Poesia Caminhos
Desejo que a partir de hoje
Em nossos caminhos haja somente
A luz do Sol, Flores, amores de todas as qualidades
Dias felizes, solução para todas as crises
E uma cadeira de balanço
Nos finais de tarde
Eu vejo a luz do Sol descendo
Iluminando, aquecendo e clareando
A Terra, as raízes e as pétalas das flores
Eu vejo flores
A enfeitar nossos caminhos
A perfumar, A ornamentar, A tornar muito mais belas
A minha vida
A sua vida
E as vidas de todas aquelas
Pessoas que até a pouco tempo
Por viver uma vida de dor
Havia há muito
Se esquecido de algo que sempre vem por cor
Nos caminhos cinzentos pelos quais passávamos
Caminhando em silencio
Antes que os pássaros acordem
E uma cadeira de balanço
No final da Tarde
Eu quero que estejam bem próximas
As manhãs felizes
Que todas as nossas vidas merecem
Que esteja em nossos caminhos
O maior número possível de notas máximas
Que as pessoas que amamos
Estejam sempre bem pertinho
E que nunca recusem-nos abraços
E que possamos apoiar-nos
Uns aos outros
Na realização de cada passo desta dança
Que nos venha sempre
Aquele sonho de criança
Mas que venha sem fazer alarde
E que haja sempre uma cadeira que balança
Onde possamos nos sentar e gargalhar
No final de cada tarde.
A História passada
Há coisas certas
Pelos caminhos equivocados
Tortuosos
Fatos ocorridos neste mundo
Lembranças esquecidas
Que não passam de segundo
A mentira é coisa eterna
Por sua própria natureza
Resta-nos, sem sombra de dúvida
A dúvida, a infernizar as nossas vidas
Busque uma razão e sentido
Em tanto tempo perdido
Tudo expira
Utilize a qualidade
da felicidade que lhe chegar
Antes que lhe expire a validade
Ela pode perdurar por uma vida
Quando bem cuidada
Seja você
O bem que quiser ter
Não permita nunca mais
Que o mundo te obrigue
Ser o que te mandam
Olha ao teu redor
E simplesmente veja
A Lua que à noite te beija
E o Sol que te corteja, ao longo do dia
A vida, enfim
Não pode ser somente
O que te disseram
Que era
Remédio sem cura
Não era
Toda dor
Perdura pelo tempo estipulado
O permitido a mais que isso
É de bom grado, mais nada
Não se esqueça
de fechar as portas ao sair
e deixa ali teus infortúnios
e tristezas
Melhor viver alguns segundos de alegria
A séculos de pura melancolia
Depois de passados
Não lhes resta
Sequer um segundo
E agora viva
Talvez ainda reste algum tempo
Seja feliz
Edson Ricardo Paiva.
Há sinais, que sós
A se deixar ficar
Pelos caminhos vão
A vida foram promessas
Essas
Foram quebradas
Muitas
Antes mesmo de ser prometidas
Mas somente a parte
Que me foi cabida
É igual mirar o Sol
Pra não ver sombras
O mundo equilibrado
Num barbante
Que no instante seguinte
Não parece forte
Difícil saber
Que desde o princípio
Essa previsível
ausência de força e de norte
Não podia ser sabida
A verdadeira escuridão
Que é viva e só
no pensamento
E cega tanto quanto a luz do Sol
Há sinais
Que vemos
Se estamos sós
E sinais que não se lê
Sigo sozinho
e sei somente
Impossível
Buscar em nenhum horizonte
A fonte de luz
Que poderá satisfazer
Plenamente
O monte de escuridão
Dentro nascida
Lento é o movimento
A palavra
Que não quer
E nem pode ser ouvida agora
Espera e depois ela volta
Um dia
O silêncio que se fez forçado
Há de iluminar mais claro e alto
do que todas as palavras juntas
ouvidas
ao longo da vida
Toda escuridão
Que nasce dentro
É fera
Que corrói o tempo
e dói a alma
de forma
Que um dia, lá no futuro
A voz que vem do escuro
desespera
e por isso ela grita.
Edson Ricardo Paiva.
Todos os caminhos
Todos eles levam pra lugar nenhum
E em nenhum lugar existe
Uma estrada que te leve
Uma estrada leve
Que te leve à infância
Nem por breve instante
Nem que fosse só
Pra sentar-se novamente só
No espaldar lá da varanda
E olhar de novo o não passar da banda
Nem que fosse só pra olhar o trem
O trem do tempo
O trem que vem lá da distância
O trem que vem do nada
E leva ao nada
Nada nunca vai levar
A gente a trilhar de trás pra frente
A velha estrada
Que nos leve novamente à infância.
Edson Ricardo Paiva.
Os caminhos da vida.
A vida traz ocasiões
Em que o fogo
É algo que se apaga fácil
É coisa que logo passa
Todo mundo o esquece
Como o céu vermelho, na tarde de inverno
A vida traz muito mais
No desejo de uma paz inatingida
Que se busca de olhos abertos
Num reflexo de espelho
Igual à luz
Da qual você também pensa aproximar-se
Mas, se pudesse olhar pra trás
Talvez sentisse medo
Dessa sombra que se multiplica
A vida tem ocasiões
Onde as luzes se apagam
A vida tem também seus pássaros
Eles nascem novos todo dia
Eles não tem passado
Tem também sorrisos
De onde muitos rostos eles foram
Simplesmente impedidos de existir
Tem também seus caminhos e escolhas
Repletos de flores
Tem ninhos, tem dores e folhas mortas
E fogo difícil
Chuvas simples, que se tornam tempestade
e ninguém vê...mas elas chegam
Junto aos céus azuis
Quando o vê já é muito tarde
É tarde vermelha de outra estação
Num reflexo de espelho
Mas a vida foi vivida tantas vezes
Parecendo coisa nova todo dia
Quando você vê
Vê também não ter passado
Porque esteve com os olhos fechados tanto tempo
Que julgava toda escuridão ser luz
E julgava e julgava e julgava
No desejo de uma paz nunca alcançada
Mas agora é que percebe inexistir retorno
Só caminhos e escolhas
e folhas sem vida
Que também viveram, sem pensar em nada.
Edson Ricardo Paiva.
Percorrer caminhos novos é mais do que uma simples viagem… é a construção de memórias compartilhadas.
A cada estrada, descobrimos novos horizontes, enfrentamos desafios e celebramos conquistas juntos.
Os imprevistos se tornam aprendizados, e as paisagens, cenários de momentos inesquecíveis.
Mais do que o destino, o que realmente importa é a parceria, o apoio mútuo e a alegria de explorar o mundo lado a lado.
Afinal, as melhores jornadas não são definidas apenas pelos lugares visitados, mas pelas pessoas com quem são vividas.
Viajar pela estrada é muito mais do que percorrer distâncias no mapa. É sobre cruzar caminhos com pessoas que, mesmo por instantes, transformam a nossa jornada. Algumas aparecem de repente, como se fossem velhos conhecidos que o acaso decidiu nos apresentar tarde demais. Outras chegam devagar, em conversas despretensiosas, e logo se tornam parte do dia a dia, mesmo que por um breve capítulo.
Há algo mágico nesses encontros. Talvez seja o fato de que, na estrada, estamos todos em busca de algo: um destino, uma aventura, ou simplesmente a liberdade de viver o momento. É isso que nos une, ainda que nossos roteiros sejam diferentes. Compartilhamos histórias, risadas, refeições e, às vezes, até silêncios que não precisam ser preenchidos.
Mas a estrada também exige despedidas. Cada “até breve” vem carregado de esperança e saudade. Sabemos que os caminhos podem nos afastar, mas também aprendemos a confiar nos reencontros inesperados. Porque, na estrada, as partidas não significam finais; elas abrem espaço para que a vida siga seu fluxo, com a promessa de que as melhores conexões sempre encontram um jeito de se cruzar novamente.
E assim seguimos: colecionando histórias e pessoas, carregando em cada despedida um pedaço do outro e deixando algo de nós por onde passamos. Porque é isso que torna a viagem tão inesquecível.. não são apenas os lugares que visitamos, mas as almas que nos encontram pelo caminho.
o que é viajar?
Viajar é isso: cruzar caminhos, dividir histórias, dar risada e, às vezes, só compartilhar o silêncio.
A galera vem, vira parte da jornada, e depois segue outro rumo.
Despedidas? Sempre “até breve”, porque a estrada é cheia de reencontros.
No fim, não são só os lugares que ficam, mas as pessoas e as histórias que carregamos delas.
Já caminhei por muitos caminhos com a cabeça erguida e o peito cheio de bravura. Na juventude, acreditava que a força se media pela intensidade das batalhas que travávamos. Cada desafio era uma arena, cada obstáculo, um inimigo a ser vencido. Eu me jogava de peito aberto, confiando na minha própria determinação, na vontade inabalável de conquistar o mundo.
Mas hoje, na meia-idade, vejo a vida com olhos mais serenos. Aprendi que nem sempre é preciso guerrear para alcançar a vitória. Há um poder sutil, quase invisível, na arte de aquietar o coração. Descobri que, muitas vezes, é no silêncio que moram as maiores respostas, que a fé não é uma arma a ser brandida, mas uma luz a ser sentida por dentro.
A sabedoria, entendi agora, não é medida pelas batalhas ganhas, mas pela paz que conseguimos cultivar em meio ao caos. O verdadeiro triunfo não é sobrepor-se aos outros, mas harmonizar-se consigo mesmo. Então, cada vez que escolho a serenidade em vez do combate, sinto que realizo o maior ato de coragem: acreditar que, ao confiar no fluxo da vida, o universo conspira a meu favor.
E é assim, com o coração aquietado e os olhos no horizonte, que sigo o meu caminho. Hoje, minha vitória é interna, é sobre mim mesmo. Atravesso os dias não com menos vontade de vencer, mas com a certeza de que, muitas vezes, a verdadeira vitória é aquela que só o coração entende.
Nômades da Vida
Você me disse que somos nômades, almas errantes que se perderam em caminhos contrários. Cada passo que damos nos afasta ainda mais, tornando-nos lembranças dispersas no tempo, como folhas levadas pelo vento. As escolhas, implacáveis, nos arrancaram dos abraços possíveis, deixando apenas um rastro de memórias que insistem em sobreviver.
Não importam títulos, cidades ou conquistas. Nada disso pesa mais que a ausência que agora preenche os nossos dias. Você não se importa com vaidades; o que te toca é a verdade silenciosa dos sentimentos que a vida tentou sufocar. Entre nós, não há vitórias que compensem as perdas invisíveis.
Você confessou que ainda me ama — com a força de um tsunami avassalador. Mas o amor, sem presença, se torna um poema inacabado, uma melodia sem refrão. E assim, seguimos separados, com corações que ainda pulsam por uma história que jamais será escrita.
A vida nos transformou em estranhos que se conhecem profundamente. Eu não faço parte do seu dia, não ilumino suas manhãs nem aqueço suas noites solitárias. Somos apenas uma lembrança perfeita, uma possibilidade que nunca encontrou seu destino. Talvez sejamos isso: um amor eterno, mas condenado a existir apenas na saudade.
Nos Teus caminhos eu quero andar,
Tua presença é meu lar, meu altar.
Oh, Amado, és tudo pra mim,
Minha vida, meu canto, meu doce fim.
Ele muda caminhos, reescreve a dor,
Restaura o perdido, cura com amor.
Se o teu ontem foi cheio de luta e derrota,
Com Ele teu hoje é graça que brota.
Teus caminhos são fontes de provisão,
Tua mão me sustenta em cada estação.
Nenhuma necessidade me faltará,
Pois és o Deus que sempre cuidará.
Os que me cercam com intenção de ferir,
Sete caminhos irão fugir.
Pois quem me defende é o Leão,
O Deus de justiça e proteção!
Se eu ouvir Tua voz, ó Senhor meu Deus,
E andar Teus caminhos, fiéis e teus,
Então, sobre os montes, me farás voar,
E bênçãos do alto virão me alcançar.
Ali não havia coroa de espinhos,
mas um trono que nascia nos caminhos.
Cada discípulo com uma missão no olhar:
levar a cruz, o amor e o verbo amar.
Senhor,
prepara-me para Tua cidade.
Faz-me andar em vestes limpas,
em caminhos retos, em esperança viva.
Escreve meu nome no Teu livro,
e sustenta minha fé até o fim.
Desejo mais do que ouro e rua de cristal —
quero estar onde Tu estás.
É Deus quem planta e quem arranca,
quem fecha ciclos e abre caminhos.
E ainda que pareça perda,
é amor, é cuidado, é renovo divino.
Escolhas ecoam na vida,
cada atitude abre ou fecha caminhos.
Diante do câncer e da perda de movimentos, escolhi o verbo em vez do silêncio, tornei‑me narrador da minha própria história. A dor não desaparece,
mas, ao escrever, reencontro o controle
que pensei ter perdido.
Nossos traumas moldam os labirintos da nossa mente, criando caminhos sinuosos para a ansiedade.
Lilian M Dutra Pugliese
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