Poemas Góticos de Amor
Quando dia 18 anos pensei: Acho que vou morrer antes dos 25.
Depois tive que alterar o prazo. Antes dos 35, então? Novamente tive que rever a estimativa. Vai ser antes dos 45!
Pô! Parei com esse distúrbio neurótico; CHEGA!!! Mas, aos 55 não chego não. Rs rs rs.
(...)
Ah, se não fosse a divina promessa
De uma nova terra, uma nova vida
Perfeita, justa e diferente dessa…
Porque se não fosse esta segurança,
Certamente valeria mais a partida
Do que esta vil, cruel e penosa lida!
A estrela
Cerra-se as cortinas do palco
A estrela que então brilhava
Sente o fim do seu ultimo ato
Com os aplausos que já não ecoam mais
Vultos e sombras circulam pelos camarins
Como recordações de uma vida inteira
Risos, lágrimas e emoções
Formam quadros de uma cena
que se voltam ao silêncio do choro comovido
Da pequena platéia que a espreita
As luzes então apagam-se lentamente
A escuridão toma conta do cenário
A solidão e um vazio invade minha alma
É o fim do seu ultimo ato
"O fim de um Poéta"
Morreram as tuas palavras,
Tiraram-lhe as idéias,
Mas ficaram teus sentimentos.
A dor que sinto em minha alma...
Agora saem dos meus olhos,
Lavando-me o rosto,
Escorrendo sem calma
Ensopando-me o ego.
Sem dó ou piedade,
Palavras, que demostrava um sentimento puro,
Foram apagadas, deixando um espaço em branco
No livro e no tempo.
Matando sentimentos, ferindo idéias.
Como que tirando de um corpo.
Que ainda sorria...
A vida e a alma de um poeta.
(Vieira Lima)
Na enfermaria masculina do hospital geral
Seis homens me olham
Declaro que estão todos de alta
Prontos pra morrer em casa
Sinto-me sufocada por tudo o que me rodeia,
Sinto-me sufocada pela dor que me consome,
Sinto-me uma ovelha desgarrada do seu rebanho sem saber qual rumo tomar,
Sinto-me uma perdedora,
Sinto-me vazia.
É como se gente eu não fosse.
Sinto-me como um problema na vida de todos que me cercam.
A cada dia que se passa perco o restinho de esperança que me resta, não tenho mais certeza de que as coisas vão dar certo.
Estou esgotada, frustrada, angustiada, sufocada.
Sufocada com as perdas,
Sufocada com o presente,
Sufocada pelas mágoas.
Chegando ao ponto de derramar oceanos pelos olhos.
Não sei para que lado devo ir, não sei que rumo tomar, não sei para onde seguir.
Queria apenas um mundo só meu, onde não me sentisse assim nunca.
Estradas e mais estradas.
Quero fugir, correr, andar, por qualquer lugar sem destino. Com apenas a mão de Deus guiando os meus passos.
Uma vez diante do maior e pequeno homem que já vi
Minha sentença foi lacrada, pelo roubo, pela fome.
Populares os pequenos animais livres e ditadores queriam a minha morte.
Chegou então a hora de minhas ultimas palavras
Ergui minhas duas mãos acorrentadas e pensei (Diante do mundo que me imponho, diante das leis que caíram sobre mim, diante hoje meus últimos dias, minhas ultimas palavras mudarão o que eu sou?)
Olhei em olhos sem alma e disse: Se vivo em um mundo onde os homens não sabem o seu verdadeiro valor, eu me entrego a morte.
Se vivo em um mundo sem irmandade, eu digo que todos vocês estão sozinhos.
Não vejo futuro para este mundo.
Eu não vejo nada.
E em meio às incoerentes linhas dessa vida desordenada vou caminhando me contorcendo entre mais espinhos que flores...
Atiro-me ao primeiro choro, me arrisco ao primeiro soluço, me reviro na cama à procura de algo que nunca tive ou esqueci que tive ou quem sabe tenho e não sei conviver com tal.
Entrego-me a primeira música, sem abreviações me faço completa e pergunto a mim mesma que negócio é esse de ficar assim sempre nessa melancolia de doer. Aonde ando que não me encontro?
Mais um dia à procura de mim mesma nos estreitos vãos da vida.
- Ah, eu não quero sair hoje. Estou muito feliz para me divertir.
- E por que não vai?
- Oras! É na depressão que é necessário sair, pois assim você mascara a solidão. Equilíbrio, sabe?
Velhice
Crendice
montanha distante
pele trincada
memórias
coração fechado
amargo
senil
falta de apetite
falta de sono
falta de vontade
mau humor
pistas de uma vida
egoísta
pobreza
solidão
tristeza.
Indignação
Não tente aparar minha indignação,
Pois meus sentimentos são finos tratos de verdades caladas,
Não por interromper minha voz ao declamar ao vento meu pensamento,
E sim por clamar aos berros meus lamentos á portas fechadas da vida.
Eu gostaria que só uma vez meu clamor mudasse algo,
Tocasse aquele coração já adormecido na apatia do dia-á-dia.
E assim fizesse que um, apenas um, se erguesse indignado,
Olhasse diretamente no olho do mal que assola nosso subconsciente
E bradasse com gritos de socorro á DEUS atormentando o mal adormecido
E livrando-nos de frases que nos matam aos poucos... "tô nem ai".
Ou simplesmente arrebentasse a apatia com um silencio atormentador,
Que faria correr nosso acomodamento e frieza.
Sentiríamos mais amor, mais calor, e por que não... mais dor,
Nos mostrando que vivos ainda estamos e não mortos como já imaginávamos.
Arrumei a casa, fiz uma faxina:
Tirei a poeira dos livros que nunca escrevi
Guardei cada lembrança esquecida em seu álbum
Separei e selecionei cada filme que vivi e revivi.
Organizei meus “antigos novos” sapatos,
aqueles que eu não usei em todas as festas que recusei.
Desfiz as malas de cada viagem perdida
Repassei as horas marcadas
em meio a tantas outras escondidas.
Enxuguei toda a tristeza que da janela escorria...
E a despachei.
Não quero encontra-la tão cedo.
Hoje, minha casa está aberta apenas à alegria.
E que seja bem vinda e bem vivida!
Ser trocada por uma mulher bonita, fina e elegante é uma coisa, mas ser trocada por uma broaca, feia e brega é triste para poder agüentar.
Pensando bem, ser trocada não faz bem de qualquer maneira.
Cláudia Leite S.
O TEMPO VAI PASSANDO
O cérebro não vai lembrando, os cabelos vão branqueando.
As forças vão se acabando, a voz só sussurrando.
As pernas se enfraquecendo, os olhos quase não vendo.
A pele vai se enrugando, os ouvidos quase não escutando.
Os cabelos vão caindo, o sorriso vai se contraindo.
A coluna vai se curvando, as juntas vão se afrouxando.
A aparência vai se indo, os amores vão partindo.
O frio vai aumentando, os dias ficam mais longos.
A morte de longe vai se avistando, os amigos se distanciando.
E o tempo vai passando e a saúde só aumentando
Mas vamos que vamos.
SOBRE A HIPOGLICEMIA
Num contexto psicológico pontual, na convulsão o que sentia era o medo de morrer, o que verificava facilmente com a convulsão. Sendo a glicose o combustível do cérebro, o que sei é se porventura “dormisse”, parasse de me debater, eu morreria. Acho que essa é uma reação inconsciente do organismo – o instinto de sobrevivência -, a sensação de que precisamos nos agarrar àquela única tábua de salvação e garantia de vida, sem a qual tudo ficaria escuro e deixaríamos essa mesma Vida, escorrendo por aquele túnel sombrio e gelado da morte.
NA HORA DO ADEUS!
Ao apagar das luzes,
No meu suspiro derradeiro,
Não serei o último nem o primeiro
A temer o por vir!
Mas quero me sentir por inteiro
Antes de, para sempre, partir!
Na ânsia de, a todos, me despedir
Quero ter ao menos um semblante de paz!
Mas também quero, a vocês, pedir
Que ninguém repare no que deixei pra traz,
Pois esse é um momento que me satisfaz.
Talvez, de todos, o mais importante na vida!
Só quero fechar os olhos e nada mais;
De vocês, o consolo da despedida!
E que eu fique na lembrança enternecida
Do desejo de dias outrora!
Não quero se quer uma lágrima caída
Daquelas dos olhos de quem chora.
Pois vejam que chegou minha hora,
Do adeus, para todos improrrogável!
E para sempre, a partir de agora,
Depois do meu fim inevitável,
De onde estiver serei mais amável
Do que pude ser nesta existência.
Já me livrarei do peso inimaginável
Deste corpo, nesta pobre experiência,
Onde tudo acaba, mas sobra a essência
Do ser, construída eternamente!
Sabendo que meu corpo entrou em falência
E ficou impossível conservar a semente,
Partirei desta para sempre!
E a vocês, deixo o meu adeus!
SORRIA PALHAÇO, SÓ RIA!
Viche Palhaço,
a maquiagem borrou num respingo de lágrima.
Hoje a dor transcendeu o banco do camarim,
O que houve, Palhaço?
Viche Palhaço,
As cores vivas que lhe vestem hoje
desaparecem perante a alma mendiga.
Hoje suas tintas dão-lhe outra cor
Que cor é essa, Palhaço, que dor?
Viche Palhaço,
Você, tão feito de sonhos
Parece imerso no avesso do riso.
Que rio é esse, Palhaço, que não lhe riu?
Viche Palhaço,
Seu nariz vermelho tá torto,
sua tinta desbotada quão folha a secar.
Que cara é essa Palhaço, de noite escura?
Que você tem, Palhaço?
E o que não tem?
Suas lágrimas sangram hoje não só por dentro.
Ê, meu Palhaço, o circo lotado não lhe preenche os vazios.
Ô, meu Palhaço, o riso desgastado lhe parece cansar os músculos da face...
Ah, meu querido Palhaço, quem, por trás da cortina entre palco e real roubou se astral?
Foi o dia? Foi a lua?
Ele hoje é seu. Ela hoje é sua.
Se ajeite Palhaço.
Sorria. Só ria!
Daqui a pouco as cortinas se abre e o show recomeça.
Daqui a pouco a pipoca pulada, as tantas risadas, os pais, os filhos, a rua, chegam todos pra lhe ver.
Pra rir de você,
pra rir com você.
Levanta Palhaço, ainda que a dor lhe aborreça,
a esperança adoeça e angústia lhe pare, não esqueça;
a vida ainda continua.
ODE AO OUTONO
Como quem quisesse cantar um segredo
Pulastes e Voastes em sossego
Do alto de um galho
Saudades de Brumário
O vento que nina as árvores
E que carrega rios
É o mesmo que varre o chao.
Colore de amarelo a estrada da solidao
O Lírio que decora velório,
Tu é o mais fiel expectador
da expectativa da dor
da vida do que foi e
dos que tentarao
em vao ser saos.
O que tu és se nao um torpor de verao?
O que tu és ingrata agonia?
Se nao a curva que a estrada rasga o chao?
És a sintonia da ironia
A insonia devida
de vida
da Vida.
SÓ UM PINGO
Um pingo de chuva pode predizer uma tempestade;
Um pingo na pia, virar insônia;
Um pingo no i, esclarecimento ou satisfação.
Um pingo de gente, pode vir a se formar um grande líder;
Um pingo de molho, na camisa branca, fim de festa;
Um pingo de perfume, repulsa ou sedução.
Um pingo de lágrima, expressar alegria.
Um pingo de lágrima, exprimir tristeza.
Um pingo de lágrima, significar saudade.
Um pingo de lágrima, traduzir solidão.
Vou beber uma pinga com mel, gelo e limão.
