processo legal
e continua em ISOLAMENTO TOTAL.
Rodeio Chuvosa
Levantei de madrugada
ouvindo o canto da chuva,
Rodeio gentil e bela dama
do Médio Vale do Itajaí
ainda aguarda você por aqui.
Nesta Rodeio chuvosa,
pacífica e silenciosa
que me permite te embalar
no coração cultivando
o sentimento mais puro
que jamais pensei encontrar.
A tua chegada será em breve
e nesta madrugada catarinense escrever este poema leve
é apenas um sinal que ninguém
mais há da felicidade adiar.
Nesta Rodeio chuvosa,
enamorada e amorosa
deste Médio Vale do Itajaí,
bela cidade de Santa Catarina
que diariamente inspira
a ser por ti espera e toda a poesia.
Rodeio Transbordando
A qualquer hora
do dia a chuva desafia
quase sempre a todos,
eu sempre prefiro
ser grata a ela aconteça
o quê aconteça do
que viver a vida sem ela.
Pela manhã a chuva
caiu de um jeito gentil,
Santa Catarina é um
Estado que chove muito
aqui no nosso Brasil.
Rodeio transbordando
a chuva de Nosso Senhor,
mantém o lindo verdor.
Pela tarde a chuva
foi aumentando até
o rio fazer Rodeio 12
ir transbordando
e na beira cantando.
Rodeio transbordando
a chuva de Nosso Senhor,
agradeço do fundo do meu
peito por todo o seu amor.
Rodeio transbordando
a chuva de Nosso Senhor
nos reserva uma beleza
sem fim preparando dias
repletos de inspirações
e poesias para você e para mim.
Rodeio em Tempestade
Os pingos da chuva, o rufar
do trovão fazem a orquestra
da divina criação e as nuvens
vestem de gala o Montanhão:
Rodeio em tempestade
embala sempre o meu coração.
Olhei para o céu se carregando
e agora chove aqui em Rodeio
e por todo o nosso Estado,
eis tempestade que vem teimosa
e eia brava tempestade que volta.
Leio notícias dos efeitos da chuva
no Ipiranga e no Rodeio 12,
e saúdo o esforço sublime
contra o tempo e uma gigante luta:
a nossa Rodeio até durante
a tempestade sempre orgulha.
A nossa gente é inspiradora
nunca decepciona e ilumina
com coragem o Médio Vale do Itajaí,
e pela poesia de cada dia repartida:
eu sou agraciada por viver aqui.
É essa poesia que se escreve
na História e somente
quem sente consegue ler,
é ela que me faz ter a doçura
na palavra e o respeito
para neste mundo conviver.
Não vivemos muita coisa. Nem vamos viver.
Não rodopiamos na chuva
Não caminhamos por aí, sem rumo
Não fizemos planos
Não trouxemos para casa um gato abandonado
Não assistimos juntos um filme antigo
Não dividimos o sorvete no mesmo pote
Não cultivamos plantas, medos, sonhos, almas
E agora?
Agora, é adeus e boa sorte.
Rumo ao frio, ao vazio, ao desconhecido!
Ainda vamos descobrir um jeito de ficarmos juntos
Juntos na chuva, no sonho, no sal
Juntos na primavera, nos verões, nas manhãs de outono
Juntos na sala, na cozinha, no quarto, no banheiro
Juntos juntos
E juntos separados
Juntos quando uma boca completar a frase do outro
E juntos quando a risada for igual,
Consoante, firme e verdadeira
Ainda vamos descobrir um jeito, um lugar, um som, um momento
Que nos ate
Que nos prenda
Que seja nosso
Vamos descobrir ou inventar, não importa
Vamos fazer esse dia
Ou fingir que ele existe
Vamos acender todas as estrelas
E beber cada uma delas até o fim
E assim, grávidos de luz e poesia
Parir o mundo onde possamos existir.
REMINISCÊNCIA...
(Autoria: Otávio Bernardes)
Chuva...
Quanta chuva – quem sabe –
permeia a sua existência!
Apartamento...
Você possui casa, lote, apartamento...
Bonito – não é mesmo?!
Você é muito feliz!
Talvez nunca pensou nisso!
E a vida segue...
A vida continua...
Estou olhando pela vidraça!
Céu nublado e nuvens carregadas!
Onde estaria eu agora!
Simplesmente eu
e minhas recordações inesquecíveis...
pernósticas... indizíveis...
mas muito humanas...
mas... deveras egocêntricas....
Às vezes, a gente acha que sabe tudo,
inclusive, tudo mesmo...
e acaba se enganando metaforicamente!
No nosso mundo pessoal
existem muitas chuvas...
vários enigmas...
mistério mesmo!
Bastante céu nublado...
turvo... enfadonho...
ensimesmado... filantrópico...
Ainda ontem pensava assim
e estou, de novo, pensando!
Reminiscência! Até quando!
Chuva... apartamento... céu nublado!
BEMA-VENTURADO OS QUE CHORAM
By: Harley Kernner
Sempre a contemplar a chuva, lembro-me das minhas lágrimas, ainda na adolescência, quando me achava tímido, e inferior aos demais adolescentes e jovens da época.
Às vezes, chorava em silêncio, e orava na esperança de um dia, ter o amor feminino ao meu lado, que agisse como uma brisa suave, acalentando o meu coração em dias de tempestade.
Cada gota de chuva que caía do céu, é como o ecoar dás minhas inseguranças, que ainda continua, mas também ainda carrego à esperança e promessa de um amor verdadeiro e sincero, que um dia iriei encontrar.
Hoje, ao olhar para a vidraça da janela, e as flores que aparam as gotas da chuva, acredito que a vida é surpreendente, e as lágrimas do passado, logo se transformaram em sorrisos.
A chuva, não é símbolo de tristeza, mas um lembrete, de que até nos dias mais sombrios, há esperança, que o amor florescerá.
E vendo a chuva, agradeço ao meu coração por todas as lágrimas derramadas, pois sem elas, eu não seria quem sou hoje, um poeta leigo, limitado, de esperança e versos eternos!
Harley Kernner
Arquitetura de Poesias
Escritor Particular
Poeta Sem Livros
Quanto
Quanto a te agradar
Quando fui água, tu querias que fosse mar
Quando fui chuva, tu querias que fosse tempestade
Quando fui céu estrelado, tu querias que fosse céu nublado
Quando fui amor, tu querias que fosse rancor
E quando finalmente fui eu, tu não querias mais nada de mim
E quando for tentar te agradar, de nada lhe importará
E no meu tempo perdido, te agradar foi desperdício
Alma em chuva
A chuva cai numa constante
Assim como as minhas lágrimas insistentes
Meu peito espia uma vertente
De sentimento que arde como um raio
Que atinge o chão e ali se sente
O mais forte de todos, o abrasador.
Um rastro tênue, entre a dor e a paz,
Um eco distante, que a alma acalenta.
Vou juntando em silêncio os pedacinhos
Refazendo meus pensamentos
Com apenas um movimento
de falar tudo que sinto
Só assim serei eu mesma,
Sozinha com meus sentimentos.
Não é simples, é bem verdade
Falar de coisas inexplicáveis
Muitos sequer desconfiam
Do que realmente tenho vontade
Da vida, do tempo, da realidade,
Que eu fantasio a felicidade.
O tempo, implacável amigo,
Testemunha silencioso a minha vida,
Mas ele sabe que também não pode
Cobrir de estrelas o meu caminho
Indiferente aos meus clamores,
segue adiante, muito tranquilo.
Agora sopra um vento muito forte
Levando embora as amarguras
E de pronto vejo longe um raio
Daquele que antes me queimava
agora é luz no céu
que cai pra me acordar,
E assim como o tempo,
Poder enfim seguir adiante.
PIERRÔ SEM CARNAVAL:
O bafo da noite em cinzas,
Verticalmente desce e cai,
Quão a chuva oblíqua
Do Pessoa
A correr na diagonal
Confusa
Sobre o relvado e a clorofila
Do poetinha,
Em anunciação ao baio
Do Valença em reboliço
Ante as brumas que embaçam
Meus vitrais
Acho, penso vislumbrar
A última colombina de cristal
Em seu único e derradeiro
Carnaval.
Nicola Vital
Minha criança
Eu fui criado menino buchudo.
Não tinha medo de nada
Do escuro, da chuva ou papangu
Cresci assim
Como Deus criou batata
Em meio aos jogos de bola de gude
Futebol, gata maga, enfinca, barra-bandeira
Amarelinha...
Sim, amarelinha!
Qual o problema?
Ouvia Gonzagão de mamãe na vitrola do vinil
Contos que noite a noite conta da saudosa rádio cariri.
Tomando banho nos barreiros de água barrenta e enlameada
Nu, no frescor da inocência.
À noite batia um prato de tambica antes da reza que era irrefutável na cosmo visão de Paim.
No dia seguinte, os pés amanhecia limpos e mamãe dizia que era o capiroto que lambia
Só assim lavamos os pés antes de dormir pelo menos por alguns dias.
Talvez não fosse recomendado para a saúde física.
Mas, de certo, era lenitivo à alma.
Saudade do meu tempo de criança
Passado que não se encontra mais.Nicola Vital
Série Minicontos
Amor maternal
Em um dia de muita chuva e trovoada, sinhá coruja procurava atônita comida para os seus dois filhotes indefesos e expostos aos perigos da floresta
De repente encontra o gavião faminto que também caçava seu próximo jantar.
Mamãe coruja implora
- Compadre, se encontrares meus filhinhos poupe-os!
- Mas como vou identifica-los em meu a tantos bichos? - perguntou o gavião
- quando encontrares as mais belas criaturas da floresta serão os meus filhinhos.
E nunca mais sinhá coruja os encontrou.
VIDA PROJETADA
Se alguém num dia comum...
Havendo chuva ou sol,
Se este alguém diz que o dia e' conflituoso e se põe a murmurar...
Este alguém passa a contestar o criador do universo e este
Conflito não esta' no mundo senão no próprio
Pensar...
Passa por entre este e o pensar duas vidas que em versos posso
Afirmar...
Uma vida e' a vida que se vive, esta beija a realidade;
A vida real que podemos medi-la e retrata-la.
A outra vida e' a do pensar; a projetada no pensamento.
A esta ultima a projeção contorna o idealismo, com o qual o pensamento
Passa a lidar.
Com todas as forças do ser tentamos viver o ideal, não somente vivermos
Com o respirar.
Entre a vida real que podemos tocar e a outra do pensar reside a distancia
Da incerteza que por ela a tornar.
Numa hora somos galinha e conhecemos bem o quintal a ciscar...; e nosso
Mundo e' grande como um quintal.
Noutra hora somos águia e o mundo e' nosso quintal, assim como o galinha
A águia precisa conhecer seu espaço.
Vivermos contidos num espaço "ideal" ou viver o ideal num espaço, não contidos.
Se somos galinhas estamos a esperar diariamente pelo criador...
Se a morte muda seu cardápio e' certeira a sorte.
Esperar, esperar... num quintal ate' seu final, mas,
Se somos águias já estamos nas alturas com o criador e a sorte e' levada
em conta.
Que os anjos sejam piedosos! Que os anjos sejam vegetarianos!
