Lucas C. Ferreira da Silva

Encontrados 18 pensamentos de Lucas C. Ferreira da Silva

Erupção cutânea


Eu tenho uma ferida
Que me causa repulsão,
E meso quando está limpa,
Ela só exala podridão.


Ela não doi, e nem corrói
Mas eu sei que destrói
A minha bela imagem.
Mesmo eu sendo o herói
Vejo o quanto ela se reconstrói
E quando ela remoi vira sabotagem.


Hoje amanheceu bem pior.
O pus que dela explodia
Me revirava o estômago
Devido ao cheiro que dela surgia.


É pura agonia tratar dessa doença.
Parece abstinência das dores do meu passado.
Revirando as minhas crenças
A torno minha sentença
Devido aos erros do qual já fui culpado.


O médico não quer mais me ver,
E o psicólogo já "arrumou" a sua agenda,
Dizendo: quero que você aprenda
A curar essa moléstia que há em você.


Remédios já foram medicados
Tratados também foram os problemas.
Amarelados como as gemas
Que há nos ovos descorados.


Quando ela escorre bastante
Já sei que a infecção está brava
Mesmo que futuque ou que se lava
A nojeira volta no mesmo instante.


Mas sabes que lá no fundo
O olfato se acostuma com o cheiro!?
No entanto o paladar é o primeiro
A tomar gosto num segundo.


Mesmo vendo o quanto isso é imundo.
Até eu mesmo nem quero mais tocar.
Ainda assim eu quero melhorar
A aparência dessa desgrama,


Essa ferida até que me engana
Está parecendo o pior desse mundo,
Eu só quero que ela suma num segundo
E não deixe nem mesmo uma só grama.


Tsharllez Foucallt

Inserida por LucasCandido

Precipício


Parte 01: bservação do Vazio.


Daqui a vista é bem vista,
E a visão não é mais turva:
Daqui o mundo tem explosão balística.
Só se arrisca quem erra a curva.


O paraíso é como um sonho,
Não exponho os meus medos.
E a dor do abandono,
Já corroeu os meus desejos.


Não quero mais ficar aqui
Mesmo sem ter pra onde ir.
Não quero mais existir,
Mas não quero perder o fim...
Mas não quero me perder no fim...
Não quero que seja o fim!


Enfim... Fique por mim!
Enfim... Siga assim...
Mesmoooo!


Parte 02: Escolha do Ato.


Agora o frio me abraça,
Me enlaça como uma forca.
As minhas forças somem de graça ,
E isso só me ameaça...


Não sei como agir.
Nem pra onde ir...
Mas não quero ficar aqui!!!


Não sei como fugir,
Nem sei como fingir...
Mas não quero ficar aqui!!!


Parte 03: Últimas memórias.


Sinto o vento cortar o meu rosto,
E o meu corpo sem movimentos.
Sinto o meu ar saindo aos sopros,
Absorto nos meus pensamentos.


O meu tempo tá ficando curto,
E não curto essas emoções,
Minhas memórias em curto-circuito
Só aumentam as minhas aflições.


Meu coração lateja,
Na peleja,
E na certeza do meu destino.
Não há incerteza,
Vejo a moleza,
Do meu corpo franzino.


A minha última visão,
Se enevoa por um segundo...
O meu coração,
Bate mais forte,
E a morte,
Será mais que tudo!


Não quero mais ficar aqui,
Mesmo sem ter pra onde ir...


Não quero mais existir,
Mas não quero perder o fim...


Mas não quero me perder no fim...
Não quero que seja o fim!!!


Tsharllez Foucallt

Inserida por LucasCandido

A Sombra Livre vs O Peso das Escolhas


Aquele vazio do lugar
Me mantém aprisionado
As correntes que me grudam lá
Não detém o meu desejo de refugiado.


Sei que estou "acordado",
Mesmo assim o meu corpo falha
Tentando vencer a batalha
Da qual eu já estou derrotado.


A ferrugem corrói as correntes
E meu corpo quase dormente
Grita no fim que devo reagir.
Na minha frente movendo-se em ondas
Aquelas malditas e asquerosas sombras
Querem a todo custo me coagir.


Reluto tentando não desisti
Olhando as pressas muito atordoado.
Todos que ali estão acorrentados
Se esforçam para não me verem insistir.


Eu tento então proceguir.
Vejo o teto como se fosse o véu,
Mas acredito que aquele céu
Não consiga mais me manter aqui.


Ergo o meu corpo decrépito e frágil
Sob os protestos que me acusam de plágio
Tentando sair daquela caverna.
Agora serei totalmente hábil
Cruzando entre eles, serei ágil,
E passarei para a vida "eterna".


Daqui de cima vejo todos moribundos,
E grito que são fantoches projetados.
São como sombras de seres desprezados
Subjugando-se todos a cada segundo.


Criaturas de corpos imundos
Nunca passaram de seres pecadores.
Atacam nas chagas, nas dores,
Rasgando as feridas até aos fundos.


Essa visão me dilacera
Até o coração acelera
E o meu estômago embrulha inteiro.
O mundo não passa de uma grande quimera
Controlado por grandes bestas e feras,
Abusando dos sofrimentos de terceiros.


Há tantas cores que me sufocam,
Gostaria de voltar para lá, dentro.
Até volto, mas assim que entro,
Vejo que as sombras me provocam.


Os olhares que agora elas trocam,
É que gargalham de ironia comigo.
Vendo que agora sou o meu próprio inimigo,
Então mais medo em mim, elas colocam.


Sento, ponho as correntes novamente.
A minha mente quase que inconsciente
Me relembra a minha eterna luta.
Sei o quanto eu fui inconsequente
E agora deitado com o corpo quente
Quero que a morte seja minha última disputa.


Os meus olhos vão se fechando rápido demais.
A sombra que se deita sobre mim me assombra cada vez mais.


Tsharllez Foucallt

Inserida por LucasCandido

Falha natural


Quando ergo os meus olhos é sempre assim.
Tentando melhorar num mundo que está perdido.
Buscando alcançar os meus objetivos, mas no fim
O meu desejo mesmo é de já ter sumido.


A cada passo nesse abismo que me sufoca,
Já me provoca as ideias de partida.
E a visão que tenho logo me coloca
Contra a força que carrego dessa vida.


E nessa despedida eu já fui ligeiro
Sempre o primeiro a sair sem deixar passos.
E no compasso da vida sei que fui certeiro
Por derradeiro eu destrir-me como o aço


Que se aquece na fervura vinda do fogo.
Eu até rogo por uns que sejam mais úteis.
No final essa será a minha logo:
Suportar tanto peso com ideias inúteis.


Medo fútil e pavor crescente,
Que eu consiga romper as correntes
E no final que eu não fique descontente,
Com todo esse ódio que me passa decorrente.


Quando olho pro passado
E vejo o que me persegue.
Ele me alcança logo de leve


Então eu vejo o meu maior legado
Sobresaltado
Posturado
Se tronar algo tão breve.


Mas no fim é assim,
A vida é bela,
E embeleza tudo a minha volta
E por mais que tenha vivido dias ruis
Essa balela
Tem a destreza a qual me revolta.


Por fim volto a deixar os meus olhos fechados,
O que vi -vejo- não valeu de nada.
É melhor me manter aqui, mesmo, parado.
Essa vida não passa de um conto de fadas.


Tsharllez Foucallt

Inserida por LucasCandido

E qual será a primeira
Causa a te seifar a vida?
A depressão, a pressão
Ou as atividades Suicidas?

Inserida por LucasCandido

Gota Ácida


Deixei um único copo
Sob a torneira da pia
Que pingava dia após dia,
Até vê-lo cheio pelo topo.


A água que ali transbordaria
Não seria a mesma, é notável,
Pois a cor de aspecto detestável,
Formava um verde viscoso.
E aquele cheiro oleoso
Deixava o copo, já deplorável,
Sem funções e quase descartável,
E, só de vê-lo, dava agonia.


A torneira de metal enferrujado
Fazia um som de assustar,
Pois só em abri-la pra a água pegar
Deixa o cabra agoniado.


O lodo sempre tava lá
Por mais que limpasse todo dia,
A mesma água sairia
Suja e até cada vez pior.
Agora se fosse ter dó
Do cidadão que dela bebia
Eu digo que você até poderia
No lugar dele ali morar.


A nojeira nunca esteve ali
Nos canos, no copo ou na torneira,
Mas sim na água que vinha da biqueira
E que ficava mesmo por aí.


Arrumava todo tipo de tranqueira,
Zé perneta passava o pano
Daqueles que está sujo por anos
Tentando limpar o local.
No fim ficava tudo igual
A maldita ainda continuava sujando,
Parecia até porco quando tá suando
Juntando toda aquela meladeira.


No final dos anos passados
Acabou tudo que tinha.
Tudo que dali vinha.
Não sobrou nem pra contar recado.


Botaram outra torneira novinha,
Trocaram, pia, copo, foi tudo.
Tá parecendo um absurdo
Pensar que o problema era moleza,
E no final com toda certeza
Já parecendo que eu tô maluco,
Ainda continuou escorrendo o suco,
Com aquela cor verde bem clarinha...


Alí trocaram tudo que parecia não funcionar.
Só se esqueceram da biqueira pra mudar.


Tsharllez Foucallt.

Inserida por LucasCandido

Campo de Batalha...


Você acha mesmo que quem viveu no campo de batlha vai falar sobre as flores que avistou por lá?
Ou será mais fácil falar da dores que adiquiriu?
Ou dos rancores que os consumiu??


Os pássaros cantam livremente,
O vento sopra entra as folhas.
O peixes respiram e as bolhas
Sobem para a superfície levemente


O dia começa tão natural
Mas logo muda com um som gutural
Vindo depois do vilarejo.
Todos assombram-se com o Estouro.
Aquele mal presságio vira agouro
E o céu clareia-se num Lampejo.


Faltava mais de meia hora
Para que o dia desbotasse.
O céu sob a mortalha aquece
E o pavor logo devora.


O dia nem raiou direito
Mas o medo pegou de jeito
E foi gritos aos montes.
Serpenteando por todos os lados
Entre as árvores, rochedos e lagos
Saindo até de baixo de pontes.


O iminigo mesmo sendo um só
Veio para cima com tudo.
Parecendo um grande absurto
Tivemos que ataca-lo sem dó.


Um pobre garoto com arma na mão
Gritando e apontando sem direção
Invadiu a nossa base desprevinido.
Hoje sei que foi uma emboscada,
Mas àquela arma mesmo descarregada
Trazia o mesmo mal temido.


O primeiro tiro fui eu quem desparou.
Os outros veio em rojadas.
Voaram miolos e tripas foram jogadas.
Do garoto quase nada sobrou.


Antes de atingir o chão
O seu corpo fez um pequeno clique
E o som desse pique
Reagiu com mais um grande clarão.


Veio então a mega explosão.
Todos jogos no chão
Deixou a nossa defesa aberta.
Passos e balas vinham incontáveis
Com movimentos incalculáveis
Não tivermos tempo de ficarmos alertas.


Corri e me escondi o mais rápido
Enquanto o batalhão se desfazia.
Sabendo que eu de nada podia,
Logo vi que não éramos mais aptos.


Abracei a minha arma com força.
O nó da garganta se fechava lentamente.
E naquele momento a minha mente
Se transformava numa forca.


Quanto eles me alcançaram,
E vendo como me encontraram
Gargalhadas surgiam sufocadas.
A primeira mão que em mim tocou
Aqueceu o meu sangue e o descongelou
Pois a morte seria a minha próxima parada...


Até hoje eu nunca entendi o motivo de termos lutado batalhas que não nos pertencia.
Havia os vitoriosos com suas falhas, mas no fim, àquele canalha de alta patente, vencia.


Tsharllez Foucallt - Pseudônimo de Lucas Cândido.

Inserida por LucasCandido

1° Soneto: A Voz Interna


Visão Embaçada


Oh não... Estou caindo.
Gritando até rasgar o peito.
A minha visão sumindo,
Revela-me que não há outro jeito.


Tudo o que tenho feito
Não terá nenhum sentido.
Sei que só tenho vivido
Acreditando ser imperfeito.


Agora não há mais
Como voltar atrás
E escolher outro caminho
O meu futuro está longe demais
O meu presente, agora, tanto faz.
Estou me afogando sozinho.


Tsharllez Foucallt.

Paródia: Naquela Mesa - Nelson Gonçalves.


Mesa Declinada


Naquela mesa ele nunca foi presente,
E esse amor ausente me bate sem dó.
Naquela mesa não houve vitórias,
E nunca demos glória pelo amor ao redor.


Naquela mesa faltou amor presente
E essa dor persistente vem logo de manhã.
E na minha lembrança só vem gatilho,
Por causa desse empecilho durmo no divã.


Sem saber que doesse tanto,
Tento conter os prantos que matam a mim.
Se eu contivesse essa ferida,
Essa dor da minha vida não seria o fim.


Esse ardor que mais ninguém cala
Embaraça minha fala quase que no fim.
E as memórias que eu tenho dele
Me deixam daquele jeito bem assim.


Esse ardor que mais ninguém cala
Embaraça minha fala quase que no fim.
E as memórias que eu tenho dele
Me deixam daquele jeito bem assim!!


Tsharllez Foucallt

Vozes internas

O som é de porta abrindo.
Os pensamentos são ratos engaiolados.
Gritos ecoam por todos os lados
E a minha sanidade está sumindo.

Meus medos agora estão sorrindo,
E eu me vejo na obrigação
De sorrir de volta como lição,
Mesmo que isso não seja bem vindo.

Como faço para abaixar a visão
Sem danificar as minhas escolhas.
Como eu devo furar essa bolha
Para que possa buscar outra ilusão.

No fim o mesmo perdão que uso para abençoar os meus inimigos,
Será, para mim, o mesmo padrão que uso para amaldiçoar àqueles que falham comigo.

Tsharllez Foucallt

Inserida por LucasCandido

Reflexo Distorcido


Sinto o frio do quarto
Corroer a sola do meu pé descalço
E como as dores de um parto
Na beira do infarto
Eu sinto o seu olhar no encalço.


Tudo o que faço é te ver
Me olhando pelo vidro
E eu tento rever
Se algum dia já pude viver
Sem esse olhar tão ferido.


Já está perdido o meu olhar
Pela distância que nos separa
Sinto o meu cabelo molhar,
E pela a minha testa ele suar
Sem o conforto que nos repara.


E isso é para ver nos movendo
Dentro de dimensões paralelas
A mesma dor nos envolvendo
E no torpor nos dissolvendo
Como uma célula sem organelas.


E a bela movimentação
Que faço com meus dedos
Você transmite com a sua ação
Cria um reflexo na retração
Dos nossos próprios medos.


Você mais cedo será 'eu' na frente,
E eu do futuro foi você no passado.
Enquanto as ações do presente
Se tornam presas no inconsciente
Para mudar o futuro solidificado.


Quando pesado ergo o meu braço
Traço uma trajetória duvidosa.
Você seguindo o mesmo passo
Se movendo no mesmo compasso
Com a sua força vigorosa.


A dolorosa vertigem nos embebeda
E nos mostra um mundo novo
E a nossa queda
Traz a escuridão das trevas
Para a nossa vida de novo.


Agora o mundo será mais uma vez sombras na parede
Vamos embora, viajar outra vez nas ondas da complexa rede.


Tsharllez Foucallt

Vermes na pele


O frio do quarto me arrepia.
O som do vento me faz
Se mexer na cama. E cada vez mais
Eu sinto essa claustrofobia
Me levar pra lama...
Não me engana
Essa minha dor, minha agonia.


A pele esquenta, chega a queimar,
E eu sinto o formigamento
Desses tecidos tão nojentos
Entre as carnes se rastejar.
Que cheiro horrível, fedido.
Me faz esquecer que estou vivo
E que vou partir sem nem acreditar.


O meu mundo está virando
De ponta cabeça. E agora
Tenho de agir sem demora
Por que o tempo está parando.
Eu não vou conseguir
Viver assim ou prosseguir
Vejo que estou desmoronando.


Pequenas úlceras cutâneas
Latejam com pus em putrefação.
E nem a minha melhor oração
Irá curar essas dores instantâneas.
Sinto que aumentam os odores,
E esses horríveis fedores
Me sufocam de forma espontânea.


Engulo o pavor que cresce em mim.
Agora os vermes rastejam mais.
Eu continuo gritando alto pela paz,
Desejando que esse não seja o meu fim.
O meu corpo já está se agitando,
E, mesmo assim, com ele lutando
Tudo terminará assim:


Vermes na pele carcomida
Gerando dores que vão mais além.
Enquanto que nada aqui me faz bem.
Vejo meu corpo virando comida.
Com o meu olhar morto
Sinto que já perdi esse corpo
Para essas podres feridas.


No fim o esqueleto jaz no chão largado.
Por fim esqueço que tanto faz ser mais outro sepultado.


Tsharllez Foucallt.

Inserida por LucasCandido

⁠Como dizer "EU TE AMO!"
Na sua ausência meu coração lateja,
E eu na peleja luto contra a dor.
Na sua presença crio a certeza
Que será dureza sofrer esse pudor.
E nessa sentença vejo que meu mundo
Não durará um segundo sem o seu olhar.
Logo criarei a crença nesse vazio,
E viverei por um fio para não falhar.

Inserida por LucasCandido

Curtinhas de Tsharllez Foucallt


O vento leva.


O seu sorriso é leve como o vento da manhã bagunçando docemente as folhas na primavera...
A delicadeza de sua pele tem a maciez dos raios solares pelas primeiras horas do alvorecer do dia...
A sua presença traz a felicidade que alegra qualquer ambiente...
Você possui a energia que transforma tudo a sua volta, deixando todos ao redor com a leveza e a doçura do mundo.

Inserida por LucasCandido

Corte Cirúrgico:


Hoje eu deitei para dormir mais cedo
O meu colchão me abraçou bem apertado.
Sufocado, eu senti bastante medo,
E neste enredo eu fiquei desacordado.


Quando despertei naquele lugar trancado,
Senti os meus braços amarrados
E logo isto me apavorou por inteiro.
As luzes piscavam descontroladas
E o suor com gotas geladas
Afirmava que não seria o primeiro.


Vozes me agitavam e risos me cercavam.
Estava em transe sem reação.
Os braços que me tocavam,
Tiravam de mim qualquer ação.


Nessa noção eu avistei o meu pavor,
Reluzindo com as luzes o brilho mortal.
E nesta hora não sabia como me recompor,
E então a dor seria mais do que fatal.


Engoli em seco, pois não havia
Na garganta uma só gota
De saliva que ali possuísse e nem poderia
Me salvar do meu destino com forma marota.


Aquele avental verde lodoso,
Castigava minhas pupilas com ardor
Sentia o meu suor se tornando poroso.
A carne queimando deixava no ar o fedor.


O bisturi cortando, preciso e cauteloso
A dormência na pele me impedia
Que eu sentisse aquele rubro lustroso
Cobrir o meu corpo o quanto podia.


Minha consciência lutava até o fim,
Para eu não cair fácil assim
No golpe de sorte que a vida possui.
No entanto, já exausto eu sei
Que tentei mas não aguentei
Àquele ato a vida logo me exclui.


Tsharllez Foucallt.

Soneto: Estrela 1°


Fio Cintilante


O seu colo é o meu porto
Que deito e durmo quando preciso.
A minha paz encontra-se no sorriso,
Que vejo em você e até fico absorto.


O sol no declive de sua vida
Não poderá igualar-se a ti,
Na maior explosão que ele expelir
Não chegará ao seu brilho, querida.


A sua coragem, força, proeza, dedicação...,
E a sua imagem com clareza e ação
Tem o poder de me impor contra o mundo.


Mesmo juntando todo o tempo num segundo,
Até tornar-se tudo num ato fecundo
Não haverá outra tão bela em perfeição.


Tsharllez Foucallt -Pierre Ferraz.

Poesia: Medo de Crescer 01


Olhar de Criança


Quando pequeno pensava
Nas coisas que vó dizia.
Nos bichos que existia
E que no terreiro rodava


No vicente finim ela falava
Neu até medo botava
Com aquelas prosas boas.
Eu como o minino que era
Com tanto medo que o coro pela
Num duvidava de coisa atoa


Daí o tempo foi passando
E eu o acompanhava de perto,
Ligeiro, garoto esperto
Crescendo e já fui notando.


Dá conversa desconfiando,
O medo já me deixando,
E eu já difícil de crer.
Histórias que outras horas,
Como do saci ou da caipora,
Agora não tinha mais paricê.


Cresci e também percebi
Que o tempo foi o meu pecado.
O que me deixava assombrado
Não é nada do que vivi.


O mundo me calou aqui
E mesmo tentando insistir
Nada me assusta tanto
Que me faça esmurecer
Mais do que pude perder
Com o tempo que me tirou em prantos.


Hoje a bassora caída
No assusta mais ninguém
E até o grito de alguém
Passando nalguma avenida


Num soa mais forte que a vida
Quando bate despercebida
Vindo deixar algum recado.
Os bichos foram tudo embora,
Acabou-se os medos das histórias.
Ficaram os contos no passado.


Tsharllez Foucallt.


terreiro: quintal.
Vicente finim: busca no google.
Caipora: Mãe da mata.
Paricê: parecer.
Esmurecer: enfraquecer.
Bassora: vassoura.
Nalguma: Em alguma.

Soneto 1 - Marcas da Infância.


Olhar vago


Sentado na beira do rio
Vendo as ondulações projetadas.
Tentando não ficar senil
Com meu sorriso de faixa alargada.


Cubro os olhos da luz solar
Que se reflete, sutil, na superfície.
Os meus pensamentos tentam se calar,
Igualar-se as bordas da planície.


Cato uma pequena pedrinha,
Jogo na água, bagunçando.
Criando pequenas ondinhas,
E logo a visão vai-se ofuscando.


Memórias molham os meus olhos fechados,
Feridas trazem lembranças, ocultas do meu passado.


Tsharllez Foucallt

Inserida por LucasCandido