Revolução
NATAL DA REVOLUÇÃO
Natal. Que revolução
Vai dentro de mim, agora:
Porque não veio o nevão
Da neve cinzenta de outrora?
Falo pelo país de mim,
Gente pobre e tão feliz,
De ser pobre e mesmo assim,
Numa esperança sem raiz.
Mesmo sem o tal nevão,
Do frio da nostalgia,
Eu prefiro ser chorão,
Que profeta da idolatria.
Haverá Natal de conceito
Sem aquela representação
Dum presépio tosco e feito,
Pela minha própria mão?
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 09-12-2023)
DATAS NA CONJUGAÇÃO DO VERBO SER
Era a noite da revolução,
Era o vinte e quatro de um Abril
De lágrimas mil
Num Argoncilhe
Que era mansão
E coutada de gentes
Da delação;
Ainda agora os hão,
Nunca diferentes
E sempre pelo não.
Eram os dezoito de vida
Do rapazola que eu era então.
Era o ano que me dava
E depois me roubava daí por três,
A vida de minha mãe
Que Deus levou e tem
Sem mais porquês.
É hoje, neste mesmo dia
De um vinte e cinco de Abril,
Daqui a tão poucas horas,
Que meu padrinho de batismo
Desce à terra do campo santo,
Fria,
No seu gélido manto.
Lá se foi a alegria
Da festa do simbolismo
Daquela madrugada fria
E ainda hoje eu cismo
Ao defecar na privada,
E de encontro ao já pensado
Pelo meu povo castigado:
"Eles" sorvem tudo
E não deixam nada!...
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 24-04-2024)
O legado invisível da educação
A verdadeira revolução não acontece nas ruas, mas dentro das mentes que se recusam a aceitar a mediocridade.Quem tem acesso à educação tem nas mãos a única arma que jamais poderá ser arrancada: o pensamento crítico.E não há nada mais perigoso para os que lucram com a desinformação do que um povo que sabe pensar.
Cuidado com os brigadeiros, eles podem fazer uma revolução total nos intestinos de quem os consomem! Abraços.
O Peso Invisível
✍ Por Diane Leite
Dizem que o home office foi a grande revolução do trabalho. Dizem que agora podemos conciliar tudo – carreira, filhos, casa, sonhos, ambições. Dizem que podemos trabalhar no conforto do lar, produzir enquanto assistimos ao crescimento dos nossos filhos. Dizem tantas coisas…
Mas ninguém diz a verdade.
Ninguém fala sobre as palavras interrompidas, sobre o cursor piscando na tela enquanto uma voz infantil chama sem parar: “Mamãe, mamãe, mamãe…” Ninguém menciona o caos mental de tentar responder um e-mail enquanto alguém puxa sua blusa pedindo atenção. Ninguém fala sobre a raiva silenciosa de tentar construir um futuro enquanto mãos pequenas tentam te puxar para o passado – para aquele tempo em que você era apenas mãe, apenas colo, apenas entrega.
O mundo aplaude pais que trabalham de casa, admirando sua dedicação e equilíbrio. Mas quando é a mãe que tenta, o que ela encontra? Um labirinto sem saída.
Ela tenta negociar, tenta explicar.
"Filho, me dá só mais meia hora e depois a gente brinca."
"Mamãe está ocupada agora, mas depois vamos ver seu desenho favorito juntos."
"Por favor, me deixa terminar isso, é importante."
Mas as crianças não entendem tempo. Elas entendem presença. E quando percebem que a mãe está ali, mas não está, insistem, persistem, exigem. Querem tudo. Querem agora.
E a mãe?
A mãe não está frustrada porque não ama o filho. Não está frustrada porque não quer estar ali. Ela está frustrada porque precisa pagar as contas. Porque precisa trabalhar para sustentar o filho que, ironicamente, é quem a impede de trabalhar.
E o pior: a criança não entende.
Ela não sabe que aquela mãe exausta que pede “só mais um minutinho” está tentando garantir um futuro para ela. Não sabe que, enquanto brinca distraída, aquela mãe está planejando, negociando, buscando um jeito de fazer tudo funcionar.
A mãe engole a raiva. Engole o cansaço. Engole o grito que quer sair.
Porque o mundo já a ensinou que mães não devem sentir raiva dos próprios filhos.
Porque o mundo já a convenceu de que esse é o seu papel e que reclamar é ingratidão.
Mas lá dentro, um vulcão silencioso se forma.
Não é culpa.
Não é medo.
É frustração.
Porque enquanto o pai seguiu sua vida, ela parou. Enquanto ele construiu, ela segurou tudo sozinha. Enquanto ele dormiu tranquilo, ela ficou noites em claro, estudando terapias, pesquisando tratamentos, garantindo que aquele ser pequeno e frágil tivesse um futuro.
Agora que o filho cresceu e que ela finalmente tenta respirar, tudo parece puxá-la de volta para aquele tempo de doação total. O tempo que parecia ter ficado para trás, mas ainda vive dentro dela.
Ela sente raiva porque percebe que ninguém vai dar esse espaço a ela. Ela terá que tomar esse espaço.
Mas ninguém ensina como.
E então ela segue, tentando negociar, tentando encontrar um pedaço de tempo entre as exigências do dia.
O cursor ainda pisca na tela.
Os e-mails ainda esperam.
Os sonhos ainda querem nascer.
Mas há um peso invisível sobre seus ombros.
O peso de ser mãe e ser mulher ao mesmo tempo.
O peso de carregar tudo enquanto o mundo finge que não vê.
Mas ela vê.
Ela sente.
E um dia, de algum jeito, ela vai conseguir respirar de verdade.
E não pedirá mais desculpas por isso.
Diane Leite
A revolução de fora sai de dentro. Os sonhos de fora nascem de dentro. A revolução, quem faz somos nós.
OS FARRAPOS (REVOLUÇÂO FARROUPILHA)
Dia 20 de setembro em Rio Grande desfile de cavalarianos em homenagem a Revolução Farroupilha, grande movimento revolucionário que teve início no ano de 1835. Liderado pelo celebre Bento Gonçalves da Silva, daí originou-se este grande movimento popular histórico do nosso Rio Grande do Sul, na época continente de São Pedro.
Bótons da Revolução e O Manual do Guerrilheiro de Férias
eis aqui o culpado.
se temos que encontrar
alguém para culpar,
culpamos primeiramente,
a nós mesmos,
por nossa inércia.
e depois certamente,
culpamos também, o outro.
o grande causador
dos males humanos,
em nosso tempo,
o sistema capitalista.
todas as doenças
relacionadas
ao estresse,
à desnutrição:
subnutrição e obesidade,
os cânceres,
as doenças
crônico-degenerativas,
psicológicas, cognitivas,
mentais,
tem sua raiz
e potência,
no estilo de vida
imposto pelo capitalismo.
mas a maioria
não está disposta
a pensar sobre isso,
não está disposta
a agir sobre isso,
e nem ao menos
sabe sobre isso,
e nem ao menos
sabe, que não sabe
nada sobre isso.
então, recorrem
ao uso da variedade
sortida de doping,
drogas suculentas,
lícitas e ilícitas.
anestesiados
pela boa e velha
sociedade,
seguem remando
prum único fim,
a fuga da realidade.
recorrem às religiões,
ao consumismo,
recorrem aos salvadores
e às palestras de
empreendedorismo.
há sempre um novo-deus,
a ser adorado.
façamos um brinde,
aos tratamentos paliativos,
que nunca resolverão
os problemas reais,
seculares e imediatos.
um brinde,
às ilusões infinitas,
de um mundo sem coração.
Uma verdadeira revolução está a caminho na questão do envelhecimento. Viver muito deixará de ser um problema e passará a ser a Solução de muitos outros problemas
"" Quem acredita na revolução pela voz
na ordem do dia que ecoa nas praças e calçadas
guerra silenciosa sem poder
das bandeiras que pouco avançam
elas compram o pão da liberdade
e entoam canções de paz
mas há mistérios que nunca serão revelados
nas vozes dos que não se calaram
Geraldos, Vinicius, pelas ruas marcharam
e sucumbiram ao caráter predador do anti
nada mais justo que uma pátria amada
idolatrada, sem ladrões servis
assim os meus e os teus filhos herdarão
a cultura que fizemos acontecer
num grito de amor
que haverá de se ouvir para sempre
liberdade, ordem e progresso ...""
Uma paixão vivida ou rejeitada pode gerar a energia para uma revolução. Já vi homens recusarem dinheiro para fazer um trabalho, mas vi homens arriscarem suas vidas por uma paixão. Que dirá Helena de Troia. Se você quer realizar algo em sua Vida, viva intensamente uma paixão, você terá a força e a coragem de mil homens.
