Coleção pessoal de Negreiros
JEJUM: CORPO, ALMA E MENTE
Jejuar para o Corpo,
Alma e Mente por alguns instantes se renovar.
Jejum não é só deixar
O alimento sobre a mesa,
É calar desejos vãos
E mergulhar na certeza
De que a força vem do Alto,
Quando a fé vence a fraqueza.
É renunciar por um tempo
Aos prazeres da matéria,
É buscar dentro do peito
Uma esperança mais séria,
É transformar o sacrifício
Numa oração sincera.
Jejuar para o Corpo,
Alma e Mente por alguns instantes se renovar.
O corpo sente a privação,
A carne pede e reclama,
Mas quem jejua aprende a ouvir
O que o silêncio proclama;
Pois quando a fome se apresenta,
A fé acende outra chama.
Não é castigo ao próprio corpo,
Nem vaidade espiritual,
É exercício de domínio
Sobre o impulso natural;
É mostrar que a nossa vontade
Pode vencer o desejo carnal.
Jejuar para o Corpo,
Alma e Mente por alguns instantes se renovar.
Jejuar também é silêncio,
É humildade e oração,
É reconhecer nossas falhas
Diante da imensidão;
É dobrar os próprios joelhos
E abrir o coração.
É súplica por direção
Quando a estrada fica escura,
É pedir sabedoria
Para enfrentar a travessia dura;
É procurar na voz divina
A resposta que perdura.
É arrependimento sincero,
É reconhecer o erro cometido,
É abandonar velhos caminhos
Que deixaram o coração ferido;
É pedir forças para mudar
E recomeçar renovado e decidido.
Jejuar para o Corpo,
Alma e Mente por alguns instantes se renovar.
Há um sacrifício físico
Quando o corpo é contrariado,
Mas existe um outro maior:
Vencer o eu acomodado;
Pois muitas vezes o inimigo
Mora dentro do próprio lado.
É superar a própria fraqueza,
É cultivar perseverança,
É transformar cada renúncia
Em resistência e esperança;
Quem suporta a caminhada
Fortalece sua confiança.
E quando a emoção apertar,
Quando a tristeza chegar,
Que o jejum seja uma ponte
Para a alma se reencontrar;
Pois há dores que só o silêncio
Consegue ajudar a curar.
Jejuar para o Corpo,
Alma e Mente por alguns instantes se renovar.
Jejum verdadeiro não busca
A plateia para admirar,
Nem procura reconhecimento
De quem possa observar;
Quem jejua diante de Deus
Não precisa anunciar.
Não é contar quantas horas
Conseguiu permanecer,
Nem transformar a renúncia
Em motivo para se engrandecer;
É diminuir o próprio ego
Para a humildade crescer.
Porque o jejum sem amor
Pode ser apenas aparência;
Sem misericórdia e justiça,
Perde a sua essência.
De nada vale fechar a boca
Se o coração mantém violência.
Jejuar para o Corpo,
Alma e Mente por alguns instantes se renovar.
Jejuar é dizer à carne:
“Nem todo querer é poder.”
É colocar freio nos impulsos,
É aprender a escolher;
É descobrir que a vontade
Também precisa obedecer.
É controlar a língua,
É vigiar o pensamento,
É dominar a ira e o orgulho,
É transformar ressentimento;
Pois o verdadeiro jejum
Também purifica o sentimento.
Se a boca deixa de comer,
Mas o coração não se transforma,
Se a mão permanece fechada
E a injustiça se conforma,
O jejum perde sua força
E a aparência vira norma.
Jejuar para o Corpo,
Alma e Mente por alguns instantes se renovar.
Que a fome seja lembrança
De quem vive em necessidade,
Que a renúncia desperte
Mais amor e fraternidade;
Que o sacrifício gere frutos
De justiça e caridade.
Que o corpo seja disciplinado,
Que a mente encontre clareza,
Que a alma encontre descanso,
Que a fé vença a incerteza;
E que o homem compreenda
Que é pequeno diante da grandeza.
Jejuar é uma travessia
Entre a fraqueza e a vitória,
É escrever dentro do peito
Uma nova e humilde história;
É trocar o orgulho humano
Pela esperança da glória.
E quando terminar o jejum
E a mesa novamente se abrir,
Que não volte o mesmo homem
Que decidiu ali resistir;
Que a verdadeira mudança
Continue depois de se nutrir.
Jejuar para o Corpo,
Alma e Mente por alguns instantes se renovar.
Pois o jejum que transforma
Não termina ao se alimentar;
Ele deixa dentro da alma
Uma maneira nova de olhar.
Quem renuncia por propósito
Aprende também a agradecer.
Corpo, alma e mente unidos,
Na busca pela direção,
Entre súplica e silêncio,
Entre fé e reflexão;
O verdadeiro jejum começa
Quando muda o coração.
Jejuar para o Corpo,
Alma e Mente por alguns instantes se renovar.
"A criança que brinca como adulto, perde a criança. O Adulto que não brinca como criança, perde ela também."
SUSSURRANDO COM O VENTO
Minhas conversas o vento interpretam,
umas deixam e outras levam.
Quando a tarde vai chegando,
E o silêncio vem pousar,
Fico ouvindo o vento manso
Pelas folhas a passar.
Ele sopra uma cantiga
Que ninguém consegue cantar.
Não sei se é voz ou segredo,
Se é lembrança ou pensamento,
Mas escuto cada sopro
Como um velho juramento.
O vento fala baixinho
Com a linguagem do tempo.
Minhas conversas o vento interpretam,
umas deixam e outras levam.
Conto a ele meus segredos,
Minhas dores, meu querer,
As palavras que escondemos
Quando é difícil dizer.
O vento guarda o que escuta
Sem jamais me responder.
Se uma lágrima aparece,
Ele passa devagar,
Como quem seca o meu rosto
Sem sequer me tocar.
E aquilo que me entristece
Ele aprende a carregar.
Minhas conversas o vento interpretam,
umas deixam e outras levam.
Quando o tempo vai passando,
Vou sentindo o seu movimento;
Cada brisa é uma lembrança,
Cada rajada, um momento.
O relógio não tem asas,
Mas o vento tem o tempo.
Ele conhece as estradas,
As montanhas e o sertão,
Já brincou com muitas folhas,
Já beijou muita plantação.
E carrega pelo mundo
Fragmentos do coração.
Minhas conversas o vento interpretam,
umas deixam e outras levam.
Quando a noite abre os braços
E o cansaço vem chegar,
Deixo a janela entreaberta
Para o vento me embalar.
Ele sopra uma canção
Que me ensina a descansar.
Vento amigo, vento irmão,
Companheiro sem morada,
Quando o mundo me aperta,
Tu me dás uma parada.
Com teu sopro adormeço
E acordo em outra jornada.
E, dormindo, eu sonho longe,
Sem saber onde vou dar;
Talvez siga com o vento
Por caminhos sobre o mar.
Pois quem aprende a ouvi-lo
Também aprende a sonhar.
Minhas conversas o vento interpretam,
umas deixam e outras levam.
Se amanhã eu for silêncio,
Se meu verso se calar,
Que o vento leve meus sonhos
Para alguém que queira escutar.
Porque a poesia é semente
Que o vento pode espalhar.
E assim sigo conversando,
Sem ninguém me interromper,
Pois o vento é confidente
Que não julga o meu viver.
Ele leva o que é tristeza
E deixa o que faz crescer.
Minhas conversas o vento interpretam,
umas deixam e outras levam.
CASA! ESCOLA DE CORAÇÕES
Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.
No princípio da caminhada,
Quando o mundo era ilusão,
Foi a casa o primeiro livro,
Da mais nobre educação.
Ali nasce a esperança,
E floresce a formação.
Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.
Tem chegada de um menino,
Tem partida de um ancião,
Tem abraço que conforta,
Tem silêncio e solidão.
Cada porta guarda um tempo,
Cada canto uma lição.
Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.
Há encontros que eternizam,
Despedidas de doer,
Há promessas que florescem,
Outras param de viver.
Mas o tempo escreve histórias
Que ninguém pode esquecer.
Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.
Ali mora o grande amor,
Também mora a ingratidão;
Há carinho que aproxima,
Há intriga e divisão.
Cada gesto deixa marcas
No jardim do coração.
Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.
Perdas vêm como tempestes,
Ganhos brilham como o Sol;
Uns tropeçam na tristeza,
Outros seguem no arrebol.
Toda lágrima ensina
Mais que o ouro e o arrebol.
Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.
Há alegrias em fartura,
Decepções pelo caminho,
Experiência faz o mestre,
Imaturidade é espinho.
Quem escuta os mais antigos
Nunca segue tão sozinho.
Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.
Resiliência é a coluna
Que sustenta a construção;
Coragem faz cada passo
Enfrentar a provação.
Quem não teme as tempestades
Vence a força do trovão.
Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.
Vitória bate à janela,
Derrota entra sem avisar;
Uma ensina a agradecer,
Outra obriga a levantar.
Quem aprende com as duas
Sempre volta a caminhar.
Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.
União levanta pontes,
Desunião faz ruir.
Uma soma os sentimentos,
Outra faz o bem fugir.
Toda casa bem cuidada
Faz a esperança florir.
Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.
Há caminhos luminosos,
Há desvios na estrada.
Quem cultiva bons exemplos
Tem a alma iluminada.
Quem abandona os valores
Vê a vida embaraçada.
Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.
Base firme é fundamento,
Teto abriga da aflição.
Paredes guardam memórias,
Grades pedem reflexão.
Pois a casa não aprisiona,
Quando reina o coração.
Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.
Amor vence o próprio ódio
Quando existe compaixão;
Vida nasce em cada berço,
Morte encerra a procissão.
Mas o bem que ali foi plantado
Nunca morre em vão.
Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.
Seja humilde ou majestosa,
De madeira ou de tijão,
Toda casa é professora
Da maior das lições:
Quem constrói um bom lar na Terra
Edifica gerações.
Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.
GRITO DO SILÊNCIO
No silêncio mora um grito
Que ninguém pode calar;
Ecoa além dos séculos,
Sem jamais se revelar.
Há mistérios escondidos
Que insistem em nos chamar.
Não há papiro que conte,
Nem pintura ancestral;
Mas existem tantos sinais
De presença imortal.
Vestígios que desafiam
O saber racional.
Há pegadas sem caminho,
Há muralhas sem pedreiro,
Há um mapa sem legenda,
Há um rumo verdadeiro.
Quem contempla tais mistérios
Fica mudo o mundo inteiro.
Descobertas escondidas
Dormem sob a própria luz;
Mãos humanas as ocultam,
Mas a verdade conduz.
Quem procura com justiça
Nunca perde a sua cruz.
Olhos veem o fenômeno,
Mas recusam explicar;
Cada nova observação
Faz a dúvida aumentar.
Há respostas escondidas
Que não querem revelar.
Explica o não do porquê
ou o porquê do não.
Há montanhas de perguntas
Sem resposta conclusiva;
Toda porta que se abre
Traz outra perspectiva.
O mistério alimentando
Nossa busca incessiva.
Há quem diga ser lenda,
Há quem jure ser verdade;
Uns chamam coincidência,
Outros, curiosidade.
Mas o tempo segue firme
Desafiando a humanidade.
Nem todo fato se escreve
Nos anais da tradição;
Nem toda história vivida
Cabe numa explicação.
Há segredos preservados
Pela própria criação.
O silêncio também fala
Para quem sabe escutar;
Nem tudo cabe na ciência,
Nem se pode imaginar.
Há verdades que esperam
Seu momento de brilhar.
Explica o não do porquê
ou o porquê do não.
Talvez um dia os mistérios
Saiam todos do esconder;
Ou talvez permaneçam
Sem ninguém compreender.
Pois nem tudo que existe
Foi nos dado conhecer.
Sigo ouvindo esse silêncio
Que parece até falar;
Cada dúvida desperta
Nova vontade de buscar.
Quem pergunta cresce sempre,
Quem procura vai achar.
E enquanto houver mistérios
Entre o céu, a terra e o chão,
Seguirei fazendo versos
Com respeito e reflexão.
Pois o grito do silêncio
Também mora em cada irmão.
Explica o não do porquê
ou o porquê do não.
MINHA VIAGEM AO SOL
Quando fechei meus olhos,
O impossível deu sinal;
A razão ficou na Terra,
Parti rumo ao Astro-Rei celestial.
No lombo da imaginação
Cruzei o vazio sideral.
Foi num instante de luz
que viajei até lá.
Disseram: "És um lunático,
Não sabes o que faz."
Respondi com um sorriso:
"Quem sonha sempre vai mais."
Pois o sonho abre caminhos
Que a dúvida nunca traz.
Foi num instante de luz
que viajei até lá.
Passei por luas e cometas,
Vi planetas a girar;
Cada estrela me saudava
Como quem sabe esperar.
No silêncio do Universo,
Aprendi a escutar.
Foi num instante de luz
que viajei até lá.
Quando alcancei o grande Sol,
Não encontrei destruição;
Vi um oceano de luz
Banhando toda a criação.
Seu calor não era fogo,
Era divina compaixão.
Foi num instante de luz
que viajei até lá.
No centro daquela chama
Vi um brilho sem igual;
Não tinha forma definida,
Nem princípio, nem final.
Era a Divindade de Luz,
Eterna, pura e celestial.
Foi num instante de luz
que viajei até lá.
Bastou um único olhar
Para entender o infinito;
Todo medo se desfez,
Todo mistério foi bendito.
Num segundo compreendi
O que jamais fora escrito.
Foi num instante de luz
que viajei até lá.
Voltei trazendo a certeza
Que o possível nasce em nós;
Quem alimenta a esperança
Faz mais forte a própria voz.
O impossível se rende
Quando Deus caminha após.
Foi num instante de luz
que viajei até lá.
Hoje contam minha história
Como um sonho sem igual;
Uns dirão que foi delírio,
Outros, viagem celestial.
Pouco importa o julgamento,
Se encontrei o essencial.
Foi num instante de luz
que viajei até lá.
Assina este viajante
Que fez do verso um altar;
Quem semeia a fantasia
Sempre aprende a alcançar.
Pois quem segue a luz divina
Nunca deixa de sonhar.
Foi num instante de luz
que viajei até lá.
"Pois viver é mais que prazer,
é movimento, consciência e valor.
E o tempo, que tudo revela,
é o mais exigente julgador."
LARVARUNCA
No terreiro da existência,
Vi um caso singular;
O varão perdeu o leme,
Deixou outro governar.
Quem já foi dono da casa
Nem se atreve a opinar.
LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.
Ela escolhe a roupa dele,
O destino e o caminhar;
Marca a hora, muda os planos,
Diz se pode ou não falar.
Ele apenas balança a cabeça,
Sem coragem de negar.
LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.
Se ela compra, ele paga;
Se ela vende, é sem consultar.
Ela muda os móveis todos,
Sem sequer lhe perguntar.
E o coitado só responde:
"Se você quiser, pode deixar."
LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.
No passeio ou na cozinha,
No descanso ou no labor,
Ela dita as regras todas
Com firmeza e com vigor.
Ele segue obedecendo,
Sem mostrar qualquer valor.
LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.
Mas cordel também ensina
Com respeito e sensatez:
Todo lar floresce mais
Quando existe altivez.
Diálogo, amor e acordo
Valem muito mais que a vez.
LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.
Homem e mulher unidos,
Cada qual no seu lugar,
Dividindo os desafios,
Aprendendo a dialogar.
Quem governa junto a casa
Faz o amor sempre reinar.
LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.
LEI DA NATUREZA
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
No princípio, o Deus da vida
Fez o mundo em perfeição;
Deu ao homem a missão
De guardar a criação.
À mulher deu companhia,
Amor, graça e comunhão.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
As Escrituras ensinam
Cada qual na sua função;
Autoridade não é força,
Nem domínio ou opressão.
É servir com humildade,
Com justiça e compaixão.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
O marido ama a esposa
Como Cristo amou a Igreja;
Protegendo com ternura,
Sem orgulho que a despreza.
Quem governa pelo amor
Nunca perde a natureza.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
Toda esposa tem seus sonhos,
Seus projetos e querer;
Merecendo ser ouvida
Em qualquer amanhecer.
Pois quem ama escuta antes
De falar ou decidir.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
A palavra é liberdade,
Não é carta de poder;
Cada escolha traz consigo
Consequência no viver.
Quando o casal anda unido,
Deus faz tudo florescer.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
O marido é responsável
Pela paz do seu lugar;
Se disser um "sim" consciente,
Ou um "não" para guardar,
Que o faça com sabedoria,
Sem jamais desrespeitar.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
Nem tirania do homem,
Nem orgulho da mulher;
Quando Cristo é o alicerce,
Cada um cumpre o dever.
Há respeito e harmonia
No caminho do viver.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
Assim segue a Lei Divina,
Fonte viva do Senhor:
Autoridade é serviço,
Sacrifício feito em amor.
Onde Deus governa o lar,
Reina a paz do Criador.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
FÓRMULA PERDIDA
No caderno da existência,
De mistério e de beleza,
Há segredos que escaparam
Da maior inteligência.
Foi um deles, certamente,
Que vestiu tanta grandeza.
Quando Deus moldou o mundo,
Com perfeita harmonia,
Misturou luz e esperança,
Cor, perfume e poesia;
Mas guardou um ingrediente
Que ninguém mais descobriria.
Quando passeia no jardim,
As flores a invejam, sem pudor;
Se aparece na janela,
O beija-flor canta de amor.
Até o vento muda o rumo
Só pra sentir seu calor.
Quando vai passear na praia,
Baleias fazem reverência;
Golfinhos saltam nas ondas
Em alegre efervescência.
Como artistas do oceano,
Saúdam sua presença.
Se vai à noite pra janela,
Os meteoritos, em desatino,
Perdem a rota no espaço
Mudando o próprio destino.
Pois até o céu se distrai
Diante de encanto divino.
A lua perde o brilho,
As estrelas a direção;
O arco-íris se pergunta
Qual é sua verdadeira cor então.
Toda beleza do universo
Lhe rende admiração.
Nem os sábios descobriram
A receita da perfeição;
Nem a ciência decifrou
Tão sublime criação.
É um enigma que desafia
Toda lógica e razão.
A natureza perdeu a fórmula
Quando fez minha Bela;
Gastou toda a perfeição
Na mais bonita aquarela.
Depois disso, nunca mais
Criou outra igual a Ela.
AMIGOS DAS ANTIGAS
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
No terreiro da infância,
Tudo era simplicidade;
Cada amigo era um irmão,
Criado na lealdade.
Não havia interesse,
Só carinho e amizade.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Era bola, era peteca,
Era pipa pelo céu;
Carrinho de rolimã,
Sonho doce feito mel.
Quem caía logo via
Outro amigo ser fiel.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Na tarefa da escola,
Sempre havia união;
Um emprestava o caderno,
Outro dava explicação.
Se um não sabia a resposta,
Todos davam solução.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Também tinha em casa o jeito
De ajudar sem reclamar;
Varria o terreiro cedo,
Ia a água buscar.
Terminada a obrigação,
Já corria pra brincar.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Nos passeios de domingo,
Cada riso era canção;
Piquenique lá na praia,
Com farofa e emoção.
O mar lavava os pés,
E a amizade o coração.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Vieram os quinze anos,
Festa, encanto e emoção;
Vestido rodando ao vento,
Brilhava o salão.
Os amigos celebravam
Mais um sonho em construção.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Depois veio a formatura,
Conquista de cada irmão;
Abraços, fotos e risos,
Misturados à emoção.
O futuro abria portas
Para uma nova estação.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Cinquenta anos passaram
Como um sopro pelo ar;
Mas as velhas brincadeiras
Ainda fazem gargalhar.
Quando a turma se reencontra,
A infância volta a morar.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Nem só de festa viveu
Nossa bonita jornada;
Também houve despedidas
Na estrada iluminada.
Alguns partiram primeiro,
Deixando a saudade guardada.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Cada nome é uma lembrança,
Cada riso uma oração;
Quem partiu vive na história,
Na memória e no coração.
A amizade vence o tempo
E também a separação.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Se existe riqueza eterna
Que dinheiro não comprou,
É o abraço de um amigo
Que o destino conservou.
Deus abençoe essa amizade
Que o tempo nunca apagou.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
CARRO DE BOI
Carro de boi é memória,
que o tempo nunca venceu;
leva o passado nas rodas
e o futuro que nasceu.
Nasceu de madeira bruta,
Talhada por boa mão;
Do machado e da enxó,
Do talento do artesão.
Feito com força e paciência,
Virou nobre criação.
Sem luxo, ferro ou riqueza,
Só madeira e precisão;
Cada peça bem medida,
Respeitando a tradição.
Era a ciência da roça
Guiando a civilização.
Foi companheiro do homem
Nas veredas do sertão;
Levando pedra e madeira,
Colheita, sonho e feijão.
Era o braço da esperança
Na mais dura plantação.
Carro de boi é memória,
que o tempo nunca venceu;
leva o passado nas rodas
e o futuro que nasceu.
Foi herança dos antigos,
Dos avós e dos bisavós;
Cada sulco que deixou
Ainda hoje fala a nós.
Sua história permanece
Na lembrança de todos nós.
Ajudou na colonização,
Rasgando o Brasil inteiro;
Abriu estrada e caminho,
Venceu barro e atoleiro.
Foi desbravador valente
Do sertão ao tabuleiro.
Na frente seguia o guia,
Experiente condutor;
Atrás vinha o boi de coice,
Também forte trabalhador.
Dois parceiros da jornada,
No serviço e no suor.
Quando o eixo reclamava
Num chiado agudo e forte,
Era um canto da madeira
Desafiando a própria sorte.
Parecia uma cantiga
Ecoando de sul a norte.
Levou engenho e farinha,
Levou cana e algodão;
Levou gente, levou vida,
Levou fé no coração.
Foi estrada sobre rodas,
Foi sustento da nação.
Carro de boi é memória,
que o tempo nunca venceu;
leva o passado nas rodas
e o futuro que nasceu.
Hoje dorme em museus,
Ou na sombra do terreiro;
Mas quem ouve o seu chiado
Vê renascer o vaqueiro.
Pois o carro de boi vive
Na alma do povo guerreiro.
AVÔ, PAI, TIO E PADRINHO
Quando Deus manda uma criança
para este mundo chegar,
não lhe entrega só um berço,
nem somente um simples lar;
dá pessoas de confiança
para ensinar e amparar.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
O avô planta a memória
com paciência e tradição;
conta histórias do passado,
fortalece o coração.
É raiz que nunca morre,
é exemplo e direção.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
O pai ensina o caminho
do trabalho e do dever;
mostra que a honra é riqueza
que ninguém pode vender.
Seu abraço é fortaleza
para o filho florescer.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
O tio chega sorridente,
companheiro da alegria;
é parceiro das aventuras,
da pescaria e da folia.
Sem deixar de dar conselho,
faz da infância poesia.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
O padrinho faz promessa
diante do altar sagrado;
assume um compromisso
de seguir sempre ao seu lado.
Quando a vida traz espinhos,
é apoio abençoado.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
Cada um tem sua missão,
cada qual seu próprio jeito;
um corrige com firmeza,
outro abraça com respeito.
Todos deixam na criança
um amor que bate no peito.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
A bênção de cada um
vale mais que ouro e prata;
é riqueza que acompanha
desde a infância mais ingrata.
Quem recebe esse carinho
nunca vive vida exata.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
Se o menino cai na estrada,
logo encontra uma das mãos;
uma levanta o seu corpo,
outra aquece o coração.
Assim cresce homem de bem,
cheio de fé e gratidão.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
A criança bem cuidada
faz do mundo um bom lugar;
leva adiante os exemplos
que aprendeu no seu caminhar.
E um dia será também
quem vai ensinar e amar.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
Que Deus guarde essas figuras
como joias do destino;
são colunas da família,
são faróis do nosso hino.
Onde vivem esses homens,
floresce o amor divino.
Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.
RIQUEZA DE POBRE
Na riqueza do homem simples
há tesouro sem cifrão;
mora dentro do abraço,
da amizade e do pão.
Quem reparte o que possui
nunca sofre de ilusão.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Vizinho era quase irmão,
porta aberta o dia inteiro;
um chamava, o outro vinha,
sem convite, sem roteiro.
Na tristeza dividia,
na alegria era o primeiro.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
As brincadeiras de rua
eram festa sem dinheiro:
bola de meia, pião,
pipa cortando o terreiro;
cada riso da infância
valia um mundo inteiro.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Na panela, o bom cuscuz,
feijão quente e macaxeira,
tira-gosto no alpendre,
café forte na chaleira;
quem comia repartindo
nunca viveu na canseira.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
O contrato era na fala,
aperto firme na mão;
a palavra tinha peso
feito pedra no sertão.
Quem mentisse por ganância
perdia toda razão.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Compadre era um parente
escolhido pelo amor;
comadre era confiança,
respeito, estima e valor.
Na aflição eram escudo,
na bonança, flor em flor.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
A bênção aos mais velhos
era lei de cada dia;
o ancião era biblioteca
de coragem e sabedoria.
Quem ouvia seus conselhos
colhia paz e alegria.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Banho bom era na chuva
ou no rio a mergulhar;
cada gota era brinquedo,
cada canto um festejar.
A natureza ensinava
sem jamais cobrar vintém.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Nas férias, a casa do tio
era um reino encantador;
rede armada no terreiro,
história contada com amor.
Cada primo era um tesouro,
cada abraço, uma flor.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
O futebol na campina
era Copa do lugar;
gol marcado no chinelo,
sem juiz pra apitar.
Quem perdia dava risada,
logo queria jogar.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Tinha fofoca de esquina,
mas sem ódio ou traição;
mentira sem maldade,
vaidade sem ostentação;
valentia sem braveza,
respeitando cada irmão.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
A fé morava na alma,
na novena e na oração;
Deus entrava pela porta
e habitava o coração.
Quem possuía esperança
nunca viveu na solidão.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Hoje muitos têm de tudo,
mas lhes falta o essencial;
compram ouro e compram luxo,
sem riqueza espiritual.
O pobre guarda no peito
o tesouro mais real.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Que não morra essa herança
da mais sábia natureza:
ser humilde, ser honesto,
cultivar a gentileza.
Pois a alma vale mais
do que qualquer riqueza.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
AVÓ, MÃE, TIA E MADRINHA
Quando Deus envia ao mundo
uma criança em seu nascer,
cerca-a logo de mulheres
que lhe ensinam a viver.
Cada gesto de carinho
faz a alma florescer.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
A avó borda a experiência
com ternura e devoção;
conta causos, faz lembranças,
cultiva a tradição.
Seu colo é porto seguro,
seu conselho é direção.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
A mãe é fonte de amor,
é coragem e proteção;
ensina os primeiros passos,
a verdade e o perdão.
No silêncio de um abraço
fala mais que uma oração.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
A tia chega sorrindo
feito um raio de alegria;
é parceira das brincadeiras,
da conversa e da folia.
Mas também sabe aconselhar
com firmeza e cortesia.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
A madrinha faz promessa
diante de Deus e do altar;
recebe um filho do coração
para amar, guiar e cuidar.
Na bonança ou na tormenta,
nunca deixa de amparar.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
Cada uma tem seu jeito,
cada qual sua missão;
uma afaga, outra corrige,
todas dão a mesma mão.
Na união desses cuidados
cresce forte o coração.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
O café feito com afeto,
o remédio e a oração,
o vestido bem cuidado,
o pão quente e o feijão;
tudo ensina à criança
o valor da gratidão.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
A bênção dada à noitinha,
o sinal da Santa Cruz,
a palavra de esperança,
a confiança em Jesus.
São sementes de uma vida
iluminada pela luz.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
Quando a lágrima aparece,
logo chega uma das quatro;
uma enxuga o rosto triste,
outra acalma o desacato.
E o amor transforma a dor
num bonito reencontro.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
Quem cresce cercado assim
leva o bem por onde for;
faz da bondade um costume,
da humildade o seu valor.
Aprendeu desde pequeno
a linguagem do amor.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
Que Deus guarde essas mulheres
como estrelas a brilhar;
são alicerces da família,
são razão para sonhar.
Onde existe esse carinho,
Deus escolhe ali morar.
Senhoras da minha vida.
Casa, Lar, Ninho e Moradia.
AMIZADE: Moeda Universal.
No mercado desta vida há tesouro sem cifrão; vale mais um bom amigo que um cofre cheio na mão. Quem reparte o seu afeto nunca vive nos conflitos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
Quando a estrada se escurece e a esperança quer partir, surge uma mão estendida para o outro prosseguir. É Deus agindo em silêncio por gestos tão benditos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
Há quem chegue sem alarde, sem promessa ou condição; traz no peito a boa palavra e o conforto ao coração. Transforma dor em coragem com abraços infinitos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
O impossível se encolhe quando um amigo intervém; o peso torna-se leve quando alguém diz: "Eu também." Dois ombros vencem montanhas nos momentos mais aflitos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
Não se compra em feira alguma, nem se vende por favor; é tesouro cultivado com respeito e com amor. Quanto mais dela se oferta, mais se colhem bons frutos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
É remédio para a alma, é farol na escuridão; é a ponte que Deus constrói entre um peito e outro irmão. Quem semeia amizades colhe dias mais bonitos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
Nem o ouro, nem a prata, nem palácio ou posição superam o privilégio de um amigo de coração. Pois a maior das fortunas vive em gestos tão benditos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
Que jamais nos falte a graça de estender a nossa mão, de enxergar no semelhante um irmão da criação. Porque o céu recompensa os corações mais contritos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
LÉGUAS DA VIDA
Nasce o choro anunciando que Deus abriu nova estrada; uma alma chega ao mundo com sua missão traçada. O primeiro passo é dado, sem conhecer a subida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
Cada manhã é uma légua que o Criador nos oferece; uns semeiam esperança, outros colhem o que esquece. Toda escolha deixa marcas na poeira da partida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
Há veredas de alegria, há espinhos no caminho; ora se anda em multidão, ora segue-se sozinho. Mas quem carrega a fé no peito nunca perde a direção da lida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
A infância é campo florido, a mocidade é corrente; a idade madura ensina o valor de cada gente. E a velhice, qual cajado, faz da memória guarida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
Nem riqueza nem poder compram mais um só instante; o relógio segue firme num compasso constante. Só Deus conhece a medida da jornada concedida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
Quem reparte o pão com o pobre, quem consola o coração, vai deixando pelo mundo sementes de redenção. Pois a bondade floresce mesmo após a despedida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
Quando chegar a derradeira curva da estrada cumprida, que encontremos Cristo à espera na morada prometida. Então a morte será ponte para a eterna acolhida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
Por isso vive com honra, com coragem e gratidão; faz da fé teu alimento e do amor tua oração. Porque a maior das viagens é a que conduz à Vida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
ISSO NÃO TEM PREÇO NÃO
Lembro da casa de taipa,
do terreiro e do fogão;
da fumaça da lenha acesa,
do café no bule, então.
Era pouco na despensa,
mas sobrava coração.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
O cuscuz com manteiguinha,
a tapioca no fogão,
o leite ainda morninho,
tirado da vaca à mão;
quem provou esses sabores
guarda eterna gratidão.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
Banho de chuva na rua,
mergulho limpo no ribeirão;
cada gota era brinquedo,
cada riso uma canção.
A natureza era mestra
da mais bela educação.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
Pipa riscando o infinito,
bola de meia no chão,
pião rodando na areia,
bila na palma da mão.
A infância era rainha
sem conhecer ambição.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
A bênção aos mais antigos
era gesto de afeição;
o respeito era riqueza,
não pesava obrigação.
Hoje ainda vale ouro
quem cultiva essa lição.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
O vizinho era da casa,
compadre era um irmão;
bastava um aperto de mão
para selar obrigação.
A palavra tinha força
mais que firma em cartório, então.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
As férias na casa do tio,
rede armada no alpendre, então;
manga madura no pé,
açude cheio no verão.
Cada lembrança dessas
vive firme no coração.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
Hoje mudou muita coisa,
veio a modernização;
tem progresso e tecnologia,
facilitando a missão.
Mas o abraço continua
sendo a melhor conexão.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
Ainda existe quem conserve
a fé na oração,
o café servido à visita,
o sorriso e a gratidão.
Enquanto houver gente assim,
há esperança na nação.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
Não condeno o tempo novo,
nem rejeito a inovação;
só não deixo que o dinheiro
compre minha tradição.
Há riquezas que o mercado
nunca vende em promoção.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
Quem mede tudo em moedas
desconhece a verdadeira razão;
há tesouros invisíveis
guardados no coração.
São lembranças, fé e amizade,
a mais valiosa coleção.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
Se um dia eu partir da vida
com pequena condição,
levarei a maior fortuna:
amor, paz e gratidão.
Pois quem viveu essas riquezas
jamais conheceu pobreza, não.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
MULHERES: Palavras, Frases e Poemas.
No livro da vida humana,
Cada ser traz seu valor;
A mulher tem mil caminhos,
De tristeza e de amor.
Com virtudes e fraquezas,
Ela enfrenta o mundo inteiro,
Pois ninguém nasce perfeito,
Nem vive só por roteiro.
Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas.
Há quem guarde a castidade,
Com respeito e discrição;
E há quem caia na luxúria,
Pela força da paixão.
Entre a razão e o desejo,
Cada alma tem dilemas,
Mas o equilíbrio é caminho
Para evitar os problemas.
Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas.
A caridade é virtude
Que reparte com prazer;
Já a avareza aperta
O coração sem ceder.
Quem ajuda o semelhante
Planta luz por onde passa,
Mas quem vive só para si
Vai colhendo a própria escassez.
Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas.
A temperança ensina
A comer e a agir com medida;
A gula, quando domina,
Traz excesso à própria vida.
O bom senso é companheiro
Da saúde e da prudência,
Pois o exagero constante
Rouba a paz e a consciência.
Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas.
A paciência é abrigo
Nos momentos de aflição;
Já a ira descontrolada
Fere a mente e o coração.
Quem espera com calma e fé
Vence a luta com brandura,
Mas quem se entrega à raiva
Perde a força da ternura.
Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas.
A bondade é luz acesa
No caminho de alguém;
A inveja, quando cresce,
Faz sofrer quem a contém.
Quem celebra a vitória alheia
Mostra grandeza e valor,
Mas quem vive comparando
Esquece o próprio fulgor.
Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas.
A humildade é bonita,
Não precisa se exibir;
Já a vaidade excessiva
Quer sempre se distinguir.
Quem conhece o próprio limite
Anda firme sem soberba,
Mas quem vive só de aparências
Muitas vezes se desorienta.
Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas.
A fidelidade sustenta
A confiança e a união;
A traição, quando aparece,
Traz ferida ao coração.
Quem cultiva lealdade
Constrói laços verdadeiros,
Mas quem quebra a confiança
Afasta os bons companheiros.
Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas.
A amabilidade encanta
Pelo jeito de tratar;
A aspereza machuca
Sem precisar nem gritar.
Quem fala com gentileza
Faz o ambiente florir,
Mas a dureza constante
Pode afastar e ferir.
Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas.
Há mulher trabalhadora,
Que enfrenta o dia a lutar;
E há quem ceda à preguiça,
Deixando o tempo passar.
O esforço abre caminhos
Para o sonho florescer,
Mas a falta de vontade
Pode impedir de crescer.
Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas.
Assim segue a caminhada,
Com virtudes e imperfeições;
Toda mulher traz em si
Lutas, sonhos e emoções.
Não se deve generalizar
Nem julgar por um só tema,
Pois cada alma tem sua história,
E muitas são verdadeiros poemas.
Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas.
