Textos de Ausência

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Você insiste em alimentar uma chama que, na tua ausência, se apaga.
Continua tentando, acreditando, esperando...
Mas ela não demonstra interesse, nem afeto, nem carinho.
Enquanto estás por perto, tudo parece bem —
mas é só aparência: sustentada pela tua presença, tua entrega, tua ilusão.
Na tua ausência, o castelo desmorona.
Isso não é amor.
É vaidade, conveniência, ego sendo servido.
Acorda.
Quem te ama, te rega mesmo quando não estás por perto.
Quem te ama, mantém a chama viva mesmo no silêncio.
Valoriza-te.
Não mendigues atenção onde não há reciprocidade.
Ama-te o suficiente para partir quando o amor não é verdadeiro.

Mesmo com a distância e a tua ausência,
teu nome ainda ecoa dentro de mim.
Fico imaginando você aqui, perto,
sentindo o teu cheiro que invade minha lembrança,
o gosto do teu beijo que nunca esqueceu meu lábio.
Queria poder te tocar todos os dias,
desenhar teu rosto com a ponta dos meus dedos,
olhar nos teus olhos e revelar, sem medo,
o quanto você é amada na minha vida,
o quanto tua presença, mesmo longe,
ainda acende luz nos meus caminhos.
E assim sigo, vivendo da esperança,
guardando teu amor no peito
como quem guarda um sol que nunca se apaga.

E se o silêncio trouxer de volta o que partiu,
não será ausência, será música.
Não será vazio, será espaço fértil,
não será dor, será raiz que floresce.
Que venha como brisa,
sem urgência, sem ferida,
pois só merece retorno
aquilo que já aprendeu a ser luz.
E se o coração aceitar,
não será peso, será voo.
Não será sombra, será aurora.
Não será fim, será começo
um começo que se escreve
com ternura e coragem.

Não há um abismo pra tua ausência
Nem uma estrada que te leve embora
Um açoite um silêncio nem indiferença
Que faça brilhar em mim uma nova aurora

As luzes me iludem com seu piscar
Os pássaros noturnos lindos carpidos
Afagam meu peito pra não amar
Fragmentos de amor que dormiu comigo

A noite dorme é como um manto
Lágrimas molham a madrugada
Fico escrevendo meu amor com encanto
Para sonhá-te na solidão alada. Leonice Santos.

"Essa nossa humanidade,
vive o ano todo se queixando da carência e ausência da felicidade,
e quando chega o fim do ano, festeja com fogos de artifícios e bombas uma alegria que parece mais um surto de desabafos contidos num espírito de dor."
***
(Francisca Lucas)


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Minha solidão não tem nada haver com presença ou ausência de pessoas. Detesto quem me rouba a solidão sem, em troca, oferecer verdadeira companhia.

Texto de Friedrich Nietzsche

A solidão, no pensamento que atravessa essa frase, não é carência, mas território interior. Ela não nasce da ausência de pessoas, e sim da ausência de sentido. Estar só, nesse horizonte, é estar em contato consigo mesmo; estar acompanhado, sem verdadeira presença, pode ser uma forma mais profunda de abandono. Nietzsche aponta para uma solidão qualitativa, não quantitativa.

Quando ele afirma que detesta quem lhe rouba a solidão, revela que a solidão é um bem precioso, quase sagrado. Trata-se do espaço onde o indivíduo pensa sem concessões, cria sem aplausos e se confronta com suas próprias alturas e abismos. Roubar a solidão é invadir esse espaço com superficialidade, ruído e expectativas vazias. É ocupar o tempo e o corpo sem tocar a alma.

A “verdadeira companhia” não se mede pela proximidade física nem pela frequência da convivência, mas pela capacidade de presença real. É aquela que não distrai do essencial, mas aprofunda; que não exige máscaras, mas permite silêncio; que não dilui a individualidade, mas a respeita. Poucos são capazes dessa companhia, porque ela exige maturidade interior e coragem de permanecer diante do outro sem se esconder.

Nesse sentido, a solidão nietzschiana não é isolamento social, mas fidelidade a si mesmo. É a condição necessária para o surgimento do pensamento autêntico e da vida criadora. O espírito que busca elevar-se precisa, em certos momentos, afastar-se da multidão não por desprezo, mas por necessidade de escuta interior. Quem não suporta a própria solidão dificilmente suportará a profundidade do outro.

A crítica de Nietzsche, portanto, não é contra as pessoas, mas contra as relações vazias. Ele denuncia a convivência que preenche o espaço, mas esvazia o sentido; que fala muito, mas não comunica; que ocupa, mas não acompanha. Essas presenças são mais solitárias do que o silêncio.

Por fim, o texto nos convida a rever nossa relação com o estar só e com o estar junto. Talvez a verdadeira questão não seja evitar a solidão, mas aprender a habitá-la. E, a partir dela, escolher companhias que não nos afastem de nós mesmos, mas que caminhem ao nosso lado sem nos roubar o que temos de mais íntimo: a integridade do nosso ser.

⁠"Andei pelo vale da sombra da morte e o Senhor estava comigo.
Senti a ausência do Deus, quando tu não estavas comigo.
É loucura, é devaneio, pecado é o que me acometeu, o tal cupido.
Quando te vejo, o coração palpita e a cada palavra, é um novo suspiro.
Tento imaginar o amanhã sem ti e não consigo.
Não sei o que faço, se és tu meu ar, em sua ausência, como respiro?
Eu não te olho mulher, eu te vislumbro, eu te admiro.
Um dia, imaginei-nos, em uma vida à dois, mas era miragem, era delírio.
Pesadelos de amor, foram os sonhos, que imaginei contigo.
Senti-me em total abandono pelo universo, quando jogou tudo que te ofereci no lixo.
Eu sou muitas coisas, mas não merecia isso.
E no famigerado vale, eu sou a sombra, eu sou a morte, refém de um coração, sob o julgo do Deus cupido.
Conversando com o Logos, ele confidenciou-me, ainda estar comigo..." - EDSON, Wikney

"Que sofra, que doa, que se lembre de mim, a ausência que magoa.
Que sofra, que doa, que sinta no peito, uma fração do meu sofrimento, e sofra.
Novamente, que sofra, que doa, eu fui sua cura, sua casa, e me tratastes como lixo, então, do meu eu, parva, vá, voa.
Que sofra, que doa, que clame pelo meu eu, e chore toda noite, a noite toda.
Que sofra, que doa, eu sou o toque que arrepia, eu sou a pele que sua, a palavra que retumba, a última trombeta que soa.
Que sofra, que doa, que tente me esquecer, que, ao tentar matar o meu eu, a sua alegria morra.
Que sofra, que doa, que, após me matar, o som da minha voz esteja em cada sibilo do vento, e, por sua face, uma lágrima escorra.
Que sofra, que doa, que se lembre de mim, sua ausência, me magoa..." - EDSON, Wikney

"Estou péssimo, amor.
A ausência do que me fizera mais vivo, jamais me matou.
Azar o meu, roguei para que o fizesse ao criador.
Estou péssimo, amor.
Só fico bem sob a iluminescência do seu olhar, aquecido em seus braços, sentindo do beijo o calor.
Estou péssimo, amor.
Seu corpo, que era minha fonte mater de prazer, deixou um vazio; eu queria tanto, mas Deus, parece-me, levou-me até a dor.
É só indiferença, rancor.
Queria odiar, queria gritar, mas já não há mais choro; toda lágrima secou.
Quisera eu ir onde você for, ser para sempre o seu redentor.
Eu faria de tudo para lhe fazer bem, ser do seu coração o senhor.
Obrigado por perguntar; jurei não mentir-lhe, então não o farei, minha flor.
Sem você, eu estou péssimo, amor..."

Não se perca pensando demais.
Nem tudo precisa de resposta,
nem toda ausência é culpa sua.


Você não veio ao mundo para ser suficiente
a expectativas que nunca foram suas.


Veio para ser inteira,
mesmo com rachaduras,
mesmo em silêncio.


Viva como quem honra o hoje,
não para consertar o ontem,
mas para caminhar um passo mais lúcida que antes.


Solte o peso que não te pertence,
trate-se com a mesma gentileza
que oferece aos outros,
e siga…
não em dívida com o passado,
mas em paz consigo.

💔 Um Soneto da Ausência Desvanecida
A respiração se prende, e agora a verdade é clara:
A fachada brilhante acabou, o amor terminou.
Encaro o silêncio que guarda o medo,
E descubro que não sou um amante arruinado e abandonado.
Pois neste espaço árido, devo atestar,
A crença fundamental que arrefece o fogo do espírito,
Aquilo que lamento, embora outrora uma busca sussurrada,
Nunca foi real, portanto o amor nunca existiu.

Foi uma troca de anseio, imperfeito e breve,
Uma dívida fantasma da qual o coração não pôde escapar;
A dor precede e permanece como principal,
E a solidão veste a forma exterior da paixão.
Assim, neste quarto vazio onde as sombras se encontram,
Amor e solidão são sinônimos, doce,
Pois amar é dar o que não se tem
a alguém que não o quer, gravar
Um vazio sobre outro vazio e chamar-lhe graça.

A maior felicidade é a ausência de luto
Mas quando o filho se vai, a dor é real
Paz real é a paz sem despedidas
Mas a família distante é um vazio a preencher

Bendito o coração que desconhece a saudade
Mas o amor por um filho ausente é uma ferida que não cicatriza
Viver sem a sombra do adeus
É um sonho que se desfaz quando a distância chama

Ignorar a perda é viver na bem-aventurança
Mas a saudade de um filho é uma dor que não passa
Que a memória do amor compartilhado traga conforto
E que a esperança de um reencontro ilumine o caminho

*:*
Bendito o coração que desconhece a saudade
Mas o amor por um filho ausente é uma ferida que não cicatriza
Viver sem a sombra do adeus
É um sonho que se desfaz quando a distância chama

Aprendi a me amar no limite exato da dignidade,
onde o silêncio vira resposta
e a ausência, proteção.

Não me curvo à arrogância disfarçada de poder,
nem alimento egos que se nutrem da minha luz.
Amor próprio é escolher ficar inteiro,
mesmo que isso signifique partir.

Quem é narcisista exige palco;
eu escolho a paz.

Aprendi a conviver com a ausência
como quem aprende a respirar debaixo d’água.
No começo doeu,
os pulmões queimavam de lembrança,
mas depois o corpo se acostuma
a viver com menos ar,
com menos riso,
com menos você.


Às vezes ainda emergem memórias
como bolhas —
estouram rápido,
mas deixam o peito pesado
por horas.

Senti frio mesmo estando perto de você, moça bonita.
Não foi o vento, foi a ausência.
Percebi que os teus carinhos já não caminham na mesma direção que os meus,
que a sintonia se perdeu em algum silêncio não dito.


Não sei o motivo de tanta indiferença,
nem sei se quero saber.
Algumas verdades doem mais quando explicadas.


O frio que veio de você não foi acaso,
foi resposta.
E às vezes, aceitar o frio
é mais honesto do que insistir num calor que não existe mais.

A solidão não é ausência.
É presença de si.
É quando o ruído do mundo se cala
e a alma finalmente se escuta.
A solidão não é solidão —
é evolução, força amadurecida, sabedoria em silêncio.
É reconhecer a própria nobreza
sem precisar de aplausos ou testemunhas.
É estar em paz vivendo no caos,
inteiro mesmo quando tudo ao redor se fragmenta.
Quem abraça a solidão não foge do mundo:
aprende a caminhar nele sem se perder.

Devemos lembrar, mesmo quando tudo parece escuro, que o silêncio de Deus não é ausência, é trabalho invisível. Nos piores dias, quando as forças faltam e as perguntas sobram, o propósito não deixa de existir — ele só não é imediato, nem confortável.


Deus não desperdiça dor. O que hoje parece castigo, amanhã pode se revelar como direção. Muitas vezes, o propósito não está no que acontece, mas no que nasce dentro de nós a partir disso: fé mais madura, coração mais sensível, coragem onde antes havia medo.


Confiar nos piores dias é um ato de entrega. É escolher acreditar que, mesmo sem entender o caminho, Ele já enxerga o destino. E que cada lágrima, cada espera e cada queda fazem parte de uma história maior, escrita com cuidado, mesmo quando não conseguimos ler as linhas.

Inteligência emocional não é ausência de sentimentos.
É presença de consciência.


Não significa “não sentir nada”, mas não permitir que tudo o que se sente governe as decisões.


É a habilidade de lidar com as
emoções sem permitir que elas sabotem a razão, firam valores ou desviem princípios.

Saudade

A ausência —
essa forma delicada do abismo —
habita-me.
Faz falta o que fui
quando me reconhecia em teu corpo.

Nunca imaginei sobreviver ao sem,
mas o sem revelou-se lâmina:
rasgou-me no limite do grito,
no atrito exato do desespero.

Por quê?
Que gesto foi esse
contra um coração ainda intacto,
tão ingênuo quanto fiel,
que já te sabia amor
antes mesmo do início?

A tua falta ecoa.
Ecoa como febre.

Desespero.
Paixão.
Delírio contido.

Imobilizo-me
para não ir atrás de ti,
para não desfazer o pouco
que ainda me sustenta.
O que era tudo
aprendeu a chamar-se nada.

E no centro desse vazio
tento reaprender o hábito de existir,
entre ruínas silenciosas
e consequências que fogem.

Estou morta —
não por ausência de vida,
mas por excesso de perda.

Morta estou.
E não posso
ter-te de volta.

R.Cunha

O mal real existe e é humano, não místico.
Ele nasce da ausência de consciência, do ego sem limite, da falta de responsabilidade.A melhor proteção espiritual hoje não é o medo, nem a crença cega, é o discernimento.Consciência não é acreditar em tudo.É saber onde parar.
Quem desperta não se perde em fantasias, não terceiriza o próprio juízoe não entrega a própria lucidez em nome de narrativas.
Evoluir é enxergar com clareza, agir com ética emanter os pés no chão, mesmo com o coração aberto.