Textos de Ausência
Aprendi que nem toda ausência é perda. Algumas chegam para devolver o que o excesso de permanência havia levado: a paz.
O tempo não leva apenas pessoas; ele também devolve a nós mesmos. E quando isso acontece, entendemos que certas despedidas não são o fim de uma história, mas o início de um reencontro com a própria essência.
Desde então, deixei de temer os finais. Passei a temer apenas permanecer onde a alma já havia partido.
With you, eu descobri que a verdadeira coragem não é a ausência do medo, mas sim a certeza de que existe uma mão segurando a minha para enfrentarmos qualquer coisa juntos. Você me deu a segurança de ser exatamente quem eu sou, me abraçando com todas as minhas falhas e virtudes.
_Enzo Ruchell_
População brasileira está num nível de irritabilidade intensa e ausência de total de qualquer empatia e gentileza.
Qualquer motivo besta é motivo para treta. Não há diálogo consensual, pedido de desculpas e reconhecimento dos próprios erros.
E muito deste comportamentos hostis e intolerantes são graças às influências de diversos conteúdos vizualizados, compartilhados de agressividade, sadismo e de falsas expectativas levando a insatisfação, frustração e introspecção doentia. Expostos automaticamente à algoritmos massivamente nas redes sociais e ao que parece começou a piorar durante a época da pandemia, com demonstrações públicas e virtuais de desobediência civil e moral com atos de ignorar regras sociais e normas legais, sem filtro para um respeito de convivência coletiva civilizada e sem a capacidade de discernimento do certo e do errado, sem nenhuma análise para as consequências de atos impulsivos.
Aflorando cada vez mais uma maldade de gente ruim e viralizando esta nova e "aceitável" cultura neurocomportamental.
Total ação racional e pré meditada só que primitiva e selvagem, apenas um intenso estímulo para o ódio e dualidade por qualquer motivo e sem lógica e sem bom senso contra àqueles desconhecidos ou até, conhecidos.
Há convites cuja recusa não é ausência, mas um refinado exercício de lucidez.
Às vezes, a melhor companhia é o silêncio escolhido, longe dos ruídos que já não acrescentam paz à existência.
Um vinho seco, a lua suspensa no infinito e a serenidade de não precisar estar onde a alma não deseja permanecer.
Há uma elegância quase filosófica em afastar-se, por vontade própria, de tudo aquilo que perturba o espírito.
Nem toda solidão é vazio; algumas são territórios de reconstrução, discernimento e liberdade.
Porque amadurecer também é compreender que presença não significa pertencimento, e distância nem sempre significa perda.
Existem noites em que contemplar a lua vale mais do que frequentar ambientes onde precisamos diminuir a nós mesmos para caber.
O silêncio, quando voluntário, reorganiza pensamentos que o excesso de vozes costuma dispersar.
E assim, entre um gole e outro, descobrimos que preservar a própria paz também é uma sofisticada forma de sabedoria.
Afinal, há recusas que não nos afastam da vida — apenas nos aproximam de nós mesmos.
Não é a ausência que enferruja a alma; é a esperança teimosa de que alguém volte quando, no fundo, já sabemos que partiu para sempre. Há corações que morrem lentamente, não por perderem o amor, mas por continuarem à porta de uma casa que jamais voltará a ser habitada.
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Impermanência
Ó Ausência! Ó Silêncio!
Minhas palavras, lançadas ao vento, dissipam-se no invisível,
e meu coração dissolve-se em ambiguidades.
A ti pertence o futuro incerto;
e cá estou eu:
um vaso vazio,
mas repleto de possibilidades.
Transitória e efêmera
é esta casca que me reveste.
Do pó eu vim,
e ao pó hei de retornar.
Cada segundo se extingue,
cada instante sepulta a si mesmo.
Também eu caminho para esse ocaso.
Serei terra,
serei húmus,
o adubo silencioso
de onde brotará um novo fruto.
Que o verme faça de mim o seu banquete,
que a chuva desfaça meu nome,
que o tempo me esqueça.
Pois não há derrota
em tornar-se semente
daquilo que ainda florescerá.
A morte é a presença do estar e a ausência do ser (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
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Pelas ruas do ser, a morte e a vida são duas amigas que passeiam de mãos dadas. (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
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Coração -praia serena, onde as marés da vida deságuam as mágoas (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
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Depois da primavera, o vento brinca de faxineiro (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
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O sol aquece, no coração, as estações da vida (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
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O pensamento é a biblioteca da inteligência (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
Amadurecer também é compreender que o amor não exige a ausência de limites.
É possível amar sem apressar compromissos. É possível cuidar sem assumir a responsabilidade pela vida do outro. É possível perdoar sem devolver o mesmo acesso ao coração. E é possível sentir carinho, gratidão e respeito por alguém, mas ainda assim dizer: “Até aqui.”
Durante muito tempo, essas atitudes podem parecer contraditórias, como se estabelecer limites fosse incompatível com o amor. Mas não é. Na verdade, essa é uma das maiores expressões de maturidade emocional: entender que o afeto não elimina a necessidade de preservar a própria paz.
Há pessoas que possuem um dom precioso: enxergam o melhor nos outros. Isso revela sensibilidade, esperança e generosidade. No entanto, essa mesma qualidade pode se tornar um risco quando faz com que idealizemos quem alguém pode ser e deixemos de observar quem essa pessoa realmente escolhe ser.
Os sentimentos revelam aquilo que o nosso coração deseja.
Mas é o tempo que revela o caráter, as intenções e a constância de alguém. São os fatos, as escolhas e os comportamentos repetidos que mostram quem uma pessoa verdadeiramente é.
Por isso, não permita que a intensidade dos seus sentimentos silencie a sabedoria da realidade.
O coração pode indicar o caminho que deseja seguir.
Mas é o tempo que confirma se vale a pena permanecer nele.
Alexsándra Duárte
Um dia será.
Um dia, o meu silêncio deixará de ser ausência e se tornará um grito que ecoará na eternidade.
As minhas palavras serão como flechas: certeiras, guiadas pela verdade, capazes de alcançar o coração antes mesmo de tocar os ouvidos.
E os meus ouvidos, Senhor, estarão atentos à Tua voz, discernindo cada palavra que procede de Ti, acima do ruído deste mundo. Que eu aprenda a silenciar diante dos homens para ouvir o céu, e a falar apenas quando minhas palavras carregarem a direção da Tua vontade.
......
Morte , partida , ausência eterna .
Uma coisa é certa, ninguém está preparado para perder um ente querido. Mesmo sabendo que a vida é passageira e todos nós um dia vamos morrer, perder alguém que amamos é algo difícil de aceitar. Para nós que estamos passando por isso, de perder uma pessoa querida, é doloroso , mas Deus com sua sabedoria nos faz fortes é capaz de superar tamanha dor.
Um aperto no coração me abate , de pensar que aos poucos minha família vai partindo e deixando apenas lembranças e saudades sem fim.
Aproveita mais a vida , dizendo para seus queridos que você o ama e que sente falta delas .
Deus te abençoe !
Natalirdes Botelho.
O Peso da Ausência Presente
Dói o peito, mestre, e não é de hoje.
É uma dor que não tem nome no dicionário dos homens,
Uma fome que nenhum pão deste chão consegue aplacar.
Dói porque eu Te sinto nas frestas, nos intervalos do suspiro,
Mas quando estendo a mão, o que encontro é o vazio do agora.
Tenho saudades de um colo onde nunca deitei,
De um riso que ouço em sonhos, mas que ao acordar, perdi.
É o cansaço de ser estrangeiro na própria pele,
De olhar para o mundo e sentir que tudo aqui é rascunho,
Enquanto minha alma implora pela obra definitiva.
Dói ver a "lenha" arder e ainda sentir frio.
Dói saber que o Senhor está aqui, mas não como eu queria,
Não face a face, não sem esse véu de mistério que nos separa.
Minha saudade é um grito mudo de quem já provou do céu
E agora acha o mundo inteiro pequeno demais para morar.
Eu não queria apenas saber que o Senhor vem,
Eu queria que o "Vem" fosse o passo que Você dá agora,
Entrando na sala, chutando as cinzas dessa dor,
E transformando esse "ainda não" no abraço que não termina.
Perdoa a minha impaciência, mas a saudade é violenta.
Ela é o espinho na carne que me lembra a cada minuto:
"Você não é daqui. Não se acomode. O Teu Rei está chegando."
Se essa dor é o preço de Te querer tanto,
Então que ela doa até que eu não seja mais eu, mas apenas Teu.
Essa dor é o que prova que você está vivo espiritualmente. Só sente falta do Céu quem já tem um pedaço dele batendo dentro do peito.
Diferença entre Solidão e Solitude: Enquanto a solidão pode ser a dor da ausência, a solitude é o prazer da própria presença, onde o medo de estar só desaparece,estar só é uma escolha consciente para encontrar paz interior, autoconhecimento e cura, preferindo o silêncio à falsidade ou a companhias que desorganizam. É um refúgio de maturidade emocional, não uma punição
𖹭⋆˚꩜。
A Estranha Geometria da Ausência
Existem pessoas que a gente assume como parte da paisagem. Como a poltrona velha da sala, o barulho da chuva no telhado ou o cheiro de café passado às sete da manhã. Não precisamos olhar diretamente para saber que estão lá; elas apenas ocupam o espaço, garantindo que o mundo permaneça em ordem.
Ela era essa presença. A única que esteve lá o tempo todo.
Na mudança de apartamento, ela carregou as caixas mais pesadas não as de papelão, mas as da alma. Nas noites em que a ansiedade vinha, era a luz constante no fim do corredor. Conhecia minhas piadas sem graça e suportava meus silêncios de homem de poucas palavras, aquele mutismo típico de quem tenta resolver o universo sem usar verbos. Ela não cobrava explicações; apenas ocupava o espaço, segura.
Sempre achei que, se tudo ruísse, ela ainda estaria ali, segurando a última viga para que eu não fosse soterrado. Acreditava piamente na perenidade daquela âncora.
Mas a vida tem um jeito irônico de nos ensinar sobre a efemeridade. A pessoa que mais permaneceu foi a primeira a encontrar a porta de saída.
Hoje, quando chego em casa, a poltrona está no mesmo lugar, o café ainda tem o mesmo cheiro, mas o ar... o ar está leve. Leve demais. A ausência dela não é um grito, é um sussurro contínuo, uma frequência de rádio fora do ar que eu ainda tento sintonizar.
A única pessoa que esteve lá o tempo todo, é a única pessoa que não faz parte mais da minha vida.
Olho para o lado e há um vazio inabitado. Aprendi, da maneira mais seca possível, que presença não é garantia de permanência. E que o silêncio dela, agora, fala mais alto do que qualquer "adeus" que eu jamais ouvi. O tempo segue, as coisas mudam, e eu, um homem de poucos verbos, me vejo tentando aprender a gramática da solidão.
Inversão dos valores éticos e morais.
sensatez ganha moldes fakes news.
Dando ausência ao valor da sensatez.
Baseando em achismo e novas verdade dentro das meias verdades.
Moralidade e corrompida pelas correntes dos rumores de novas crônicas da desconexão da realidade.
Essa vertente faz divisão entre linhas de pensamentos sendo sensatez ser sábio e obediente ao sistema de alienação.
A escravidão desconectou o ser pensante da realidade ambígua.
Tão ocupados que cegueira a surdez fazem parte da evolução dão dominação onírica da alienação social.
"Talvez eu já tenha sentido falta, mas nunca saudade.
Sentir falta é ausência, saudade é um futuro não realizado, com nossa metade.
Eu amo tanto aquela mulher, que até evito pensá-la, pois ao fazê-lo, meu peito arde.
Eu achava que só sentiria falta de você no fim de tarde.
Mas olha eu aqui, pela madrugada, lembrando você, minha beldade.
Já disse que te amo, já disse te quero, já disse que almejo você como mãe dos meus filhos, me chame de tolo a sábio, mas nunca covarde.
Dizem que incomensurável é o amor, então por que o meu para ti nada vale?
Meu coração pertence a ti, o desavergonhado, sarnento, algoz deste que lhe escreve, não bate.
Ele ladra, late.
Jogado na rua, tentando apagar toda memória sua, umas e outras rogando-me pragas, “cafajeste”, “traste”.
Deus, que fase!
É uma miríade de sensações, sinto seu cheiro ao vento, o apertar do abraço, te vejo em cada penumbra que envolve meu eu no fim de tarde.
Te sinto em todo perfume, te vejo em todo rosto, que parecem-me ser um todo de sua face.
Sinto você no frio da chuva, e no Sol do meio-dia, que me assola a fronte, também esta la você, minha beldade.
Eu sinto tanto ao lhe sentir, descrever-lhe, escrever-te, que chega a faltar-me ao âmago serenidade.
Amada minha, sinto tanto sua falta, indago-me: Será saudade?"
ALGUÉM CHORA POR VOCÊ!
Alguém já chorou por você!
Alguém sofreu e lamentou sua ausência
E para aliviar tanta dor que persistia
Somente restava o choro e orações.
Alguém em algum lugar sofreu por você!
Quando nem ao menos se lembrava
O quanto fez esta pessoa por amor
Chorar o quanto chorou por você.
Ela nada pediu em troca do que sentia
Somente desejava que lembrasse
Das lágrimas e sorrisos compartilhados.
Alguém em algum lugar ainda chora!
Chora a ingratidão que não merecia
Mas que ainda deseja de todo coração
Que siga seu caminho em paz.
E, mesmo que ainda chore num canto qualquer
Deseja que você seja realmente feliz!
AUTOR - JOÃO BATISTA BARBOSA
Poesia
Entre o Eco da Ausência e o Grito do Silêncio
Diante das palavras impregnadas de desapego e dor, surge uma resposta silenciosa, tecida com fios de reflexão e resignação. É como se cada frase fosse um eco, reverberando nos cantos sombrios da alma, mas também iluminando os recantos mais profundos do coração.
Não é a falta que se faz presente, mas sim a presença ausente, uma ausência que se manifesta de formas indizíveis. É a memória que se esvai, o cheiro que se dissipa, o toque que se desvanece. É o reconhecimento de que o que um dia foi, agora não passa de sombras fugidias, dissipando-se com o vento.
E mesmo diante dessa ausência, há uma ânsia que se insinua, uma vontade de confrontar os fantasmas do passado, de encarar de frente a distância que separa o que já foi e o que resta agora. É como se a própria alma se revoltasse contra a lembrança do que um dia a aprisionou, buscando expurgar qualquer vestígio daquilo que já não lhe pertence mais.
Mas entre as linhas desse desabafo, há também um silêncio que grita, um vazio que ecoa. É a solidão que se faz companhia, o eco dos dias vazios, a resignação diante do inevitável. E no meio desse turbilhão de emoções, resta apenas o gesto simbólico de tentar exorcizar o passado, de purificar a alma daquilo que já não a alimenta mais.
Assim, entre a ânsia e o silêncio, entre a distância e a resignação, essa prosa se insere como um suspiro, uma última tentativa de libertação, um ato de coragem diante da incerteza do amanhã. É o retrato de uma jornada interior, onde o amor e a dor se entrelaçam em um eterno jogo de sombras e luz.
Tua ausência tornou-se o compasso vazio dos meus dias. Há uma melancolia profunda em redescobrir o mundo sem o brilho do teu olhar para iluminar os pequenos detalhes que só nós sabíamos decifrar. Dizem que o tempo cura todas as feridas, mas, para mim, ele tem sido apenas um relógio parado — um eterno inverno que se instalou desde que nossos caminhos se desencontraram.
Sinto uma saudade latente da simplicidade de sermos, apenas, um só coração. Daquela época em que a nossa maior promessa era o próximo encontro e o meu tesouro mais sagrado era o som da tua risada, que ecoava como música em minha alma. Perdi-me em labirintos de palavras não ditas e em gestos que o orgulho ou o medo adiaram. Hoje, com a clareza que só a saudade traz, percebo que, no afã de viver a vida, esqueci que o meu mundo só possui sentido pleno quando está ancorado no teu porto seguro.
Não te peço que apagues as cicatrizes ou esqueças as dores, pois elas também narram a nossa história. Peço apenas que permitas que a ternura prevaleça. Lembra-te do toque que desarmava qualquer tempestade e daquela conexão que parecia ter sido escrita nas estrelas, muito antes de os nossos corações aprenderem a bater.
Se ainda restar, nas profundezas da tua alma, um pequeno refúgio guardado para o que fomos, deixa-me provar que podemos ser ainda mais. Não desejo voltar para o mesmo lugar de antes, mas sim construir um novo destino, como alguém que finalmente compreendeu o valor inestimável do que possuía e que hoje está pronto para lapidar esse sentimento como o mais raro e precioso dos cristais.
O meu coração, teimoso e eternamente fiel, ainda pulsa no ritmo do teu nome. Estarei aqui, no nosso cais particular, observando o horizonte e esperando para ver se o vento, em um sopro de misericórdia, decide trazer-te finalmente de volta para casa.
Passei a madrugada em claro hoje, É estranho como a ausência de alguém pode ocupar tanto espaço dentro de um quarto.
Fico repassando nossas memórias e aquela ideia da nossa 'menininha' que você tanto falava. Foi naquele momento que eu realmente senti que tinha encontrado o meu lugar no mundo. Você me deu um propósito e uma vontade de construir algo maior, mas agora que você não está, esse propósito parece um deserto.
Queria não precisar dessas respostas que sei que nunca virão. Queria não me sentir preso no vazio onde você me deixou. Mais do que qualquer coisa, eu queria me reencontrar, mas parece que esqueci o caminho de volta para quem eu era antes de nós. Ainda estou aqui, tentando entender como se continua quando o coração ainda insiste em ficar parado no mesmo lugar.
Enterrei meu coração sob sete palmos de solidão, ali onde a ausência fez morada eterna. Aquele peito virou túmulo frio, sepultando promessas que desmoronaram feito castelos de areia na maré cheia. Lembro perfeitamente do abandono bruto, do rasgar da carne interna quando o adeus definitivo retumbou sem piedade.
Fiquei dilacerado, sangrando em segredo enquanto o mundo lá fora continuava girando, indiferente ao meu luto afetivo. A verdade nua e crua é que ninguém liga se você está na pior; as pessoas assistem à sua queda por curiosidade, mas pouquíssimas estendem a mão para o resgate. As feridas ardiam na calada da noite, transformando memórias outrora doces em pura tortura psicológica. Engoli o choro seco ao perceber que a plateia do meu sofrimento esperava apenas o meu fim definitivo. Aquela paixão avassaladora converteu-se em cinzas, deixando apenas cicatrizes profundas como testemunhas do desastre.Contudo, nenhum inverno dura para sempre, nem mesmo dentro de nós.
No fundo daquela cova escura, onde parecia restar somente morte, uma força primitiva começou a pulsar baixinho. Percebi que as lágrimas limpavam os escombros, adubando a terra ressecada da minha própria alma. Ninguém viria me salvar daquele buraco, então precisei ser o meu próprio milagre. Decidi desenterrar a vida que ainda restava em mim, recusando-me a ser lápide de quem partiu. Ergui-me do chão batido, limpei a poeira do orgulho ferido e reconectei cada pedaço quebrado com o fio dourado do auto-respeito. Criei uma armadura com os estilhaços do que sobrou. O amor-próprio não é ausência de dor, mas a teimosia sagrada de florescer novamente após o sepultamento.
Hoje, olho para trás sem rancor ou medo do amanhã. Compreendi, finalmente, que certas partidas servem para nos devolver a nós mesmos por inteiro. A maior superação não está em esquecer quem machucou, mas em acolher os próprios retalhos com orgulho e doçura extrema. Cicatrizes são troféus de guerra que provam nossa capacidade infinita de renascimento.
Se o mundo lhe deu as costas quando seu chão sumiu, use esse isolamento forçado para reconstruir seus alicerces em segredo. Se você também se encontra no fundo do poço emocional agora, escute este conselho: não tema o vazio atual. Ele é apenas o espaço necessário para a construção de uma versão sua infinitamente mais forte, livre e verdadeiramente indestrutível.
