Poemas Góticos de Amor
Por enquanto peço desculpas, mas preciso ficar com minha dor.
Não fugirei covardemente. É que não pretendo arrasta-la por novos caminhos, então estaciono, choro, grito, sofro! Mas arranco o que me machuca, como uma cirurgia que precisa ser realizada. Sim, estarei me sujeitando ao repouso, aos cuidados.
Estarei cuidando de mim, mas prefiro fazer isso sozinha, sempre fui assim.
O destino final de tudo e todos é um só, então, porque não usufruirmos do
breve tempo que nos é dado nessa mera existência... Vamos lá, sejamos
ousados na medida certa e vamos aproveitar o belo presente que ganhamos
de Deus todos os dias: Mais um dia de vida.
já que atravesso abstractas conchas de enxofre
despeço-me gradualmente dos pequenos pedaços de
carvão que ressoam obtusamente como lúmen dentro
da sua ardência.
Pus-me em cima duma coagulada faca p’la ideia de
colher a verdade p’ra lá da aberta janela em que
a voragem colhe comigo os mimos dum fatal paraíso
tropical.
Ouço cântaros a darem gargalhadas enquanto anéis
em ruído fincam-se nos violinos calados. Nada
real acentuará ser isto, lógico que a poeira que
piso desamarrará tal malha com isco. A
civilização é clandestinamente isto.
Essa macia tarde deveria ser movida para trás
evitando que um nicho de archotes me destapasse o
meu cru estômago desobstruindo imbativelmente
crateras servidas em divisíveis taças que mal
conseguem expiar as monstras vidraças ressentidas
através de sãs mentiras.
viajantes mentiras.
morre neve lá fora como uma espécie de absorvente
barro, no entanto, se eu estivesse no decurso da
cor do adro faria-me rosa-pérola glaciar.
O vale sacode nuvens ao sol de teus olhos
A floresta deflagra exibidas criaturas
O pasto afia lápis nos felpudos repolhos
As corolas sábias fazem-se linguarudas
Porque é que temos de obedecer ás tormentas?
Porventura serão relógios que se colam nos
corações sem emendas? e depois contaminam nossos
dedos de gume?
Pois, já cheguei à conclusão de que nunca irei
perceber a analítica miragem, por isso só me deve
restar despir a elipse da vertigem! que bom
viver-se doido e doido e sentir-te naufragar na
invejosa aparência!
Hurra, Hurra, que pertinência!
Ora bem, uma agulha encalhada num viciante
arbusto no momento em que vai começar a cair
representa nada mais que psicológicas represálias
em guerra com as aveludadas lagoas coladas ao aço
de teus nervos alcoviteiros.
Tão transparente como morderes os ramos dos
arbustos e apaixonares-te p’lo seu interior
comovedor.
Num só gesto de gesso desordenado, tombo para a
negra chuva triunfal! Ela guarda-me em seu bolso de
adobe arminho. mansíssimo viro-me escancarado,
pisando grainhas das serranias que quase voam como
lástima inté banhar-me no ternurento silêncio em
flor...
Devo morrer indolor SILÊNCIO
Aquela afligida atmosfera da loucura, sempre e sempre
me perseguiu quando engolfava, caprichosamente,
durante as destinadas descidas aos selados planetas
esboçados nos trémulos blocos de gelo como varandas
tribais no interior de uma jarra abençoada por flores
a arder penedos a cima. Era eu assomada vertigem
sibilante.
quis afligir minhas preces, minha cama, minhas ternuras-
nervuras, minha sobriedade, minhas imigradas
alvoradas, minha levedura.
Agradeci à desventura que me tenha inspeccionado,
imemoravelmente, possuindo minha síncope comoção,
alimentando-a com cambaleantes vielas e ondeantes
ruelas enriquecendo-me com orgias isentas de vozes.
Era eu assomado lascivo silêncio costurado a meus
querubins lábios.
vivo apenas hoje para beijar a loucura.
SORRIO no momento em que o sol-pôr cantante se encarcera
nos musicais tendões dum qualquer alçapão,
esprema profusamente chacais sobre vedação fractal,
e atravesso dulcíssima brisa numa gotícula em avesso!...
Nem
sequer
me
ocorre
a
ideia
de
cerrar
os
olhos
e
não
rodopiar
veemente
com
a
INFELICIDADE.
Talvez
depois
de
ontem
salude
a
bela
FELICIDADE.
quis Prudência.
dum álamo prescrevi lamacentas aberrações!
tive Prudência.
bailei misericórdias de defuntos, fragmentei ânimos definitivamente!
senti Prudência.
as promessas emboscadas nos eclécticos cortejos boiam indefinidas pelas remessas.
oh, palpitações e retóricas combinações! rumores empertigados no agreste solstício e paisagístico.
pego agora num pequeníssimo revólver detono espadachins de lembranças.
virei Prudência!
Livre Arbítrio Ofertado
Quem ama cuida e zela, palavras clichês de muitos poetas, mas esquecem de mencionar que o amor para ser durável ou perdurável no tempo, precisa que o livre arbítrio de um, seja ofertado ao outro.
Confúcio anunciava "O pessimismo torna os homens cautelosos, enquanto, o otimismo torna os homens imprudentes."
E o excesso de confiança e esperança em nós mesmos nos destruiu. As tecnologias, os saberes humanos que tanto aglutinam, nos distanciaram definitivamente – Isolaram-nos numa bolha de orgulho e egoísmo, onde ninguém precisa de mais ninguém.
No fim tudo o que conhecemos se desfará. E quando da última 'crise de riso' alguém se despertar, descobrirá enfim: Nós causamos tudo isso! Destruímos nossas famílias, para acreditarmos em ilusões medíocres, para erguer bandeiras de ódio...; Fingir parecia ser tão divertido, todos fingem afinal.
Será tarde demais para entender que exagerar nos planos que fazemos para o futuro rouba de nós o presente; nos faz morrer sozinhos sem nenhuma boa lembrança da vida; sem sentimentos de honesta satisfação. E por fim, não haverá ninguém para velar nosso corpo frio, ninguém para regar nossas sementes, ninguém para alimentar o nosso cão.
Sad words
Words
Look soft
But they hurt
Not afraid of attack
They just stay there
And never come back
Eles pensam que chegaram ao ápice da evolução
Mal sabem eles que outros também pensaram, antes da extinção.
Esse Capitalismo sedento, que contabiliza o mundo
Por uma liberdade comprada
Meu valor medido por lucro/hora.
Sou uma cor em um gráfico de rendimentos.
Será que valho o investimento?
Vendemos vida por salário minimo,
No Mercado quanto valem os sorrisos?
Vivemos em sociedade, seres da razão.
Enquanto os animais vivem em grupo,
Para própria proteção.
Vivemos cada um por si nessa selva de distinção.
Troco esse poema por um pedaço de pão,
Um arroz com feijão, porque pra quem não tem nada,
De nada adianta alimentar o coração.
Essa liberdade sai cara,
tantas vidas acabadas.
Será que ainda cabe perguntar,
Se a minha felicidade cabe no orçamento?
