Textos de Ausência
"A solidão não é apenas ausência de algo ou alguém. Pode ser um refúgio para o seu autoconhecimento e criatividade. Transformar teus momentos a sós te fortalece a resiliência e melhora sua autoestima. Aproveite o silêncio para ouvir a si mesmo, recarregar energias e encontrar inspiração de equilíbrio força e coragem. Que esta solitude te encaraja a liberdade ao seu santuário pessoal, não como punição, mais como sabedoria para vossa alma."
—By Coelhinha
Do Vácuo Eterno (Dissolução e Retorno)
“O nada não é ausência, mas pausa do divino.”
“Quem aprende a respirar no vácuo descobre que o silêncio é Deus em repouso.”
“O mago que teme o vazio ainda não encontrou a plenitude.”
“Entre o nada e o tudo repousa a paz que cria o universo.”
“Ser é apenas uma forma transitória de não ser.”
“A eternidade é o instante sem pressa.”
Ateísmo versus teísmo: Além da dualidade moral.
A crença ou a ausência de crença em Deus não delineia o contorno entre o bem e o mal na conduta humana; tais categorias emergem de impulsos mais primordiais que qualquer dogma. O altruísmo, longe de ser mera preferência volitiva, revela-se como uma sinfonia neuroquímica dopamina e ocitocina tecendo laços de empatia no sulco temporal do cérebro, recompensando o ato generoso independentemente de recompensas divinas ou celestiais. Uma criança, moldada pela educação teísta, pode, contudo, ser tocada por uma reflexão neuroquímica profunda: discernindo a religião não como verdade ontológica absoluta, mas como construção beliefal humana - um véu mitopoético sobre o abismo da existência, ecoando Nietzsche ao proclamar que valores morais devem ser transmutados pelo homem livre, sem deuses decadentes.
A ausência de si
Talvez exista uma forma de ausência que nunca percebemos.
Estamos presentes fisicamente, cumprimos compromissos, conversamos, trabalhamos, produzimos, conquistamos, respondemos mensagens e continuamos funcionando.
Mas funcionar não significa necessariamente estar presente.
Podemos comparecer a todos os lugares e ainda faltar dentro de nós mesmos.
Talvez essa seja a ausência de si.
Não é desaparecer do mundo.
É permanecer nele durante tanto tempo respondendo ao que esperam de nós que já não sabemos distinguir aquilo que fazemos por escolha daquilo que fazemos por repetição.
Existem pessoas extremamente ocupadas que talvez estejam, na verdade, ocupando-se para não se encontrarem.
Porque o silêncio produz perguntas que o barulho consegue adiar.
Quanto mais barulho fazemos do lado de fora, menos ouvimos aquilo que continua falando do lado de dentro.
Produzir pode ser realização.
Mas também pode ser fuga.
Trabalhar pode representar propósito.
Mas também pode evitar encontros internos.
Ajudar os outros pode ser generosidade.
Mas, algumas vezes, cuidar permanentemente de todos pode ser uma maneira sofisticada de nunca precisar olhar para quem cuida.
Por isso, nem toda produtividade significa evolução.
Há pessoas construindo grandes coisas enquanto silenciosamente deixam de construir a si mesmas.
Talvez tenhamos aprendido a medir demais aquilo que fazemos e muito pouco aquilo que estamos nos tornando enquanto fazemos.
Perguntamos:
Quanto produzi?
Quanto ganhei?
Quantas pessoas alcancei?
Quantas metas cumpri?
Mas raramente perguntamos:
Quem estou me tornando enquanto conquisto aquilo que desejo?
Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes do desenvolvimento humano.
Porque nenhuma conquista chega sozinha.
Toda conquista também constrói o conquistador.
Cada caminho modifica aquele que caminha.
Cada escolha repetida transforma-se gradualmente em comportamento.
Cada comportamento repetido participa da construção de uma identidade.
Por isso, talvez exista algo anterior ao sucesso.
Não basta perguntar se estamos chegando. Precisamos perguntar quem está chegando conosco.
Podemos alcançar o destino e perder partes fundamentais de nós durante o percurso.
E existe uma ironia nisso:
passamos anos tentando construir uma vida melhor para nós mesmos e podemos acabar construindo uma vida na qual já não existe espaço para nós.
Uma agenda cheia também pode esconder uma existência vazia de presença.
Talvez o contrário de vazio não seja preenchimento.
Talvez seja presença.
Porque preencher todos os espaços não significa habitar nenhum deles.
Podemos preencher a agenda, a casa, a conta bancária, o currículo, as redes sociais e até os relacionamentos e, ainda assim, permanecer ausentes da própria experiência.
Por isso proponho outra ideia:
Presença não é estar onde o corpo está. É conseguir existir conscientemente onde a vida está acontecendo.
E a vida sempre acontece agora.
Não ontem.
Não depois da próxima conquista.
Não quando tudo estiver resolvido.
Agora.
Talvez tenhamos desenvolvido uma extraordinária capacidade de registrar momentos que já não sabemos experimentar.
Fotografamos antes de observar.
Publicamos antes de sentir.
Compartilhamos antes de compreender.
Transformamos experiências em conteúdo e, algumas vezes, deixamos de transformar experiências em consciência.
Nunca registramos tanto a vida e talvez nunca tenhamos precisado tanto aprender a vivê-la sem registro.
Não se trata de rejeitar tecnologia, trabalho, ambição ou progresso.
Trata-se de impedir que os instrumentos criados para ampliar nossa existência acabem ocupando o lugar dela.
Porque existe uma diferença entre possuir ferramentas e ser conduzido por elas.
Entre utilizar o tempo e ser utilizado pelas urgências.
Entre construir reconhecimento e depender dele para reconhecer a própria existência.
Talvez liberdade não seja fazer tudo aquilo que desejamos.
Talvez exista uma liberdade ainda mais rara:
não precisar demonstrar permanentemente que estamos vivendo para conseguir sentir que nossa vida possui valor.
Quando a existência depende excessivamente do olhar externo, podemos começar a viver como espectadores de nós mesmos.
Perguntamos como parecerá antes de perguntar como será vivido.
Escolhemos aquilo que poderá ser mostrado.
Construímos uma versão publicável de nós.
E, gradativamente, podemos começar a confundir visibilidade com existência.
Mas ser visto não significa ser conhecido.
Ser conhecido não significa ser compreendido.
Ser admirado não significa estar realizado.
E ser seguido por milhares não impede alguém de ter perdido o caminho para dentro de si.
Visibilidade é quando muitos conseguem nos encontrar. Presença é quando ainda conseguimos encontrar a nós mesmos.
Talvez essa distinção se torne cada vez mais necessária.
Porque o mundo continuará disputando nossa atenção.
Empresas querem nossa atenção.
Redes querem nossa atenção.
Pessoas querem nossa atenção.
Problemas querem nossa atenção.
Objetivos querem nossa atenção.
Mas existe uma pergunta anterior:
quanto da nossa própria atenção ainda permanece disponível para nós?
Aquilo para o qual entregamos repetidamente nossa atenção participa silenciosamente da construção da nossa consciência.
Talvez, portanto, atenção seja muito mais do que concentração.
A atenção é uma forma silenciosa de autoria: aquilo que escolhemos observar começa, pouco a pouco, a participar daquilo que nos tornamos.
Se entregarmos nossa atenção apenas ao barulho, o barulho passará a habitar nosso interior.
Se entregarmos nossa existência apenas às urgências, poderemos passar uma vida inteira resolvendo aquilo que precisava ser feito sem descobrir aquilo que precisava ser vivido.
Talvez o verdadeiro desenvolvimento não consista somente em acrescentar competências.
Talvez também exija recuperar presença.
Voltar a habitar as próprias escolhas.
Voltar a escutar as próprias perguntas.
Voltar a perceber aquilo que sentimos antes de explicar aquilo que sentimos.
Voltar a existir antes de representar que existimos.
Chamo isso de presença consciente:
a capacidade de participar da própria existência enquanto ela acontece.
Porque talvez exista uma tragédia maior do que perder alguma coisa durante a vida.
É chegar ao final e perceber que estivemos presentes em quase todos os acontecimentos, mas ausentes de nós mesmos enquanto eles aconteciam.
Não permita que sua existência se transforme apenas em evidência de que você existiu.
Esteja nela.
Porque uma vida pode ser longa em anos, enorme em realizações e repleta de acontecimentos…
e ainda assim ter sido pouco habitada.
A maior distância que alguém pode percorrer talvez seja aquela que, sem sair do lugar, o afasta de si mesmo.
E talvez uma das maiores conquistas humanas seja exatamente o caminho contrário:
voltar a estar presente na própria existência.
Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026
ENTRE DOIS AMORES, O RASGO INVISÍVEL DA ALMA.
Há uma dor que não nasce da ausência, mas do excesso. Não é a falta que dilacera, mas a coexistência de dois afetos que se recusam a morrer dentro do mesmo coração. Amar dois seres é habitar uma encruzilhada onde cada passo é uma perda irreparável.
O rompimento, nesse cenário, não é apenas uma decisão. É uma amputação íntima. Ao escolher, não se abandona apenas alguém. Abandona-se uma possibilidade de si mesmo. Uma versão da própria existência que jamais se cumprirá. E isso pesa. Pesa como aquilo que poderia ter sido e não foi.
Entre dois amores, não há inocência. Há consciência aguda. Cada gesto torna-se cálculo moral. Cada silêncio, uma confissão. A alma divide-se entre o dever e o desejo, entre o que acalenta e o que incendeia. E, no instante da ruptura, nenhum dos lados vence. Ambos deixam marcas.
A dor que surge não é simples saudade. É uma espécie de eco contínuo. O amor que permanece não desaparece. Ele se recolhe, torna-se subterrâneo, mas continua a existir como uma presença velada, insistente, quase espectral. E aquele que parte carrega consigo duas ausências. A de quem deixou e a de quem nunca poderá ser plenamente.
Há, porém, um rigor inevitável nesse processo. A vida não sustenta indefinidamente duas verdades afetivas em conflito. Em algum momento, a realidade exige unidade. E essa unidade cobra um preço. Romper é aceitar esse preço sem garantias de alívio imediato.
Com o tempo, a dor não desaparece. Ela se reorganiza. Deixa de ser ferida aberta e torna-se memória estruturante. Ensina sobre limites, sobre responsabilidade emocional, sobre a gravidade de envolver destinos alheios em nossas próprias indecisões.
E talvez a compreensão mais difícil seja esta. Amar, em sua forma mais elevada, também exige renúncia. Não apenas do outro, mas de si mesmo enquanto centro absoluto do desejo.
Porque entre dois amores, não se escolhe apenas quem fica.
Escolhe-se quem se terá coragem de perder para sempre.
A Ilusão das Expectativas
Muitas vezes, o que nos fere na separação não é a ausência da pessoa, mas a queda do pedestal que nós mesmos construímos para ela. Sofremos porque insistimos em cobrar uma afinidade que o outro, em seu atual estágio de evolução, simplesmente não tem mais para nos oferecer. Cada alma caminha no seu próprio ritmo e oferece apenas o que já conseguiu florescer por dentro. Quando aceitamos que o distanciamento é o reflexo da realidade e não de uma rejeição pessoal, quebramos a corrente das expectativas frustradas. Olhar para o afastamento com essa lucidez espiritual nos permite perdoar o outro por não ser quem gostaríamos, acolhendo o fim do ciclo com serenidade e respeito à verdade de cada um.
Prefiro aprender a conviver com a sua ausência do que ultrapassar meus próprios limites para suportar o seu desrespeito.
Sentir sua falta pode doer, e talvez doa muito. Mas a saudade é uma dor que, com o tempo, perde força, cicatriza e encontra seu lugar.
Já abrir mão da própria dignidade apenas para manter alguém por perto é escolher uma ferida que se renova todos os dias.
A maior pobreza jamais foi a ausência de bens, mas o lento esgotamento da capacidade de se comover. Há uma miséria muito mais silenciosa do que a falta de tudo: aquela em que a alma, exausta de perdas e desilusões, já não encontra razões para estremecer diante do que ainda permanece. Porque, quando até a esperança deixa de despertar espanto, compreendemos que a verdadeira ruína nunca habitou o mundo ao redor, mas o lugar mais íntimo onde a sensibilidade um dia chamou a vida pelo nome.
- Tiago Scheimann
A pior ausência não é provocada pela morte, mas pela permanência sem presença. Há olhares que continuam diante de nós enquanto já habitam outro universo. Descobrimos tarde demais que o abandono começa muito antes da despedida. Primeiro desaparece o interesse, depois a escuta, depois a delicadeza. O corpo permanece por educação; a alma parte sem fazer ruído. Poucas tragédias são tão silenciosas.
- Tiago Scheimann
O Girassol que Floresce mesmo na Ausência do Sol
Você é o Girassol que aprendeu a florescer também à noite, depois que compreendeu que nem sempre o sol vai aparecer — quando a sua delicadeza se mostrou forte.
Pois tem a resiliência de uma mulher incrível, cuja determinação é enorme, além de um charme naturalmente expressivo entre outros detalhes, sensações e instintos.
A sua intensidade e a sua elegância têm uma relação bastante aprazível, como admirar o brilho das estrelas e a presença cativante de uma linda flor de pétalas amarelas.
Com a constelação de palavras,
o silêncio cortante e ausência
tenho escrito rotas inusitadas.
Não faço ideia se vou alcançar
o seu amor raro em tempo,
mas não posso deixar de confiar.
Facilmente de mim não irá se livrar,
porque nasci poesia absoluta
feita de enigma fatal a te desafiar.
A nossa maior viagem está sendo
por antecipação do lado de dentro,
temos os gatilhos do pensamento.
De tanto etéreo e sensorial escrever,
virei a biblioteca do sentimento:
esquecer nunca será mais a opção.
Com a minha pluma mais amorosa
construí na sua alma e no seu coração:
o meu Império como sagrada habitação.
Não há ausência de sentimento maior e mais medonha do que a dos que se atrevem a julgar o sentimento alheio.
Há uma estranha soberba em quem se coloca como árbitro da dor do outro, como se emoções fossem fatos mensuráveis, passíveis de perícia tão gélida.
Julgar o sentimento do outro é, antes de tudo, ignorar a vastidão invisível que cada pessoa carrega — histórias não contadas, cicatrizes que não se exibem, batalhas travadas no silêncio.
Quem invalida o sentir alheio, muitas vezes, não o faz por força, mas por ausência — ausência de empatia, de escuta, de profundidade…
É mais fácil desqualificar do que compreender; mais confortável rotular do que acolher.
Afinal, reconhecer a dor do outro exige, inevitavelmente, encarar as próprias limitações emocionais.
Mas sentimentos não obedecem à lógica dos tribunais.
Eles não precisam de provas, tampouco de aprovação.
Sentir é, por si só, um ato muito legítimo.
E cada emoção, por mais incompreensível que pareça, nasce de um lugar real dentro de quem a vive.
Talvez a verdadeira humanidade resida menos em explicar o que o outro sente e mais em respeitar que ele sente — mesmo quando não entendemos, mesmo quando não concordamos.
Porque, no fim, a maior pobreza não está em sentir mais ou sentir menos, mas em sentir tão pouco a ponto de negar a existência do sentimento alheio.
De que adianta um céu sem estrela
um principe sem princesa
e eu aqui na sua ausência?
De que adianta um rei sem seu trono
uma fortuna sem um dono
E as minhas noites sem sono?
De que adianta o piso sem chão
um rumo sem direção
ou você fora do meu coração?
De que adianta o tempo passar
e ele não ser capaz de apagar
a magia vinda do seu olhar?
Ausência
Dor que transborda nos olhos.
palavras que não consigo calar,
amor que não consigo esconder,
saudade que não deixa te esquecer.
Sonhos que não estou,
lembranças que não vamos ter.
Caminhos divididos,
onde antes era um só .
Ausência que me acompanha.
Amor doentio,
que insisto em querer.
sem você não sei viver,
quando parte me faz morrer.
Estava permitindo-me esquecer-te, para aliviar a dor da ausência.
Permitia-me esquecer a cor exata dos teus olhos, o tom divertido e intenso da sua voz, sua pequenas ironias orais, corporeas…
Estava permitindo-me esquecer o sentimento, trancando-o no baú mais profundo da minha alma, privando o da liberdade até que se concretizasse sua presença.
Mas ao fazer isso eu esfriava a paixão, a desistensificava; ela, que é o melhor tempero do amor.
Péssimo caminho.
Resolvi, então, adocicar minhas horas com suas lembranças, trazer sua presença ao meu hoje e agora. Me acostumar com a espera.
Não penso que esse meu ato foi errôneo.
Mas as consequências não foram benéficas à minha vida fora de você.
-Enquanto as pessoas falam e falam, a única voz que ecoa na minha cabeça é a sua-
“Estou com saudade.” É o refrão da música que agora a sua voz permitiu à minha mente compor.
Ignoro agora o sentido de estar aqui.
O presente aqui e agora é triste sem você.
Ah, quem me dera os valores da vida fossem unicamente os que fazem bem ao coração.
As regras de conduta da sociedade nada valem agora. para minha alma.
De que me servem o pudor e “honra” quando a alma já está entregue, perdida, vendida e roubada?
Fico destruída por dentro quando lembro que tudo o que levaremos para a eternidade serão os sentimentos, conhecimentos e ações para com o próximo.
Registro, 27 de maio de 2010*
O meu quotidiano me prende me limita a muitas coisas
que penso que deveria ter feito,pela ausência do tempo
mas agora vejo que este pensamento,que era o meu quotidiano passado
achando que deveria fazer tal coisa,que muitas vezes eram as mesmas e erradas
que hoje sou eu quem tenta variar a minha vida
meus pensamentos,diferenciando o meu dia dia
mantendo-a sempre com pensamentos bons e a procura de novidades e boas emoções.
Uma dor imensa
Causa um breve momento
De ausência...distância
Uma falta...uma carência
Tamanha é a ansiedade
De rever-te...meu presente
Porque do futuro nada sei
E reverter essa impaciência
Em sua doce presença
Que me acalma
Faz bem para minha alma…
Só de ouvir tua voz
Já me sinto feliz
E teu abraço
Se faz meu!
Quase sempre quando vem a noite sua ausência se faz
presente. Abraço o vazio e me apoio no espaço vago da sua
presença. Ouço o silêncio da sua voz e me deito no holograma
do seu corpo. Amo amar você, em meio a doce utopia do meu
ser. Desejo sua memória em memoria de mim mesmo quando
juntos fomos um. Quando era o mundo uma aguarela onde se
regava a flor mais bela que hoje no esfumaçado do grafite
esvai acinzentado sobre a tela da memoria.
No encontro de uma Constante - Presente roubado
Chega a hora de ir embora
E sinto sua ausência
Como um presente roubado.
Estou sendo torturado
Desmoronando nesse frágil mundo
E quantas vezes eu pensei lhe dizer
Que não era apenas sua imaginação
Realmente te olhava diferente
Um tão diferente que era tão igual
Um olhar que não parecia me incriminar
Nem me julgar
Não era apenas paixão.
Quando não há dor
É bem fácil imaginar
Que sua ausência não me faria falta.
E o mundo real não é um conto de fadas
Onde um milagre possa acontecer
Esse foi o meu presente roubado
Não acreditar que além dos mares
Que depois de enfrentar tanto
Não iria machucar
Vê-la partir
Sem me dar um simples adeus.
trecho
Ausência
Aqui estou recluso em meu quarto envolto em meus
Pensamentos, solitário e saudoso do seu abraço.
O breu da noite açoita-me e abre à ferida aberta.
Dor maior não há, senão a que sinto ao lembrar seu nome.
Reviro-me de um lado ao outro a procura do seu corpo,
O que sinto é apenas um enorme vazio
Naquele espaço que era somente seu.
Ao fechar os olhos, seu sorriso vem
Como um raio de luz que emana do recôndito.
Cá estou inerte e indefeso, sem ação
Ante ao bombardeio que sofro da minha consciência
Que me culpa incessantemente pela sua ausência.
Em meio à madrugada bate a saudade
Daquele carinhoso afago, calor que invadia
O meu ser e me fazia mais feliz.
Ainda sinto o seu respirar ofegante que me despertava
Os mais ocultos e obscuros sentimentos.
Minha alma viajante da noite cantarolava
Alegremente por comigo compartilhar esse momento
Momento em que nossas almas se fundiam
E por algumas horas éramos uma só vida, um só coração.
Quisera o destino levar-lhe, tirar-lhe do meu convívio,
Sem maiores explicações, como um ladrão,
Seqüestrou-a e consigo á levou.
Cá estou à espera de uma ligação,
Um pedido de resgate, uma notícia sua.
Hoje sou esse ser sombrio sem brio
Preso ao passado que me foi cruel e impiedoso.
Saudades eternas meu amor!
