Sino
A pergunta ecoou no vazio do apartamento, fria e implacável, como um sino a anunciar a hora da solidão. "Como você está?", minha mãe perguntou, sua voz carregada de uma preocupação que eu conhecia tão bem, mas que agora soava distante, quase irreal. Engoli em seco, a garganta seca como o deserto que se estendia dentro de mim. O silêncio que se seguiu à pergunta era denso, pesado como chumbo. Olhei para o telefone, para as mensagens não respondidas, para o café esfriando na xícara. Cada objeto era um testemunho mudo da minha solidão. "Estou bem," respondi eu com os olhos cheios de lágrimas, a mentira pairando no ar como um véu pesado, uma tentativa desesperada de esconder a verdade. A solidão era um monstro invisível, apertando meu peito, sufocando-me lentamente, e a única coisa que me restava era a máscara de um sorriso forçado, uma performance para uma plateia vazia. As lágrimas escorriam silenciosamente, traçando caminhos invisíveis sobre meu rosto, ninguém via as rachaduras em meu sorriso, as lágrimas que insistiam em permanecer escondidas, um segredo guardado a sete chaves em meu coração. A solidão era um abismo profundo, e eu estava sozinha, à beira do precipício.
Sonhando com dias melhores
Que estaria o gatinho a anunciar com o badalar do sino?
Com certeza notícia sobre o mundo dos gatos ...
Ah, mas pudera eu me apossar desse badalo
tantas notícias boas e otimistas gostaria de anunciar
Iniciando um novo ano ,
há tantas coisas que gostaríamos de mudar ...
Desde o fim da violência ao fim da corrupção
todos podendo exercer a plena cidadania
sem medos , sem preconceitos , sem diferenças
Educação de qualidade , escolas bem estruturadas
com professores bem pagos e valorizados
seria meio caminho andado
para um futuro melhor garantido.
Infelizmente não há indícios
de que nossos sonhos
como num passe de mágicas
possam ser concretizados
Vamos caminhando passo a passo ,
Assim caminha a humanidade
esperando que um dia os sonhos se tornem realidade
Nunca nos abandonando a certeza
de que pode demorar,
mas dias melhores hão de chegar
Sino de bronze e neblina em prata, Ouro Preto.
O Trabalhador vende sua própria mercadoria, seu corpo, e se aliena na produção daquilo que não lhe pertence. Não pode vender sua alma e ser humilhado, se a escravatura não é má, nada é mau.
Estamos livres ? Não, as feridas não cicatrizaram e escravatura não foi abolida, na verdade ela foi generalizada, só que sem chicote.
A liberdade é a possibilidade do isolamento, se te é impossível viver só, nasceste escravo.
Hoje, 8 de Julho, o povo brasileiro celebra o dia do aniversário da cidade de Ouro Preto, talvez não a Abolição da Escravatura no Brasil. Eu sinto na pele o que é ser um negro... Eu me sinto muito bem, obrigado". Melhor um latifúndio de falas do que um deserto de ideias
Parabéns, Ouro Preto -Minas Gerais, pelos seus 310 anos.
Mancha negra
Longe demais das catedrais
O sino não pode ser escutado
A cada súplica, mais e mais
Não tem razão o velho ditado
Mancha negra, ironicamente
Jovens criam um novo Papa
Ideias crescendo livremente
Há algo de errado no mapa
A tradição tão desrespeitada
Pode ter sua ausência sentida
Nossa geração, desesperada
Crê na ilusão que está nítida
Quando acaba esta tragédia?
Quem realizará o golpe final?
Qual o nome desta comédia?
Qual o seu lado: bem ou mal?
A madrugada e o seu delírio
Frequente imposição natural
Se a existência é um martírio
Que o paraíso possa ser real.
Passou-se o tempo que ter filhos era tido como fruto do amor, hoje em dia, em muitos casos, são sinônimos da irresponsabilidade conjunta.
Uma verdadeira experiência de vida com Deus é como um sino que ressoa ao ser tocado pelo vento: invisível aos olhos, mas, quando verdadeiramente sentida, extrai virtude do Criador e ecoa em outras vidas.
Toque todos os dias o sino do amor, quem sabe numa capela
distante alguém esteja esperando ouvir os ecos que gritam
de seu coração…
O sino ultimamente bate de meia em meia hora
O som faz com que meu coração lembre da tua chegada
Em busca do meu amor
A moda nos anos de 1960 para os rapazes era calça boca de sino e sapato com salto plataforma. Com muito custo eu consegui comprar os dois, mas desfrutei por pouco tempo. A droga era que, um foi feito para outro. casal perfeito. Não dava para imaginar uma pessoa vestida de calça boca de sino sem os sapatos plataforma. Pois então, a calça eu consegui primeiro. Ela era feita de um tecido azul claro, cintura alta para poder usar sem cinto, muito bonita. O par de sapatos com salto plataforma demorou um pouco mais, talvez uns dois meses para eu conseguir. Me lembro como se fosse hoje o dia que estrei o conjunto. Devo ter crescido uns dez centímetros com aquela plataforma de couro. Naquele dia choveu muito e as ruas estavam um barro grudento e pegajoso; uma cola, melhor dizendo. Saí de casa com uma altura e cheguei na praça com outra;tinha tinha crescido com o barro que foi grudando nos nos sapatos. Quando isso acontecia, a gente tinha a prática para tirar aquele torrão do salto do sapato; era só bater com força que ele se soltava, mas para meu azar, quando bati o salto plataforma no cimento, fiquei manco. O salto se desprendeu e saiu feito um bólido para o meio da rua. Demorei mais uns dois meses para voltar a usar o conjunto. Tive que comprar outro par de sapatos plataforma. Nunca encontrei o salto do primeiro. Ivo
Que remeteu à puberdade,
Tingida de idealismos e anseio liberal.
Ouviu o sino e depois um hino
Vindo da igreja onde ensaiava o coral.
Quem poderá domar os ventos?
Quem poderá calar a voz do sino triste?
Nem deuses...
Nem monstros...
Nem tiranos...
Que em cada hora se perde...
A esperança que amarga...
Do que foi dito pelo não dito...
Na voz dos aflitos...
O consolo dos desconsolados...
O cristal foi quebrado...
O tempo perdido...
A lágrima que rola...
Escondendo os gritos...
Outrora prometido...
O que hoje não tem mais sentido...
E no labirinto que se encontra...
Ainda sonha...
Desejando não estar perdido...
Mas os ratos devoram...
Até as hóstias sagradas...
Invadem casas...
Trazem dores e martírios...
A saída é a luta...
Mas com quem lutar?
A luz está difusa...
O fim será se entregar?
Será do látego o carinho que irá receber?
A fome...
A miséria...
A morte...
Mais sofrer...
O destino escolhido...
Pela indecisão...
Sandro Paschoal Nogueira
Todas as portas trancadas e o sol brilhando lá fora
o sino da praça faz da anunciação,
uma declaração
mas ela não entende
e o silencio,
inóspito camarada ressoa o caos
visão perdida, adormecida
tempos que não voltarão jamais
segredos que serão confiados aos deuses
lágrimas que só o pensamento vê
paixão que sequer permitiu
saudade, verdade que insiste
e persiste para provar
que o amor a dois é lindo
entretanto será dor
quando somente em um, for capaz de germinar...
