Shakespeare sobre o Amor Soneto 7
Soneto da Imaginação
A imaginação
Origina a força para o voo
O cansaço faz dela
Seu repouso
Na estreita calada da noite
A espreitar o passar
De um tempo
Ali se passa o vento
Aqui se passa o tempo
Minha mente vai a lugares
Que você não iria
Nem com segurança
Armado
Meu desespero
É covarde
É que apesar de sombria
Caminha na escuridão
Escuta como dispara
De medo o meu coração.
Soneto de autopostumação
Sensações póstumas devem ser reconfortantes,
pelo alívio do sofrimento de uma vida inteira,
tornando todo o peso do dia a dia uma besteira,
uma vez do outro lado nada mais será como antes...
Preocupações de outrora em vida serão irrelevantes,
parte de uma extinta realidade passageira,
meu espírito, móvel velho em que se tirou poeira;
renovado, fará de angústias e mágoas coisas distantes...
Não há medo, confio no que mereço, por tudo que fiz;
a morte é um processo natural, calmo e bem-vindo,
finalmente terei a chance de ser bem mais feliz...
Ao partir sei que a caminho do maior estarei indo,
será bom, jamais vi uma caveira com semblante infeliz,
todas espontaneamente estão sempre sorrindo.
Soneto de metamorfose
Vida de lagarta.... Total limitação...
A sina de uma existência asquerosa,
de uma condição naturalmente desairosa,
melancólica, frágil e sem opção...
Destino de incomoda sujeição,
uma vida sofrida, triste e morosa,
de uma falta de perspectivas pavorosa,
onde há apenas a morte como solução...
Quando minha alma, este fulgor tépido;
de meu velho corpo irá se separar;
meu caixão, morada do cadáver fétido;
será o casulo que irei abandonar;
e estarei livre, me sentirei lépido;
borboleta pronta para voar.
Soneto da paixão recente
É felicidade plena,
senti logo de início,
por ti, todo sacrifício,
se torna coisa pequena...
Você faz valer a pena,
tudo... Qualquer artifício,
mesmo sendo malefício,
ou qualquer insensatez terrena.
Por ti faço o que for...
Afim de que resolva,
abrigar-me em teu calor.
Vem... Me leve, me envolva...
Inebria-me com teu amor,
e nunca mais me devolva!
O soneto da Tempestade
O céu desaba,
A luz se acaba,
Vem o trovão,
No coração.
O raio corta,
Bate na porta,
Traz o clarão,
Na escuridão.
O vento forte,
Lembra a morte,
Ruge no ar.
A chuva desce,
A alma prece,
Quer descansar.
Soneto de Despedida
Distante deste mundo vão
Agarro as minhas memórias
Para me consolar elas estão
Não esqueço velhas histórias
Sinto muito mas nada sinto
A não ser uma longa saudade
Eu não te amo e não minto
Por mais que tivesse vontade
Amo o que foi e ainda fica
Como a cinza que incendeia
Meu sentimento não se explica
Perdão mas tenho que ir
Meu pensamento ainda é teu
O coração nunca te pertenceu.
Soneto 1 - Marcas da Infância.
Olhar vago
Sentado na beira do rio
Vendo as ondulações projetadas.
Tentando não ficar senil
Com meu sorriso de faixa alargada.
Cubro os olhos da luz solar
Que se reflete, sutil, na superfície.
Os meus pensamentos tentam se calar,
Igualar-se as bordas da planície.
Cato uma pequena pedrinha,
Jogo na água, bagunçando.
Criando pequenas ondinhas,
E logo a visão vai-se ofuscando.
Memórias molham os meus olhos fechados,
Feridas trazem lembranças, ocultas do meu passado.
Tsharllez Foucallt
Mais um soneto inútil,
Outra película estúpida,
Difundindo teu veneno,
Consciência podre a nos intoxicar.
Sonho e Desejo ( Soneto)
Despir-se o corpo e afoguear
Encolerizar-se pelo coração que bate arfante;
desejos desse instante!
Sonhar com natureza as estrelas e o mar;
Álacre o clarão do luar!
O sal deixar o mar,
Buracos negros e as estrelas se dissiparem
Da natureza o verde desarvorar,
O fogo do corpo e do sol e apagarem.
O mal desaparecer,
Da prisão domiciliar sair
O clarão da vida reaparecer,
Deixe-me contemplar,
Antes de me despedir,
Quão lindo o verde de seu olhar.
Soneto Vida
O grande mistério da vida
Com toda a docilidade
Uma conduta mais atrevida
Nos oferece a crueldade;
A criança alegria e liberdade,
Juventude um encanto e doçura,
Nos brinda com amargura
A sua tão fragilidade,
Ensina - nos a ser forte,
Entendemos que não é sorte,
A felicidade com trabalho merecido;
Dores aprendemos a suportar.
A velhice o amargo esperar,
Num canto talvez esquecido.
Set/01/10
Missias
Soneto da ternura
Como é lindo o deslumbramento de um sorriso
E a beleza de um olhar azul
A sutileza de uma carícia
E o calor de um fervoroso abraço
Como é maravilhoso dizer o quanto te preciso
Na inteireza desse amor iluminado
Você não sabe o quanto estou fascinado
Ao ver a loira de olhos azuis mais uma vez
Oh, como é bela a ternura
Um encantamento que fulgura
Em um momento de sensatez
Como é linda a irreverência de um olhar
E a essência que me trás esse amor
Ao contemplar essa mais linda flor especial que é você.
Frankton Rodrigues de Lima
Canto só ou em dueto
junto ao mundo que vislumbro
rabiscando linhas em soneto
sou um poemeto sem rumo
As minhas
letras viraram
pó de estrelas
Para quem
desejar
Capturar
cada soneto,
Para que
se cumpra
a liberdade,
E eles escorram
entre os dedos,
E assim
bem desse
Jeito gere
outros poemas
Que varram
o medo,
Novas canções
e galáxias,
Porque estando
na cabeça
da minha Nação,
É sinal que faz
parte do coração;
E no sul-americano
pulsar por cada
Filho militar
eu consigno
Que pedirei
Sem receio
dia e noite,
E não abrirei mão.
Soneto "Et Incarnatus Est"
Quando entrei na Igreja Matriz
São Francisco de Assis
daqui de Rodeio pela primeira
vez só eu sei o quê senti.
Deparei-me com as cores
de "Et Incarnatus Est",
orei devotadamente
e agradeci imensamente.
A paz que fui tomada me dizia
que aqui no Médio Vale do Itajaí
em Rodeio havia chegado em casa.
E foi assim que desfiz as malas
com toda a poesia e estabeleci
de alvorada em alvorada a morada.
AVE AGOURENTA:
Meia-Noite à hora em meu quarto insone!
Debruçado à lauda deste soneto espectro
Agourentas aves ao meu sonhar consome
Seria, o silêncio astuto de minha razão, é certo?
Por quê a mim tormento ínfima criatura horrenda?
Sob um fito olhar de sarcástico deboche
Numa afirmativa: Sou no íntimo vossa reprimenda!
Em um siso sentimento a aurora suplico à toda sorte.
Olho ao cume, vejo como homem criatura intolerante!
Seu olhar esbugalhado penetra meu quimérico sonho
Como, simples aspirante, subornar tua consciência errante?
Em um ímpeto de autodefesa brado à criatura insana
Retraia-se, por favor, ilusória criatura! ...Não vês! esta tua intolerância à humanidade emana.
Soneto do amigo
Um velho que me diz verdades duras
em horas que não desejo ouvir
como um pai ou uma mãe a me pedir
cautela, para olhar além das amarguras
Às vezes tão distante e tão presente
contar com uma amigo é ter certeza
da voz que exala brandura e madureza
a infundir coragem, a nos tornar contente.
Alguém fiel, mas imperfeito como nós
humano e errante, mas leal e constante
um amigo antigo desata os nossos nós
Feliz é quem encontrou um grande amor
se a sorte não nos valeu neste sentido
pelo menos nos conceda um amigo de valor
Evan do Carmo 02/04/2018
Para todos os meus amigos, declarados e anônimos
SONETO DO RISO HUMANO
A angústia Sartriana, tristeza do primata
espinho que maltrata a alma com terror
quicá fosse alegria, espasmos de amor
o riso é inumano, ilusão da vida ingrata.
Da vida idealizada, da paz tão almejada
De medos, incertezas, daquilo que queremos
de tudo que sonhamos, até do que vivemos
o riso é um disfarce, uma máscara condenada.
A nos questionar se somos gente ou animal
o riso humano revela o que tentamos esconder
práticas inconfessáveis, ora de bem ora de mal.
Onde mora a dor, o choro espera o riso
tudo o que fazemos, queremos um motivo
o homem sonha a vida, a morte o paraíso.
Evan do Carmo 07/04/2018
Soneto da distância
Minha amada vive muito longe de mim
No mais alto monte da saudade
Tão distante deste mar sem piedade
Onde habito sem sossego até fim
Onde vivo e morro de desejo
Não suporto sofrer tão mal assim
Nunca pude sequer lhe dar um beijo
Para ter seu corpo quente junto a mim
Dois amantes que a sorte condenou
Ao destino fatal do abandono
A distância se impôs e ordenou
Que jamais pudessem se encontrar
Nesta estrada sem rumo sul ou norte
Onde o amor se consome até a morte.
Soneto ao vinho
Entre os espinhos dessa vida agreste
O vinho nos conforta a dor do peito
Um cálice, um brinde ao amor celeste
Que acalma e nos traz paz em seu deleite
Em nosso ninho, aconchego e carinho
Onde o amor floresce como trigo
Em noites frias, ao som do pinho
Aconchega e aquece nosso abrigo
E assim, entre espinhos e flores
A vida segue seu curso sem temores
Ainda temos fé para amainar os dissabores
E que o vento esteja ao norte e a favor
Que em nosso ninho habite luz e calor
E que a vida seja sempre um brinde ao amor
