Sino
Ah, foi rompida a taça dourada! Teu espírito escapou eternamente! Que dobre o sino! Uma santa alma já cruza o rio Estígio! E tu, Guy de Vere, não vertes lágrimas? Chores agora ou nunca mais!
Veja, no terrível esquife jaz teu amor, Lenora! Leiam-se os ritos funerários e o canto derradeiro, Um hino à mais nobre rainha, a mais jovem a partir, Que duplamente morreu, ainda tão jovem ao sumir.
Infelizmente a grande maioria ouve e segue o som glamouroso e inebriante do sino, mas não fazem ideia de qual sinagoga ele vem e o que realmente prega e influencia na vida, nem se isso aproxima ou afasta de Deus.
Só observam as flores, mas não o jardineiro.
Valdir Venturi 🌹
Dia de sol, dia de chuva. As noites são frias, mas ninguém escuta. Toca o sino, toca sem cessar. Até quando serão zumbis do mundo? Filhos, vocês precisam acordar.
ASSALARIADO
toca o sino
hora marcada
canta o hino
porta de entrada
preso à senha,
aos pés do senhor
contínua resenha
sem dor nem amor
anos trabalhando
vida rotineira
se aperfeiçoando
na mesma prateleira
toca o sino
vida encerrada
anos de hino
sem fim a estrada
O Sino
O sino bate ao fim do dia e ao meio dia o sino bate anunciando o meio, mas não o fim.
Talvez o começo.
O sino da igreja é um sinal da falta do bom senso para olhar o tempo.
O sino bate e penetra nossos ouvidos pena que muita gente não ouve.
O ser humano engana e trai como se tudo fosse normal. O sino toca, ninguém ouve. Nenhuma prece responde à dor amarga escondida no final.
Berço
Recordo: um largo verde e uma igrejinha,
Um sino, um rio, Um pontilhão e um carro
De três juntas bovinas que ia e vinha
Rinchando alegre, carregando barro.
Havia a escola, que era azul e tinha
Um mestre mau, de assustador pigarro...
(Meu Deus que é isto? que emoção a minha
Quando estas cousas tão singelas narro?)
Seu Alexandre, um bom velhinho rico
Que hospedara a Princesa; o tico-tico
Que me acordava de manhã, e a serra ...
Com o seu nome de amor: Boa Esperança,
Eis tudo quanto guardo na lembrança
Da minha pobre e pequenina terra!
Bernardino da Costa Lopes poeta parnasiano, conhecido como precursor do Simbolismo no Brasil.
1859-01-15 Rio de Janeiro
1916-08-18 Rio de Janeiro
Era festejo.
A Lua ainda reluzia.
O sino abalroava estrepitosamente,
enquanto os planetas se alinhavam no espaço sideral.
E todos riam, riam perenemente,
num grandioso aprazimento jovial.
O tempo foi moroso,
mas toda noite tem fim.
O fim da noite se interseccionou
com o último gole do deleitoso vinho.
E todos se despediram na última hora.
Rosimara Saraiva Caparroz
CUPIDO ANTÓNIO
O galo cantou ao surgir do sol
Quando o cachorro latiu e o sino soou na porteira
De longe vi seu chapéu de vaqueiro
Arrumei o laço no cabelo e no rosto passei pó
Amarrou seu cavalo na cerca
Ao entrar a permissão do meu pai pediu
Minhas orações no céu foram ouvidas
O moço viu o santo de cabeça para baixo
Ao lado da vela e da flor de mandacaru que murchou
Ele sorriu para mim e meu coração desabrochou
O cupido do altar no chão caiu
Mas a promessa depois de nove meses se cumpriu.
MINHA HORA TRISTE CREPUSCULAR.
Amo a hora morta em que o sino distante
Soluça pelas névoas do ermo escurecido.
Quando o céu, moribundo e vacilante,
Derrama sobre o vale um clarão amortecido.
Amo o cipreste imóvel junto às campas frias,
Os lagos sepulcrais dormindo sem rumor,
As folhas a cair nas longas ventanias,
Como páginas findas de um extinto amor.
Minha alma é semelhante às ruínas esquecidas
Que a hera funerária abraça em solidão.
Carrego nos meus olhos madrugadas perdidas
E um inverno perpétuo sepultado no coração.
Escuto pelas noites a voz dos cemitérios,
O murmurar dos mortos sob a terra sem luz.
Vejo espectros vagando entre os salmos sidérios
E luas consumidas sobre lúgubre cruz.
Oh. quantas ilusões desceram ao abismo.
Quantas flores morreram antes da estação.
Tudo no mundo exala um secreto cataclismo,
Tudo arrasta consigo um fragmento de extinção.
A brisa dos jardins parece um desalento.
O sol do ocaso lembra um sangue sobre o mar.
E até o riso humano possui no pensamento
A sombra melancólica de quem vai naufragar.
Quero dormir um dia entre mármores antigos,
Sob a relva ondulante dos claustros sepulcrais.
Dormir ouvindo ao longe os cânticos mendigos
Do vento soluçando entre torres medievais.
Porque minh’alma é triste como as torres vazias,
Como os sinos que choram na tarde outonal.
Porque trago no peito as pálidas agonias
Dos poetas malditos de um mundo espectral.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.
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Romperam o silêncio o galo cantando,
os passarinhos no meio da mata,
e o sino da Igreja Matriz São Francisco,
com a sua forte e contagiante badalada,
chamando a nossa vontade indomada.
A neblina repousando com o seu véu
de fada bem no meio da madrugada,
acordando lenta neste silêncio em Rodeio
dos jogos de poder e dos circos de horrores,
dos ruídos e das cortinas de fumaça.
Não se esqueça jamais de que aberrações
são criadas para rotular negativamente:
fraturar as sociedades, justificar tutelas
para desviar o foco do que realmente importa,
secar oceanos e acabar com florestas.
O que é de poesia e da sinuosidade
do Médio Vale do Itajaí dialoga por mim,
e, de certa forma, também por ti;
não podemos falar demais,
nós podemos dialogar com sonhos,
e ler silenciosamente lábios e olhos.
*Para Dona Célia - 100 anos de luz*
Hoje Cabrália Paulista silenciou,
um sino tocou diferente no céu.
Partiu Dona Célia, aos 100 anos,
gloriosa, vitoriosa, como viveu.
Não foi minha catequista de sala,
mas foi catequista da minha infância inteira.
Com seu terço na mão e fé na alma,
marcou uma geração inteira.
Ah, Dona Célia, que saudade já faz,
do seu sorriso manso, da sua oração.
Queria ter corrido para o último abraço,
ter dito o quanto marcou meu coração.
Você foi igreja, foi casa, foi história,
foi a fé ensinada com amor e com jeito.
Uma mulher que plantou eternidade
em cada criança que passou por seu peito.
Que o céu te receba em festa, Dona Célia,
como você merece, com cantos e luz.
Você nos ensinou o caminho da fé,
agora descansa nos braços de Jesus.
Obrigada por tudo. Você nunca vai embora,
enquanto houver uma criança rezando.
Cabrália te chora, mas o céu te comemora:
sua história será eterna, e seguirá nos guiando.
_Com saudade e gratidão eterna,_
_Uma menina de Cabrália que nunca te esqueceu_
*Mileidi da Janirda*
"No son los besos en la boca, sino la intimidad de la amistad."
Essa frase traz uma reflexão bem interessante sobre os limites entre amor, amizade e intimidade. Ela sugere que o verdadeiro teste de conexão entre duas pessoas não está necessariamente no contato físico (como os beijos na boca), mas sim na profundidade e na cumplicidade que existem dentro de uma amizade verdadeira.A intimidade da amizade envolve:Confiança total: Poder ser você mesmo sem medo de julgamentos.Presença: Estar lá nos momentos bons e ruins.Sintonia: Entender o outro apenas com um olhar.
As vezes penso que...aqueles que se julgam inteligentes...não tem sabedoria de si...no meu ponto de vista...não passam de pessoas abitoladas de seu próprio ego existencial...mostram apenas a sua vã tontice...um ser vivo...menos elevado espiritualmente...portanto essas pessoas que...se julgam seres melhores...não passam de mal resolvidas...no seu intelecto interior...se contrariadas sofrem... pois lhes faltam argumentos aos fatos...quando se deparam com pessoas sábias...que nada fazem para diminui-las como pessoas que são...''vazias''!
Abandonada. A palavra é como um sino que me leva de ti à minha solidão. Adeus. A fantasia não pode enganar tão bem quanto a fama que tem. Adeus, adeus, o hino triste some nas planícies sobre o córrego silencioso, além da vertente e agora, enterrado nas clareiras do próximo vale. Foi uma visão ou um sonho acordada? Passou rapidamente a música - estou acordada ou dormindo?
